quarta-feira, 19 de abril de 2017

A ALQUIMIA NUMÉRICA DO VOX POPULI - Flavio Morgenstern

O instituto Vox Populi errou TODAS as previsões em 2014 – sempre a favor do PT. É urgente entender sua alquimia que transforma ferro em ouro.
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De acordo com o instituto de pesquisa Vox Populi, Lula, Ele Mesmo, é o mais cotado para assumir a presidência em 2018. O candidato mais citado espontaneamente nas entrevistas, Lula venceria ainda no primeiro turno contra todos os candidatos em três cenários: contra Aécio, Alckmin ou Doria, além dos de sempre Ciro Gomes e Marina Silva, além de Jair Bolsonaro.
Como sempre lembramos, o Vox Populi, tal como outros institutos de pesquisa, erraram horrendamente feio as últimas eleições. Antes do primeiro turno, em pesquisa divulgada pela Carta Capital (sic) no começo de setembro de 2013, Dilma ganharia no primeiro turno em todas as simulações, com o dobro de votos de Marina Silva. Como todos sabem, a eleição teve 7 possíveis viradas, sendo a mais apertada de nossa história.
Já no ano seguinte, em setembro de 2014, o Vox Populi apontou que Dilma tinha 36%, Marina 27% e Aécio 15% – resultado que hoje só pode ser chamado de engraçado. Na febre para fugir do mais do mesmo no segundo turno, o Vox Populi afirmou que Marina venceria no segundo turno.
No mês seguinte, com o segundo turno oposto ao que o instituto havia “previsto” e sem ninguém cobrar o Vox Populi por isso, Dilma teria ampliado a vantagem sobre Aécio em 7 pontos, vencendo com folga (Dilma venceu com praticamente 2 pontos de vantagem).
Mais uma vez citando Nassim Nicholas Taleb, que trabalhou por anos como analista de risco no sistema bancário suíço, antes de ver quais são os prognósticos atuais, convém saber o que o prognosticador já acertou no passado. No caso do Vox Populi, não se trata tão somente de ter errado tudo o que previu, tornando-o tão confiável quanto as 83 testemunhas de Lula: trata-se de errar sempre para o mesmo lado. É preciso ter não só imperícia, mas uma vontade de que aquele lado apareça vencendo falsamente. O que os ingleses chamam de wishful thinking: prescrever, fingindo que se está descrevendo.
O Vox Populi, milagrosamente, não erra tanto na construção de cenários – com efeito, os adversários prováveis de Lula são Ciro, Marina e Bolsonaro, com algum tucano (provavelmente algum dos três). O curioso é notar como a pesquisa se focou nos nomes citados espontaneamente: critério que seria bem útil para averiguar a popularidade de candidatos (alguém tem dúvida de que Lula é mais popular do que todos os outros somados e multiplicados pela terceira potência, mas não pelos belos motivos que o instituto tenta dar a crer?), não suas chances.
Se Lula é citado pela militância, e pela vasta maioria que segue a manada, não significa que tenha chances reais contra candidatos que possam apontar seus erros na vida concreta. Mais: ninguém, nem mesmo os mais convictos anti-petistas (e a popularidade do impeachment mostrou que chegam perigosamente a ultrapassar 70% da população) têm convicção em outro candidato, como se alguém no país enxergasse Doria, Bolsonaro (e menos ainda Ciro e Marina) como salvadores, como petistas enxergam Lula.
Analisando apenas números, o Vox Populi, ao invés de rigor científico cartesiano-quântico, só tira a alma dos personagens para tentar vender suas carcaças ocas. Como já foi dito, números podem confessar qualquer coisa sob calor e pressão extremos: ocasionalmente, até mesmo a verdade.
Infelizmente para o Vox Populi tentando ser a voz do povo no lugar do povo, não é com números que o brasileiro votará em 2018. Menos ainda se lembrou o instituto do cenário mais provável de todos: Lula concorrer apenas a uma cela em Curitiba.

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