segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O HORÁRIO DE VERÃO E A CANETA MÁGICA ESTATAL - Tom Martins

Apesar de parecer simples, há algo de pernicioso no governo instituir o horário de verão: o Estado tentando controlar a realidade.
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Não contente em imprimir moeda sem lastro, controlar preços e obrigar a depositar dinheiro no FGTS, o estado interventor muda as horas numa canetada.
O horário de verão é a intervenção estatal alçada ao status de magia. Os burocratas de Brasília simplesmente desejam controlar um dado físico, um parâmetro cósmico: o tempo.
É um poder que nenhum mago, pajé ou oráculo jamais sonhou ter. O horário de verão é a conseqüência do controle do tempo estatal. Tudo que fica nas mãos do estado tem resultados duvidosos e desinteressantes. Já o controle do tempo nas mãos da iniciativa privada proporcionou a Marty McFly salvar a vida do grande cientista Emmet “Doc” Brown. Bem melhor.
Uma coisa é certa: a Terra orbitando o Sol a 107 mil km/h e girando a 1600 km/h está pouco se lixando se no Brasil tem ou não horário de verão. O tempo cósmico continuará sua jornada inexorável.
O horário de verão é uma espécie de FGTS cósmico: o governo te obriga a depositar uma hora da sua vida e devolve depois, sem correções e rendendo menos que a inflação.
A energia, juntamente com o fornecimento de água, sendo monopólios estatais, são as únicas coisas que são vendidas e quem as vende implora para os consumidores comprarem menos. O horário de verão é o botox da economia estatal.
Se houvesse uma versão brasileira do filme Impacto Profundo, a solução do governo seria editar um decreto proibindo o meteoro. Já posso ver as pessoas de vermelho nas ruas gritando “sim à PEC 666”.
E talvez os populistas façam os seus discursos inflamados contra o “lobby das horas”, apoiado pela “bancada das rugas” e financiado pela indústria dos cosméticos.
Segundo Hegel, o estado é Deus na terra. O horário de verão é o apogeu da filosofia hegeliana, com um daqueles deuses mágicos e vingativos, que controlam o tempo e exigem rituais de sacrifício de seus súditos.
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