quinta-feira, 12 de outubro de 2017

EDUCAÇÃO E DINHEIRO OLAVO DE CARVALHO-

O povo brasileiro talvez seja o mais dinheirista do mundo. Acredita que se algo lhe der dinheiro, o restante far-se-á tudo por mágica. Inverte a lógica da coisa: crê que primeiro deve ganhar um dinheirão e depois irá estudar, se tornar um camarada inteligente. Os outros povos sempre procuram ficar inteligentes para depois resolver os problemas; aqui, não: querem resolver os problemas primeiro e ficar inteligentes depois. Toda a noção que se tem de educação no Brasil é absolutamente falsa. Nunca houve a ideia de que a educação mesma seja um valor em si importante para a própria consistência, para a própria formação do indivíduo. 
O sujeito, sempre que vai estudar alguma coisa, pensa: "Vou estudar para quê?". O estudo tem que entrar por ele como se fosse um tubo digestivo: penetra por um lado e sai pelo outro. Não se tem a ideia de que a educação se incorpora; que a educação não foi feita para lhe dar instrumento para alguma coisa, mas para formar você, para você ser alguma coisa, para você ter uma personalidade, uma consciência, saber fazer suas escolhas, saber quem você é, se orientar no mundo et cetera. A educação como fator de desenvolvimento e fortalecimento da pessoa humana aqui nunca existiu.

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