terça-feira, 11 de abril de 2017

O que Doria roubou de Lula Por Mario Sabino


Ontem o PT fez eleição interna para escolher dirigentes e delegados municipais. A participação foi um fiasco: 200 mil votantes ante 420 mil em 2013. A direção do partido diz que a queda se deve a mudanças na forma da eleição, mas a verdade expressa pelos números é que o entusiasmo dos petistas pelo PT é metade do que era antes da eclosão da Lava Jato, do impeachment de Dilma Rousseff e de o partido sofrer uma derrota acachapante nas urnas em 2016.
Outra notícia ruim para o PT é que uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, noticiada com exclusividade por O Antagonista, mostra que, na periferia de São Paulo, os trabalhadores que votaram em Lula e deixaram de votar em Dilma sonham em empreender e se consideram parceiros dos empresários que os empregam. Mais: eles comparam positivamente Lula a Silvio Santos, como alguém que subiu na vida dentro do sistema capitalista. Podemos concluir que ficou mais difícil vender o baú ideológico do PT, sem contar que Lula é empreendedor do dinheiro alheio, fato que tende a ficar cada vez mais claro à medida que avançam os processos e investigações da Lava Jato. Como era esperado, Marcelo Odebrecht confirmou hoje que o petista é mesmo o “Amigo” da planilha da propina.
Para completar o quadro, tem-se João Doria, que esmagou o PT nas eleições municipais. O Datafolha tentou esconder que 55% dos paulistanos entrevistados pelo instituto agora querem Doria na Presidência da República. Ele não é só o anti-Lula ou o anti-esquerda. É também o tucano anti-tucano. É, principalmente, o anti-Temer, como se verá daqui a alguns meses. Ele tem de suplantar muitas dificuldades para tornar-se candidato (Geraldo Alckmin e os seus operadores na imprensa paulista, por exemplo, trabalham para torpedeá-lo), porém o mais difícil ele conseguiu em tempo recorde: Doria roubou o anti-tudo-isso-que-está-aí de Lula.
Se eu fosse petista, também estaria desanimado.

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