sábado, 30 de abril de 2016

Molecagem – Editorial /O Estado de S. Paulo


Na iminência de ser desalojada do Palácio do Planalto, a petista Dilma Rousseff parece disposta a reafirmar, até o último minuto de sua estada no gabinete presidencial, a sesquipedal irresponsabilidade que marcou toda a sua triste trajetória como chefe de governo.

Até aqui, a inconsequência de Dilma podia ser atribuída, com boa vontade, apenas a sua visão apalermada de mundo, que atribui ao Estado o poder infinito de gerar e distribuir riqueza, bastando para isso a vontade “popular”, naturalmente representada pelo lulopetismo. Agora, no entanto, ciente de que não escapará da destituição constitucional, justamente porque violou a Lei de Responsabilidade Fiscal, Dilma resolveu transformar essa irresponsabilidade em arma, com a qual pretende lutar contra o Brasil enquanto ainda dispuser da caneta presidencial.

A presidente prepara um pacote de “bondades”, quase todas eivadas do mesmo espírito populista que tanto mal tem feito ao País. A ideia da petista é obrigar o novo governo, presidido por Michel Temer, a assumir o pesado ônus político de tentar anular algumas dessas decisões, que claramente atentam contra as possibilidades do Orçamento.

Um exemplo é a concessão de um reajuste do Bolsa Família. Articulada pelo chefão petista Luiz Inácio Lula da Silva, a medida deverá ser divulgada por Dilma para celebrar o Dia do Trabalho, amanhã. Não é uma mera “bondade”. Trata-se de uma armadilha para Temer.

O próprio Tesouro avalia que não há nenhuma possibilidade de conceder reajuste para os beneficiários do Bolsa Família sem, com isso, causar ainda mais estragos nas contas públicas. O secretário do Tesouro, Otávio Ladeira de Medeiros, disse que não há “espaço fiscal” – isto é, recursos no Orçamento – para o aumento.

Segundo Medeiros, o Orçamento tem uma margem de R$ 1 bilhão para reajustar o Bolsa Família, mas a extrema penúria das contas da União não permite que se mexa nesse valor enquanto o Congresso não aprovar a nova meta fiscal – o governo quer aval para produzir um déficit de até R$ 96,95 bilhões no ano. Sem essa autorização, e diante da perspectiva de nova queda da receita, a Fazenda reconhece que será necessário fazer um contingenciamento orçamentário ainda maior, o que inviabiliza o reajuste do Bolsa Família.

Essa impossibilidade, aliás, foi prevista pela própria Dilma. Ao sancionar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016, nos últimos dias do ano passado, a petista vetou os reajustes de todos os benefícios do Bolsa Família. A previsão era de um aumento de ao menos 16,6%, correspondente ao IPCA acumulado de maio de 2014 – data do último reajuste do Bolsa Família – a novembro de 2015. Ao justificar o veto, Dilma escreveu que “o reajuste proposto, por não ser compatível com o espaço orçamentário, implicaria necessariamente o desligamento de beneficiários do Bolsa Família”.

Agora, no entanto, Dilma mandou às favas o que havia restado daquela prudência, com o único objetivo de sabotar Michel Temer. Sem ter autorização para mais gastos, o governo terá de fazer novos cortes até o final de maio – quando se espera que o País já esteja sendo governado pelo peemedebista –, e então qualquer liberação de dinheiro adicional para pagar um Bolsa Família reajustado poderia representar o mesmo crime de responsabilidade pelo qual Dilma está sendo acusada.

Atitudes como essa fazem parte de um conjunto de decisões indecentes que Dilma resolveu tomar para travar sua guerra particular contra o País. Sempre sob orientação de Lula, o inventor de postes, Dilma escancarou seu gabinete para os líderes das milícias fantasiadas de “movimentos sociais”, fazendo-lhes todas as vontades e concedendo-lhes benefícios com os quais Temer terá de lidar. Enquanto isso, mandou seus ministros se recusarem a colaborar com os assessores de Temer e reforçou sua campanha internacional para enxovalhar a imagem do Brasil no exterior, caracterizando o País como uma república bananeira. E esse espetáculo grotesco não deve parar por aí.

Eis o tamanho da desfaçatez de Dilma e de Lula. Inimigos da democracia, eles consideram legítimo aprofundar a crise no Brasil se isso contribuir para a aniquilação de seus adversários. Isso não é política. É coisa de moleques.

Demétrio Magnoli: "Três caras que só pensam naquilo"


Folha de São Paulo


"(...) vivem em constante rivalidade, e na situação e atitude dos gladiadores, com as armas assestadas, cada um de olhos fixos no outro; isto é, seus fortes, guarnições e canhões guardando as fronteiras de seus reinos e constantemente com espiões no território de seus vizinhos, o que constitui uma atitude de guerra." 

A célebre sentença de Hobbes refere-se aos Estados, mas serviria para definir os chefes políticos tucanos. O PSDB renunciou à condição de partido, reduzindo-se a um teatro de guerra permanente entre três caras que só pensam naquilo. Na inauguração do governo Temer, o impasse tucano já não deve ser visto como um problema intestino, mas como aspecto crucial da crise nacional.

A guerra, fria ou declarada, entre Aécio, Serra e Alckmin atravessou a era do lulopetismo, corroendo o tecido do principal partido de oposição. Hoje, quando o reinado lulo-dilmista chega ao fim em meio a incêndios econômicos, políticos e éticos, o conflito trava o PSDB, sabotando uma decisão nítida sobre o engajamento no governo transitório. Sem os tucanos a bordo, a nau de Temer se inclinaria na direção do PMDB de Jucá, Renan, Cunha et caterva, associado a um "centrão" composto por partidos ultrafisiológicos. No lugar de um governo de "união nacional", surgiria um gabinete de salvação das máfias políticas que saltaram de um comboio descarrilhado.

Aécio devastou o capital político acumulado na campanha eleitoral cortejando uma bancada parlamentar irresponsável, que chegou a votar contra o fator previdenciário e estabeleceu um desmoralizante pacto tático com Cunha. Há pouco, declarou-se "desconfortável" com a participação orgânica do PSDB no novo governo. Serra, o incorrigível, preferiu negociar pessoalmente um lugar destacado na Esplanada dos Ministérios. Sonhando delinear um caminho próprio até o Planalto, se preciso pelo atalho do PMDB, ameaça virar as costas a seu partido, entregando-o à confusão. Alckmin, por sua vez, acalenta um projeto presidencial improvável acercando-se do PSB e tricotando com a camarilha político-sindical do Paulinho da Força. Nesse passo, implodiu a campanha tucana à Prefeitura de São Paulo. Hoje, a guerra particular que travam os três gladiadores tem o potencial para complicar a já difícil transição rumo a 2018.

A sorte do governo Temer será jogada no interregno entre a posse provisória e o julgamento final do impeachment no Senado. Uma coleção de notícias econômicas positivas, quase contratadas de antemão, não será suficiente para consolidá-lo. A carência de legitimidade eleitoral precisa ser compensada por iniciativas políticas coladas aos anseios da maioria que repudiou o lulo-dilmismo.

Se fosse um partido, não uma arena de gladiadores, o PSDB trocaria o engajamento integral no governo por um ousado compromisso com a Lava Jato. 

Exigiria do novo presidente a mobilização imediata da maioria parlamentar para cassar o mandato de Cunha. Conclamaria o governo a encampar o projeto de lei das dez medidas contra a corrupção formulado pelo Ministério Público. Em trilho paralelo, forçaria uma minirreforma política destinada a fechar o rentável negócio da criação de partidos de aluguel. Mas, imerso no seu pântano interno, o PSDB ensaiou fazer o exato oposto disso. No auge de seus exercícios ilusionistas, os tucanos prometeram a Temer um "profundo e corajoso" apoio parlamentar em troca da adesão a uma flácida agenda política. O intercâmbio equivaleria à cessão de um cheque em branco a um governo no qual não se deposita confiança.

Dias atrás, Aécio reuniu-se com Temer e sinalizou uma mudança de rota. 

"Tínhamos duas opções: lavar as mãos ou ajudar o país a sair da crise", constatou, antes de concluir com um enigmático "vamos dar nossa contribuição". Será, enfim, um indício de que o PSDB avalia a hipótese de fingir que é um partido?

​Sitiaram o Palácio da Alvorada - com O Antagonista



Está proibido se aproximar do Palácio do Alvorada. Seguranças e homens do Exército fecharam os dois acessos à residência oficial de Dilma.
O Antagonista tentou passar por um deles, dizendo que gostaria de chegar perto do Palácio para fazer fotos como turista: quatro seguranças e um militar armado se aproximaram do carro e ordenaram o retorno.
Dilma está sitiada.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Programa de Temer diz textualmente em privatizar ‘tudo o que for possível’


Se as privatizações não forem vagabundas e anti-mercado como as de FHC, que não abriu a concorrência e facilitou cartéis, vamos apoiar!
As informações são de O Globo:
“O documento que servirá de base a um eventual governo Michel Temer, e que deve ser divulgado na próxima semana, afirma que, na infraestrutura, “tudo” o que for possível deve ser concedido ou privatizado: “O Estado deve transferir para o setor privado tudo o que for possível em matéria de infraestrutura. Quanto às competências que reservará para si, é indispensável que suas relações com contratantes privados sejam reguladas por uma legislação nova, inclusive por uma nova lei de licitações. É necessário um novo começo das relações do Estado com as empresas privadas que lhe prestam serviços”, diz trecho do documento.
O texto, chamado “A travessia social”, é composto por 17 páginas e, além de tratar os temas Educação, Saúde, Corrupção, Benefícios Sociais e Economia, faz um diagnóstico sobre os motivos que levaram o país à crise política e à recessão. A ideia da gestão Temer é focar em concessões e parcerias público-privadas, buscando um ambiente melhor com a iniciativa privada para investimentos. Os investimentos privados são considerados, no documento, fundamentais para ajudar a resolver “a maior crise da História”.”
bovespa-par-online

‘Gran finale’ - Eliane Cantanhêde


- O Estado de S. Paulo

Virtualmente perdida a guerra do impeachment, Dilma Rousseff, Lula e o PT lutam com unhas e dentes para vencer a batalha pela narrativa política e para “infernizar” de véspera o virtual governo Michel Temer. Contam para isso com a mídia internacional, tanto quanto dependem de CUT, MST, UNE e MTST para agitar ruas e estradas.

Há um temor, na oposição, de que Dilma articule um “gran finale” para o processo de impeachment e para seus anos de governo. Algo como se acorrentar à mesa presidencial e forçar uma retirada à força do palácio. Algo teatral e dramático para ilustrar sua indignação, gerar imagens fortes e corroborar a narrativa do “golpe”.

São três os pontos centrais a serem martelados dia e noite, dentro e fora do País: o impeachment é um “golpe” dado “pela direita”, “pelos corruptos”, “pela mídia golpista”, tudo isso personificado no deputado Eduardo Cunha; com Temer e o PMDB, será o fim dos programas sociais, a começar do Bolsa Família; o novo governo vai intervir na Polícia Federal e enterrar a Lava Jato.

A narrativa é a mesma, mas por motivações diferentes. Dilma esperneia e se submete a terríveis constrangimentos – como as fotos reveladoras da “miss Bumbum” no Ministério do Turismo – tentando desesperadamente sair do governo e entrar para a história como “vítima da direita corrupta”, não como a presidente despreparada que, além das “pedaladas fiscais”, destruiu a economia, manchou a imagem do Brasil no exterior, conviveu com o esfarelamento da Petrobrás e explodiu a “maior base aliada do planeta”.

Lula, porque foi o presidente mais popular da história e, mal passados cinco anos, anda às voltas com Lava Jato, Zelotes, empreiteiras e filhos que, como a Coluna do Estadão publicou, saem por aí comprando cadeiras de R$ 15 mil. Não pega nada bem para quem mobiliza milhões de incautos com o discurso da defesa dos “pobres” e de uma “esquerda” que se limita hoje a uma expressão ao vento, um pretexto para defender o indefensável.

O PT, porque o partido é muito maior do que Dilma Rousseff – aliás, nem queria a candidatura dela – e precisa garantir a sua sobrevivência para além de Lula e Dilma ou, ao menos, a sobrevivência política de muitos petistas que não macularam suas biografias nem encheram as burras com mensalões, petrolões e relações perigosas com empresas sujas. Eles precisam de uma narrativa que vitimize Dilma e carimbe os líderes do impeachment como “golpistas”.

A estratégia tem legitimidade, mas Dilma, Lula, PT e movimentos não lucram nada, mas pioram ainda mais a imensa crise brasileira se decidem incendiar o País. Vetar a transição para o novo governo é o de menos, até porque os ministros de Dilma estão aos montes pró-impeachment, mas, ao tramar um aumento populista do salário mínimo no próximo domingo, ao programar uma atualização irreal da tabela do Imposto de Renda, eles não estão “infernizando” apenas a vida de Temer, mas a dos brasileiros, sobretudo dos que já estão no inferno do desemprego.

Ontem mesmo, mais uma leva de péssimas notícias: déficit fiscal de R$ 18 bilhões, o maior em 19 anos, e juros de 300% ao ano no cartão de crédito, um recorde mundial. Dilma, Lula e o PT querem aprofundar esse desastre para tentar colar os seus próprios cacos? Não parece justo.

Luta política, sim. Disputar a narrativa história, sim. Mas irresponsabilidade com a Nação, não. Enxovalhar a imagem do Brasil no exterior, incendiar pneus, fechar estradas e detonar de vez as contas públicas não vai melhorar a narrativa de ninguém. Ao contrário, só piora tudo para todo mundo, inclusive Dilma, Lula e PT.

Desvio de função. A professora Janaína Paschoal falou mais dela própria do que do pedido de impeachment na comissão do Senado. Adora a palavra “eu” e o verbo na primeira pessoa.

A importância do rumo - Celso MinG


- O Estado de S. Paulo

Se é verdade que não haveria impeachment se a economia estivesse em boas condições, como esperar que um novo governo seja capaz de reverter essa situação e ganhar legitimidade?

O sucesso imediato pode ser uma boa aposta, mas não está no radar de ninguém. Ao contrário, as incertezas, as mesmas e outras mais, continuam aí.

Como nesta quinta-feira foi revelado pelo Tesouro (veja gráfico), a deterioração das contas públicas é suficientemente ampla e profunda a ponto de não permitir expectativa de virada no curto prazo. Qualquer arrumação da casa pode trazer ainda mais problemas, principalmente quando exige reformas, ação de pedreiros, encanadores e tal, que produzirão novas desarrumações e mais poeira.

A primeira grande mudança terá de ser nos corações e mentes, o que está longe de estar garantido só com a troca de governo. Não será preciso ter tudo consertado e o sofá de volta a seu lugar para que retorne a confiança. Um bom recomeço sempre ajuda, mas o que poderá consolidar a percepção de previsibilidade é a adoção de uma política macroeconômica consistente e direção firme.

Na edição desta quarta-feira ficou dito nesta Coluna que a provável escolha do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para o comando da política econômica leva boa probabilidade de garantir apoio dos agentes econômicos, tanto daqui como do exterior. E pode ser ocasião de maior afluxo de investimentos.

Para maior proveito dessas oportunidades, parece imprescindível a dinamização dos leilões de concessão de serviços públicos, com regras firmes e expectativa razoável de retorno.

Não dá para contar com o saneamento imediato das contas públicas. Isso significa que o déficit vai continuar por mais algum tempo, dependendo do comportamento da arrecadação. Mas, nessa matéria, mais importante do que a apresentação de resultados será o rumo adotado e a perspectiva de reversão da atual trajetória preocupante da dívida pública. Se os agentes econômicos sentirem firmeza e condições de previsibilidade, o desengavetamento dos investimentos virá naturalmente. Nesse sentido, o encaminhamento de um programa de reformas terá papel importante a desempenhar.

Um novo governo contará com alguns bons trunfos. O primeiro deles é o de que ficou difícil piorar, o que ajudará muito a sair do fundo do poço. O segundo, já mencionado aqui em outras oportunidades, é a boa recuperação das contas externas e a tendência de queda da inflação, que pode pavimentar a recuperação. O terceiro é a boa capacidade ociosa existente no setor produtivo, que permite aumento relativamente rápido da produção sem necessidade de grandes investimentos prévios.

Mas resta a grande incerteza de fundo, que será dada pelo jogo político e pelas eventuais novas revelações que poderão ser proporcionadas pela Operação Lava Jato. Em todo o caso, assim como desastres da economia põem a política a desandar, bons resultados da economia tendem a reforçar as condições de atuação política do governo.

Cubanos, não tenham medo! - ESCRITO POR PEDRO CORZO


cuba

A nação cubana leva décadas em franca deterioração. Seus filhos são os que devem restaurá-la.
É uma demanda que se ouve em Cuba desde há décadas, porém que lamentavelmente não foi atendida pela maioria dos ilhéus que reclamam a governos estrangeiros, os direitos e oportunidades que possivelmente não foram capazes de exigir em seu país.
Há situações particularmente complexas para ser analisadas, principalmente quando estão envolvidos inúmeros fatores, interesses contrapostos e estimativas pessoais que podem estar influenciados pela subjetividade.
Não obstante, é necessário soltar o demônio que oprime e inquieta porque o primeiro dever de um observador é dizer o que crê, além do bom, mau ou feio que possa resultar.
Antes de tudo, é justo asseverar mil e uma vezes que a razão de todos os problemas de Cuba e dos cubanos são conseqüências da ditadura que rege o país. A falta de direitos, as penúrias econômicas e discriminação, assim como o exílio e a emigração, são produtos do sistema.
A outra realidade, dura e crua, é que o regime sobreviveu 57 anos por sua capacidade repressiva, por sua habilidade para oferecer garrote e cenoura, mais o primeiro que o último, mas também porque um setor do povo, apesar dos esforços e do sacrifício de outra parte dos nascidos na ilha, optaram pela cumplicidade ou a simulação que no final de contas como expressou José Martí, “Aquele que vive da infâmia, ou se relaciona com ela em paz, é um infame. Abster-se dela não basta: é necessário lutar contra ela. Ver um crime com calma, é cometê-lo”.
A nação cubana leva décadas em franca deterioração. Seus filhos são os que devem restaurá-la. Esforçar-se. Trabalhar. Correr os riscos que demandem as circunstâncias para ter uma vida livre com a qualidade à qual cada um tem direito, só corresponde aos que nasceram nela. Na ilha não faltaram exemplos. Houve desperdício de valor e sacrifícios, embora também tenha sobrado cúmplices e pusilânimes.
Como seqüela, se alguns de seus descendentes não querem ou temem correr os riscos que implicam reparar a casa de todos, isso não lhes confere o direito de despojar a tranqüilidade de seus vizinhos. Nenhum povo é obrigado a dispor de seus bens ou abandonar suas prerrogativas, em benefício dos que não foram capazes de conservar os próprios.
Não se trata de promover a falta de solidariedade. Simplesmente que os que necessitam de ajuda, devem demonstrar um interesse genuíno em resolver o problema que os aflige.
Emigrar é um direito, porém é necessário contar com o beneplácito de quem acolhe. É necessário respeitar as regras de quem hospeda e nunca exigir na casa alheia o que não se foi capaz de demandar na própria.
A afirmação do jornalista Rolando Cartaya de que “o maleconaço deve ser em Havana”, é válida para os que submissamente acataram na ilha as normas da ditadura e em um país estranho, quando não satisfazem seus reclamos, exigem, protestam e vandalizam, atos que não se justificam, embora seja provável que tenham sido instigados por provocadores do castrismo.
Os direitos devem ser reclamados na terra natal, não na que acolhe sem ter sido convidado. É ao castrismo que se deve exigir, é em Cuba onde se deve gritar “até às últimas conseqüências”, é junto às Damas de Branco onde se deve fazer passeatas e finca-pé, até conseguir que a ditadura cesse.
Por outra parte, é necessário partir da premissa que exilado e emigrantes são condições diferentes, que embora a política exerça um papel na decisão de abandonar o país de origem, a categoria é imposta pelos antecedentes de cada um e da conduta que se assuma no exterior.
Exilado é quem deixou seu país por enfrentar o governo. O que não volta à sua terra natal, enquanto as condições que determinaram seu desterro não tenham mudado. É o que luta no exterior, depois de havê-lo feito em seu país, para derrocar o regime.
Emigrante é quem, fazendo uso do direito inalienável a uma vida melhor, busca outras terras onde espera desfrutar de mais oportunidades e segurança. Trabalha para seu benefício e o de sua família, sem reparar a opressão e os abusos de que são sujeitos seus compatriotas.
Entretanto, apesar das diferenças há uma denominação comum, que é a de que ambos estão vivendo em casa alheia, as regras são postas pelo dono da terra e, em conseqüência, salvo que se assuma a nacionalidade do país que o aloja, continua sendo, no melhor dos casos, um convidado.

Tradução: Graça Salgueiro

Vídeo especial: “Eles podem tudo, ninguém pode nada” - FELIPE MOURA BRASIL


Blog edita conversa entre Magno Malta e Janaína Paschoal, inserindo Romário e Bolsonaro

Por: Felipe Moura Brasil  
MOntagem Magno Romario Janaina Bolsonaro
O senador Magno Malta (PR-ES) e a coautora do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, Janaína Paschoal, ironizaram a hipocrisia do PT e explicaram os crimes da suposta presidente na sessão “Corujão” da comissão especial no Senado na madrugada desta sexta-feira.
Assista à edição especial feita por este blog, com participações de Romário (PSB-RJ) e Jair Bolsonaro (PSC-RJ).
Grandes momentos.
* Acrescento abaixo a cobertura em tuitadas da madrugada (lembrando que a maior parte da sessão foiexposta e comentada aqui):
– Janaína se exalta ao ser questionada sobre a defesa que faz de um procurador da República acusado de agredir a esposa. Nada a ver com o processo.
– O senador governista Telmário Mota (PDT-RR) questiona se Janaína atua na defesa de Douglas Kirchner e ela classifica a pergunta como “brincadeira”.
– Janaína: “Não vou falar dos clientes do escritório. Meus clientes são sagrados e não admito brincadeira aqui. São coisas que tem limites.”
– Janaína: “Me xinguem do que quiserem, mas meus clientes são sagrados”. Ela deixa temporariamente o plenário da comissão. Governistas não tem limites.
– Governistas tentam intimidar Janaína expondo seus clientes. “Tentativa torpe de transformar em ré quem acusa”, diz Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
– José Pimentel (PT-CE), em intimidação cínica, diz que quem fala o que quer ouve o que não quer. Janaína fala dos temas da comissão. PT, não.
– Janaína está há horas falando dos crimes de Dilma e José Pimentel (PT-CE) diz que não. PT sempre faz isso. Nega chuva quando está chovendo.
– José Pimentel (PT-CE) faz acusação vaga de que JBS está pagando um site… PT chegou àquele momento em que vale atirar qualquer coisa ao ar.
– Romário (PSB-RJ): “Como hoje já é 6ª-feira, bom dia.” Manifesta apoio a impeachment e diz que Dilma violou lei com decretos não autorizados.
– Romário (PSB-RJ) se diz impressionado com a coragem de Janaína, que não se deixou intimidar, como tampouco “um certo camisa 11″ (ele mesmo).
– Janaína brinca perguntando se “camisa 11″ era um que ficava na boca do gol… E parabeniza Romário, que agradece. Golaço será o impeachment.
– Romário diz que alguns senadores passaram dos limites e espera que debate seja mais qualitativo nesta sexta. Culpa da Bancada da Chupeta.
– Magno Malta (PR-ES) lamenta o desespero do PT e as agressões a Janaína. Diz que estão sentindo que vão perder a boquinha. Pois é.
– Magno Malta (PR-ES) diz que se Janaína estivesse defendendo o PT, e ele fizesse o que fizeram os petistas, eles iriam a Janot, STF, o diabo.
– Magno Malta (PR-ES) diz que Janaína deu um “elástico” (drible) em senadores governistas como Romário deu em Amaral.
– Magno Malta (PR-ES) lembra que petistas admitiram pedaladas de Dilma até Câmara acolher processo de impeachment – e aí não tinha feito mais.
– Janaína Paschoal saúda discurso de Magno Malta (PR-ES) de segunda-feira que viralizou com a minha edição especial.
– Magno Malta (PR-ES) mostra que não pagar um encanador durante 14 meses seria caso de polícia… E Dilma não pagou bancos públicos.
– Magno Malta lê voto de Jaques Wagner no impeachment de Collor em 1992 por “pais e filhos”. Hoje governo reclama. (Vídeo e transcrição aqui.)
– Voto de Jaques Wagner no impeachment de Collor foi achado pelo Radar de VEJA e Magno Malta leu na comissão. Jornalismo desmascara com fatos.
– Janaína: “Não foram os decretos que geraram o rombo. Eles foram uma maneira de a presidente poder contornar o rombo e continuar gastando.”
– Ufa. Último inscrito é Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que começa a falar à 1:10 da madrugada. Diz que tentará incluir denúncias da Lava Jato.
– Cássio Cunha Lima: “Não foi à toa que Cunha excluiu Lava Jato da denúncia” contra Dilma. “Os motivos são óbvios.” Cunha também é implicado.
– Cássio Cunha Lima: “Já é tarde, vamos dormir.” Janaína Paschoal encerra agradecendo imensamente a oportunidade de tirar todas as dúvidas.
– Anastasia (PSDB-MG): “Nós cumprimos a 1ª etapa depois de 10 horas de reunião, mas muito frutífera.” Raimundo Lira aprova ata e encerra. Ufa.
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Por quem Lula chorou? – Valdo Cruz - Folha de S. Paulo


Por quem Lula chorou? – Valdo Cruz

- Folha de S. Paulo

Lula foi às lágrimas no dia da derrota da batalha do impeachment. Ao lado de Dilma, ele chorou três vezes quando a Câmara aprovou a abertura do processo de impedimento contra sua criatura.
O ato de chorar implica profundo sofrimento e demanda respeito – a não ser quando são vertidas lágrimas de crocodilo, o que não era o caso. Mas por quem Lula chorou?

Por Dilma? Certamente, ao ver a seu lado, no Palácio da Alvorada, alguém que, pela história política, não merecia tal destino. Só que Lula também sabe que ela, durante seu governo, fez por onde ser derrotada.
O ex-presidente deve ter se lembrado dos inúmeros conselhos dados à petista nos últimos anos, mas que não foram acatados. Ali, em seu silêncio e olhando pelas vidraças do Alvorada, deve ter se perguntado: por que ela não me ouviu? E chorou.

Pelo PT? Também, ao notar que naquele momento ficava mais complicada sua tarefa de recuperar o projeto original de seu partido, perdido nas negociatas do petrolão ao virar farinha do mesmo saco e aderir ao velho esquema da propina.

Por ele mesmo? Com certeza, ao sentir que o legado de seu governo corre sério risco de ser aniquilado pelo fracasso da administração de sua sucessora. Naquele instante, Lula deve ter refletido: por que a escolhi candidata? E chorou.

Pelo Brasil? Talvez, mas deveria, porque não tivesse hoje o país mais de 10 milhões de desempregados e mergulhado na pior recessão da história o destino não reservaria tal desfecho para ele e Dilma Rousseff.

Em suas reflexões, o ex-presidente deve estar, principalmente, matutando com os amigos: por que sua criatura nunca fez, de fato, uma autocrítica e assumiu seus erros.

Enfim, interlocutores e amigos de Lula têm a avaliação de que Dilma se aproxima da hora de se afastar do governo numa atitude de autonegação –e quando não se enxerga os próprios erros não se evita os precipícios. Deu no que deu. E em choro.

Nomeação de mulher de Pimentel como secretária do governo de MG reflete medo do PT de condenações


 
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Depois de protagonizar os maiores e mais acintosos escândalos de corrupção da história nacional, o PT agora apela à delinquência política para escapar dos efeitos colaterais dos crimes cometidos, não bastasse a tentativa frustrada de nomear o alarife Lula como ministro-chefe da Casa Civil, nomeação suspensa por decisão da Justiça com base na tese de desvio de finalidade, agora é a vez do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), nomear a própria esposa como secretária de Estado.
Há dias, o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, conhecido nos subterrâneos da política como Bené e por ser o operador do casal Fernando Pimentel e Carolina Oliveira havia decidido fazer acordo de delação premiada. No ultimo dia 15 de abril, Bené foi preso preventivamente pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Acrônimo, sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.
A PF chegou até Bené após comprovar que ele financiou campanhas petistas, incluindo a última campanha presidencial que reelegeu Dilma Rousseff com dinheiro desviado de contratos superfaturados firmados com o próprio governo da ainda presidente.
Carolina Oliveira admitiu ter recebido valores de empresas citadas na Operação Acrônimo. Em nota, confirmou que recebeu valores de duas empresas, no período em que seu marido era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por meio de sua agência, a Oli Comunicação. Tratam-se da MR Consultoria e da agência Pepper. A primeira é do consultor Mário Rosa, que tem sociedade com Bené.
O empresário é suspeito de fazer caixa dois para a campanha de Pimentel e lavar dinheiro. A Pepper, por sua vez, presta serviços ao PT e já prestou serviços ao BNDES. A Polícia Federal mapeou pagamentos para Carolina Oliveira, no valor de R$ 3,7 milhões.
A Operação Acrônimo investiga também repasses feitos pelo BNDES a empresas de comunicação que teriam como beneficiário o governador de Minas. Segundo relatório da PF, as operações eram intermediadas pela empresa Oli Comunicação, de propriedade da primeira-dama mineira, Carolina de Oliveira, que a partir desta quinta-feira (28) é secretaria estadual e de foro especial por prerrogativa de função, o chamado foro privilegiado.

Deputado da oposição critica manobra
Líder do PPS na Câmara dos Deputados, Rubens Bueno (PR) afirmou que com a proximidade do afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo, o PT começa a dar início a uma operação para garantir foro privilegiado para ministros e dirigentes partidários que são alvo de escândalos de corrupção.
“A notícia de que o governador Fernando Pimentel nomeou sua esposa para a Secretaria do Trabalho do governo de Minas é preocupante. No entanto, é fácil deduzir que a mesma desfaçatez deve se repetir nas próximas semanas. Não bastasse a tentativa frustrada de a presidente Dilma dar o privilégio de foro a Lula, agora a prática é repetida nos estados. E qual é a razão dessas nomeações? Puro medo!”, alerta Rubens Bueno.
Para o líder do PPS, após a formalização do impeachment de Dilma Rousseff, “é fácil deduzir que os atuais ministros envolvidos nas investigações de corrupção feitas pela PF como Jaques Wagner, Edinho Silva, Ricardo Berzoini, Aloizio Mercadante e outros serão acolhidos e nomeados por algum prefeito ou governador do PT”.
Esse tipo de postura, avalia Rubens Bueno, reforça a necessidade de abolição do foro privilegiado. “A abolição do foro privilegiado é um imperativo moral. Se o foro privilegiado já é um absurdo, a sua extensão a secretários estaduais é uma aberração, como demonstra o caso de Carolina Pimentel”, disse o deputado, que é autor de proposta que acaba com essa prerrogativa que fere de forma cabal a Constituição Federal, que em seu artigo 5º estabelece que ‘todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

Pontapé no Mercosul - com O Antagonista



Michel Temer convidou José Serra para o Itamaraty, disse Jorge Bastos Moreno.
Se ele aceitar o convite, vai cuidar também do comércio exterior.
José Serra poderá ser recordado por ter chutado o Mercosul. E, quem sabe, por ter assinado acordos vantajosos com a União Européia e com a Alca.

Dilma acorrentada - com O Antagonista



Eliane Cantanhêde, do Estadão, disse que “há um temor, na oposição, de que Dilma articule um ‘gran finale’ para o processo de impeachment e para seus anos de governo. Algo como se acorrentar à mesa presidencial e forçar uma retirada à força do palácio. Algo teatral e dramático para ilustrar sua indignação, gerar imagens fortes e corroborar a narrativa do golpe”.
Acabou o rivotril?

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Enterrar de novo o populismo - Carlos Alberto Sardenberg



• Vamos falar francamente: a Petrobras só não está em pedido de recuperação judicial porque é estatal

- O Globo

Os governos petistas sempre tiveram como meta fortalecer as estatais como o melhor meio de combater as propostas de privatização, reais ou imaginárias. Importante esta última ressalva porque, a rigor, privatizar a Petrobras nunca entrou na pauta política brasileira.

Mas isso não importava. Defender as estatais, eis o discurso básico do PT. O partido também procurou desmontar a tese implantada no governo FH, segundo a qual as companhias públicas deveriam ser administradas profissionalmente, quase como se fossem privadas, por executivos e quadros técnicos do setor.

Isso, dizia Lula, era neoliberalismo. Seria colocar as estatais a serviço do mercado e dos interesses privados.

Vai daí, as estatais deveriam ser administradas pelos quadros partidários, pelos companheiros, para que fossem encaminhadas na direção correta.

Essa direção era: ampliar as atividades e o alcance das estatais; objetivos políticos e sociais eram mais importantes que lucros ou valor de mercado; comprar e contratar no mercado nacional, mesmo que a preços mais caros.

Fizeram isso, com requintes de populismo, como o de entregar a administração de recursos humanos da Petrobras a representantes dos sindicatos de petroleiros.

Quebraram a estatal. Vamos falar francamente: a Petrobras só não está em pedido de recuperação judicial porque é estatal. Todo mundo espera que, em algum momento, o governo imprima dinheiro para capitalizar a empresa.

A companhia tem problemas em todos os lados, inclusive de excesso de pessoal e de pessoal mais bem remunerado que no mercado. (Aliás, a ideia era exatamente essa).

A Petrobras não quebrou apenas por corrupção. A causa maior é a péssima administração, consequência daqueles “princípios” estatistas.

Por isso estamos falando do assunto. O estatismo tem sido dominante entre nós. E ainda hoje, muita gente partilha daquelas ideias implantadas pelo PT. Diz esse pessoal: a coisa saiu mal por causa da incompetência dos governos Lula e Dilma, e não porque a tese seja errada.
Esse é o grande risco que corremos. O modelo populista está errado, a doutrina estatista é origem do fracasso. Nem um gênio da gestão empresarial conseguiria evitar o desastre da Petrobras nesse processo em que foi lançada por Lula.

Vai daí que será preciso aproveitar a oportunidade para fazer o contrário, em tudo. Citamos mais a Petrobras porque é o caso mais notável. Imaginemos uma teoria conspirativa: um presidente neoliberal que tivesse a ideia macabra de quebrar a Petrobras para poder fechá-la e, assim, coloca-se uma equipe talhada para produzir o desastre.

Pois não teria conseguido fazer o que a gestão petista aprontou.

Hoje, por exemplo, seria impossível privatizar a Petrobras — a menos que se vendesse a preço de banana. E por falar nisso, a ação da Petrobras não está mesmo valendo menos que um cacho de bananas?

Mas é possível — e absolutamente necessário — vender pedaços da Petrobras e privatizar um monte de ativos. E o que sobrar deve, sim, ser administrado por quadros do mercado, com regras de gestão privada.

O presidente da companhia também deveria ser procurado no mercado, inclusive no mercado internacional. Qual o problema de se colocar um executivo chinês ou norueguês tomando conta da Petrobras, conforme programas aprovados pelos conselhos?

Isso vale para as demais estatais quebradas, como a Eletrobras.

E mais um programa de privatização não envergonhada. Quando percebeu que não tinha mais dinheiro nem competência para arrumar aeroportos, estradas, portos etc., o governo petista resolveu concedê-los à iniciativa privada. Mas como era feio privatizar, colocaram um monte de regras que tornaram o negócio menos atraente e mais caro para os concessionários. Por isso, isso andou mal. Fazendo o contrário, aqui há uma hipótese de rápida retomada de negócios. Muitas empresas médias, nacionais e estrangeiras, estão prontas para tomar o negócio das empreiteiras apanhadas na Lava-Jato. O que não funciona é privatizar e dizer que o concessionário não pode ganhar dinheiro ou só pode ganhar quanto o governo autorizar.

Tudo isso vale também para os bancos públicos. Todo o mercado desconfia que estão em situação pior do que no final dos anos 90, quando o governo FH precisou colocar um monte de dinheiro no BB e na Caixa.

A contrapartida foi a gestão profissional nesses bancos, também desmontada pelos governos petistas. Quebraram de novo.

A tristeza disso é que os governos Lula/Dilma estragaram o que estava pronto e funcionando. O que traz um certo ânimo é que sabemos o que precisa fazer: é só repetir a combinação privatização/profissionalização/ equilíbrio das contas públicas.

O país já havia conseguido enterrar o populismo estatizante. Ressuscitou. Agora é preciso corrigir o desastre e colocar esse populismo numa cova bem profunda, em algum cemitério privado, claro.

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Carlos Alberto Sardenberg é jornalista

Opinião do dia – José Serra


Há quem argumente que mudanças como as propostas aqui não devem ser empreendidas em tempos de crise – crise profunda, diga-se. Eu penso exatamente o contrário. A crise atual não proveio apenas de erros na gestão da economia ou das transgressões à ética na política e no governo. Ela foi aberta, em 2013, antes dos escândalos e do colapso da economia, pelas imensas manifestações de rua em todo o Brasil, como reflexo da insatisfação com o desempenho do poder público em todos seus níveis e do fato de as pessoas não se sentirem representadas pelos mandatários eleitos. Nada mais apropriado do que enfrentar agora essas questões, começando pelo próprio sistema político. Nem só de pão vive a economia.

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José Serra é senador (PSDB-SP). ‘Nem só de pão...’, O Estado de S. Paulo, 28/4/2016.