quinta-feira, 24 de novembro de 2016

ROBERTO FREIRE E RILDO SOUTO MAIOR - RAFAEL BRASIL

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Roberto Freire é o que de melhor sobrou na esquerda nacional. Um homem sério, que desde a redemocratização, dentro do clandestino partido comunista, deputado estadual e federal pelo então MDB, partido de oposição consentida pelo regime militar que tornaria-se uma frente contra a ditadura agregando desde comunistas aos setores direita liberal e nacionalista, esta majoritária, foi um moderado.
No partido comunista tratou de direcioná-lo para a social democracia, a esquerda moderada. Foi sempre duramente criticado pelos petistas e outros esquerdistas por fazer uma oposição propositiva ao governo FHC. Era chamado de direitista, e aqui no estado, foi enxotado da vida política. Foi para São Paulo, e conseguiu sobreviver à perseguição petista elegendo-se deputado federal, pois no PSDB tem muitos remanescentes do antigo partido comunista, como Alberto Goldmann. E viveu do seu partido o PPS que rompeu com o petismo já no início do primeiro governo Lula.
Já começaram a o criticar porque o mesmo disse que o país não precisa de um ministério da cultura, o que concordo plenamente. Mas isso é outra discussão que podemos tratar depois. Mas trata-se de um homem sério, e não é de levar desaforo pra casa. E é um ótimo parlamentar, e um homem honesto. Uma raridade na política nacional, como sabemos.
Só como curiosidade, Roberto Freire nos idos dos anos 60, já atuava no PCB nos sindicatos rurais, aqui em Pernambuco, mais especialmente em Palmares com o lendário Gregório Bezerra. Foi estagiário de meu querido tio, Rildo Souto Maior, um dos maiores comunistas do estado, que sempre advogou para os sindicatos rurais e atuava na imprensa de esquerda, no então jornal Correio do Povo.
Rildo Souto Maior foi criado pelo seu pai Fausto Souto Maior em Garanhuns, onde desde cedo trabalhou na loja do paí, a Nortista, loja de confecções e coisas afins. Entrou no partido aos 14 anos, e viveu clandestinamente por três anos no Rio de Janeiro, depois do golpe de 64. 
Era odiado pelos coronéis do açúcar do estado, que matavam os pobres trabalhadores de fome. Se fosse pego seria trucidado, pois era um homem de ação, embora um grande negociador, respeitado pela direita estadual, com quem conversava sempre.
Certa vez ao encontrar Roberto Freire em um evento na UPE de Garanhuns onde trabalhei, disse-lhe do meu parentesco com meu tio, e ele efusivamente me deu um forte abraço, e com muita emoção falou durante a palestra da atuação do seu , digamos, mentor político e intelectual, Rildo Souto Maior.
Mas antes de mais nada meu tio Rildo foi um grande ser humano. Um  boêmio que o Recife dos anos 50 conheceu, um homem de coragem, muito generoso, de um grande coração. Morreu sem saber da queda do comunismo. Porém nunca foi um ortodoxo. E onde ele estiver, creio que está no céu, embora fosse ateu, como um bom comuna. Mas era nada. Antes queria ser padre. E daria um bom padre brigão. Mas sempre teve uma forte queda para as mulheres. Melhor assim. Afinal Deus sabe o que faz, não?

Este artigo é dedicado a Romero Tavares Souto maior, meu tio irmão, e Lourenço Souto Maior, meu primo, e filho do meu velho tio.

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