quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ruy Castro: "Como sumir com o dinheiro"


Folha de São Paulo


Léo Burgos - 09.jun.2014/Folhapress
SÃO PAULO, SP, 09.06.2014: ECONOMIA-SP - Foto de três maços de dinheiro de R$20, R$50 e R$100 reais. (Foto: Léo Burgos/Folhapress)
Maços de dinheiro


A Coreia do Sul quer tirar as moedas de circulação. Moedas de metal. Para isso, está estimulando a população a trocar o recheio de seus cofres-porquinho pelo equivalente em passes eletrônicos de transporte, que lá valem dinheiro. A ideia é que, até 2020, nenhum sul-coreano use moedas nem para pagar um cafezinho, e isso é só o primeiro passo para que o dinheiro em cédulas tenha o mesmo destino. Ou seja, será o fim do dinheiro em espécie. E o que ficará valendo, o cartão de crédito? Não, porque ele também está com os dias contados. No futuro, na Coreia do Sul, todas as compras serão por celular ou online.

Eu pergunto: por que os sul-coreanos precisam esperar tanto? No Brasil, já estamos fazendo a mesma coisa — tirar o dinheiro de circulação —, só que de maneira muito mais rápida e direta.

De Dilma para cá, tente calcular o dinheiro que desapareceu dos negócios, do emprego, da poupança, dos investimentos e até da arrecadação. E os 12 milhões de desempregados que ela nos legou? O que representam 12 milhões de brasileiros subitamente sem salário? Por falar em demissões e falências, quantas placas de vendo, alugo e passo o ponto não surgiram ultimamente na sua rua? E, neste momento, segundo o IBGE, 25% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos não estudam nem trabalham. É muita gente sem produzir, vender ou comprar — sem poder sequer sonhar.

Outras fórmulas infalíveis para fazer o dinheiro desaparecer são aparelhar o Estado, tornando-o inchado e ineficiente, e nomear o máximo de corruptos nas estatais para drenar o dinheiro necessário à manutenção do poder. E, claro, gastar mais do que se produz — receita infalível de Dilma para provocar um rombo de bilhões.

Em breve, os sul-coreanos só irão usar a moedinha para tirar o cara ou coroa no futebol. Nós, nem isso.

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