segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ruy Castro: "Núcleos mais ou menos duros"


Ruy Castro: "Núcleos mais ou menos duros"

BRASÍLIA, DF, 12.09.2016: CARMEN-LÚCIA - O ex-senador e ex-presidente José Sarney na cerimônia de posse da ministra Carmen Lúcia na presidência do STF. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)///BRASÍLIA, DF, BRASIL, 30.08.2016. Senador Fernando Collor discursa durante a Sessão do Senado Federal para o julgamento do Impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. (FOTO Alan Marques/ Folhapress) PODER///SÃO PAULO, SP, 20.09.2016: FERNANDO-HENRIQUE - Entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. (Foto: Marcus Leoni/Folhapress)///(170324) -- SAO PAULO, marzo 24, 2017 (Xinhua) -- El expresidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (d), participa durante el evento llamado "Lo que Lava Jato ha hecho por Brasil", en Sao Paulo, Brasil, el 24 de marzo de 2017. "Lava Jato" es el nombre dado a la investigación de corrupción más grande centrada sobre la compañía estatal Petrobras, en la que Lula ha sido acusado, de acuerdo con información de la prensa local. (Xinhua/Rahel Patrasso) (rp) (jg) (fnc)///PORTO ALEGRE, RS, 03.04.2017: DILMA-ROUSSEFF - A ex-presidente Dilma Rousseff concede entrevista à Folha, em sua casa em Porto Alegre, onde fala sobre as delações de Marcelo Odebrecht e do processo de cassação de sua chapa. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
Os ex-presidentes Sarney, Fernando Collor, FHC, Lula e Dilma, citados na delação da Odebrecht

Folha de São Paulo


Há anos o país tem escutado uma expressão ainda sem assento nos dicionários, mas que todos os políticos, economistas, sociólogos e jornalistas conhecem: "núcleo duro". Núcleo, segundo o "Houaiss", é o centro, o cerne, o eixo, o âmago, a base, a origem, o miolo, o fulcro de alguma coisa. Agora imagine tudo isso, só que duro. Passa a ideia de algo rijo, volumoso, quase fálico, ameaçador —que, se não ficarmos espertos, poderá voltar-se contra nós.

Em política, o "núcleo duro" significa um grupo de pessoas em torno de um líder, para apoiá-lo, protegê-lo, blindá-lo, lambê-lo, afagá-lo e, se preciso, aconselhá-lo ou convencê-lo de que, em tal ou qual circunstancia, a medida a tomar é x, não y. 

Daí que, para fazer parte de um "núcleo duro", o sujeito tem de ser, ele próprio, um peso pesado, alguém capaz de manipular milhões, esmurrar mesas ou erguer um destemido punho. Infelizmente, como a história ensina, os "núcleos duros" são formados de seres humanos, falíveis, e, um dia, tudo que eles representam degringola.

O PT, por exemplo. Se Lula e Dilma precisassem se reunir hoje com o "núcleo duro" que os acompanhou e serviu por tantos anos —Dirceu, Genoino, Delúbio, Delcídio, Vaccari, Pizzolato, André Vargas, Palocci, tantos mais—, não teriam como. Os indigitados estão cumprindo pena e reservando o beliche de cima para os companheiros que logo se juntarão a eles. Já com a estrela secreta de seu "núcleo duro" —Marcelo Odebrecht—, Lula e Dilma não querem mais papo.

O "núcleo duro" em torno de Michel Temer no PMDB —Jucá, Padilha, Moreira Franco, Eunício, Lobão, Renan— também galopa para um estado de irreversível flacidez.

E o PSDB, ajoelhado aos pés de FHC, com Aécio, Serra, Alckmin e coadjuvantes, nunca teve exatamente um "núcleo duro". "Démi-bombé", talvez.

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