quinta-feira, 13 de abril de 2017

O drama da professora que não é de esquerda


O drama da professora que não é de esquerda

Professora de História da UEM fala sobre as perseguições que vem sofrendo em ambiente dominado pela ideologia esquerdista





Os Jdanovs, Kaganovichs e Guevaras da universidade brasileira entram em pânico quando descobrem a existência de um professor não-esquerdista (e competente) em sala de aula. Por isso, a professora Suelem Carvalho, do Departamento de História da UEM (Universidade Estadual de Maringá), está sendo vítima de uma sórdida perseguição no ambiente acadêmico. E você sabe qual é a terrível acusação que pesa sobre Suelem? Ela é conservadora. Para a polícia universitária do pensamento, mostrar aos alunos as altas realizações da cultura conservadora e liberal é um crime inafiançável, imperdoável e imprescritível. Leia a seguir a entrevista que a professora Suelem concedeu à coluna:

Avenida Paraná: Há quanto tempo você é professora da UEM? Quais são as disciplinas e as referências bibliográficas utilizadas?
Suelem Carvalho:
 Trabalho na UEM desde 2010. Inicialmente como professora colaboradora e, a partir de 2012, como efetiva. Sou concursada em História Moderna, mas desde 2013 tenho lecionado História Contemporânea também. Minhas aulas são pautadas pela busca sincera da verdade. Eu sei que a história é sempre limitada e muito subjetiva, porém acredito piamente que existe uma verdade dos fatos e que o trabalho do estudioso da história e tentar se aproximar o máximo possível dela. Não acredito no discurso culturalista de que tudo é relativo; que a história é feita apenas de construções narrativas, pontos de vista diversos, que, em síntese, se equivalem na incapacidade de reproduzir a verdade. Aliás, não entendo como um professor é capaz de sustentar tal postura teórico/filosófica e ao mesmo tempo exigir que os alunos encarem seu trabalho como algo sério. Qual é o sentido da pesquisa, do esforço investigativo, se o que produzimos é tão somente um discurso sem intimidade com a realidade? Não vejo sentido no estudo se tudo é considerado tão somente construção narrativa. E é justamente por acreditar que é possível a busca sincera da verdade que eu encaro a profissão de professor de história com a máxima responsabilidade. O historiador não pode inventar o passado ou omitir uma parte da história. É verdade que o pesquisador escreve sempre a partir de um ponto de vista, mas isso não significa que ele pode mentir, distorcer ou omitir. Se os alunos leem a versão de Eric Hobsbawm sobre o período moderno e contemporâneo, mas não leem nada desde o ponto de vista de um pensador conservador, eles terão uma visão completamente distorcida da realidade. Eu acredito até mesmo que, neste caso, podemos usar o termo lavagem cerebral, pois sem o cotejo de ideias contraditórias não há maneira de produzir um juízo arrazoado sobre qualquer período ou fato histórico que seja. Por isso eu sempre trabalhei com autores progressistas/revolucionários e autores conservadores em meus cursos. No espectro da esquerda, nas disciplinas por mim ministradas, é possível ler clássicos do pensamento revolucionário como Marx, Engels, Lênin, Rosa Luxemburgo, Trotsky, mas também conservadores como Tocqueville, Paul Johnson e Niall Ferguson, por exemplo.

Como você avalia a sua relação com os alunos e o seu trabalho em sala de aula? Eu nunca tive nenhum problema com qualquer aluno até o presente momento. Na minha opinião, eu sempre me relacionei muito bem com todos os alunos.

Como surgiu o dossiê de alguns estudantes contra você e seus colegas conservadores?
Primeiro é importante destacar que o corpo docente do curso de História-UEM, campus de Ivaiporã, é majoritariamente composto por professores liberais ou conservadores. Isso naturalmente gera uma situação de contraste com os outros cursos de humanas na UEM. Creio que os alunos denunciantes foram instrumentalizados por um conjunto de professores que se sentem confrontados pelo trabalho que eu e meus amigos conservadores fazemos em Ivaiporã. Sabemos que as motivações políticas e ideológicas são realmente muito fortes entre a chamada elite intelectual. No Brasil acredito que há um agravante, pois estamos vivendo um momento de transformação política/cultural importante. Eu encaro o tempo atual como um tempo de mudança de paradigma e, nas universidades, há um ponto de maior tensão, pois é onde se concentra o maior número de pessoas que se sentem ameaçadas com as transformações que nosso país vem experimentando. Não digo que não haja por parte dos alunos nenhum tipo de espontaneidade na preparação do dossiê. Eu realmente acredito que as pessoas sentem muito ressentimento umas pelas outras e, infelizmente, elas estão mais propensas a agirem de maneira vil do que de forma honrosa. É possível que alunos se sintam oprimidos, humilhados, constrangidos por coisas que os professores dizem em sala de aula. As relações humanas são muito complexas e subjetivas. Vou tentar mostrar um exemplo: eu sou católica e, obviamente, conservadora. Eu tenho alunas feministas. Só esta situação já gera uma tensão entre mim e elas, entende? Então, o que eu estou querendo dizer é que, sim, pode haver uma sensação de opressão por parte de alguns alunos nossos de Ivaiporã, que claramente não se identificam com o pensamento conservador. Mas isso é algo completamente subjetivo e que nós, professores, não temos muito como controlar. Obviamente, eu acredito que há uma forma de aplacar essa tensão que naturalmente pode existir entre uma conservadora e uma feminista e eu tento tratar meus alunos com o máximo possível de respeito e dignidade.

Quais os interesses por trás dessa história? Eu acredito que é assassinato de reputações: uma maneira de liquidar os inimigos "sem sujar as mãos". Tal prática é bastante comum na história da esquerda, mundo afora. Podemos dizer que é, em essência, o modus operandi dos revolucionários. Há interesse por parte de alguns professores e alunos em fechar o curso de Historia de Ivaiporã, justamente pelo fato de eu e meus colegas termos nos estabelecidos como antagonistas do discurso hegemônico presente nos cursos de ciências humanas. As coisas ficaram mais difíceis depois que o curso de Historia de Ivaiporã recebeu nota quatro no Enad, enquanto o curso sede ficou com a nota três. Acredito que isso aguçou a fúria daqueles que estão acostumados a não serem contestados e que, confortavelmente, fraudam a verdade e subvertem pessoas.

O que há de verdadeiro na crítica dos estudantes, se é que há? Eu tenho refletido bastante sobre isso. Quem me conhece sabe que eu não sou de maltratar ninguém. Quando isso acontece, eu sou a primeira a sofrer. Penso que o professor deve ser gentil e sensível com seus alunos, mas, eventualmente, não respondemos exatamente com delicadeza às pessoas. Eu reconheço que isso pode ter acontecido em algum momento comigo ou com alguns de meus colegas de trabalho. Evidentemente, isso deve servir para nos tornar mais sensíveis aos alunos.

Por que dois estudantes retiraram suas assinaturas do dossiê? Eu e meu colega de trabalho entramos em contato com dois dos alunos porque eles eram pessoas próximas a nós e pelos quais nutríamos alguma consideração. Nós perguntamos abertamente o porquê da denúncia, ao invés de uma conversa franca onde os ressentimentos são expostos. Bem, as respostas de ambos os alunos foram no sentido de que o dossiê veio pronto até eles, basicamente foram cooptados a assinarem as denúncias.

Como se deu a utilização de carro oficial da universidade?
Três alunos foram, com autorização da direção do campus de Ivaiporã, até Faxinal coletar a assinatura de uma ex-aluna do curso que fez queixas (depois retiradas) contra um professor amigo meu.

Qual foi a reação dos órgãos oficiais da universidade diante do que aconteceu? Na reunião de departamento (DHI) e na reunião de Conselho Interdepartamental (CCH) o dossiê foi lido e eu e meus colegas denunciados fomos execrados publicamente. Não tivemos resguardadas nossas imagens, bem como não nos foi garantida a presunção de inocência uma vez que os comentários dos nossos pares foram depreciativos, desonrosos e incriminatórios.

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