domingo, 31 de julho de 2016

Encanamentos - GUSTAVO FRANCO

Encanamentos - GUSTAVO FRANCO

ESTADÃO 31/07

Os que sofrem de insônia sabem como é penoso quando o sono termina às 3 da manhã e é preciso esperar o dia começar, sem muita alternativa. Passam-se longas horas de um descanso meio dolorido, quando a mente procura se organizar, planejar o dia, refletir sobre o sentido da vida, tudo misturado com os sonhos e pesadelos de uma noite mal dormida.

Assim estamos todos, esperando já despertos a homologação definitiva do afastamento de Dilma Rousseff e o encerramento oficial de um dos mais nefastos episódios de experimentalismo econômico que a nossa história registra.

A tragédia econômica, como se sabe, terá como apogeu a pior recessão da nossa história, medida pela sequência de quedas no PIB em 2015 e 2016, superando a Grande Depressão. É um recorde, numa modalidade sombria, a dos fracassos, e não há atenuante, nenhuma crise ou choque externo, tampouco bodes expiatórios. Pobre Guido Mantega, diante de cuja disciplina é mais correto contar seus dias no Ministério da Fazenda como vacância do que lhe atribuir a autoria de feitos urdidos pela chefia. Não deve haver nenhuma dúvida sobre quem mandava, e como as coisas eram conduzidas.

Pode-se contar a história de Dilma Rousseff, na melhor versão, ainda que um tanto inverossímil, como um fracasso econômico honesto. Ideias heterodoxas, genuinamente de esquerda, com tonalidades brizolistas e taninos populistas, implementada por subordinados descritos como “radicais porém sinceros”, uma expressão consagrada no governo militar para conferir indulgência a alguns psicopatas disparando fogo amigo.

Porém, esse voluntarismo inflacionista vago – não consigo descrever de outra forma – confrontava diretamente instituições e práticas estabelecidas com muito esforço a partir do Plano Real, quando o País venceu a hiperinflação, reconstruiu um bem social de valor inestimável, a sua moeda, sobretudo ao criar impedimentos para as condutas fiscais e monetárias que geravam a doença. A ressurreição das mesmas práticas danosas do passado, enfeitada por uma designação tecnocrática vazia (a Nova Matriz Macroeconômica), e oculta inicialmente por uma supostamente inofensiva “contabilidade criativa”, evoluiu para atropelamentos, jeitinhos e ilegalidades flagrantes com efeitos relevantes no processo eleitoral. As contas do governo federal foram rejeitadas pelo TCU, que felizmente não é o de outros tempos, e assim começou o processo de impeachment.

É curioso que os piores feitos da presidente não façam parte do processo formal de impeachment, como a destruição da Petrobrás, na qual teve responsabilidade direta, e suas conexões, aí incluída a omissão deliberada, com as quadrilhas envolvidas na Lava Jato que drenaram ao menos R$ 6 bilhões, conforme reconhecido no balanço da empresa, para a corrupção e para a campanha do PT. Note que o TST registra que a campanha presidencial de Dilma custou menos de R$ 300 milhões.

Felizmente, a partir de certo ponto, o julgamento do impeachment se torna político, o que introduz uma subjetividade por onde os senhores parlamentares podem apreciar o conjunto da obra, inclusive o temperamento a la Trump e o descuido com o idioma, que deu novos sentidos ao verso de Fernando Pessoa: “A gramática é mais perfeita que a vida. A ortografia é mais importante que a política”.

Para o bem do País, ela já podia ter renunciado, e acabado com “essa agonia”, nas palavras dela, em vez de vagar sonâmbula, cada vez menor, perdendo o nosso tempo. Seria ótimo adiantar o relógio, pois há muito o que fazer e as coisas importantes, segundo se espera, serão anunciadas apenas após o fim da “interinidade” de Michel Temer em agosto. Teremos a Olimpíada para nos distrair, tomara que tudo corra bem e que não passemos mais vexames, mas a economia vai contando os minutos ansiosa, carente, querendo ser feliz.

Por ora, enquanto o dia amanhece, já é possível enxergar uns vultos importantes que o nevoeiro ideológico vinha mantendo encobertos. Já se fala com sobriedade e equilíbrio sobre reformas trabalhistas, na Previdência e em privatizações. E também, entre tantas possibilidades, em mudar o absurdo funcionamento do FGTS, eliminar o imposto sindical, lipoaspirar o sistema “S”, rever a gratuidade das universidades públicas. Quem sabe também terminem com a Hora do Brasil, com a tomada de três pinos (que merecia uma CPI) e com o serviço militar obrigatório!

Subitamente, o horizonte ficou limpo, tudo é possível, ou ao menos discutível, e as pessoas, ao menos os visionários, querem acelerar o tempo, mudanças e “disrupção”, palavra ainda inexistente, ou dicionarizada, para descrever “destruição criadora”. Abriu-se a janela para “reformas”, na política e na economia, e parece haver demanda para diversos “Uber”, um para cada igrejinha, cartório e monopólio existente no País. Que bom seria ter um Uber para os partidos políticos, outro para a legislação trabalhista, e para os impostos, os bancos. O País precisa de competição, meritocracia, produtividade e do primado do talento, e não mais da tutela mal-intencionada do Estado, sempre disposto a promover um assistencialismo mal-ajambrado, onde as segundas intenções são mais importantes que as primeiras.

As autoridades econômicas parecem dispor de efetiva autonomia para formular as “reformas”, e as dúvidas sobre isso deveriam ser espancadas logo, admitindo-se a vigência de uma lição básica de Itamar Franco: a economia não é tudo, mas é quase, e nenhum governo vai conseguir atravessar a rua se a economia não estiver arrumada. E, para isso, observada a sabedoria australiana recente, é preciso encanadores, e não cangurus.

A equipe econômica de Michel Temer se tornou seu melhor ativo, sua face mais bonita e seu passaporte para o futuro, se, evidentemente, puder trabalhar com liberdade, desligada das métricas políticas clássicas, e equivocadas, do que é “popular”. Em vista da máxima, amplamente comprovada, segundo a qual nada é mais bem-sucedido que o sucesso, segue-se que nada é mais popular que a prosperidade econômica duradoura sustentável. O pior inimigo da mesma, tenha-se claro, é a prosperidade efêmera criada por vigarices populistas, tentação permanente nas terras altas do Brasil central.

Por ora, só se pode aguardar. As verdadeiras competições de saltos não necessariamente ornamentais sobre obstáculos difíceis, de arremesso de martelos, aparelhos e outras velharias corporativistas e de ginástica política verdadeiramente intensa começam mesmo em agosto

A acertada suspensão do Ciência sem Fronteira - EDITORIAL O GLOBO

A acertada suspensão do Ciência sem Fronteira - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 31/07

Bilhões foram gastos em bolsas para alunos estudarem no exterior em universidades medianas, enquanto, no Brasil, laboratórios e pesquisas ficaram sem recursos


A tendência do político é considerar intocáveis os gastos ditos sociais. O país é considerado de renda média, mas há grandes contingentes de eleitores pobres, sempre cortejados dos palanques. Porém, existem limites. O principal deles, a disponibilidade de dinheiro público. Quando ele escasseia, como agora, mesmo que não se queira é preciso fazer escolhas, seguir critérios. A alternativa é agravar o desequilíbrio nas contas públicas até a debacle da recessão profunda e da hiperinflação.

O governo do presidente interino Michel Temer tem mesmo de avaliar cada programa social. Até por uma fé ideológica tosca na ideia de que tudo que for feito em nome do pobre é válido — inclusive exercitar a corrupção —, petistas relaxaram na supervisão, avaliação e controle das bilionárias despesas sociais.

O Bolsa Família, não se discute que deva ser mantido. Mas sabe-se que auditorias pouco extensas têm encontrado desvios graves, como mortos inscritos no programa.

Ao avaliar o programa Ciência sem Fonteira (CsF), o Ministério da Educação concluiu que o melhor é cortá-lo, não conceder mais bolsas de estudo no exterior — sempre alardeadas na programação eleitoral da presidente Dilma Rousseff como a redenção do jovem pobre.

Numa avaliação fria, na conjuntura por que se passa de penúria na Educação, o governo acerta, e nisso tem o apoio na academia. Por exemplo, da presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader. Ela entende, com razão, que, no momento, é melhor destinar recursos para programas de iniciação científica já existentes e que estão em dificuldade.

Não faz mesmo sentido mandar jovens para o exterior enquanto laboratórios e cursos de pós-graduação nas universidades brasileiras são sucateados e ficam à míngua. O sociólogo Simon Schwartzman, especialista em Educação, ex-presidente do IBGE, acha que o CsF não justificava o custo. De fato.

A partir de 2011, início do programa, foram gastos nele R$ 8,4 bilhões, na concessão de mais de 100 mil bolsas para graduação e pós, em universidades de 54 países. Segundo o ministro da Educação, Mendonça Filho, cada aluno custou por ano R$ 105 mil.

Já Antônio Freitas, da Academia Brasileira de Educação, diz que a maioria dos estudantes foi para universidades medianas, enquanto excelentes laboratórios da UFRJ estão sem recursos. Um raciocínio lógico simples conclui que o governo tomou a melhor decisão. É certo que haverá críticas, principalmente do campo lulopetista. Mas a lição que fica da ascensão e queda do CsF é que gastar o dinheiro do contribuinte de forma populista, sem preocupações maiores com a avaliação dos programas, é contraproducente até para os beneficiários. Depois, o mercado de trabalho é que tratará de punir os mal qualificados. Mas aí o dinheiro público já se perdeu.

Um breve exercício de cidadania - BOLÍVAR LAMOUNIER

Um breve exercício de cidadania - BOLÍVAR LAMOUNIER

ESTADÃO - 31/07

Não estará na hora de medidas que ajudem a construir um sistema político mais sério?



Embora timidamente, a reforma política parece estar retornando à agenda nacional. A questão de fundo permanece: não é a sociedade que diz aos congressistas como quer ser representada, eles é que dizem a ela como pretendem seguir se autorrepresentando. Ainda assim – ou exatamente por isso –, penso que seria útil a cidadania saudar o reaparecimento da questão enviando um breve exercício aos excelentíssimos senhores deputados e senadores.

Dou por inegável que a atual classe política rebaixou a vida partidária brasileira a um nível sem precedentes, mesmo pelos sabidamente frouxos padrões da nossa República.

Considere-se, por exemplo, a proliferação de siglas, que se acelerou na última eleição e parece fadada a fugir ao controle nas próximas. No momento, salvo melhor juízo, há 26 partidos representados na Câmara dos Deputados, 32 registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e outros 30, segundo consta, na fila, esperando por registro. Numa primeira aproximação, o número de siglas pode ser examinado sob duas diferentes perspectivas.

A teoria da representação proporcional recomenda um amplo pluralismo, pois se baseia no pressuposto de que as agremiações existem para dar voz a ideologias ou a interesses consistentes e preexistentes na sociedade. Além de antidemocrático, restringir-lhes o número seria disfuncional para o sistema político, pois implicaria alijar do Parlamento correntes de ideias e grupos importantes, dificultando, em vez de facilitar, o manejo dos conflitos que lavram continuamente na sociedade.

A segunda perspectiva não é necessariamente oposta à que venho de expor. Afirma que cada caso é um caso, podendo existir algum país onde as coisas se passem como foi mencionado, devendo-se, pois, aceitar a proliferação como um mal menor que a exclusão de interesses relevantes. Mas, como disse, cada caso é um caso.

No Brasil, decorridas três décadas do restabelecimento do regime civil, é forçoso reconhecer que o pluralismo partidário se transformou de fato na pilhéria prevista já ao tempo da Comissão Afonso Arinos, em 1985-1986, à qual coube a tarefa de elaborar um anteprojeto de Constituição. Neste ano da graça de 2016, todas ou quase todas as 32 siglas registradas se declaram de centro-esquerda; duas dúzias, pelo menos, são rechaçadas com o cabível sarcasmo pela maioria do eleitorado, que nelas não discerne um vestígio sequer de seriedade. Não foi por acaso que, desde 2013, a opinião pública optou por se manifestar na avenida; declarou que a praça é do povo como o céu é do condor. Engajando-se numa memorável onda de protestos, manteve todos os partidos a uma asséptica distância.

Esta é, pois, a situação: o Brasil chegou ao século 21 com um sistema político institucionalmente razoável, extremamente generoso, direi mesmo permissivo, no tocante à abrangência do sufrágio e às facilidades para a criação de partidos, mas deficiente, para não dizer fraudado e fraudulento, noutros aspectos cruciais do regime político que denominamos democracia representativa.

Acontece – e aqui retomo a segunda perspectiva – que nenhum regime político ou sistema de governo existe para lidar com apenas uma ou com umas poucas necessidades. Todos são multipurpose, ou seja, existem para e são de fato forçados a lidar ao mesmo tempo com numerosos objetivos e valores. Objetivos e valores nem sempre compatíveis entre si, diga-se de passagem. Eis por que, se me permitem invocar brevemente o conselheiro Acácio, governo tem de governar escolhendo os objetivos que esteja de fato disposto a implementar e ignorando ou rechaçando os que não esteja.

Pelo menos em dois momentos, portanto, a importância dos partidos políticos deve ser ressaltada. Primeiro, cumpre-lhes refletir a diferenciação subjacente de interesses e ideologias, caso ela exista, ou estabelecer balizas para que ela se constitua – obviamente, dentro de limites, em se tratando de um regime democrático. Nessa função, se não querem ser cúmplices no fraudar a vontade popular, os partidos têm de ser estáveis no que toca a suas formas de organização e liderança, e doutrinariamente inteligíveis – o que nem de longe significa rigidez ou fanatismo ideológico. O segundo momento, ou função, é o que pedantemente se costuma chamar de governabilidade. Assim como devem ajudar a organizar a opinião pública, os partidos devem também organizar as correntes parlamentares, incutindo nelas a altivez necessária para defender a instituição legislativa, mas também flexibilidade para colaborar com o Executivo no que este tiver de sério a propor.

Isto posto, volto à ideia de enviar aos nossos representantes um breve exercício de cidadania. Não incluiria nele os cidadãos sinceramente satisfeitos com a situação atual: os que se sentem bem servidos com o funcionamento atual da representação proporcional e do pluripartidarismo. Aos insatisfeitos e aos que se encontram em dúvida, eu proporia algumas indagações. Dada a complexidade do tema, limitaria minha enquete a detentores de diplomas universitários em nível de pós-graduação.

Primeira indagação: indique os nomes de metade (16) das 32 siglas registradas. Segunda: descreva (genericamente...) as ideologias ou os interesses que as referidas 16 se propõem a representar. Terceira: as principais lideranças de cada uma.

Meu teste nada tem de malicioso. Se a razão de termos 32 siglas registradas e outras tantas na linha de montagem é a necessidade de dar voz a ideologias, interesses ou projetos consistentes, parece-me razoável indagar se pelo menos a faixa mais escolarizada do País as conhece. Caso contrário, não estará na hora de adotarmos cláusulas legais fortemente redutoras, que nos ajudem a construir um sistema político mais sério?

Bolívar Lamounier é cientista político, sócio-diretor da Augurium Consultoria. É membro da Academia Paulista de Letras

‘O mais pesado’ - ELIANE CANTANHÊDE

‘O mais pesado’ - ELIANE CANTANHÊDE

ESTADÃO - 31/07

Principal liderança do País, Lula vai esgotando possibilidades para 2018



A “fonte” é quente: o que já saiu não é nada leve, mas as denúncias “mais pesadas” contra o ex-presidente Lula ainda estão por vir. É por isso que Lula e seus advogados se antecipam, em busca de uma duvidosa proteção no Comitê de Direitos Humanos da ONU. No ambiente político, a sensação é de que foi um ato de desespero, indicando que Lula sabe que pode ser preso e estaria aplainando terreno para um futuro pedido de asilo político.

Obstrução de Justiça ao tentar evitar delações premiadas contra amigos e contra si, ocultação de patrimônio no caso do sítio e do triplex, suspeita de palestras fictícias para empreiteiras, envolvimento do filho na Zelotes... tudo isso, que já não é pouco, é apenas parte da história. Os investigadores estão comendo o mingau pelas bordas, até chegar ao centro, fervendo.

No centro, podem estar as perigosas relações de Lula com o exterior, particularmente com Portugal, Angola, Cuba e países vizinhos. E o calor vem da suspeita – com a qual a força-tarefa da Lava Jato trabalha – de que Lula seja o cérebro, ou o chefe da “organização criminosa”. No mensalão, ele passou ao largo e José Dirceu aguentou o tranco. No petrolão, pode não ter a mesma sorte – nem escudo.

Lula tornou-se réu pela primeira vez, na sexta-feira, pelo menor dos seus problemas com a Justiça: a suposta tentativa de evitar a delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, para que ele não abrisse o bico sobre as peripécias de seu amigo José Carlos Bumlai. Peripécias essas que seriam para atender a interesses, conveniências e possivelmente pedidos de Lula.

Digamos que tentar obstruir a Justiça é um “crime menor”, quando Lula é suspeito de ter ganho fortunas e viver à custa de empreiteiras, numa rede de propinas, de toma lá, dá cá. Menor, mas impregnado de simbologia e de força política.

Os fatos embolaram-se de quinta para sexta-feira, num ritmo de tirar o fôlego. Lula entra com a petição no Comitê da ONU, acusando o juiz Sérgio Moro de “abuso de poder” e “falta de imparcialidade”. Ato contínuo, sai o laudo da PF mostrando, até com detalhes constrangedores, como o ainda presidente e Marisa Letícia negociaram cada detalhe da reforma de um sítio que juram não ser deles e cujo dono oficial é um íntimo amigo que não tem renda para tal patrimônio. E, já no dia seguinte, explode a decisão da Justiça Federal do DF tornando Lula réu.

O efeito prático da petição à ONU é remoto, ou nenhum. O comitê tem 500 casos, só se reúne três vezes por ano e está esmagado por guerras, atentados que matam dezenas e golpes de Estado sangrentos. Além disso, só acata pedidos semelhantes quando todas as instâncias se esgotaram no país de origem e Lula ainda está às voltas com a primeira instância. Conclusão: a ação é mais política do que jurídica.

Já o laudo da PF é minucioso e bem documentado, criando uma dificuldade adicional para Lula: ele é suspeito de mentir sobre suas propriedades não apenas em seu depoimento às autoridades, mas à própria opinião pública. Difícil acreditar que não é dono do sítio que frequenta regularmente com a família, que recebeu uma reforma feita ao gosto do casal, que abriga os barcos para os netos e parte da mudança do Alvorada após o governo. Se mentiu, por que mentiu?

Mais: Lula atacou Moro na ONU, mas se torna réu por um outro juiz, a muitos quilômetros de Curitiba. Vai alegar que há um complô dos juízes brasileiros contra ele? Porque são todos “de direita”? Ou são todos “tucanos”? Lula parece dar murro em ponta de faca, sem argumentos concretos para se defender e esgotando suas possibilidades não só de disputar em 2018, mas de liderar uma grande e saudável renovação da esquerda brasileira. “Cansei”, reagiu. Mas, se a “fonte” estiver correta, o “mais pesado” ainda vem por aí.

Advertência aos políticos - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

Advertência aos políticos - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 31/07

Alguns episódios indicam que o Brasil passa por mudanças importantes. Ao tornar réus o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcídio do Amaral e mais cinco pessoas, a Justiça demonstrou, na última sexta-feira, que a elite política não está acima da lei. O julgamento do mensalão já havia provado, de forma contundente, que poderosos podem conhecer as penalidades previstas para crime de corrupção. O maior exemplo recaiu sobre José Dirceu, ministro todo-poderoso da Casa Civil durante o primeiro mandato de Lula no Palácio do Planalto. Atualmente, Dirceu cumpre prisão em decorrência da Operação Lava-Jato, que neste momento está nos calcanhares da estrela maior do Partido dos Trabalhadores. Não se pode dizer que se trata de mera coincidência.

A denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Lula e outros foi acatada integralmente pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília. Segundo os termos relatados por Rodrigo Janot, o ex-presidente e os demais réus são acusados de crime de obstrução de Justiça ao tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. O episódio resultou, entre os diversos impactos na política brasileira ao longo da Lava-Jato, na prisão preventiva de Delcídio do Amaral, ex-senador e ex-líder do governo de Dilma Rousseff, e consequente acordo de delação premiada. O magistrado de Brasília entendeu que a investigação reúne elementos probatórios largamente suficientes para que o processo tenha andamento e determinou prazo para as respectivas defesas se manifestarem.

A decisão de Brasília ocorreu um dia depois de o ex-presidente abrir ofensiva contra outro magistrado federal, Sérgio Moro, no âmbito da ONU. Os advogados do reclamante afirmam, na queixa encaminhada ao Alto Comissariado dos Direitos Humanos, que a condução coercitiva ocorrida em São Paulo em março tratou-se de flagrante ilegalidade. Os defensores de Lula também acusam Moro de ser um homem "consumido por um desejo de autopublicidade, a fim de engrandecer sua cruzada contra políticos que ele alega serem corruptos". A decisão da última sexta-feira, proferida por outro magistrado federal, enfraquece a tese persecutória e amplia o rol de suspeitas sobre a conduta de Lula. É lamentável observar um ex-mandatário da nação, que tem por obrigação zelar pela respeitabilidade do cargo que exerceu durante oito anos, se complicar cada vez mais nas raias da Justiça.

Além do ex-senador Delcídio do Amaral, acompanham Lula neste desdobramento da Lava-Jato o banqueiro André Esteves, o pecuarista José Carlos Bumlai e filho, e advogados e assessores envolvidos. A abertura de ação penal contra o ex-presidente constitui um duro golpe no PT, em meio à iminente definição do processo de impeachment de Dilma Rousseff e às eleições municipais. Mas significa, sobretudo, um alerta para homens públicos e para toda sorte de profissionais envolvidos na política. O Brasil tem leis. E está começando a aplicá-las para valer.


Sobre humor e cangurus - FERNANDO GABEIRA

Sobre humor e cangurus - FERNANDO GABEIRA

O Globo - 31/07

A frase infeliz de Paes faz pensar: existe um humor tipicamente carioca?


Não precisamos de cangurus, mas sim de encanadores. A frase da chefe da delegação australiana na Olimpíada do 
Rio é mais do que uma tirada pragmática. Ela nos leva a pensar no humor. Quando prometeu os cangurus, diante das reclamações sobre problemas hidráulicos, Eduardo Paes estava fazendo humor. E, ao contrário do que ele costuma dizer, não é um humor carioca, apenas humor. Na verdade, não sei se existe um humor tipicamente carioca. Um dos maiores humoristas de todos os tempos, o carioca Millôr Fernandes era universal na maioria dos seus textos e pode ser incluído em qualquer boa seleção planetária.

Talvez exista um humor judeu, classificado, organizado em antologias, com traços marcantes, como a autoironia de Woody Allen. Mas ainda assim é um esforço classificatório. No livro “O ato da criação”, Arthur Koestler descreve a dinâmica do humor e, de um modo geral, o atribui a um tipo de associação que expressa o encontro súbito de dois quadros do pensamento, uma centelha criativa que faz rir. Paes associou rapidamente um fato do mundo material, o entupimento das pias, para outro do mundo afetivo, os cangurus tão presentes no cenário australiano. A resposta australiana recolocou o quadro real da demanda.

Se examinarmos o quadro clássico da dinâmica do humor, ele apenas introduziu uma centelha criativa, com o propósito de fazer rir. No entanto, carioca ou judeu, o humor está sujeito a uma condição universal: tem ou não tem graça? É difícil aceitar a tese de um humor carioca, sempre que o prefeito do Rio diz uma frase infeliz. Existe um estado de espírito mais descontraído talvez. Mas ele também está sujeito ao julgamento do outro.

Se as frases de Paes expressam um típico humor carioca, era de se esperar que os cariocas fossem discretamente evitados por outros povos: lá vêm aqueles caras, com aquelas piadas sem graça. E não é isso o que acontece nas relações entre eles e o mundo. É compreensível que pessoas modestas atribuam seus talentos à sociedade em que trabalham, que socializem a celebração de suas conquistas. Mas torna-se um pouco difícil atribuir frases das quais ele próprio se arrepende a um traço da sua própria cultura. Como os cariocas, por serem cariocas, estivessem condenados culturalmente a dizer coisas sem graça, nas circunstâncias mais sérias. A resposta da australiana, Kitty Chiller — “precisamos de encanadores” — jogou Paes na realidade e foram feitos avanços nas reparações. Ministros de Brasília andaram dizendo que isso acontece mesmo com prédios novos. É a inversão do senso comum. Seria como dizer: meu carro é novo, por isso não sai da oficina.

O diálogo Paes-Chiller me jogou também numa outra dimensão da realidade. Se uma obra que custou R$ 2,9 bilhões, inaugurada com exposição internacional, foi entregue assim, o que acontece com as outras ao longo do Brasil, escondidas das câmeras, anônimas? Cobrindo uma enchente num bairro popular de São Gonçalo, a moradora me convidou para entrar em sua casa e ver o resultado de uma recente obra de saneamento. Simplesmente os canos devolviam esgoto para dentro de casa. Naquele momento, senti muito que ela fosse obrigada a viver naquelas circunstâncias desagradáveis. Era apenas uma velha senhora de São Gonçalo. O que vemos hoje atrela aquele destino individual à própria imagem do Brasil.

As reportagens mais críticas e dolorosas referem-se sempre aos graves problemas de saneamento. Uma atleta americana postou para seus seguidores: vou remar na merda por vocês. Num sentido mais amplo, a chefe da delegação australiana falou por todo o Brasil: precisamos de encanadores. Impossível esconder de uma superexposição internacional o fato de que ainda não resolvemos no XXI o problema que alguns países resolveram no século XIX, como o saneamento básico. Não é preciso ir aos bairros mais pobres para constatar essa realidade. As lagoas são um termômetro. Todas, e especialmente a Baía de Guanabara, são poluídas e decadentes. A opção de realizar a Vila Olímpica na Barra consagra um tipo de crescimento que segue o ritmo do próprio comércio imobiliário. Ao fugir das grandes concentrações, a expansão impõe ao governo custos muito altos para instalar a infraestrutura. A frase da australiana Kitty Chiller não é todo estranha à Barra de Tijuca de hoje.

Mas, certamente, ao apontar o crescimento para a região, ela pode se tornar profética: precisamos de encanadores. De uma certa forma, a Lava-Jato nos ajudou nisso. Grandes empreiteiras como a Odebrecht não terão condições de repetir seus métodos. E não poderão substituir o planejamento pela lista das obras que querem construir. O colapso dessas grandes empresas talvez abra caminho para se enfrentar com mais eficácia a tarefa do saneamento.

Se isso acontecer será também um legado da Olimpíada, teremos encanadores e os canos que ainda nos faltam.

Menor detido em Goiás pode ser terrorista - com O Antagonista

Menor detido em Goiás pode ser terrorista


O Estadão informa que o adolescente de 17 anos preso em Morrinhos, a 129 km de Goiânia, pode ser Ismail Abdul-Jabbar Al-Brazili, ou "O Brasileiro". Segundo a Abin, um importante recrutador do Estado Islâmico.
Ele foi flagrado pela Polícia na madrugada de sexta-feira, sem documentos, portando uma máscara ninja e vestindo duas calças jeans.

POR QUE SAKAMOTO NÃO COMENTA O TRABALHO ESCRAVO NA VENEZUELA? - Flavio Morgenstern

Leonardo Sakamoto, o blogueiro do UOL, sempre denuncia trabalho escravo e "análogo à escravidão". Mas não na Venezuela. Por que será?
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Estamos preocupados com Leonardo Sakamoto, o blogueiro do UOL. Aquele que é xingado na internet. Pobre Sakamoto. Desconfiamos que tenha sido seqüestrado. Talvez agora esteja trabalhando num porão úmido e escuro, sem contato com as notícias recentes. Assim, em condições de trabalho escravo.
Afinal, basta haver notícia sobre trabalho escravo que lá estará Leonardo Sakamoto, o impávido blogueiro, sofrendo pesado sob uma chuva de xingamentos, para heroicamente enfrentar o perigo e denunciá-lo.
Ontem o ditador Nicolás Maduro, da Venezuela – aquela das milhares de pessoas fugindo pela fronteira para ir comprar comida na capitalista Colômbia –, sob desculpa de combater a grave crise de fome que seu regime socialista-bolivariano impôs à pobre população venezuelana, instituiu, por decreto (ou seja, sem aprovação do Congresso, aquela coisa de democracia, respeitar divisão de poderes, representantes eleitos, blá blá blá) o trabalho escravo na Venezuela.
O decreto foi criticado pela Anistia Internacional – órgão induvidável, pelo seu apreço pelas teses sakamotianas – com palavras pesadas. “Tentar resolver a crise de alimentos na Venezuela forçando pessoas a trabalhar nos campos é como tentar corrigir uma perna quebrada com um band-aid”, disse a diretora da Anistia Internacional da América em uma declaração.
Tal fato foi tão gritante que foi citado em outra fonte da qual a esquerda não pode duvidar, a CNN Money, a principal força televisiva americana a impulsionar a campanha de Hillary Clinton e os ataques a Donald Trump e o Partido Republicano.
Através do decreto – legislar a partir do Executivo, como o fazem Hitler, Stalin, Mao etc – Nicolás Maduro pode, por exemplo, forçar toda a oposição a seu regime a trabalhos forçados, como Hitler fazia nos campos de concentração como Auschwitz, Treblinka e Dachau, Stalin no Gulag, Mao com sua desindustrialização e comunismo agrário (na época das maiores coletas de grãos para distribuição centralizada, mais de 10 milhões de mortes por ano), Pol-Pot em seus “campos de morte” e assim por diante.
Não parece uma situação muito hipotética: o Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, é quem está controlando a produção e distribuição de comida no país bolivariano. O próprio ditador Maduro afirmou há dois meses que a “Assembléia Nacional sumirá em breve da Venezuela”, comorelatou a Folha (que contrata Sakamoto). A medida também já foi aplicada em Cuba, quando o embargo americano se iniciou, na década de 60, e Fidel Castro mandou trabalhadores para os campos.
A oposição venezuelana pode ser escravizada, como é comum no socialismo. A economia venezuelana diminuiu 10% apenas neste ano (todo o país está 10% mais pobre por ano) e a inflação é de 700%. O dinheiro do trabalhador venezuelano, portanto, está sendo usado pela ditadura de Maduro, como explicamos em um dos primeiros textos deste site.
Enquanto isso, Leonardo Sakamoto, ávido denunciador do trabalho escravo (ao digitar seu nome no Google, o mecanismo já sugere a inclusão “trabalho escravo”), ou, como diz de maneira vaporosa, “análogo à escravidão” (o que varia de salário baixo a hora extra em escritório chique), parece não ter sido ainda informado.
No Blog do Sakamoto sustentado pelo UOL/Folha, nada de denunciar a escravidão na Venezuela. Hoje, só um post sobre o Nego Fugido da Bahia, afirmando que a liberdade (ou seja, o fim da escravidão) ainda não chegou. Na Bahia. Pelo visto, os 88% de população negra da Bahia ainda são escravos, mas os venezuelanos, não. Leonardo Sakamoto está certamente impedido de ler notícias para se indignar.
É urgente ter notícias de Leonardo Sakamoto. Pode ser que o blogueiro, ele próprio, esteja sendo escravizado, sem contato com notícias, digitando de seu MacBook Air sem poder ler jornais ou acessar a internet. Talvez esteja até mesmo acorrentado, sendo alimentado apenas com fast food americano, levando tapas na cara, ou, melhor nem pensar nessa hipótese, sendo xingado na internet.
Não há como pensar outra coisa. Ninguém pensaria que o denunciador de escravidão-mor da nação, sobretudo trabalhos (aspas mongas com as mãos) “””””análogos””””” à escravidão, que denuncia analogias com a escravidão nas fazendas de oposicionistas do governo PT, fecharia os olhos e volveria o rosto perante à escravidão venezuelana.
Ninguém em sã consciência pode imaginar que toda a papagaiada de Sakamoto sobre “””””””””escravidão””””””””” seja mera palavra pesada para xingar na internet (*sinal da cruz*) adversários do PT, que o blogueiro, sempre enfrentando uma caixa de comentários perigosamente pouco amistosa, esteja pouco se lixando para escravidão, e que só se importe mesmo em colocar esquerdistas no poder.
Diga-se, exatamente os esquerdistas amiguinhos de Nicolás Maduro, como toda a esquerda brasileiraligada ao Foro de São Paulo, como o recém-golpista da Nicarágua Daniel Ortega, que deu um golpe ontem e se tornou o novo totalitário bolivariano com o mesmo dinheiro do PT, da Odebrecht, da “Grande Pátria Bolivariana” que querem Dirceu, Fidel e Raúl Castro etc.
Não é possível pensar uma coisa dessas do fofo Leonardo Sakamoto. Mais fácil pensar que ele que está em perigo, escravizado, acorrentado, sem acesso ao mundo, tomando pescotapas, passaralhos e, oh horror!, sendo xingado na internet.
Pobre Sakamoto.
Post Scriptum: Uma sugestão óbvia para a crise humanitária na Venezuela: Nicolás Maduro pode liberar o povo venezuelano e a posição ao regime do trabalho escravo e usar nos campos esta galera abaixo. Como Sakamoto, eles são fofos e não podem estar errados – certamente se animarão e trabalharão de graça nas plantações para Maduro e para o povo venezuelano:

sábado, 30 de julho de 2016

ISTOÉ mostra como Dilma institucionalizou a corrupção do PT no Planalto

ISTOÉ mostra como Dilma institucionalizou a corrupção do PT no Planalto

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“ISTOÉ – A estrutura criminosa do governo Dilma

Lava Jato e outras investigações da Polícia Federal e do Ministério Público mostram como a presidente afastada institucionalizou a corrupção no governo federal e envolvem mais de vinte ex-ministros com desvios de dinheiro público, achaque a empresas e ameaças a testemunhas

Há exatamente um ano, em despacho redigido em um dos processos que tem como réu o ex-ministro José Dirceu, o juiz Sérgio Moro escreveu que o País passou a vivenciar um quadro de corrupção sistêmica sob o comando do PT. Na ocasião, muitos analistas políticos e observadores das entranhas do Judiciário trataram o alerta do magistrado responsável pela Lava Jato como alarmista. Hoje, não há quem discorde de Moro. Depois de dois anos de investigações em diversas operações da Polícia Federal e de mais de 70 delações premiadas, fica evidente que as gestões petistas transformaram o governo federal em uma verdadeira e organizada estrutura de corrupção. Praticamente todos os ministros de Dilma Rousseff estão envolvidos em desvios de dinheiro público. Desde aqueles que ocuparam gabinetes no Palácio do Planalto até os mais distantes. “A corrupção que o PT promoveu foi uma corrupção institucional, não foi dispersa nem com indivíduos participando isoladamente”, afirma o professor Álvaro Guedes, especialista em administração pública da Unesp. “Pessoas foram escolhidas a dedo para estar em posições estratégicas e promover o desvio de dinheiro”, conclui o professor.
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Um estado dominado

Um dos expoentes desses “escolhidos a dedo” é Paulo Bernardo, ex-ministro das gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Na semana passada, ele foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Custo Brasil. A PF diz ter provas suficientes para assegurar que Bernardo, enquanto esteve no governo, participou de organização criminosa e praticou crime de corrupção passiva. No mês passado, ele foi preso após a polícia constatar que havia recebido R$ 7,1 milhões desviados de uma fraude no crédito consignado que cobrava uma taxa superfaturada dos servidores federais que se encontravam endividados. Paulo Bernardo é casado com Gleisi Hoffmann, uma das líderes da tropa de choque de Dilma no Senado, ex-ministra da Casa Civil e também acusada de receber propinas do Petrolão. Gleisi só não foi presa junto com o marido graças ao foro privilegiado. O casal sempre teve livre trânsito no gabinete e na residência oficial da presidente afastada. No mesmo esquema que lesou milhares de funcionários públicos, está o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, aquele que costumava levar Dilma para passeios de moto aos domingos. Ainda na semana passada, Edinho Silva, outro ex-ministro íntimo da presidente afastada, viu-se diante de novas provas que o envolvem em corrupção e achaque contra empresários que tinham contratos com o governo. Ele, que já era investigado por intermediar, a pedido de Dilma, R$ 12 milhões da Odebrecht para o caixa dois da campanha da petista em 2014, desta vez foi alvejado por investigação promovida pelo TSE. Peritos descobriram que uma empresa pertencente a um ex-assessor de Edinho recebeu R$ 4,8 milhões da campanha de Dilma para serviços que não consegue comprovar (leia reportagem na pág. 38). Em um de seus despachos, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que prometer facilidades na liberação de obras às grandes empreiteiras em troca de recursos para o PT era uma medida habitual de Edinho, que antes de ocupar o ministério foi tesoureiro da campanha da reeleição.

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Crimes sob encomenda

Outros ex-ministros próximos à presidente afastada também agiam dentro da organização criminosa. São os casos de Fernando Pimentel, Jaques Wagner, Giles Azevedo, Ricardo Berzoini, entre outros. O Ministério Público investiga ainda amigos da presidente afastada que não ocuparam cargos no primeiro escalão de sua gestão, mas comandaram setores estratégicos do governo, como Valter Cardeal e Erenice Guerra. O primeiro foi diretor da Eletrobrás e é acusado de ter se beneficiado com propinas nas obras de Angra 3. Erenice, uma das principais auxiliares de Dilma e ex-ministra de Lula, é investigada por ter recebido R$ 45 milhões desviados das obras de Belo Monte. Como quadrilha organizada, expressão que costuma ser usada pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, ao se referir às gestões petistas, a estrutura criminosa instalada no governo Dilma também locupletou os ministros que chegaram à esplanada por indicação dos partidos aliados (leia quadro na p[ág. 37). “O PT unificou diversas quadrilhas que agiam em setores diferentes”, diz Paulo Kramer, analista e professor da Universidade de Brasília. “O partido deu um comando central à corrupção, decidia quem entraria para o esquema de poder”, complementa.
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Com o avanço da Lava Jato, o governo passou a usar ministros para tentar barrar as investigações. A presidente afastada e o ex-chefe da pasta de Justiça, José Eduardo Cardozo, procuraram nomear ministros comprometidos para os tribunais superiores. Sem êxito, Dilma escalou o ex-ministro Aloizio Mercadante para tentar comprar o silêncio de testemunhas. Ex-ministro da Educação e da Casa Civil, Mercadante foi um dos principais conselheiros dela. Acusado de receber dinheiro de propina da UTC em sua campanha de 2010, ele foi flagrado, em março deste ano, em uma gravação oferecendo dinheiro e ajuda para tentar melar a Lava Jato. A armadilha foi criada pelo assessor do ex-senador Delcídio do Amaral a quem o ex-ministro fez a proposta indecente para tentar impedir que Delcídio fechasse um acordo de delação. Na ocasião, o processo do impeachment de Dilma parecia caminhar para um encerramento favorável ao governo. Mercadante não conseguiu comprar o silêncio de Delcidio e a delação feita pelo ex-senador, publicada com exclusividade por ISTOÉ, permitiu a retomada do processo que a cada dia desvenda novas falcatruas protagonizadas pelo grupo que se instalou no poder a partir de 2003. “Nos últimos anos foi instalada a cleptocracia em Brasília”, diz o ministro Gilmar Mendes.

Do Foro de São Paulo à cadeia: o caminho de Lula e Dilma construído com mentiras e destruído com verdades - POR FELIPE MOURA BRASIL

Do Foro de São Paulo à cadeia: o caminho de Lula e Dilma construído com mentiras e destruído com verdades

Delações (até do marqueteiro) e mensagens sobre achaques entregam o governo da Orcrim

Por: Felipe Moura Brasil  
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Ladeira abaixo
Cobertura em tuitadas e vídeos:
1.
– Lula vira réu e, em proposta de delação, João Santana relata que Dilma sabia de tudo. É justo que a criatura faça companhia aos criadores.
– VEJA: Santana e sua mulher relatam que Dilma “não só sabia da existência do esquema de Caixa Dois como aprovou as doações ilegais”. FHC ainda vai chamá-la de “honrada”?
– Dilma fica mais perto da prisão com delação de João Santana, que incluirá documentos. Agora, Cardozo já pode garantir um contrato vitalício.
– Dilma um ano atrás: “não houve”. Dilma nas últimas semanas: “se houve, não foi com meu conhecimento”. Sugestão para Dilma agora: “aprovei, sim, mas só porque o Lula me pediu”.
– João “Mr. M” Santana poderá entrar para a história do Brasil como o homem que construiu Dilma com mentiras e destruiu a petista com verdades.
[* A propósito: julgamento final do impeachment de Dilma terá início em 29 de agosto e término em 2 de setembro. Melhor ir dando adeus ao foro privilegiado.]
2.
– E você achava que Dilma havia usado a Caixa só para pagar despesas do Tesouro? Rá! Mensagens em poder da Lava Jato indicam que Planalto mandou diretor achacar fornecedores. É o governo da Orcrim.
– Executivo da agência Borghi Lowe relata a outro que Clauir Santos, do marketing da Caixa, pediu-lhes dinheiro para campanha do PT dizendo cumprir ordens do Planalto. Manda quem pode, recebe quem dá.
– Valdir Barbosa, da Lowe, afirmou ter explicado a Clauir que normas da agência proibiam “contribuições políticas”, mas Clauir ameaçou dizendo que outras aceitariam. Petismo é achaque.
– E-mail integra investigação que vem desde prisão de Ricardo Hoffmann, da Lowe em Brasília, e ex-deputado petista André Vargas. Intimidade criminosa entre agência e braços do governo do PT.
3. 
– Lula ficará no centro da Lava Jato. Nas próximas semanas, uma equipe da força-tarefa dará prioridade às apurações de financiamentos feitos pelo BNDES às empreiteiras do petrolão. Separem a pipoca.
– Procuradores têm indícios de esquema no BNDES a serviço de Lula: parte do dinheiro desviado foi usada para bancar suas entidades; e outra parte, campanhas petistas. Dica: use azeite na pipoca.
– Executivos de 3 empresas denunciaram aparelhamento do BNDES para arrecadar recursos de campanha do PT. E quem comandava o banco? Luciano Coutinho, parceiro de Lula no Foro de São Paulo.
– Ricardo Pessoa: Coutinho orientou UTC a procurar tesoureiro da campanha à reeleição de Dilma, Edinho Silva, para acertar repasse de doações da empresa à candidata petista. Uma mão lavava a outra.
– Suspeitas: Coutinho condicionava financiamentos do BNDES ao compromisso de doações eleitorais por empresários no caso de obras no Brasil. Obras no exterior entravam no “esquema de Lula”. Coisa fina.
– Relembro dois vídeos em que tratei da longa história de cumplicidade entre Lula e Coutinho:
4.
– Mencionei na TVeja as exonerações dos petistas infiltrados no Estado. Temer mandou acelerar a faxina após descobrir que o chamam de “golpista” em alguns ministérios. Quanto menos petistas, melhor.
– Eis os números da faxina parcial:
Ministério da Cultura: 81 funcionários demitidos;
Ministério da Saúde: 73 ocupantes de cargos em comissão de áreas estratégicas exonerados;
Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário: 33 ocupantes de cargos comissionados exonerados;
Ministério das Relações Exteriores: 47 DAS desligados;
Ministério do Planejamento: 67 cargos DAS e 34 de Funções Gratificadas extintos
(e outros 441 DAS transformados em Funções Comissionadas do Poder Executivo, a serem ocupadas por servidores com vínculo permanente);
Casa Civil: 100 cargos deverão ser extintos.
Ministério da Educação: alvo dos próximos cortes, já que é reduto do PT desde Lula;
– Com o desmonte do PT em praça pública, dá para entender por que os petistas se empenham tanto em atacar o projeto Escola Sem Partido? Eles não querem perder os meios de mentir às novas gerações.
– Formar novas gerações na base da mentira, apagando da história 13 anos de roubalheira e destruição da alta cultura, é a única maneira que PT vislumbra para não ser extinto. Se Brasil deixar, ele consegue.
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LULA SERÁ PRESO - Flavio Morgenstern

O ex-presidente Lula vira réu junto a Delcídio do Amaral num momento em que suas chances de impunidade se esfarelam diante de Sérgio Moro.
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O ex-presidente Lula virou réu por tentativa de obstruir a Justiça. Junto a Delcídio do Amaral e outros 5 réus, Lula é acusado de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
A denúncia foi aceita pela 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília. Nestor Cerveró, um dos primeiros presos graúdos na Operação Lava-Jato, possui segredos de operações criminosas realizadas pelo PT que poderiam e comprometeram outros petistas, aliados e companheiros com a Justiça.
Para evitar que Nestor Cerveró delatasse companheiros por ameaças ou ofertas, foi escalado o líder do PT no Senado e principal comunicador petista com a base e a oposição, Delcídio do Amaral.
Delcídio do Amaral se tornou o primeiro senador preso do Brasil por tentativa de comprar o silêncio de Nestor Cerveró. Posteriormente, Aloizio Mercadante também foi flagrado tentando comprar o silêncio do próprio Delcídio do Amaral, em conversas de tom dúbio que podem ser interpretadas como uma ameaça velada. Mercadante veio a público para tergiversar sobre o ocorrido, e acabou não sendo preso.
É possível que, caso Aloizio Mercadante fosse preso, algum outro petista fosse flagrado tentando comprar o silêncio de Mercadante que tentou comprar o silêncio de Delcídio que tentou comprar o silêncio de Cerveró que não tentou comprar o silêncio de ninguém. And so on, no modelo Inception de corrupção petista, em que a culpa é sempre do outro, eu não sabia de nada, não conhecia, não era meu, eu só estava segurando.
Os outros réus são o ex-chefe de gabinete de Delcídio Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Edson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai. Todos coligados umbilicalmente aos negócios do PT: advogados caríssimos de bandidos, pecuaristas “donos” do sítio de Atibaia com pedalinhos com os nomes dos netos de Lula e banqueiros. É este o PT que a esquerda defende.
Há duas novidades agora.
Finalmente, Lula virou réu a partir da Lava Jato. Quando de sua condução coercitiva, Lula sempre flertou e namoricou as investigações da Lava Jato, mas nunca foi réu da Justiça. Em segundo lugar, não é um réu solitário. É difícil crer que algum dos outros réus, já em situação delicada com a Justiça, possa se safar delatando companheiros, mas poupando Lula.
Lula será preso: não é questão de se, é questão de quando. Provavelmente será a última peça de dominó a cair na queda do Império Petista. Ou seria.
Obstruir a Justiça pode ser algo diferente de seus outros crimes. Ninguém poderia prender Lula pelo dinheiro que deu para ditaduras ou pelo tanto de poder que comprou com o mensalão, por exemplo. Mas obstruir a Justiça é algo que, justamente, atrapalha até quem juridicamente passou um pano para Lula até agora. Se Al Capone foi preso por sonegar impostos. Talvez Cerveró sejam os impostos de Lula.
O desespero de Lula chiando para ONU (!), num furor de ridículo que Lula nunca cometeria nas condições normais de temperatura, pressão e Polícia Federal longe de seu solar, indica um pessimismo se tornando realismo.
Moro e Lula sempre se antecipam. Talvez Lula, além de saber de tudo, agora também saiba antes de nós que será preso.
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