domingo, 29 de maio de 2016

Camisas pretas, Cuba e a lenga-lenga do “golpe” Bolívar Lamounier


O grotesco espetáculo da queima de livros, oops, desculpem, das camisas pretas na assembleia da LASA, em Nova York, não foi um fato isolado. Há notícias de coisas parecidas acontecendo em outros países, sem esquecer que o ministro José Serra já deu um chega-pra-lá em alguns desses países populo-esquerdóides da América Latina.
Consta que Cuba tem tido um papel proeminente na orquestração desse movimento, o que me faz lembrar um fato curioso e suscitar algumas interrogações.
O fato curioso é que a oligarquia dos irmãos Castro está no poder em Havana há exatos 56 anos. Para quem se propõe questionar as instituições brasileiras, é um currículo notável, não lhes parece? Na China, Mao foi-se há muito tempo; na URSS, Stalin reinou 35 anos (se bem é certo que lá estaria até hoje, se a Morte, a grande democratizadora, não o tivesse levado desta para outra melhor). Então, assim por alto, podemos dizer que os “cumpanheros” Raúl e Fidel detêm um recorde de fazer inveja ao PT.
Tenho também algumas interrogações, como antecipei acima. Na América Latina, vítimas de golpes costumam ser presos e não raro assassinados. Os sortudos são só exilados. O destino de Dilma Rousseff não é tão terrível, mas o sofrimento dela rasga o coração de qualquer um. Apeada da presidência pelas “elites” reacionárias por meio de um bárbaro golpe parlamentar, uma cusparada na democracia, hoje mesmo ela está a nos despertar a mais pungente compaixão. A Folha de SP traz uma entrevista e uma foto dela tentando se acomodar numa poltrona do Palácio Alvorada. E não tenham dúvida: já-já os golpistas vão obrigá-la a pagar alguma coisa a título de aluguel pelo tempo em que ela permanecer naquela espelunca.
Mas me perdoem a digressão, cá estou de volta às interrogações que pensei endereçar a Fidel & Raúl. Fontes de alta credibilidade – não preciso nomeá-las... – garantem que nenhum país no mundo respeita os direitos humanos como Cuba. Pois me permito dar esta sugestão aos Castro. As instituições mediante as quais eles se tornaram tão longevos no poder não os credencia, como sugeri acima, para falar mal do Brasil, mas o currículo do país no tocante aos direitos humanos, quem sabe?
Seria ótimo não só para o regime que dirigem, mas para toda a América Latina, digo mesmo para o mundo, que eles abrissem todas as informações disponíveis a esse respeito. Desde a Revolução, quantos “burgueses” foram fuzilados? – claro, cada um contando ponto a favor dos direitos humanos, pois um burguês a menos é um ganho para a humanidade, como o próprio Sartre escreveu na Crítica da Razão Dialética.
Quantos dissidentes de consciência foram presos e devidamente sentenciados? Qual foi a duração média das sentenças; quantas foram cumpridas até o fim? As que porventura não tenham sido cumpridas em toda a extensão prevista, não o foram por desleixo das autoridades, permitindo fugas, por falecimento natural, ou por outra razão?
Há estatísticas sobre o perfil dos sentenciados segundo a raça, o gênero e a orientação sexual?
Para a comunidade internacional, seria também de suma utilidade um esclarecimento algo mais pormenorizado de certas ocorrências. Penso no caso de um dissidente de consciência condenado a 15 anos de prisão, o encanador Orlando Zapata Tamayo, que veio a falecer após 85 dias em greve de fome, a 22 de fevereiro de 2010
Esse caso apresenta especial interesse para nós, brasileiros, pois dele tomamos conhecimento em virtude do que coloquialmente se costuma denominar uma saia-justa: o fato de Lula, ainda na presidência, ter aportado em Havana exatamente naquele dia. Com sua reconhecida altivez, Lula não fez por menos. Logo ao tomar conhecimento do fatídico desfecho, criticou severamente a conduta do morto.

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