sábado, 18 de março de 2017

"A mentira como arma", editorial do Estadão

"A mentira como arma", editorial do Estadão

A estratégia tem sido essa desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff, qualificado pela tigrada como 'golpe'


Na guerra que trava contra o governo de Michel Temer, a tropa petista, formada pelos sindicatos e pelos movimentos ditos sociais, com o general Lula da Silva à frente, parece só ter a mentira como arma.
A estratégia tem sido essa desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff, qualificado pela tigrada como “golpe”, ainda que o processo tenha respeitado integralmente o que está previsto na Constituição. Depois, na votação da mudança constitucional que instituiu um teto para os gastos públicos, a turma tratou de espalhar que a medida tiraria dinheiro da saúde e da educação, mas basta uma simples espiada no texto aprovado para ver que isso não é verdade.
O alvo agora é a reforma da Previdência, usada como pretexto para tentar desestabilizar o governo e sabotar os esforços para reequilibrar as contas públicas, destruídas durante os mandatos petistas. Um vídeo do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), narrado pelo ator Wagner Moura e divulgado no dia 13 passado, resume toda a artilharia desse exército de irresponsáveis. A peça afirma que “querem que você morra sem se aposentar”. Ou seja, a ideia é denunciar que a reforma da Previdência vai, em resumo, acabar com as aposentadorias: “A reforma interessa apenas aos donos do dinheiro no País e ataca duramente os trabalhadores. Eles querem acabar com o direito à aposentadoria para milhões de brasileiros e brasileiras”.
A essa descarada inverdade se somam outras de igual calibre. Ao criticar a proposta de idade mínima de 65 anos para a aposentadoria, por exemplo, o vídeo diz que, no Brasil, “muitos morrem antes disso”, de modo que “vão transformar o INSS numa funerária”. Ora, a esta altura já deveria estar claro que a idade mínima para a aposentadoria é calculada não com base na expectativa de vida ao nascer, como fazem, maliciosamente, as milícias petistas nas redes sociais, nas universidades e no mundo artístico, mas sim com base na expectativa de sobrevida, isto é, quantos anos mais o indivíduo vive a partir de determinada idade. Segundo o IBGE, a sobrevida de quem tem 65 anos é, em média, de 18 anos.
O vídeo é apenas uma pequena parte da saraivada de patranhas contra a reforma. Os sindicatos ligados ao PT tentaram paralisar diversas capitais do País, por meio de greves em serviços de transporte, para obrigar os cidadãos a ouvir suas palavras de ordem, tendo como estrela o próprio Lula, que, do alto de um carro de som, gritou que “o golpe” se presta a “acabar com conquistas da classe trabalhadora”.
O governo está enfrentando muitas dificuldades para travar essa guerra de comunicação. Em primeiro lugar, não é fácil defender propostas que adiam a aposentadoria de muitos brasileiros, enquanto do lado de lá da barricada uma hoste de irresponsáveis acha possível manter tudo como está. Para complicar, há também o ativismo judicial. Uma juíza federal de Porto Alegre mandou suspender uma campanha do governo sobre a reforma da Previdência alegando que configura “uso inadequado de recursos públicos” e “viola os princípios democráticos” ao reforçar os argumentos a favor das mudanças e “enfraquecer os argumentos diferentes”. Ou seja, enquanto Lula e sua trupe ficam à vontade para denunciar uma reforma da Previdência que não existe, o governo não pode defender as medidas que propõe.
Quando o PT estava no governo, Lula e Dilma defenderam enfaticamente a reforma da Previdência. Em seu primeiro ano de mandato, o chefão petista conseguiu aprovar o que deveria ter sido o começo de uma significativa reforma. No início de 2016, Lula chegou a argumentar a favor do aumento da idade mínima. “A Previdência, de vez em quando, deve ser reformada. Quando a lei foi criada, se morria com 50 anos. Hoje, a expectativa de vida é de 75 anos”, explicou, didaticamente, o ex-presidente.
Portanto, até Lula concorda que é preciso mudar a Previdência. Como diz o vídeo delinquente do MTST, “ainda dá tempo, antes que acabem com o nosso futuro”. O primeiro passo para isso é enfrentar, com coragem e sem trégua, os mentirosos

2 comentários:

  1. Sem duvida que o Brasil precisa mesmo de uma reforma na previdência, na verdade uma reforma geral. Agora se pensar em aumento da idade mínima de 65 anos ate para os coitados dos trabalhadores rurais tão sofridos, hora são secas ou chuvas de mais , será justo que pessoas assim tenham que esperar tanto assim receber uma aposentadoria muito merecida? isso sem contar que ate as mulheres serão afetadas drasticamente.Seja de quem tenham sido a ideia o que vale é não colocar em pratica um absurdo desse.

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  2. Concordo. Os mais vulneráveis, ou seja, os mais pobres devem mesmo ser protegidos. Mas a reforma é inevitável. Ademais não devia nem mesmo existir previdência pública. Mas isso é outro assunto que estou estudando.

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