sábado, 31 de outubro de 2015

DEBATE EM QUE O ADVOGADO BENÉ BARBOSA HUMILHA OS DESARMAMENSTISTAS


NÃO PERCAM O VÍDEO DE BENÉ BARBOSA SOBRE O DESARMAMENTO


Sergio Fausto - Brasil – a difícil construção do futuro


- O Estado de S. Paulo

A prova de que a crise é grave está na dificuldade de vislumbrar o futuro.

No penoso e desajeitado esforço para superar o seu atraso secular de país colonial, escravocrata e patrimonialista, o Brasil moveu-se à frente sempre que animado por um ou mais “projetos” de modernização. Estes só se tornaram de fato democráticos a partir do fim do regime militar. Na Constituição de 1988 o País projetou a aspiração de construir um moderno Estado democrático, assegurador dos direitos civis e políticos e comprometido com a universalização dos direitos sociais. De olho no futuro, elevou o meio ambiente à condição de bem público a ser protegido. Com um pé no passado, consagrou monopólios estatais anacrônicos. Por isso, antes mesmo de completar dez anos, a nova Carta teve de ser reformada, não para desfigurá-la, mas para permitir ao Brasil navegar nos mares da globalização.

No primeiro mandato de FHC se criaram agências reguladoras com independência técnica e financeira para impedir a sua captura por interesses políticos clientelistas e para evitar que monopólios privados viessem a substituir os monopólios estatais. No segundo mandato, a Constituição foi complementada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, com o objetivo de assegurar que os governos respondessem às demandas da sociedade sem sacrificar o equilíbrio estrutural das contas públicas, pedra angular da estabilidade econômica propiciada pelo Plano Real. Essa construção institucional se fez juntamente com a implantação de um amplo leque de programas de Estado e do aumento dos gastos na área social. Como não há almoço grátis, a carga tributária passou de 26% a 34% do PIB em oito anos. O segundo mandato terminou com uma alternância real de poder, feita em moldes civilizados, marca de uma democracia madura.

Tais avanços se deram concomitantemente à permanência de elementos do atraso: o clientelismo, fenômeno com origens na Velha República, presente nas relações entre o Executivo e o Congresso; e o corporativismo, herança do Estado Novo, que inscreveu seus privilégios na Constituição “cidadã” em favor de determinadas categorias das burocracias estatal e sindical, de patrões e empregados. Esses elementos seguiram vigentes, mas enfraquecidos, pela modernização do Estado e da economia. Pelas mesmas razões se tornou menor a influência desproporcional de um punhado de empresas sobre o processo decisório.

Na transição para o governo Lula e no curso dos anos iniciais do seu primeiro mandato, pareceu que o “projeto de modernização” impulsionado no período FHC teria continuidade pelas mãos de um partido de esquerda convertido à social-democracia e de um líder com uma trajetória individual e política que simbolizava as maiores aspirações da Constituição de 1988. Prefigurava-se a consolidação de um sistema político estruturado em torno de duas forças social-democratas, uma mais à esquerda e outra mais liberal, representativas dos setores mais modernos da sociedade brasileira. Ledo engano.

Como ficou claro a partir do escândalo do mensalão, sob o verniz de um partido de esquerda aggiornato se encontrava o PT velho de guerra. É verdade que não mais aquele condomínio confuso de tendências, em grande parte sectárias, mas uma organização burocrática comandada operacionalmente por José Dirceu e liderada pelo carisma de Lula. O partido havia se tornado pragmático, disposto a fazer alianças à sua direita, mas suas práticas e mentalidades seguiam presas à matriz sindical e às tradições da esquerda latino-americana, nostálgica do castrismo e seduzida pelo “socialismo do século 21”. Para não falar de apetites mais mundanos.

Hoje só mesmo a cegueira ideológica impede enxergar que o PT perdeu a capacidade de liderar qualquer projeto de modernização e Lula já não simboliza as aspirações de um Brasil desenvolvido, democrático e justo. O partido monetizou o clientelismo e soldou o corporativismo estatal, empresarial e sindical à base de recursos públicos e da corrupção sistêmica. E tem se revelado inteiramente incapaz de autocrítica diante dos malfeitos praticados.

O drama é que tampouco o principal partido da oposição, o PSDB, se mostra à altura do desafio de retomar o bastão da liderança e reencaminhar o projeto de modernização do Brasil.

Ao contrário do senso comum corrente, as agendas do ajuste fiscal estrutural, da eficiência e da produtividade, de um lado, e a da distribuição de renda, do combate à pobreza e do desenvolvimento social, de outro, podem e devem se reforçar mutuamente. Na teoria não é difícil desenhar uma agenda que compatibilize esses objetivos no médio e no longo prazos. Implementá-la está longe de ser impossível, em que pesem as tensões que inevitavelmente surgirão na execução de seus objetivos durante o percurso, sobretudo ao início, dada a gravidade da crise.

Falta, porém, uma aliança de atores políticos e sociais que recrie uma nova perspectiva de futuro. Esta deverá ter a Constituição como guia, pois suas aspirações continuam válidas, embora os meios para concretizá-las devam ser ajustados, o que implica reformas constitucionais.

A safra de líderes não é brilhante, o sistema de partido está desorganizado, os velhos movimentos sociais estão cooptados, os novos correm à margem das instituições, a sociedade está perplexa e polarizada. De positivo, apenas o Judiciário e as instituições de controle, frutos maduros da Constituição de 1988. Mas a Justiça não pode nem deve substituir a política.

Nessa esfera, falta liderança em toda parte. Na Presidência ela é dramática. Dilma até pode se segurar na cadeira presidencial, amparada em argumentos jurídicos contra o impeachment e comerciando apoios com a “base aliada”. A questão que interessa, porém, é outra: pode e merece o Brasil esperar mais três anos para começar a construir uma nova perspectiva de futuro?
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Sergio Fausto é superintendente executivo do IFHC, colaborador do Latin American Program do Baker Institute of Public Policy da Rice University, É membro do Gacint-USP.

"A chama do bolivarianismo está se apagando"


Entrevista

Por Monica Gugliano - Valor Econômico / Eu & Fim de Semana

SÃO PAULO - Os argentinos que foram às urnas no domingo deram um claro recado: querem mudanças na condução do país. Seja qual for o presidente eleito em segundo turno no mês que vem - o kirchnerista Daniel Scioli ou o oposicionista Mauricio Macri -, ele terá de oferecer novos rumos para os argentinos.

O ex-embaixador brasileiro na Argentina José Botafogo Gonçalves, vice-presidente emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), diz não ter dúvidas sobre a necessidade de mudanças no país vizinho. Como ocorreu no Brasil, o governo gastou demais: "Na Argentina, assim como no Brasil e em outros países, ficou mais do que evidente aquela máxima de que 'não existe almoço grátis'. Chegou a hora de pagar a conta. Está muito claro que chegamos ao fim do ciclo do distributivismo populista no continente, seja quem for o próximo presidente".

Nos últimos 45 anos, Botafogo Gonçalves ocupou diversos cargos na área diplomática, quase sempre relacionados a assuntos econômicos e comerciais. Em 2000, foi o embaixador especial para assuntos do Mercosul. Logo depois ocupou o posto de embaixador brasileiro na Argentina (2002-2004).

Leia, a seguir, trechos da entrevista:

Valor: Qual é a sua avaliação do resultado das eleições presidenciais na Argentina onde, pela primeira vez na história, haverá segundo turno?

José Botafogo Gonçalves: É evidente que houve uma reação muito clara contra a política econômica. A Argentina vive uma situação bastante difícil na economia. Preços distorcidos, inflação, tarifas públicas controladas. A presidente Cristina Kirchner continua tendo uma capacidade de comunicação e de sedução junto à população argentina muito grande. Mas ficou evidente que só isso não basta.

Valor: Qual é o principal problema econômico da Argentina?

Botafogo Gonçalves: A atual política econômica está chegando no limite. Na Argentina, assim como no Brasil e em outros países, ficou mais do que evidente aquela máxima de que "não existe almoço grátis". Chegou a hora de pagar a conta. Está muito claro que chegamos ao fim do ciclo do distributivismo populista no continente, seja quem for o próximo presidente. Perceba que é uma situação mundial. Aconteceu também na Grécia. A população não queria, mas acabou tendo que aceitar as medidas de austeridade. Esse modelo distributivista acabou.

Valor: O senhor vê semelhanças entre o que ocorre no Brasil e na Argentina?

Botafogo Gonçalves: Sim. Guardadas as peculiaridades de cada um dos dois países, há esse paralelismo. Creio que a Argentina tem uma capacidade de recuperação mais rápida do que o Brasil, pelas suas peculiaridades, como a forte classe média. Nossa situação é muito mais grave. Mas não há dúvidas de que é chegada a hora de seguir uma política de austeridade.

Valor: Mas o Brasil não consegue seguir essa política econômica. As medidas propostas pelo governo não encontram respaldo no Congresso.

Botafogo Gonçalves: Esse é um grande obstáculo. Fala-se em acabar com o Bolsa Família. Ninguém quer acabar com o Bolsa Família. Trata-se apenas de o governo dizer onde vai cortar despesas. Porque precisa cortar. Não contesto os méritos dessa política. No Brasil, ela trouxe melhorias para a população. Tirou milhões da pobreza, mas temos que pensar na sustentabilidade dessa e das demais políticas distribucionistas.

Valor: O senhor diria que a América do Sul vive uma onda onde os governos tidos como de centro-esquerda vêm perdendo espaço para os mais conservadores?

Botafogo Gonçalves: Acho que vivemos um momento em que os governantes da região, de formas diferentes, estão dando prioridade à austeridade. Embora o presidente Evo Morales mantenha seu discurso, há bastante tempo a Bolívia se afastou das fantasias do bolivarianismo. O Chile também pratica uma política econômica bastante ortodoxa. O recente Tratado do Pacífico é o sinal mais claro. A Colômbia vem exibindo ótimos indicadores. O Peru também. Até mesmo a Venezuela, onde haverá eleições e não se vislumbram saídas políticas, mas confrontos que podem levar a uma ruptura social grave, terá que mudar. Eles não têm mais condições de manter a atual política. A chama do bolivarianismo está se apagando.

Valor: Seja qual for o resultado das eleições presidenciais na Argentina, o senhor acha que haverá mudanças substanciais na relação com o Brasil e o Mercosul?

Botafogo Gonçalves: O Mercosul já não dá conta dos desafios da inserção no mercado internacional. De agora em diante só podemos regredir.

Valor: Os dados mostram que um quarto dos produtos vendidos pelo Brasil no exterior tem o Mercosul como destino e a Argentina é nossa principal parceira...

Botafogo Gonçalves: Sim, mas temos que pensar em novos conceitos para uma integração regional. O ideal seria uma convergência de políticas macroeconômicas. O que vem acontecendo é que as importações de produtos brasileiros pela Argentina têm diminuído. Isso não é um problema em relação ao Brasil. A Argentina está em crise, sem dinheiro. Diminuiu o que compra do Brasil porque tem dado prioridade aos países, como a China, com oferta de mais crédito.

Valor: Na sua opinião, enquanto a Argentina não resolver seus problemas na economia, a tendência é continuar nessa curva em declínio?

Botafogo Gonçalves: A situação ruim está em ambos os países. A balança comercial brasileira também teve uma brutal queda nas importações. O Mercosul foi criado como uma zona de livre comércio e da união aduaneira. A união aduaneira, ainda que com defeitos, existe. O item de maior dinamismo, no entanto, não é o livre comércio. Do ponto de vista técnico, ele não existe. O Brasil tem que trabalhar, junto com a Argentina, pela integração não apenas entre si, mas no mundo. Veja a situação do Brasil: estamos entre as dez maiores economias do mundo e nossa participação é de 1% do comércio mundial. Somos anões do comércio.

Demétrio Magnoli - Lição de anatomia


- Folha de S. Paulo

Você pode interpretá-las como um material indiciário: nexos e chaves para investigações policiais. Mas, nas declarações recentes de quatro personagens, descortina-se um rico material sociológico: os contornos da estrutura e organização de um sistema de poder.

Dilma Rousseff justificou as "pedaladas fiscais" pelo imperativo de preservar os programas sociais. A Folha evidenciou a inverdade: as "pedaladas" financiaram, principalmente, grandes grupos econômicos. A mentira oficial, um método de governo, não passa de notícia velha. O fato relevante encontra-se na segunda justificativa, oferecida por Jaques Wagner, ministro da Casa Civil: "Cada empresa dessa para a qual foi oferecida uma taxa de juros compatível gerou riqueza e emprego".

Lição de anatomia, parte 1: no capitalismo de Estado, o Orçamento nacional é uma peça de ficção, o nome de um tesouro distribuído seletivamente pelo governo à alta burguesia. A santa aliança entre os donos do poder e os donos do capital legitima-se por gerar "riqueza e emprego". Odebrecht, JBS e Eike Batista, filhos diletos do BNDES, são os instrumentos do desenvolvimento do país.

Do poderoso ministro a um especial ex-ministro, Gilberto Carvalho, o mais íntimo assessor de Lula. Depondo à Polícia Federal no âmbito da Operação Zelotes, que apura o "comércio" de medidas provisórias em benefício do setor automotivo, Carvalho reconheceu a proximidade entre Lula e Mauro Marcondes, preso sob acusação de "negociar" a MP 471, editada pelo ex-presidente. Depois, produziu uma tese singular sobre as relações entre governantes e lobistas: "A malandragem é deles [lobistas] que, na hora de vender para as empresas podem falar que precisaram pagar propinas. Quando você recebe as pessoas, não sabe o que elas vão fazer com aquilo".

Lição de anatomia, parte 2: o capitalismo de Estado é um capitalismo de máfias. A porta do palácio está sempre aberta aos lobistas, que são antigos conhecidos dos governantes e, em certos casos, como o de Marcondes, parceiros de negócios de um filho do ex-presidente. Mas, nessa interação, oculta-se uma desigualdade de natureza moral: as autoridades políticas miram o bem da nação, enquanto seus interlocutores, os lobistas, concentram-se no vil metal. Lula, o bom selvagem, é puro, casto e tolo. Marcondes, lobo em pele de cordeiro, é infame, astuto e safo.

Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves. O Instituto Lula negou que o ex-presidente tenha atuado como intermediário de empresas, "antes, durante ou depois de seu governo". O delator Fernando Baiano afirmou que pagou propina a José Carlos Bumlai pela intermediação de uma visita do presidente da Sete Brasil a Lula consagrada à inclusão da OSX num negócio com a Petrobras. Bumlai, "amigo de festa, de almoço, de aniversários" do ex-presidente, confirmou o encontro e, claro, desmentiu a propina. Calúnia: Baiano, que ele conhecia apenas superficialmente, "fiquei até surpreso", transferiu-lhe R$ 1,5 milhão, mas como empréstimo, contabilizado na pessoa física, usado para despesas da pessoa jurídica e jamais quitado.

Lição de anatomia, parte 3: o capitalismo de Estado é um capitalismo de favores e privilégios. No seu universo de amigos, acasos e almoços, os comensais são empresários ou lobistas, ou empresários-lobistas, inclusive os filhos do operário-presidente, que aprenderam as artes burguesas do empreendedorismo.

Rui Falcão, presidente do PT, qualificou a operação policial no escritório de Luis Cláudio, filho de Lula, como "perseguição" contra Lula conduzida em caviloso conluio do Ministério Público, do Judiciário, da Polícia Federal e de "setores da mídia". Lição de anatomia, conclusão: o capitalismo de Estado não convive bem com as instituições da democracia. Na hora da crise, precisa da couraça protetora de um regime autoritário.

Bases para um amplo acordo nacional contra a crise – Editorial / O Globo



• PMDB propõe competente esboço de programa de ajuste estrutural, capaz de servir de agenda para um entendimento político à altura das turbulências econômicas

Ressalvadas as diferenças entre os momentos históricos, “Uma ponte para o futuro”, documento do PMDB sobre a economia divulgado quinta-feira, tem a importância política da Carta ao Povo Brasileiro, pela qual Lula, na campanha eleitoral vitoriosa de 2002, se comprometeu a não investir contra a segurança jurídica e os princípios da economia de mercado. Cumpriu o prometido e debelou a crise deflagrada pela expectativa diante da ascensão do PT ao Planalto.

Agora, há uma conjuntura econômica bem mais grave que aquela, e o documento do PMDB finca estacas de referência corretas para balizar um grande e necessário acordo entre partidos e a sociedade, para o enfrentamento da mais séria turbulência econômica desde a aceleração da inflação a partir do final do governo Sarney. Ali, desembocou-se no Plano Real.

Há, ainda, a vantagem em relação à Carta ao Povo Brasileiro de se tratar de uma proposta feita pelo mais importante partido de sustentação do governo Dilma, fora o PT. Em 2002, se tratou de um aceno do candidato à Presidência líder nas pesquisas, mas ainda um candidato. Agora, este esboço de um competente programa de estabilização da economia vem de dentro do condomínio no poder.

O diagnóstico que o partido faz da situação do país tem respaldo em núcleos acadêmicos de pensamento econômico, com exceção dos chamados “desenvolvimentistas”, apoiadores firmes, mesmo hoje, do voluntarismo que levou o Brasil a acumular um déficit público total de mais de 9% do PIB — do nível de país europeu no auge da crise no continente—, inflação vizinha dos dois dígitos e uma dívida pública em marcha batida para os 70% do PIB, algo de extrema gravidade porque ela é financiada a uma taxa de juros de astronômicos 14%.

O partido propõe um programa de reforma fiscal estrutural, muito mais efetivo que as medidas encaminhadas ao Congresso pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, Joaquim Levy e Nelson Barbosa, destinadas apenas a fechar as contas, e não a eliminar as causas dos desequilíbrios. Pois, mesmo que as contas fechem, sem mudanças estruturais os déficits voltarão logo à frente, e maiores. Ainda que se recrie a CPMF e se eleve uma carga tributária muito pesada, na faixa dos 36% do PIB, contra 25% nos Estados Unidos, 24% na Coreia, 20% no México. O Brasil taxa como a Alemanha e a Grã-Bretanha, mas oferece serviços públicos abaixo da crítica.

O PMDB identifica dois eixos que levaram o Brasil à situação de efetivo estrangulamento fiscal, mesmo com enorme carga tributária: um grande volume de despesas obrigatórias que engessam o Orçamento e, tão grave quanto, várias delas indexadas à inflação ou, pior, ao salário mínimo.

Este gesso precisa ser rompido, bem como desligados os mecanismos de indexação, pelos quais as despesas aumentam, mesmo quando as receitas tributárias e a renda da população encolhem, veneno mortal para qualquer país.

O partido reforça, também, a bancada a favor de uma urgente e efetiva reforma da Previdência que estabeleça uma idade mínima para a aposentadoria, pelo menos 65 anos para os homens e 60 para as mulheres. Sempre respeitando os direitos adquiridos. Como argumenta o PMDB, os 12% do PIB que o Brasil já gasta com os regimes públicos de aposentadoria são mais que o dobro do índice nos Estados Unidos e no Japão, e estão no mesmo nível de proporção na Alemanha e na França, com populações de idade média mais alta que a nossa.

Desengessado o Orçamento e desindexados os gastos, propõe o PMDB que as despesas estabelecidas pelo Executivo e aprovadas pelo Congresso sejam de fato impositivas, a não ser em casos de queda na coleta de impostos. Estabelece-se, dessa forma, o conceito salutar do “orçamento com base zero”: todos os anos, os programas de gastos públicos serão avaliados de forma independente, com vistas à previsão dos gastos no exercício seguinte.

Com esta reforma estrutural, cairão, naturalmente, os juros e, com isso, exorciza-se o fantasma da insolvência do Estado. Abre-se, também, espaço para aperfeiçoamentos específicos na administração dos títulos públicos e na própria atuação do Banco Central neste segmento do mercado financeiro.

Outro aspecto positivo da iniciativa da cúpula peemedebista é clarear a angustiante cena político-legislativa, conflagrada pela luta em torno do impeachment de Dilma e do futuro do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Independentemente do desfecho desses embates, é necessário haver um horizonte para um amplo programa de ajuste estrutural, apoiado por diversificada aliança partidária. Mesmo sendo o PMDB uma conhecida federação de grupos políticos regionais, o documento tem o poder de unir a legenda, bem como de atrair a oposição.

Cabe, agora, um momento de serena reflexão por parte do PT, para ele responder à questão: se deseja apoiar uma aliança para resgatar o país do perigo de uma longa estagnação econômica e social, com desdobramentos político-institucionais imprevisíveis, ou continuar na estratégia tosca do “nós contra eles”. Foi o que o partido fez no Plano Real, e perdeu. 

Haverá, ainda, cabeças pouco arejadas no PT e cercanias que denunciarão o sacrilégio de o documento adotar visões da economia compartilhadas entre tucanos, políticos de partidos de oposição e analistas independentes. Se isso ocorrer, será denunciada, mais uma vez, a indigência do estágio do debate político no Brasil. Partidarizar conceitos econômicos é o caminho mais curto para a mediocridade, é condenar o país à pasmaceira em que se encontra um governo cuja presidente liderou uma política econômica ruinosa, no mandato anterior, e é forçada a se desfazer da própria herança maldita, e sem base parlamentar para tal. Pelo menos até agora.

A crise permite à sociedade e aos políticos pactuarem que existem cláusulas pétreas na condução da economia: inflação baixa e sob controle; para isso, responsabilidade fiscal e, portanto, dívida pública em proporção razoável em relação ao PIB; e jamais adotar políticas voluntaristas, mesmo em nome do combate aos desníveis sociais, a serem reduzidos pela Educação. São cláusulas que nunca estão em risco quando a oposição assume governos nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha, na Alemanha, na Suíça etc.

Se fizer um exame de consciência, o partido entenderá, afinal, por que adotou receituário “neoliberal” de 2003 a 2005. Os menos informados acham que se tratou de um golpe de esperteza para reeleger Lula. Resultou nisso de fato, mas, na verdade, foi o instinto de sobrevivência que inspirou aquele cavalo de pau. Mas como o PT nada aprendeu, o partido, a partir do final do primeiro mandato de Lula, em todo o seu segundo governo e em Dilma1, deu respaldo a uma política econômica populista, causa da debácle atual.

A história se repete a partir do documento do PMDB. O destino dá aos petistas uma segunda chance para entender, enfim, o que é uma política econômica sensata, séria. Talvez não tenha outra oportunidade enquanto estiver numa posição de destaque na vida pública nacional.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Por que as religiões encolhem quando o capitalismo avança?--Por: Leandro Narloch


Duas teorias tentam explicar por que as igrejas se esvaziam à medida que os cidadãos enriquecem

  
religion essa
Essa é uma questão antiga entre os estudiosos da religião. Com uma ou outra exceção, as religiões entram em declínio quando a economia se desenvolve e a renda dos cidadãos aumenta. A Suécia é um entre muitos bons exemplos: luterana no passado pobre, secular no presente rico. Só 10% dos suecos consideram a religião relevante para a vida.
Pode ser que os dois fenômenos, apesar de acontecerem juntos, não tenham relação entre si. Mas pelo menos duas teorias tentam relacioná-los.
A primeira, rascunhada por Max Weber em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo e desenvolvida pelo sociólogo Peter L. Berger, defende que a racionalização necessária ao avanço do capitalismo minou crenças místicas e impôs meios seculares de vida. Como dizia o economista Joseph Schumpeter, “o processo capitalista racionaliza comportamento e ideias, e desse modo persegue em nossa mente, junto a crenças metafísicas, ideias místicas e românticas de todo o tipo”. Desse ponto de vista, o capitalismo minou a fé e, assim, a frequência à igreja.
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Para a segunda teoria, o processo foi inverso: o capitalismo minou a frequência à igreja, e assim a fé. Nessa visão, o mercado resolveu as necessidades materiais e psicológicas que antes levavam as pessoas às missas e à vida comunitária religiosa. A frequência às igrejas caiu porque as pessoas arranjaram outras coisas para fazer, como ir ao cinema ou viajar no fim-de-semana. Em vez de conversar com o padre para resolver problemas emocionais, procuraram um psicólogo.
Qual das duas teorias tem mais poder explicativo? O sociólogo Jochen Hirschle, da Universidade de Innsbruck, na Áustria, encontrou uma resposta compilando centenas de dados de renda, crescimento da economia, frequência a igrejas e crença religiosa de treze países europeus. Descobriu que a relação entre progresso econômico e igreja vazia é mais forte que entre progresso econômico e menor crença. A pesquisa favorece, então, a segunda teoria.
Quando a economia cresce, as pessoas deixam de ir tanto à igreja, mas muitas vezes mantém a fé. Em alguns casos, como na Itália, a fé em Deus aumentou apesar do declínio da frequência às igrejas. Não necessariamente, então, as pessoas ficam menos religiosas quando ricas. Mas encontram outros meios de seguir a religião.
@lnarloch

Chambinho, laranja de Marco Maia Brasil 30.10.15 23:07

Sabem aquele apartamento em Miami que parecia pertencer ao ex-vereador petista Alexadre Romano, o Chambinho? Não é dele. É de Marco Maia, ex-presidente da Câmara.
A Veja noticia que "em depoimento prestado aos investigadores no curso das negociações para fechar um acordo de delação premiada, o ex-vereador disse que o apartamento está registrado em nome de uma empresa aberta por ele na Flórida, mas que Marco Maia é o verdadeiro dono do imóvel, comprado por 671 000 dólares (2,5 milhões de reais no câmbio da semana passada). Se se confirmar a revelação feita aos policiais, além de coletor e distribuidor de propinas, Chambinho - que tem em seu nome um segundo apartamento no mesmo condomínio - se prestava ao papel de 'laranja' de luxo."
Peça central no esquema montado no Ministério do Planejamento que desviou 50 milhões de reais, pagador de despesas pessoais de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo; repassador de pixulecos a João Vaccari Neto; laranja de Marco Maia -- Alexandre Romano é um homem público na acepção petista mais tradicional.

Instituições criminosas - ESCRITO POR OLAVO DE CARVALHO

 | 30 OUTUBRO 2015 
Sob qualquer aspecto que se examine, as instituições que pesam sobre nós são indefensáveis. Fazer de conta que a roubalheira comunopetista atenta contra elas, ou constitui um risco para elas, é inverter a realidade das coisas. A roubalheira tudo deve a essas instituições.

Já comentei aqui, brevemente, a pesquisa da CNT sobre a queda da confiança popular nas várias instituições e a do Datafolha que mostra o abismo de diferenças entre a opinião popular e a dos políticos. (V. o meu artigo http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/16126-2015-10-15-22-00-41.html e as fontes:http://imguol.com/blogs/52/files/2015/07/pesquisa-cntmda-128-relatorio-sintese.pdf ehttp://epoca.globo.com/tempo/filtro/noticia/2015/10/politicos-brasileiros-sao-mais-liberais-do-que-o-eleitorado-diz-pesquisa.html.)
O confronto dos resultados leva a uma conclusão inexorável: no sistema representativo brasileiro, os representantes não representam a vontade dos representados.
Tampouco a representam o poder executivo, os juízes, os comandantes militares e outras excelências cujas opiniões majoritárias seguem as dos políticos, não as do povo,  o qual por isso mesmo, como se vê na pesquisa da CNT, não confia em nenhuma dessas criaturas nem vê nelas os porta-vozes dos seus interesses.
Pura e simplesmente, não há um sistema representativo no Brasil. Há um sistema de coleta de votos para candidatos pré-selecionados segundo os interesses do grupo dominante e uma máquina de drenagem de impostos para sustentar nos seus cargos os antagonistas diretos e cínicos do povo brasileiro.
Por isso mesmo, todo discurso anticorrupção que se baseie na defesa das “nossas instituições” é uma fraude que tem de ser denunciada tanto quanto a corrupção mesma.
Essas instituições, cujo conjunto forma a “Nova República”, foram concebidas justamente para isolar e proteger a elite governante, tornando-a inacessível ao clamor popular.
Quem, senão as belas “instituições”, deu ao executivo os meios de aparelhar o Estado inteiro e fazer dele o instrumento dócil dos interesses partidários mais sórdidos e criminosos?
Quem, senão as “instituições”, permitiu que se elegesse uma presidente numa eleição secreta e opaca, blindada antecipadamente contra qualquer possibilidade de auditagem?
Quem, senão as “instituições”, permitiu que o Estado se transformasse no protetor de toda conduta marginal e criminosa, fazendo do Brasil o maior consumidor de drogas do continente, o maior promotor de violência contra os professores nas escolas e um dos recordistas mundiais de assassinatos?
Quem, senão as maravilhosas “instituições”, permitiu que um povo majoritariamente conservador e apegado a valores cristãos fosse representado na Câmara e no Senado por esquerdistas empenhados em fazer tudo ao contrário do que esse povo quer?
Quem, senão as sacrossantas “instituições”, permitiu que as escolas infanto-juvenis se transformassem em academias de sexo grupal, quando não em matadouros de professores, reduzindo as nossas crianças à condição de imbecis violentos, prepotentes e hiper-erotizados que anualmente tiram os últimos lugares nos testes internacionais mas tirariam os primeiros se fosse concurso para ator pornô ou cafajeste-modelo?
Quem, senão as “instituições”, desarmou a população brasileira ao mesmo tempo que, paparicando as Farc tão queridinhas do PT, permitia que os bandos de criminosos se equipassem de armas melhores e mais potentes que as da polícia?
Quem, senão as “instituições”, deu aos criminosos que nos governam o poder de burlar o quanto queiram o processo legislativo, legislando através de decretos administrativos, portarias ministeriais e até regulamentos departamentais?
Quem, senão as “instituições”, permitiu que ONGs de quadrilheiros armados fossem não só financiadas com gordas verbas federais mas se beneficiassem de toda sorte de privilégios ao ponto de tornar-se integrantes extra-oficiais do aparelho de Estado?
Quem, senão as “instituições”, permitiu que o Parlamento se superlotasse de pseudo-representantes eleitos sem votos, pela mágica dos acordos interpartidários – um artifício que, por si, já basta para fazer do sistema representativo inteiro uma palhaçada?
Releiam a Constituição de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a legislação eleitoral, etc. etc. e digam se o descalabro dos governos petistas já não estava todo lá em germe, apenas aguardando a oportunidade macabra de saltar do papel para a realidade.
Sob qualquer aspecto que se examine, as instituições que pesam sobre nós são indefensáveis. Fazer de conta que a roubalheira comunopetista atenta contra elas, ou constitui um risco para elas, é inverter a realidade das coisas. A roubalheira tudo deve a essas instituições. Elas são as mães e protetoras do crime institucionalizado.
Por isso é que todo movimento soi-disant de oposição que se concentre exclusivamente num pedido deimpeachment da Sra Dilma Rousseff, em vez de exigir a imediata destituição de todos os astros e estrelas do sistema, é um erro na melhor das hipóteses; na pior, um engodo proposital.
Depois de quarenta anos de monopólio esquerdista da mídia, das universidades, dos movimentos de rua, das verbas oficiais, dos cargos públicos e de tudo quanto existe; depois de políticas insanas que levaram o Brasil a tornar-se o país mais assassino e o maior consumidor de drogas do continente; depois da completa destruição da alta cultura e do sistema educacional no país; depois dos maiores episódios de corrupção da história universal; depois do desmantelamento da agricultura nacional por grupos de invasores financiados pelo Estado; depois da expulsão de milhares de brasileiros das suas terras, para dá-las a ONGs indigenistas, depois de tudo isso o "resgate da nacionalidade" há de constituir-se da simples remoção da sra. Dilma Rousseff da presidência da República? Será que os oposicionistas se uniram ao PT no empenho de gozar da nossa cara?

Publicado no Diário do Comércio.

ISTOE: Como empresários e lobistas montaram uma rede de proteção em torno dos filhos de Lula em troca de benesses no governo

MARCELO ROCHA E RAUL MONTENEGRO - ISTOE



Negócios em família

O envolvimento dos familiares arrasta ainda mais o ex-presidente petista para o epicentro dos escândalos


No início do mês de outubro, uma movimentação atípica chamou a atenção no edifício nº 450 da Rua Padre João Manuel, nos Jardins, endereço nobre em São Paulo. A vizinhança notou que pessoas retiravam papéis e outros objetos da LFT Marketing Esportivo, de propriedade de Luís Cláudio Lula da Silva. 
Naquela ocasião, já era de conhecimento público que a empresa do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrara no radar das autoridades responsáveis pela Operação Zelotes, investigação que desbaratou uma quadrilha acusada de fraudar o Carf, o conselho que julga recursos contra multas aplicadas pela Receita. Os condôminos do conjunto comercial ouvidos por ISTOÉ ficaram com a impressão de que os responsáveis pelo escritório estavam de mudança.
Não se tratava disso. Tudo ficaria mais claro três semanas depois: na segunda-feira 26, a Polícia Federal promoveu uma devassa no escritório. Vasculhou o local atrás de informações para tentar elucidar as relações de Luís Cláudio com um grupo de lobistas acusados de comprar medidas provisórias editadas pelo governo federal.

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Se, ao que tudo leva a crer, o filho do ex-presidente tinha algo a esconder, ao se antecipar à ação da PF e fazer uma limpa no imóvel, só o aprofundamento das investigações poderá dizer com mais precisão. A PF, no entanto, já reúne indícios suficientes para concluir que em torno dos filhos de Lula foi montada uma espécie de rede de proteção sustentada por empresários que, com a ascensão do petista ao poder, tinham interesses em estreitar laços com o governo e turbinar seus negócios. Com o beneplácito do próprio Lula.
Um dos empresários escalados para encostar nos filhos do ex-presidente, e prover-lhes do que fosse necessário, foi o pecuarista José Carlos Bumlai. Dono de acesso livre no Palácio do Planalto, durante a era Lula, Bumlai passou a ser alvo da Lava Jato após ser acusado de intermediar valores desviados de contratos da Petrobras. A função do pecuarista seria a de fazer o dinheiro chegar ao destino final, o que incluiria uma das noras do ex-presidente. 
A acusação foi feita pelo lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, após firmar acordo de delação premiada com os procuradores da República. Segundo ele, R$ 2 milhões foram repassados à nora do ex-presidente por intermédio de Bumlai. O empresário nega essa versão.
Servir de elo com os familiares de Lula é uma especialidade do pecuarista, na avaliação dos investigadores da PF. Segundo apurou ISTOÉ, ele teria contribuído para aproximar o empresário Natalino Bertin, proprietário do Grupo Bertin, do clã Lula em meio às negociações para venda de uma fatia do frigorífico. A proximidade resultou em favores aos filhos de Lula. 
A pedido de Bumlai, Bertin disponibilizou um jatinho para os filhos de Lula em São Paulo entre 2010 e 2011. De acordo com um piloto da cidade de Lins (SP), onde a aeronave chegou a ficar estacionada, os Lulinhas usaram e abusaram do mimo. 
“O jato foi utilizado com freqüência. Principalmente aos fins de semana, quando a família ia para praias do Nordeste”, afirmou.

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Outro empresário destacado para bancar os filhos do ex-presidente é Jonas Suassuna. Dono de um poderoso grupo de mídia e TI, o executivo virou sócio de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e Kalil Bittar, filho do político Jacó Bittar, na Gamecorp, produtora com capital de R$ 100 mil que vendeu parte de suas ações à Telemar por R$ 5,2 milhões. Antes de firmar sociedade com Suassuna, Lulinha ganhava R$ 800 como monitor de jardim zoológico.
A aproximação com o empresário lhe rendeu outros benefícios. Ex-morador de São Bernardo do Campo, Lulinha mudou-se para os Jardins, área nobre de São Paulo, e depois para um apartamento em Moema, de 300 metros quadrados de área, terraço gourmet, piscina e academia, cujo aluguel é estimado em R$ 35 mil por mês. Os dois imóveis pertencem ao empresário. 
O caçula do ex-presidente também mora de favor em um apartamento que pertence a amigos de seu pai. Ele e a mulher, Fátima Cassaro, vivem há três anos em um imóvel de 158m2 na alameda Jaú, nos Jardins. O apartamento pertence a Mito Participações LTDA, empresa cujos cotistas são a esposa e as filhas do advogado Roberto Teixeira, íntimo de Lula, e padrinho de batismo de Luis Cláudio.
Na política, se não forem estabelecidos limites, necessários à liturgia do cargo, a família tem grande potencial para gerar constrangimentos. Eventuais privilégios desfrutados por filhos dizem mais sobre os pais do que os próprios herdeiros. No Brasil, um País de oportunidades desiguais, regalias a parentes de políticos chamam muita atenção e, em geral, são consideradas inaceitáveis e despertam indignação e sensação de injustiça na população. 
Com Lula tudo isso ganha uma dimensão maior. Como explicar, a não ser pelo raciocínio óbvio de que o caminho para uma vida de luxos, apartamentos caros e jatinhos foi pavimentado pelo pai poderoso, que filhos do ex-metalúrgico dono de um indefectível discurso ético acumularam dinheiro e posses, depois dele ascender à Presidência? 
Como sustentar o discurso de vítima de perseguição das elites se parte dessa mesma elite passou a bancar despesas pessoais de sua família? Por isso, o envolvimento de Luís Claudio arrasta ainda mais o ex-presidente para o epicentro dos escândalos investigados pela PF. E ele tem conhecimento disso. Não foi por outro motivo que o petista intensificou os petardos contra o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
O ex-presidente resolveu aumentar o tom após acertar a estratégia com o ex-chefe de gabinete e uma espécie de faz-tudo de Lula, Gilberto Carvalho, que também entrou na mira da PF semana passada. Os investigadores suspeitam que Carvalho seja peça fundamental para desvendar a conexão de Luís Cláudio com lobistas interessados em prorrogar a desoneração fiscal para montadoras de veículos por meio de medidas provisórias editadas pelo Executivo. 
Há indícios de que Carvalho tenha sido o contato do lobby dentro do Palácio do Planalto. Mensagens interceptadas pela polícia revelaram o grau de intimidade do ex-chefe de gabinete de Lula com Mauro Marcondes Machado, dono do Marcondes e Mautoni, um dos escritórios do lobby.

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Ao analisarem os sigilos bancário e fiscal da Marcondes e Mautoni, auditores da Receita se depararam com a LFT Marketing Esportivo, empresa de Luís Cláudio. Apenas em 2014, a LFT recebeu da Marcondes R$ 1,5 milhão - a segunda maior quantia na relação de credores da empresa. No total, a LFT recebeu do lobista R$ 2,4 milhões. A constatação acendeu o alerta no Fisco. Há indícios de que a empresa do filho do ex-presidente Lula sequer tenha atuado naquele período. De acordo com a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), cadastro do Ministério do Trabalho, a LTF não teve qualquer vínculo empregatício em 2014, ano dos pagamentos realizados pela Marcondes e Mautoni. 
“É muito suspeito que uma empresa de marketing esportivo (a LFT) receba valor tão expressivo de uma empresa especializada em manter contatos com a administração pública (Marcondes e Mautoni)”, afirmaram os procuradores da República que pediriam à Justiça Federal as buscas nos endereços de Luís Cláudio. De fato, não faz sentido. Em troca, as montadores representadas pelo lobista Mauro Marcondes Machado conseguiram prorrogar benefícios fiscais que somavam R$ 1,3 bilhão, após a edição de uma medida provisória pelo então presidente Lula.
A PF também estranhou que o e-mail informado no ministério do Trabalho pela empresa de Luís Cláudio é vinculado à Bilmaker 600 Serviços em Importação e Exportação Ltda. A empresa pertence a Glauco Costamarques, primo de Bumlai. Anos atrás, Luís Cláudio e Fábio Luís Lula da Silva chegaram a abrir uma empresa, a LLCS Participações, no mesmo endereço da Bilmaker.