terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Tentáculos do petrolão de Lula, o corrupto, no Chile. Léo Pinheiro promete revelar bastidores da eleição de Bachelet Thiago Bronzatto - Veja



LÉO PINHEIRO, EX-PRESIDENTE DA EMPREITEIRA OAS, RESERVOU UM CAPÍTULO DE SUA PROPOSTA DE DELAÇÃO PARA REVELAR OS BASTIDORES DAS ELEIÇÕES CHILENAS EM 2013


As revelações do marqueteiro Duda Mendonça, publicadas por VEJA em sua última edição, repercutiram nos principais veículos do Chile nesta terça-feira. Em sua proposta de delação premiada feita à Procuradoria-Geral da República, o publicitário baiano afirma que, em 2013, a OAS bancou as campanhas presidenciais de Bachelet, eleita no segundo turno, e de Marco Enríquez-Ominami, candidato que vem ganhando espaço como crítico ferrenho do bipartidarismo no país.
De acordo com o relato de Duda, que prestou serviços para Ominami, o objetivo da OAS era conquistar espaço no mercado chileno influenciando a política local. A construtora fretou uma aeronave utilizada por Ominami durante a sua campanha eleitoral em 2013. Além disso, mensagens de celulares de executivos da OAS, apreendidos na Operação Lava-Jato pela Polícia Federal, revelam que a empreiteira bancou uma viagem do ex-presidente Lula para o Chile em novembro de 2013 para tratar de um assunto de interesse da empresa. “O Brahma (apelido de Lula) quer fazer palestra dia 24/25 ou 26/11 em Santiago”, escreveu Léo Pinheiro. “O avião é por nossa conta”, respondeu o diretor da área internacional da OAS, Augusto César Uzeda. No mês seguinte à vista de Lula, um consórcio integrado pela companhia venceu uma licitação no país.
Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS: revelações sobre a campanha no Chile
Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS: revelações sobre a campanha no Chile
Duda não é o único disposto a revelar os bastidores das campanhas presidenciais no Chile em 2013. O empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS preso em Curitiba na Operação Lava-Jato, também incluiu no índice de sua proposta de delação premiada feita à Procuradoria-Geral da República um capítulo sobre as eleições chilenas. “As revelações de Léo Pinheiro não ficam bem para a Bachelet”, diz um investigador da Lava-Jato.
“As revelações de Léo Pinheiro não ficam bem para a Bachelet”
investigador da Operação Lava-Jato
O acordo de colaboração do empreiteiro foi suspenso no fim do ano passado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, após VEJA revelar que o empreiteiro citou o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Segundo Léo Pinheiro, funcionários da OAS ajudaram a reparar falhas na impermeabilização da cobertura da casa do magistrado em Brasília. Embora as negociações estejam oficialmente canceladas, advogados da OAS estão em contato com o Ministério Público para retomar as tratativas.
O governo do Chile nega que a campanha de Bachelet tenha sido financiada com recursos da OAS. “Já houve uma tentativa no passado de vincular a campanha da Presidente Bachelet com essa empresa. Tal como naquela oportunidade, descartamos decididamente qualquer vínculo entre a campanha e a empresa, taxativamente”, afirmou a porta-voz Paula Narváez.

Empresa do genro de José Múcio Monteiro, ministro do TCU, doou R$ 3,8 milhões a campanhas eleitorais em 2014 Mateus Coutinho e Fausto Macedo - O Estado de São Paulo

Empresa do genro de José Múcio Monteiro, ministro do TCU, doou R$ 3,8 milhões a campanhas eleitorais em 2014

Mateus Coutinho e Fausto Macedo - O Estado de São Paulo

Rodrigo Leicht Carneiro Leão é um dos sócios da Lidermac - alvo da Operação Vórtex -, que tem contratos de R$ 87 milhões com governo de Pernambuco



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Um dos locais de busca da Operação Vórtex no Recife nesta terça-feira. Foto: Divulgação
Investigada na Operação Vórtex, desdobramento da Operação Turbulência, a construtora Lidermac firmou contratos de R$ 87 milhões com o governo de Pernambuco de 2010 a 2016, segundo a Polícia Federal. Desta quantia, contratos no valor de R$ 75 milhões foram fechados até 2014, ano da campanha presidencial do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em agosto daquele ano em acidente aéreo em Santos (SP).
A Vórtex, deflagrada nesta terça-feira, 31, levou para depor coercitivamente o empresário Rodrigo Leicht Carneiro Leão, genro do ministro do Tribunal de Contas da União José Múcio e um dos sócios da Lidermac. Os outros três sócios da empresa também foram levados a depor pela PF.
Ao mesmo tempo, as doações eleitorais da empresa saltaram de R$ 30 mil em 2006 para R$ 3,8 milhões em 2014, segundo a PF. Em 2014 foram doados pela Lidermac R$ 500 mil ao Diretório Nacional do PSB, segundo consta no site do TSE. Atualmente, as empresas privadas estão proibidas de fazer doações eleitorais por determinação do Supremo Tribunal Federal, que considerou os repasses inconstitucionais.
Os valores, tanto dos contratos quanto das doações, chamaram a atenção dos investigadores, que chegaram à Lidermac a partir das investigações das empresas usadas na polêmica compra do avião Cessna Citation que caiu e matou o então candidato do PSB à Presidência.
A construtora transferiu R$ 159,9 mil para a empresa Câmara e Vasconcelos, que adquiriu a aeronave dois dias depois pelo valor de R$ 1,7 milhão.
A Turbulência já havia identificado que a Câmara e Vasconcelos faz parte do grupo de empresas que teria lavado cerca de R$ 600 milhões em um esquema que teria abastecido as campanhas de Campos ao governo de Pernambuco em 2010, e de Marina Silva à presidência pelo PSB após a morte do ex-governador em 2014.
O superintendente regional da PF em Pernambuco, Marcello Diniz Cordeiro, afirmou que a evolução das doações eleitorais da Lidermac também chamou a atenção dos investigadores. Ele não citou nomes de políticos nem partidos que receberam essas doações, mas afirmou que foram repasses para deputados federais, estaduais e partidos políticos.
De acordo com a PF, em 2006, ano em que Campos foi eleito governador de Pernambuco pela primeira vez, a empresa doou apenas R$ 30 mil. Valor que foi para R$ 3 mil em 2008, saltou para R$ 270 mil em 2010, quando Campos foi reeleito governador e chegou a R$ 1,4 milhão em 2012. Na última eleição em que eram permitidas as doações eleitorais o valor repassado pela Lidermac para campanhas políticas foi para R$ 3,8 milhões.

PF deflagra operação contra doador de Eduardo Campos e do PSB


Fabio Serapião, Fábio Fabrini, Mateus Coutinho e Fausto Macedo - O Estado de São Paulo

Operação Vórtex, nova etapa da Turbulência, apura mais uma empresa que estaria envolvida na compra do avião que caiu com o então candidato a presidente Eduardo Campos, em 2014

Eduardo Campos à frente do jato Cessna. Foto: René Moreira/Estadão
Eduardo Campos à frente do jato Cessna. Foto: René Moreira/Estadão

A Polícia Federal em Pernambuco deflagrou nesta manhã, por volta das 6h, a Operação Vórtex,  um desmembramento da Operação Turbulência, para investigar mais uma empresa que estaria envolvida na polêmica compra do avião Cessna Citation que caiu com o então candidato a presidência em 2014, Eduardo Campos (PSB), morto no acidente aéreo.
Nesta etapa são investigados os crimes de corrupção, direcionamento de licitação e lavagem de dinheiro envolvendo essa empresa. Deflagrada em junho de 2016, a Operação Turbulência identificou uma rede de empresas de fachada, inclusive as envolvidas na compra do avião, que teriam sido usada para lavar cerca de R$ 600 milhões. A investigação começou a partir da dificuldade em identificar o dono da aeronave após o acidente e agora avança sobre uma nova empresa que, segundo a PF, possui contratos milionários com o governo de Pernambuco e teria movimentado dinheiro no esquema.
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Foto: Divulgação/PF
Ao todo, 30 policiais federais cumprem 10 ordens judiciais em Pernambuco, sendo 6 mandados de busca e apreensão (4 no bairro de Boa Viagem, 1 no Pina e 1 em Jaboatão dos Guararapes) e 4 mandados de condução coercitiva (todos no bairro de Boa Viagem).
A investigação partiu da análise das contas das empresas envolvidas na compra da aeronave e identificou que uma das companhias investigadas na Operação Turbulência teria sido utilizada apenas como conta de passagem, pois recebeu valores de outra empresa dois dias antes de realizar a compra do avião. Esta outra empresa, que repassou os valores, ainda não havia sido investigada.



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Operação Vórtex
“Ao investigar mais a fundo a empresa remetente dos recursos, verificou-se que ela possui contratos milionários com o governo do Estado e que suas doações a campanhas políticas aumentaram de forma exponencial ao longo dos últimos anos, notadamente para o partido e candidatos apoiados pelo ex-governador do estado, Eduardo Campos”, diz a nota divulgada pela PF.
O nome da operação é uma referência ao jargão aeronáutico, vórtex (ou vórtice), que é o nome dado ao movimento de massas de ar em formato de redemoinho ou ciclone que geralmente precede a turbulência.
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Foto: Divulgação/PF
Turbulência. Deflagrada em 2016 a partir das investigações sobre o verdadeiro proprietário do avião Cesna Citation que se acidentou em Santos (SP) durante a campanha eleitoral de 2014, a Operação Turbulência revelou uma rede de empresas usadas para lavar dinheiro e abastecer o suposto caixa 2 das campanhas de Eduardo Campos (2010) e Marina Silva (2014), pelo PSB.
Com o avanço das investigações, ao menos três empresários envolvidos na compra da aeronave e apontados como líderes do esquema, João Lyra, Apolo Santana e Eduardo Bezerra Leite decidiram por colaborar com as autoridades e assinaram um acordo de delação premiada. Na denúncia oferecida pelo MPF contra 18 pessoas envolvidas no caso, o MPF apontou que os três empresários lideravam o grupo criminoso que lucrava com “a prática de agiotagem”, lavagem de dinheiro proveniente de superfaturamento de obras públicas e pagamento de propina para agentes públicos. Embora essa primeira denúncia tenha sido arquivada, a investigação prossegue em Pernambuco.
Estado apurou que além dos fatos envolvendo o avião, João Lyra negociou com os investigadores o detalhamento de todas as transações financeiras realizadas por seu grupo cujos valores são oriundos de superfaturamento de obras públicas e de esquemas envolvendo empreiteiras e o governo de Pernambuco.
Embora a operação Turbulência tenha origem na queda do avião, a PF compartilhou informações com a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e com o grupo de investigadores da Procuradoria-Geral da República. Para chegar aos verdadeiros proprietários do jatinho, a PF mapeou uma teia de empresas de fachada supostamente utilizadas para lavar e escoar dinheiro oriundo de obras públicas para campanhas políticas. Foram investigados repasses da Camargo Corrêa e da OAS que teriam origem em desvios praticados em obras da Petrobras em Pernambuco e na transposição do Rio de São Francisco.

Fim do sigilo - Merval Pereira


- O Globo

Não é pura coincidência o fato de Eike Batista ter sido preso no mesmo dia em que a ministra Cármen Lúcia homologou as delações premiadas da Odebrecht. Os dois fatos mostram um país que está em pleno processo de mudança, embora a transição seja acidentada e cheia de obstáculos que precisam ser ultrapassados, como a própria homologação, que garantirá que os políticos de vários partidos, principais alvos das delações da empreiteira, não fiquem impunes.

Etambém os segredos que Eike Batista tem guardados e pretende revelar para passar tudo a limpo, segundo ameaçou. As duas faces do mesmo esquema de corrupção serão reveladas simultaneamente, alcançando o espectro político que estava no poder até recentemente — e no caso do Rio, o PMDB continua lá — e envolvendo uma miríade de partidos políticos que a promiscuidade partidária se encarregou de misturar na mesma teia, que começa a ser desvendada.

Não é possível saber se o ministro Teori Zavascki quebraria o sigilo das delações premiadas dos executivos da Odebrecht, a não ser que alguém revele uma confidência do falecido relator a esse respeito. Mas que elas devem ser tornadas públicas, parece consenso na opinião pública.

Pela lei, os depoimentos das delações premiadas são liberados apenas no final do processo, e apenas quando o Ministério Público considera que as investigações levantaram provas suficientes para que abra um processo contra alguém delatado ou peça permissão ao Supremo, caso o delatado tenha foro privilegiado.

Mas cabe ao relator do processo a prerrogativa de liberá-los, caso considere importante para o interesse público. O substituto do ministro Teori Zavascki, que será indicado amanhã, terá essa possibilidade. A pressão nesse sentido começou pelo próprio procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que já confidenciou o que dissera publicamente em dezembro, pouco antes de enviar ao Supremo as 77 delações premiadas dos executivos da Odebrecht: vai pedir ao Supremo Tribunal Federal a quebra de sigilo dos depoimentos.

Aliás, ao enviá-las no último dia antes do recesso, Janot irritou profundamente Teori Zavascki e a presidente do STF, Cármen Lúcia, que entenderam o gesto do procurador-geral como uma jogada populista, deixando ao gabinete do relator no Supremo a tarefa de ter que trabalhar durante o recesso, caso não quisesse dar a impressão de que a Lava-Jato estava atrasada por sua causa.

A pressão virá de todos os lados, inclusive o presidente da OAB, Claudio Lamachia, já disse que é importante a quebra do sigilo, pois, numa democracia, a luz do sol é o melhor detergente, citando o ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos Louis Brandeis (1856-1941).

Mas os depoimentos provavelmente vão começar a vazar de todos os lados. No Ministério Público há um grupo que acha que, liberando os depoimentos, fica reduzida a possibilidade de pressão política para que as investigações não andem.

A decisão da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, de manter o sigilo das delações premiadas da Odebrecht que homologou vai transferir, portanto, para o novo relator da Lava-Jato no STF a decisão de liberá-las, sob forte pressão da opinião pública.

O falecido ministro Teori Zavascki usou essa prerrogativa diversas vezes, liberando alguns depoimentos, e mantendo o sigilo de outros. Devido ao interesse público desses depoimentos, que ontem já estavam à disposição do Ministério Público e da Polícia Federal para o início das investigações, é provável que antes mesmo que o novo relator do Supremo seja escolhido, amanhã, detalhes das delações já estejam divulgados.

Interessa aos delatores, e também ao Ministério Público, que as acusações mais graves sejam de conhecimento público, para que eventuais pressões não atrapalhem a investigação, que se inicia no dia 1º, fim do recesso.

Foi por isso que a ministra Cármen Lúcia homologou as delações, para que o esquema de pressão política não atrasasse as investigações. Ao mesmo tempo, a decisão da presidente do Supremo soa como uma garantia à sociedade de que as investigações não serão afetadas com a morte de Teori Zavascki. Uma homenagem a ele e também à democracia.

48 horas de tensão - Eliane Cantanhêde


- O Estado de S. Paulo

• Judiciário, Executivo e Legislativo, cada qual com sua agonia e indefinição

Se janeiro já foi assim, com massacres, morte do relator da Lava Jato, AVC de ex-primeira-dama, febre amarela e prisão do homem que já foi o mais rico do País, imagine como vai ficar com o fim do recesso do Judiciário apressando a Lava Jato, o fim do recesso do Legislativo aumentando o pavor da Lava Jato e o Executivo fazendo de tudo para trocar a pauta real pela ideal – a da reforma da Previdência.

Os três Poderes chegaram estressados ao fim de 2016, entraram perplexos em 2017 e vão se arrastando com os nervos à flor da pele. A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, sofre para definir o novo relator da Lava Jato. O presidente Michel Temer sofre para nomear o novo ministro do Supremo. E a sucessão nas presidências da Câmara e do Senado, que parecia tão definida, ganhou pitadas de tensão nas últimas horas.

Ao homologar as 77 delações premiadas da Odebrecht ontem, conforme antecipara o Estado, Cármen Lúcia parecia ter desanuviado o clima para a escolha do sucessor de Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato, mas, fazendo as contas, ela só ganhou 48 horas. O relator vai ter de ser escolhido de qualquer jeito entre quarta e quinta, na reabertura dos trabalhos.

Prudente, a ministra consultou cada colega em busca de consenso para a indicação. Pensou-se em uma brecha para nomear o decano Celso de Mello, mas essa brecha não surgiu e, além disso, ele anda com fortes dores no quadril. Depois, trabalhou-se a ideia de transferir o mais novo, Edson Fachin, para a Segunda Turma e para o gabinete de Teori, onde ele herdaria tudo, dos processos em andamento – incluída a Lava Jato – aos três juízes auxiliares. Cármen Lúcia vetou: “Não tem precedente”.

É assim que, apesar de ministros (e pessoas de bom senso) torcerem o nariz para o sorteio, não vai ter jeito. Até ontem à noite, as tratativas continuavam freneticamente no Supremo, onde até o procurador Rodrigo Janot deu uma passadinha, mas tudo caminhava para um bingo entre os da Segunda Turma: além de Fachin, recém-chegado, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Façam suas apostas!

Meio fora de tom, Temer elogiou Cármen Lúcia, que “fez o que deveria fazer e, nesse sentido, o fez corretamente”. Presidente de um poder elogiando decisão de presidente de outro?! Quem elogia acaba se sentindo no direito de também discordar, certo? E se Cármen Lúcia sair por aí elogiando o programa econômico do governo? Ou criticando a repactuação das dívidas dos Estados com a União?

O fato é que, quanto mais o Judiciário mantém o ritmo ou apressa os passos da Lava Jato, mais Temer, seus ministros e sua base aliada têm o que temer (sem trocadilho), enquanto ele sofre as dores e as pressões para a nomeação do 11.º ministro do STF. Como é do meio jurídico, Temer faz questão de nomear alguém que ele conheça, com quem tenha afinidade, que jamais tenha dado um pio contra a Lava Jato e que entenda a importância da reforma da Previdência e de mudanças na área trabalhista para ampliar a oferta de empregos.

Como cada nome lançado corresponde uma avalanche de críticas, o presidente passou a avisar, meio em tom de “ameaça”: “Se eu tiver de pagar um alto preço, pago com o Alexandre”. Traduzindo: se é para apanhar com fulano ou beltrano, então ele nomeia sua opção original, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Por fim, tudo parecia tranquilo para a eleição de Rodrigo Maia (DEM) na Câmara e de Eunício Oliveira (PMDB) no Senado amanhã, mas, para não ficar monótono, o deputado Júlio Delgado (PSB) liderou uma ação conjunta contra a reeleição de Maia. Mais emoção e perplexidade do que no Brasil, só mesmo nos EUA. E, lá, as decisões tresloucadas de Donald Trump estão apenas começando...

O novo normal - Hélio Schwartsman


- Folha de S. Paulo

Considero positiva a decisão da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, de, na qualidade de plantonista do Supremo, homologar as delações premiadas da Odebrecht. Como eu já havia defendido aqui, a medida tem o mérito de sinalizar que a Lava Jato foi institucionalizada, não dependendo só da vontade individual deste ou daquele juiz para avançar.

É pena que a ministra não tenha determinado também o fim do sigilo sobre as acusações que ex-diretores da empreiteira fazem a políticos. Pode-se até ver virtude no gesto de Cármen Lúcia. Ela, afinal, resistiu à tentação de, liberando tudo, converter-se na nova paladina da justiça e musa da Lava Jato. Heróis e ídolos são tudo o que não precisamos no momento. Para que se possa afirmar que a operação de fato trouxe ganhos institucionais, é necessário que ela dispense todo tipo de voluntarismo e se converta no novo normal do país, desmentindo a noção de que poderosos não respondem por crimes que tenham cometido.

Não tendo sido Cármen Lúcia a levantar o segredo, é importante que o próximo relator do caso o faça logo que assumir a incumbência. O fim do sigilo não apenas acabaria com os vazamentos seletivos —uma mácula na atuação da Justiça— como daria início ao tão necessário processo de reconhecimento de perdas pelo qual a política brasileira precisa passar.

Compreende-se que boa parte das cúpulas partidárias e, especialmente, o governo estejam receosos de ver a materialização daquilo que chamam de "fim do mundo". Mas atrasar a chegada do inevitável não é apenas inútil. É contraproducente.

Enquanto não ficar mais ou menos claro quais caciques sobreviverão à Lava Jato e quais se inviabilizarão, será muito difícil superar a crise política. Não dá para saber nem quem terá condições de lançar-se candidato a presidente em 2018. E, sem essa e outras definições, a política simplesmente não anda.

PF nas ruas de Pernambuco - com O Antagonista



A Polícia Federal em Pernambuco deflagrou nesta manhã a Operação Vórtex, um desmembramento da Operação Turbulência: 30 policiais federais estão cumprindo 10 ordens judiciais, sendo 6 mandados de busca e apreensão e 4 mandados de condução coercitiva.
Ao analisar as contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas utilizadas para a compra do avião que caiu com Eduardo Campos, em 2014, os investigadores suspeitam de corrupção, direcionamento de licitação e lavagem de dinheiro.
Uma das empresas que ajudou a pagar a aeronave possui contratos milionários com o governo de Pernambuco e suas doações a campanhas políticas aumentaram de forma exponencial nos últimos anos, notadamente para o PSD e para candidatos apoiados pelo ex-governador.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

7 coisas que todo brasileiro deveria aprender com a prisão de Eike Batista por Felippe HermesFelippe Hermes


7 coisas que todo brasileiro deveria aprender com a prisão de Eike Batista

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Imagine nos cinemas.
O homem que perdeu R$ 100 bilhões: Ascensão e queda do império X
Uma boa direção estilo Martin Scorsese, o diretor de O Lobo de Wall Street, ou Oliver Stone, responsável pelo clássico dos anos 80, Wall Street, Poder e Ganância, e um orçamento um pouco maior do que a verba garantida pela Ancine aos filmes nacionais – talvez seja tudo o que a história de Eike Batista necessite para se tornar um sucesso nos cinemas e arrebatar milhões de espectadores.
No que depender de um pequeno público, no entanto, os agentes da Polícia Federal, a parte mais interessante da história ainda é desconhecida: como afinal Eike conseguiu estes bilhões para perder?
 
Seu retorno ao Rio de Janeiro e o cumprimento do mandado de prisão em seu nome sob a alegação de pagamento de propina ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, deve ser justamente o ponto de partida para descobrir esta história – que, ao contrário de sua queda, não parece ter sido tão bem narrada pelos jornais. Trata-se do início daquilo que pode ser uma abertura completamente nova para a Lava Jato: o BNDES e os campeões nacionais.
Se não há, porém, expectativa de que uma delação de Eike possa ser tão grande quanto a de Marcelo Odebrecht e seus 77 executivos, há ao menos uma certeza: será tão profunda e impactante quanto. Razões para crer nisso não faltam. Ao longo da última década, nenhum empresário brasileiro esteve tão próximo ao poder e foi tão bajulado por ele quanto Eike Batista. Foram R$ 16 bilhões apenas em empréstimos para suas empresas, fora licenças de exploração e construção, além de lobby direto para lhe favorecer, executado por ministros de Estado.
De fato, muito antes de qualquer delação ser fechada para garantir sua saída da penitenciária, no Rio de Janeiro, ou passar a história a limpo, como disse o empresário ao embarcar em Nova York, sua prisão já garante ao Brasil uma série de lições sobre nossa história recente.

1. O governo brasileiro é uma máquina de concentração de renda.

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Entender a profundidade da figura de Eike Batista não é nem de longe uma tarefa fácil. Basta dizer, por exemplo, que em certo momento, vozes tão antagônicas quanto as da ex-presidente Dilma Rousseff e da revista Veja, expuseram Eike como um símbolo do empresariado brasileiro e do novo capitalismo nacional.
Eike era o novo, o ambicioso, o rico que não tinha vergonha de exibir o que conquistara, nem que com isso acabasse expondo a decoração com gosto duvidoso de sua sala de estar, com uma Lamborghini estacionada no meio. Em um país acostumado a ver entre os seus bilionários herdeiros discretos ou ricos contidos, foi uma novidade e tanto ter alguém disposto a se engajar em causas filantrópicas e ainda ajudar a construir o país pela base.
Por trás do heroísmo que as mais de vinte capas de revistas como Exame ou Época Negócios lhe garantiram, Eike mostrava justamente uma face desconhecida do talcapitalismo à brasileira onde empresários selecionados assumiam riscos com o dinheiro alheio.
Graças a uma massiva injeção de dinheiro do banco de desenvolvimento brasileiro, o BNDES, empresários como Eike se tornaram opções viáveis para receber a missão concedida pelo governo de reinventar nossa economia. Criaríamos grandes empresas com dinheiro público, que concorreriam com as multinacionais e colocariam o Brasil na rota do capitalismo global.
Por anos, Eike foi um recordista em captar recursos para seus projetos vendendo ações na bolsa de valores (até hoje o recorde de maior quantidade de recursos levantada permanece com ele e sua petroleira, a OGX), além de um especialista em vender o Brasile atrair investidores internacionais. Em 2007, por exemplo, em apenas um negócio, Eike foi responsável sozinho por 10% do saldo de dólares que entraram no país: na venda para a mineradora Anglo American, de seu projeto de mineração que uniria Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Foram R$ 5,5 bilhões em lucro em uma única tacada.
Na hora do aperto, porém, a cobrança de acionistas minoritários por resultados e metas acabaram levando o empresário a buscar um sócio bem mais compreensivo: o governo. Com bilhões em dinheiro público, Eike louvava a eficiência da gestão federal e ajudava a passar a imagem de um país pujante.
A política de campeões nacionais oficialmente não existe mais, mas seus custos ainda podem ser sentidos – são estimados em R$ 30 bilhões anuais, além de parte considerável de nossa dívida pública, empenhada na tarefa de enriquecer alguns poucos Batistas, sejam eles Eikes ou Joesleys (da família dona do grupo JBS Friboi, a segunda empresa que mais recebeu recursos do BNDES neste mesmo período).
Eike é o perfeito exemplo daquilo que o governo sabe fazer melhor do que ninguém: criar concentração de renda.

2. Grandes empresários não fazem doação, mas investimento.

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Ir e voltar de Nova York nem sempre foi tão desconfortável para Eike – e não apenas pela prisão que esperava por ele no desembarque no Rio. Durante anos, Eike consolidou uma frota de aviões tão grande que o obrigou a criar uma empresa para geri-la: a AVX. Suas oito aeronaves valiam juntas US$ 200 milhões, ou quase R$ 700 milhões.
Você talvez esteja se perguntando por que afinal uma pessoa precise de tantos aviões, mas a lógica por trás disso é bem mais simples do parece: prestar favores.
De Lula a Eduardo Paes e Sergio Cabral, os jatinhos de Eike foram muito úteis em tornar confortável a vida de políticos brasileiros aos quais o empresário achava necessário manter uma boa relação.
Foi a bordo de seu Gulfstream, avaliado em US$ 60 milhões, por exemplo, que a delegação brasileira foi à Dinamarca buscar as Olimpíadas para o Brasil. Na tarefa de conquistar o evento para a cidade, o empresário empenhou outros R$ 23 milhões.
A ideia era simples: Eike era um grande investidor da cidade do Rio. Por lá, não apenas sua holding, a EBX, mas uma grande parte dos seus negócios possuíam sede. Apenas na capital fluminense, Eike detinha a concessão da Marina da Glória, parte do novo Maracanã e o hotel Glória. Os milhões investidos para despoluir a lagoa Rodrigo de Freitas se misturavam aos milhões investidos na compra de metade do Rock In Rio ou na realização do Rio Open de Tênis pela IMX – ou quem sabe ainda na criação do RJX, seu próprio time de vôlei.
Segundo apurou a Polícia Federal, no mesmo período, Sergio Cabral movimentou um esquema que ajudou a superfaturar bilhões de reais e desviar centenas de milhões dos cofres do estado do Rio de Janeiro.
A imagem de Cabral e Eike foi por um bom tempo difícil de se distinguir. Com alguns milhões, Eike apoiava o governador na construção de UPPs, com cerca de R$ 20 milhões (que acabaram sendo canceladas graças à crise em suas empresas) e consolidava a imagem do ex-governador e atual residente da penitenciária de Bangu, como um dos responsáveis por fazer o Rio de Janeiro renascer economicamente. Do outro lado, Cabral concedia isenções fiscais até mesmo para o restaurante chinês de Eike (que deixou de pagar R$ 2,6 milhões).
Para a Polícia Federal, Eike deu a Cabral algo próximo de US$ 16,5 milhões, enquanto Cabral teria dado R$ 80 milhões em isenções fiscais a Eike, além de algumas centenas de milhões em benefícios para as empresas que aceitassem operar no Porto do Açu, projeto da LLX.

3. Que conquistar a confiança de um presidente não é fácil, mas vale a pena.

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Foi em 2002 que Eike conheceu a figura do ex-presidente Lula. Na sede da EBX, muito mais modesta do que viria a ser, Eike, que voltara ao Brasil em 1999, após uma fracassada tentativa de criar uma mineradora global com sede no Canadá, recebeu um tesoureiro de campanha do ex-presidente com uma única missão: pagar o que faltara da campanha vitoriosa de Lula em 2002.
Oficialmente, Luma de Oliveira, sua ex-esposa, foi a maior doadora de campanha como pessoa física para Lula em 2002. Foram R$ 27 mil doados.
O relato acima, parte da biografia de Eike escrita pela jornalista Malu Gaspar, mostra aquilo que viria a se tornar uma obsessão para o empresário, quase tão grande quanto a de superar o próprio pai, o criador da moderna Vale do Rio Doce: a de estar próximo a Lula.
Em 2006, por exemplo, Eike contratou José Dirceu para resolver um pequeno problema burocrático na vizinha Bolívia: Evo Morales havia nacionalizado sua siderúrgica e Eike buscava uma reparação. Como consultor, Dirceu tinha a incumbência, sem sucesso, de evitar o prejuízo.
O fracasso, porém, não foi de todo ruim. Assim como seu amigo e jornalista Roberto D´Ávila, que fez por vezes o papel de assessor de imprensa de Eike, Dirceu era uma nova porta que se abria em direção ao Palácio do Planalto e seu ocupante principal.
A obsessão de Eike não foi sem sentido. Irritado com as negativas da maior mineradora do país de investir em siderurgia, Lula, convencido por André Esteves, do BTG, e pelo próprio Eike, em uma reunião em Nova York, topou levar adiante um dos maiores planos do governo para ampliar sua presença na economia: colocar um protegido seu no controle da Vale.
A boa relação com o ex-presidente Lula, no entanto, garantiu a Eike uma voz mais bem ouvida no novo governo. Foi a partir de 2010, por exemplo, que suas empresas começaram a ter grande apoio por parte dos bancos públicos, deixando de depender do mercado financeiro. Eike entrou para o círculo dos amigos do rei.

4. Que o povo na rua é a melhor forma de evitar abusos.

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Sua derrocada em 2013 foi um evento daqueles raras vezes visto. Em toda história recente da humanidade, não há um único caso em que alguém tenha perdido US$ 30 bilhões de forma tão rápida.
Durante sua queda, graças em boa parte ao não cumprimento de promessas de produção por parte da petroleira OGX, a maior empresa do grupo, Eike contou com a generosidade do governo – até mesmo com a atuação direta de ministros. Segundo conta O Globo, em 2013, os ex-ministros Guido Mantega e Fernando Pimentel, atual governador de Minas Gerais, pressionaram o estaleiro de Cingapura, Jurong, para trocar o Espírito Santo pelo Porto do Açu, no Rio.
A ida do povo às ruas nos protestos de junho, porém, tornou o que parecia difícil, impossível. Articular para salvar Eike em um momento no qual o governo era incapaz de salvar a si mesmo, ficou fora de cogitação.
Por quase um ano, Eike acreditou que a Petrobras poderia salvar seu porto se o escolhesse como base operacional para guardar e exportar o petróleo produzido pelo pré-sal. Seria uma alternativa bilionária capaz de fazê-lo dar a volta por cima.
Nada disso, no entanto, saiu do papel. Preocupar-se com um bilionário falido enquanto o povo nas ruas realizava os até então maiores protestos de rua do país em duas décadas, seria sentenciar o governo ao próprio fim.

5. Que é mais fácil e barato comprar leis e políticos do que prestar um bom serviço.

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Desde que seus negócios tornaram-se inviáveis, graças em boa parte as promessas excessivas e pouco ou quase nenhum resultado entregue, Eike virou-se de vez para Brasília.
Segundo o próprio empresário, Guido Mantega teria lhe feito um pedido de R$ 5 milhõesem contribuição direta para o Partido dos Trabalhadores. Eike atendeu prontamente, depositando os recursos no exterior para pagar os marqueteiros da campanha de Dilma.
Até mesmo uma nora do ex-presidente Lula entrou para o rol de recebedores de propinas do empresário, segundo apurações da PF. Cerca de R$ 2 milhões teriam sido liberados pelo estaleiro de Eike, parte da OSX, em troca de certos benefícios. O responsável pelo pedido: José Carlos Bumlai, grande amigo de Lula, atualmente preso em Curitiba.
Pelos recursos, Bumlai ajudaria Eike a conseguir contratos junto a Sete Brasil, a empresa responsável por financiar e alugar para a Petrobras as sondas do pré-sal.
Apesar de o contrato nunca ter saído, a OSX de Eike conseguiu um feito e tanto – o de renegociar o pagamento de suas dívidas junto à Caixa Econômica Federal em até 40 anos.
Para receber R$ 1 bilhão do Fundo de Investimento do FGTS, Eike teria liberado alguns milhões para Eduardo Cunha, responsável por indicar o vice-presidente da Caixa Econômica, e membro do conselho do FI-FGTS, Fábio Cleto.
Em 2013, Eike ganhou até mesmo uma Medida Provisória para chamar de sua. A MP dos Portos, apelidada no congresso de MP Eike Batista, deveria ajudar a salvar seu porto no Rio, ao garantir demanda para ele.

6. Que o jeitinho brasileiro é o maior empecilho ao desenvolvimento no país.

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A abertura de capital de sua mineradora, a MMX, foi a primeira das grandes tacadas de Eike. Em 2006, o empresário levou R$ 1,18 bilhão por um terço de sua mineradora.
Em 2007, Eike vendeu para a gigante Anglo American seu projeto de mineração que ligaria Minas e Rio de Janeiro, por R$ 5,5 bilhões. Apenas os acionistas do empresário levaram para casa R$ 2 bilhões com esta operação. Em outras palavras: ganharam em um ano algumas vezes o valor que haviam aplicado, e ainda detinham parte relevante da mineradora.
O negócio se tornou famoso e ajudou Eike a levar à bolsa outras quatro empreitadas que existiam apenas no papel: sua petroleira OGX, a elétrica MPX, o estaleiro OSX e a companhia portuária LLX. Juntas, as empresas captaram um valor próximo de R$ 17 bilhões, quase duas vezes os empréstimos do BNDES a Eike.
Tornar-se sócio do empresário virou uma obsessão, e não era pra menos. Eike teria uma mini-Petrobrás, uma mini-Vale e uma Embraer dos mares. Seus projetos não eram nada modestos e sua fortuna, ao menos virtualmente, fazia jus ao que propunha.
Por que levar anos para ter de volta o valor investido em empresas mais consolidadas como Itau, Ultrapar e Ambev se era possível obter o retorno magicamente em pouco tempo? Em uma bolsa de valores repleta de pequenos investidores, o que poderia parecer um meio de captar recursos privados para projetos privados que alavancariam a infraestrutura brasileira, logo se tornou um grande cassino.
Graças a mal sucedida experiência do grupo X, que terminou causando um prejuízo de US$ 5 bilhões apenas a Anglo American (suficiente para causar a demissão de sua presidente), captar recursos na bolsa para projetos nascido do zero se tornou uma experiência impensável. Por anos, os IPOs ficaram em segundo plano.
Por que assumir riscos com minoritários e cumprir metas se era possível pegar dinheiro junto ao governo? O caminho mais fácil tornou-se óbvio: o governo era uma mãe. E tudo iria muito bem para estes poucos selecionados, não fosse o país dar sinais de que não aguentaria arcar com a festa por muito tempo.

7. Que nos negócios e na política, é possível enganar algumas poucas pessoas por um certo tempo, mas jamais todos o tempo todo.

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“A OGX irá produzir 50 mil barris de petróleo em no segundo trimestre de 2013″, afirmou Eike aos seus investidores em 2012.
Na história mundial do setor de petróleo e gás, encontrar uma empresa que produziria um resultado tão expressivo em um período de três anos, entre a aquisição das áreas e o primeiro óleo, é uma tarefa considerada impossível. Para os investidores de Eike, no entanto, que toparam ser sócios de um empresário sem qualquer experiência na área, era plenamente crível.
Quando realizou a maior abertura de capital da bolsa brasileira até então, Eike não possuía sequer um único direito para explorar petróleo. Foram R$ 6,6 bilhões entrando em caixa em troca de nada concreto.
Com este dinheiro, o empresário levou para a OGX a peso de ouro executivos e engenheiros da Petrobras, com a promessa de que eles estariam por dentro da maior novidade brasileira até então: o pré-sal.
Nos três anos seguintes, os tweets de Eike contando como era acordado de madrugada para ser informado sobre as novas descobertas de petróleo da empresa eram suficientes para fazer as ações subirem.
 
Quando começou a produzir seu primeiro óleo, a OGX logo mostrou a que viria: encontrou poços secos, mesmo tendo destinado alguns bilhões para perfurar dezenas de poços a mais do que o que seria realmente necessário para descobrir a viabilidade dos campos.
O resultado foi um naufrágio constante da petroleira que chegou a valer quase R$ 70 bilhões.
Por anos, os acionistas minoritários ainda lutaram para ter reconhecido pela justiça o fato de terem sido enganados por Eike. Milhares deles perderam uma verdadeira fortuna em ações, enquanto executivos e engenheiros embolsaram centenas de milhões em bônus.
Para Eike, a culpa é de seu engenheiro chefe, que afirmava ter certeza de que haveria petróleo no local. O fato de ter pago com antecedência aos executivos e engenheiros pelas descobertas de óleo e afastado os céticos que desconfiavam das maravilhas da OGX, foi um mero detalhe.