sexta-feira, 31 de julho de 2015

O PT não é igual aos outros partidos: é muito pior!


Acho engraçada a defesa que petistas e simpatizantes fazem do PT hoje, alguns fingindo até que estão criticando a legenda. Do “nunca antes na história deste país”, eles pularam para o “sempre antes na história deste país”, tentando passar a impressão de que o PT é “apenas” como os demais, que se corrompeu, que não resistiu à tentação, que se desviou de seus propósitos. Já cansei de mostrar aqui que não é nada disso, mas como o lado de lá continua insistindo na “tese”, preciso ser repetitivo.
É o caso do jornalista Luiz Garcia, de esquerda, que em sua coluna de hoje “critica” o PT com esse argumento, aproveitando para elogiar sua trajetória. Por sua ótica, o grande pecado do PT foi se desviar de seu passado de luta pelas massas, e se tornar mais um corrupto, como os outros. Diz ele:
No episódio mais recente, ficamos sabendo que o Partido dos Trabalhadores, mais conhecido por PT, tem trabalhado com grande entusiasmo para encher os bolsos de uma turma que certamente não se identifica com as ideias e propostas com que foi criado.
Alguns eleitores indignados talvez digam que o PT finalmente mostrou que é farinha do mesmo saco. Ou seja, o partido está apenas se igualando à maioria dos outros partidos. O tal saco, pelo visto, teria farinha para todos. E seria irresistível para políticos de todos os continentes.
[...]
Quando nasceu, o PT foi visto por muita gente boa como um partido que serviria para melhorar o nosso sistema político, já que representaria a grande massa de operários, que até então não tinha quem defendesse seus interesses.
Foi o que ele fez, durante muito tempo. Hoje, é com uma mistura de tristeza e indignação que vemos algo bem diferente: ele serve, talvez até com mais entusiasmo, aos interesses pessoais de uma grande fatia de seus quadros políticos.
[...]
Podemos ter algum consolo lembrando que o saco é universal. Seja como for, sempre vale a pena buscar, em todas as eleições, candidatos que não moram nele. Não é fácil, mas, quem sabe, a gente talvez consiga encontrar, pelo menos, políticos que ainda não se tenham corrompido. E que prestem atenção a um aviso por enquanto amistoso: “Vamos ficar de olho em você.”
O PT não mudou; apenas se revelou no poder. Lamento a todos os que acreditaram nos discursos petistas no passado: foram ludibriados, foram ingênuos, deixaram o romantismo falar mais alto do que a experiência, blindaram-se contra a lógica e a razão em nome das emoções, partiram para o monopólio das virtudes. O PT nunca representou de fato as massas; ele sempre as usou em sua retórica, apenas isso. Ele enxerga as massas como algo manipulável para seus fins políticos. Era um partido de “intelectuais” que não pensavam, de estudantes que não estudavam, e de sindicalistas que não trabalhavam.
E sempre foi oportunista, “revolucionário”, disposto aos meios mais nefastos para chegar e ficar no poder. Basta ver seus camaradas, seus companheiros: ditaduras comunistas, guerrilheiros que sequestram e vendem drogas em nome da causa, terroristas que matam inocentes, mas gozam da estima dos pares porque o fazem com uma foice e um martelo estampados no peito. O PT fundou o Foro de São Paulo em 1990! Não dá para alegar ignorância. O simpatizante se deixou enganar, pois se sentia melhor, mais puro, “consciente”, ligado ao “povo”, só por defender o PT.
Seus métodos corruptos já tinham sido expostos no governo gaúcho, antes da chegada ao governo federal. Antes mesmo, no sindicalismo torpe e oportunista. Em conluio com máfias do lixo, com bicheiros. O PT não viu sua bandeira ética se esgarçar no poder; ela apenas veio à tona toda corroída pelas traças, mas já era uma bandeira falsa. Ou alguém acha que José Dirceu, que se apresentou para a mulher após quatro anos de “casamento” depois da anistia, treinado em Cuba, era um romântico sonhador que lutava pelas massas e foi corrompido no poder? Sério?
O PT nasceu torto, mas muitos preferiram ignorar em nome da utopia, do monopólio das virtudes. O PT não é “apenas” igual aos outros; ele é muito mais corrupto, justamente porque rouba em nome da causa, com a consciência tranquila do “bom revolucionário”, de quem faz tudo “pelo povo”. Por monopolizar a bandeira da ética e ser, na prática, o mais corrupto, o PT é o pior de todos. Por ser tão cínico, por flertar com ditaduras, por não respeitar as regras do jogo democrático, por demonizar os adversários de forma pérfida, o PT é o pior de todos.
O jornalista de esquerda acha que o PT mudou, e que a lição é, agora, “ficar de olho”. Provavelmente ele defende um PSOL da vida, mostrando que não aprendeu absolutamente nada. Quer uma vez mais buscar a “pureza”, ainda que num discurso hipócrita e na defesa de meios que sempre levarão a mais corrupção, por concentrar poder no estado e por fornecer aos bandidos um salvo-conduto para o crime, pois feito em nome da causa “nobre”.
Se o PT fosse “apenas” tão ruim quando os demais, o Brasil não estaria nessa situação calamitosa. Está porque é governado há tempo demais por uma quadrilha disfarçada de partido político, por uma turma que abraça ditadores assassinos, que defende bandidos abertamente, que protege terroristas, que “faz o diabo” para ficar no poder. José Dirceu é a cara do PT. Alguém realmente está disposto a sustentar que ele era um idealista que “se corrompeu”, e hoje é “somente” tão ruim quanto os demais políticos brasileiros?
Rodrigo Constantino

Senador da Rússia quer banir ‘emoticons gays’ no país


Segundo legislação 'anti-gay' russa, as autoridades podem bloquear o acesso a conteúdo que "promova a homossexualidade"

 - Atualizado em 
Novos emojis mostram casais do mesmo sexo
Novos emojis mostram casais do mesmo sexo(VEJA.com/Reprodução)
Um senador da Rússia quer banir "emoticons gays" das mídias sociais no país. De acordo com o jornal local Russia's Izvestia, Mikhail Marchenko prestou queixa pública e acionou o serviço federal de controle dos meios de comunicação - Roskomnadzor - contra desenhos, usados por internautas no mundo todo, que mostram casais do mesmo sexo sorridentes ou se beijando e famílias formadas por dois pais ou duas mães.
Segundo Marchenko, os símbolos violam a legislação 'anti-gay' russa, promulgada em 2013, porque "promovem relações sexuais não tradicionais", "negam os valores familiares" e mostram "desrespeito com pais e outros membros familiares", afirma a BBC. A norma russa permite que as autoridades russas bloqueiem o acesso a todo conteúdo online que "promova a homossexualidade" e prevê multas de 4.000 a 5.000 rublos (entre 230 e 290 reais, aproximadamente). Empresas e estrangeiros podem ser punidos com multas ainda muito mais altas e até prisão.
LEIA TAMBÉM:
A Rússia é alvo de de duras críticas da comunidade internacional por causa de sua legislação 'anti-gay'. O país é palco de frequentes manifestações de intolerância, que o governo tolera e até incentiva.
A Apple inseriu os emoticons com casais homossexuais em sua coleção de desenhos pela primeira vez em 2012. Uma atualização dos desenhos foi feita no início desse ano, com emoticons de famílias formadas por pais do mesmo sexo e variedade de etnias em seus 300 símbolos disponíveis.
(Da redação)

Fernando Gabeira - Viúvas, pescadores e desempregados



- O Estado de S. Paulo

O chamado ajuste fiscal foi um ajuste no cinto das viúvas, dos desempregados e dos pescadores. O governo reduziu brutalmente seu alcance, sob o argumento de que a realidade é pior do que imaginava. Ou o governo não tinha uma ideia precisa da realidade ou contou mais uma mentirinha para embalar o País. A tática de Dilma é esta. Ela não muda jamais. Apenas conta uma nova mentirinha para ganhar tempo. Foi assim nas eleições, foi assim com o ajuste fiscal.

Sempre que as coisas complicam, Dilma chama o marqueteiro João Santana para buscar uma saída. A próxima tese a ser desenvolvida no programa do PT, certamente ao som das caçarolas, é a de que o Brasil foi pior no passado. Essa brecha é excelente como orientação aos ministros. No caso do crescimento da dengue, poderiam fazer um programa mostrando que a gripe espanhola foi muito pior, ou a peste bubônica, por exemplo.

Uma das razões que condenam o ajuste fiscal de Dilma é o seu isolamento político. Quanto mais isolada, mais gastará para sair da marca do pênalti. Um exemplo: as emendas parlamentares. Em épocas normais, o governo as libera a conta-gotas. No auge da crise, está liberando geral, para evitar novas derrotas no Congresso. E vai empregar em massa quadros de segundo e de terceiro escalões.

O destino de Dilma, que precisa gastar para sobreviver e morre um pouco mais quando gasta, é parecido com o de um personagem de Balzac no livro que se chamou aqui A Pele de Onagro. A cada desejo que um talismã mágico realiza, a pele se contrai e a morte do dono do talismã se aproxima.

Isso é uma interpretação pessoal de um dos elos entre política e economia. Num cenário de triunfo do populismo, sobraria algum caminho demagógico para trilhar. Mas o Brasil iria para o espaço, não necessariamente para Plutão ou o Kepler-452b, mas para a Grécia em ruína.

Não é golpismo pensar no Brasil sem Dilma. Na verdade, é uma das tarefas dos que procuram uma saída no horizonte. Uma saída que só pode ser constitucional. O que há de golpismo em pedir impeachment de um presidente? Está previsto em lei.

A democracia é tão elástica que absorve até projetos que mudem a lei, como, por exemplo, a legalização da maconha e a união gay. Se não é proibido tentar, democraticamente, alterar uma lei, por que o seria utilizar uma lei que já existe?

Toda essa gritaria sobre golpismo é um mecanismo para intimidar. Agora decidiram, além de intimidar, comover a plateia. Lula disse que os petistas são perseguidos como os judeus no nazismo, os cristãos em Roma, os italianos no fascismo.
Curitiba não é Dachau ou Auschwitz. E em Roma os cristãos eram entregues ao leão na arena.

Num único momento eu me lembrei do leão, um cara de bigode da Receita Federal que disse que havia arrecadado parte do imposto que as empreiteiras devem no petrolão e esperava arrecadar mais. Cristãos estão sendo trucidados no Oriente Médio. E um dos seus algozes é o Estado Islâmico, com quem Dilma queria dialogar.

Ao recusar um encontro com Dilma, a oposição mostrou que não gosta mais de apanhar. Já é um passo. Muito pequeno, entretanto, para o árduo período de transição até 2018, quando esperamos, simultaneamente, um abrandamento da crise e novas eleições.

Essa transição não se fará excluindo partidos políticos. Mas é preciso encontrar uma fórmula em que tenham peso também forças sociais não diretamente envolvidas com o processo eleitoral.

A transição é dura. Possivelmente, os líderes da oposição temem consertar todos os estragos feitos pelo PT, que usaria este período para propor de novo o paraíso. Eles temem, creio, um cenário perverso: o PT desorganiza a máquina econômica, se afasta durante o conserto e volta, triunfalmente, para arrasá-la de novo.

É um cenário que ignora o aprendizado do povo brasileiro e supõe que ele vá se comportar sempre da mesma maneira, independentemente de sua experiência histórica.

São essas dificuldades do Brasil pós-Dilma Rousseff que inibem a oposição e outros atores democráticos. A opção de deixá-la sangrando, fazer com que pague por seus erros, tem a força da inércia.

O fiasco do ajuste fiscal indica o horizonte de crise que se estende até, pelo menos, 2017. Para quem está desempregado, a crise adia suas esperanças; para quem teme o desemprego, aprofunda sua angústia; para quem tem sonhos de progredir no próprio emprego, a saída é se conformar.

São dois caminhos claros para a escolha nacional: com ou sem Dilma.

Naturalmente, há os que ainda acham o governo bom e gostariam de vê-lo continuar. São poucos, segundo as pesquisas. Mas, ainda assim, é muito grande o número de pessoas que acham que o governo deve prosseguir, apesar de tudo. Ou por um discutível respeito à lei ou pelo prazer de ver o PT se queimando nos incêndios que o próprio partido provocou.

Existem frentes, relativamente autônomas, impulsionando uma saída. Uma dessas frentes é o Tribunal de Contas da União (TCU), que julgará as pedaladas fiscais. Outra é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julgará as denúncias sobre a campanha de Dilma.

As anotações de Marcelo Odebrecht falam em avisar ao Edinho, tesoureiro de Dilma, que as contas na Suíça poderiam chegar à campanha dela. As contas na Suíça foram, parcialmente, reveladas.

Tudo isso já não depende tanto de interferência, apenas de atenção. O problema é pensar um caminho até 2018 com um enfoque na economia.

A tendência, além do aumento do desemprego e das tensões sociais, é também da multiplicação de ruínas, por falta de investimento. O projeto de Dilma, assim como o de Lula, era o de um crescimento impulsionado pelo poderoso Estado brasileiro, hoje falido.

No fundo, aquelas pontes fantasmas do Tocantins que ligam o nada a lugar nenhum são a antevisão de alguns esqueletos com os quais vamos conviver nos próximos anos.

Roberto Freire - A saída é pelo Congresso


Diante do agravamento da crise econômica do esfacelamento político e moral de um governo que perdeu a credibilidade, o papel do Congresso, que retoma as atividades a partir desta primeira semana de agosto, será determinante para evitarmos um colapso institucional. A solução para o impasse atual passa, necessariamente, pela ação dos parlamentares, que têm plena consciência do momento delicado enfrentado pelo país graças à incompetência e à irresponsabilidade dos governos lulopetistas nos últimos 13 anos.

Com todos os seus problemas, e é evidente que eles existem, o Parlamento brasileiro vem atuando de forma independente e altiva na atual legislatura, ao contrário do que se via especialmente durante o governo Lula. A posição subalterna do Legislativo em relação aos desmandos do Executivo federal, que apostou na corrupção desbragada do mensalão e do petrolão para cooptar parlamentares, deu lugar a uma postura mais combativa e comprometida com os interesses da população, e não do governo de turno. O Parlamento não está mais de joelhos diante da Presidência da República – e isso pode ser ruim para o PT, mas é salutar para a democracia brasileira.

Como se não bastasse o esgoto a céu aberto trazido à tona pela Operação Lava Jato, com o assalto à Petrobras e as ramificações criminosas no setor elétrico que agora vieram à luz, o descalabro e a incapacidade dos governos do PT arrastaram a economia brasileira para o atoleiro em que se encontra. A alteração feita pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, reduzindo a perspectiva do Brasil de neutra para negativa, sinaliza um iminente rebaixamento do grau de investimento – espécie de “selo” de bom pagador do país – e é apenas mais uma má notícia entre as inúmeras que se acumulam nos últimos tempos.

Em julho, o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, ultrapassou os 9% no acumulado de 12 meses pela primeira vez em 12 anos. A mais nova previsão para o PIB de 2015 indica uma retração de 1,76%, o que configuraria recessão. Além disso, o dólar chegou a bater em R$ 3,44 nesta semana, alcançando o maior valor desde 2003. O desemprego também segue em alta: 8,1% no trimestre encerrado em maio, segundo o IBGE – de abril a junho, foram cortadas mais de 315 mil vagas de trabalho com carteira assinada. Para completar o quadro desastroso, a renda média mensal das famílias de janeiro a maio encolheu 6,2% em um ano, segundo estudo da consultoria “Tendências”.

Com uma presidente enfraquecida e encastelada no Palácio do Planalto, sem apoio político no Congresso e rejeitada por nove em cada dez brasileiros, caminhamos rumo à ingovernabilidade – e não há país que suporte ficar sem governo, sem comando, à mercê da crise e dos acontecimentos. É inegável que o impeachment, desejado por 63% da população de acordo com a recente pesquisa CNT/MDA, voltou à pauta nacional.

Instrumento legítimo e próprio das democracias, o impeachment está previsto na Constituição, é regulamentado por lei e já foi utilizado para afastar o hoje aliado petista Fernando Collor, em 1992, em meio à corrupção desenfreada em seu governo – na ocasião, Lula e o PT não disseram se tratar de um “golpe” e apoiaram com entusiasmo o impedimento do presidente. Tal intervenção constitucional não deve ser compreendida como um mero desejo de quem quer que seja, mas pode se impor novamente como alternativa para superarmos a crise. Se chegarmos a tanto, caberá ao Legislativo cumprir sua função institucional com a soberania e a autoridade política próprias de um Poder que já cortou na própria carne sempre que necessário, cassando mandatos de deputados envolvidos em escândalos e até do presidente da Câmara em passado recente.

Enquanto o país aguarda a decisão do Tribunal de Contas da União sobre as contas do governo de Dilma Rousseff, que podem ser rejeitadas em decorrência das criminosas “pedaladas fiscais”, e às vésperas das manifestações de rua programadas em todo o Brasil para o dia 16 de agosto, vivemos um momento crucial. A crise é grave, mas existem caminhos para que a superemos sem qualquer trauma institucional. A busca pela melhor solução deve zelar pelo respeito à democracia, pelo estrito cumprimento das leis e pela obediência à Constituição. A saída é pelo Congresso.

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Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

Merval Pereira - Lógica da gangue


- O Globo

A decisão da advogada Beatriz Catta Preta de fechar seu escritório de advocacia e desistir da profissão diante das ameaças que diz ter recebido — depois que o empresário Júlio Camargo acusou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de ter recebido US$ 5 milhões de propina no escândalo da Petrobras — é o toque dramático de uma situação escandalosa: o atual presidente de um dos Poderes da República, o segundo na linha de sucessão presidencial, é acusado de coagir e ameaçar pessoas e empresas, utilizando-se de sua influência na Câmara.

Antes, já havia sido acusado, em depoimento do doleiro Alberto Youssef, de usar uma deputada sua aliada para apresentar requerimentos para constranger empresas que se recusavam a pagar propinas para o PMDB. Agora, o mesmo Youssef disse em depoimento que estava sendo ameaçado por um deputado "pau-mandado" de Eduardo Cunha, membro da CPI da Petrobras. O doleiro disse que até mesmo sua família estava sendo ameaçada, e o deputado citado como "pau mandado", Celso Pansera, do PMDB do Rio, realmente pediu à CPI a quebra de sigilos da mulher e das filhas de Youssef , o que foi negado pelo Supremo Tribunal Federal.

A defesa do empresário Júlio Camargo não mediu palavras: em suas alegações finais, os advogados dizem que Cunha está "agindo com a lógica da gangue". Para eles, "está em vigor a "moral da gangue", que acredita triunfar pela vingança, intimidação e corrupção". Os advogados Antônio Figueiredo Basto e Adriano Bretas assumiram a defesa de Camargo em lugar de Catta Preta, e acusam Cunha de agir "astuciosamente" para desacreditar os depoimentos do delator , e usar a maledicência e a CPI da Petrobras "para desencorajar" Camargo. Essa "maledicência", aliás, é responsável pela boataria que cercou o caso de Catta Preta nos últimos dias.

Diversas versões circularam, todas desacreditando a advogada, que ora seria ligada aos promotores, outras ao próprio Cunha. Foi a CPI, presidida por um aliado de Eduardo Cunha, que decidiu convocar Beatriz Catta Preta para saber de onde vem o dinheiro dos que a contratam, numa tentativa de ligar o dinheiro desviado da Petrobras ao pagamento de seus honorários. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público Federal manifestaram-se contrários à sua convocação, que claramente fere as prerrogativas dos advogados.

Na entrevista que concedeu ontem ao "Jornal Nacional", a advogada Beatriz Catta Preta deixou claro que, depois que seu cliente Júlio Camargo, que havia omitido o nome de Eduardo Cunha nos primeiros depoimentos à Justiça, decidiu voltar atrás para incriminá-lo, ela recebeu ameaças, sempre de modo indireto, mas críveis o suficiente para que desistisse de prosseguir nos 8 casos de delação premiada que coordenava como advogada. Ela explica que Camargo não denunciou Cunha antes por medo, mas que voltou atrás para não perder os benefícios da delação premiada.

Não é à toa, portanto, que o presidente da Câmara já começa a enfrentar um movimento, por enquanto incipiente, para tirá-lo do cargo caso venha mesmo a ser denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot — que, por sinal, tem sido objeto direto das retaliações de Cunha e de políticos como o senador Fernando Collor . O abuso de poder de que é acusado, e que de uma maneira ou outra sempre esteve presente na sua vida política, agora, em vez ajudá-lo, atrapalha.

O fato é que o deputado Eduardo Cunha, que sonhou em meio à sua trajetória recente até mesmo vir a disputar a Presidência da República, hoje tem pela frente uma batalha de vida ou morte contra as acusações de que provavelmente será vítima logo nos primeiros dias de agosto, depois do recesso parlamentar .

Eliane Cantanhêde - Eu sou vocês amanhã


- O Estado de S. Paulo

Confirmado. Tudo o que a presidente Dilma Rousseff queria ao atrair para o recanto do seu lar todos os governadores do País era pedir apoio a eles para a “travessia” e para concluir o mandato em 2018. Ou seja, Dilma só queria tirar uma foto e dar um grito de socorro contra o impeachment. Seria só patético, não fosse dramático que uma presidente recém-eleita, com apenas meio ano de mandato, tenha chegado a tanto.

De casaquinho azul bebê, Dilma falava para os governadores (e para o público da TV oficial) em “travessia”, “democracia”, “humildade”, “somar esforços”, “cooperação” e “parcerias”. Nos sites, as manchetes eram outras, no tom cinzento e ameaçador da crise. O déficit das contas públicas foi de R$ 8,2 bilhões num único mês, o de junho, o que gerou um resultado negativo de R$ 1,6 bilhão no primeiro semestre. É o pior resultado em toda a série histórica. Mais um recorde da era Dilma.

E não parou por aí, porque os juros do cartão de crédito atingiram estonteantes 372% ao ano. Ok, todo mundo sabe que endividamento com cartão é fria, mas a chamada “nova classe média” está meio perdida no paraíso com o aumento do desemprego e a queda da renda e, no aperto, pode recorrer ao cartão e cair na esparrela. Sem contar que os juros no cartão são só um aspecto dos juros escorchantes.

Bem, enquanto o mundo real continuava produzindo uma notícia ruim atrás da outra, Dilma dizia aos governadores que “é preciso ter humildade para receber críticas”, mas fazia justamente o contrário, de certa forma desafiando: “Eu sei suportar pressão e até injustiça”. Ou seja, preferiu encenar o papel de vítima, sabe-se lá de quem e de quê, a humildemente se assumir como algoz da economia.

E repetiu o cardápio de sempre para tentar justificar a injustificável crise econômica: colapso do preço das commodities, desvalorização do real, crise internacional (“que continua não esmorecendo”) e a seca. A consequência de tudo isso, concluiu, foi uma forte queda na arrecadação de impostos e contribuições sociais. Digamos que, sim, há verdade nesses fatores objetivos. Mas e o fator Dilma Rousseff?

Ela não deu um pio sobre a sua crença íntima de que um pouco de inflação não faz mal a ninguém, a arrogância de ter baixado os juros artificialmente, a canetada que desestruturou o setor elétrico, a troca do sistema de concessões para o de partilha na exploração do pré-sal, a sinalização de uma guinada estatizante para os investidores internos e externos. Como não fez nenhuma referência, indireta que fosse, à corrupção deslavada que fragilizou a Petrobrás e minou a confiança externa.

Do ponto de vista político, Dilma tentou mobilizar os governadores contra o Congresso, onde, como advertiu, tramitam medidas com efeito direto sobre as contas tanto do governo federal quanto dos estaduais. Teve até o cuidado de distribuir uma cartilha elencando projeto por projeto do que a gente chama de “pauta-bomba”, aquela que finge que é para beneficiar categorias e pessoas, mas só serve para azucrinar Dilma Rousseff.

Mas tudo isso é detalhe. O fato é que Dilma convocou os governadores a Brasília com o único objetivo de obter apoio político. Sem pronunciar aquela palavrinha maldita – impeachment – nem fazer referências indiretas àquela data aterrorizante – 16 de agosto –, a presidente mandou um recado subliminar para os governadores, ao lembrar que ela, como eles, conquistou seu mandato democraticamente e vai concluí-lo em 2018. Soou assim: se me derrubam hoje, amanhã podem ser vocês. O pior, para todos eles, é que pode mesmo.

Marta e PMDB. O vice Michel Temer deu dois conselhos sensatos para tentar melhorar a posição do PMDB na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016. A Paulo Skaf, sugeriu que sondasse a seção paulista do partido sobre a entrada da senadora Marta Suplicy. À própria Marta, que se articulasse com o PMDB, mas sem fechar as portas no PSB. O seguro morreu de velho.

Quarto vídeo derruba hipocrisia da indústria do aborto: “É um bebê. Outro menino!” - POR FELIPE MOURA BRASIL


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Enquanto o mundo está mais preocupado com o assassinato de um leão, o Centro para o Progresso Médico divulgou o quarto vídeo da série que flagra diretores da Planned Parenthood, a maior multinacional do aborto, negociando a venda das partes de fetos abortados, como já comentei aquiaqui e aqui.
Savita Ginde, vice-presidente da rica filial da PP das Montanhas Rochosas, que apareceu rapidamente no terceiro vídeo, repete a explicação da diretora Deborah Nucatola — do primeiro — de como a PP treina técnicos para ajustar os processos de modo a aumentar ao máximo a extração de órgãos e tecidos — uma violação da lei federal americana.
Ginde concorda várias vezes com a cobrança ilícita por cada órgão específico, sugere meios de evitar as consequências legais e menciona o uso de eufemismos para disfarçar a venda.
“Classificar como ‘pesquisa’ nos dá certa vantagem sobre a coisa toda. Se houver alguém fazendo isso em um estado que seja realmente contra, é provável que seja apanhado.”
BabyGinde ainda admite que alguma coleta de órgãos é feita em bebês paridos intactos e potencialmente vivos, o que viola o Ato de Proteção a Recém-Nascidos Vivos, que vigora desde 2002, contra a vontade de um certo senador Barack Obama, como comentei no nosso programa de rádio ‘Contexto’.
Quando os atores – fingindo ser representantes de uma empresa de biologia humana – solicitam espécimes fetais intactos, Ginde revela que, na prática abortiva da PPRM (na sigla em inglês da filial), “às vezes, se alguém dá a luz antes de chegarmos a realizar o procedimento, então estamos intactos”.
“Nós temos de realizar um certo treinamento com os fornecedores ou alguma coisa assim para garantir que eles não destruam” órgãos fetais durante abortos de segundo trimestre, diz Ginde, imaginando meios de garantir que os aborteiros da PPRM forneçam órgãos fetais utilizáveis.
Ginde se refere a Nucatola mais de uma vez neste vídeo, declarando que coordena a troca de mensagens com a sede nacional a respeito da compensação pela coleta de órgãos.
A cena da dissecação é, no mínimo, repugnante. Um técnico da mesma organização que afirma insistentemente que só remove “aglomerados de células” move o cérebro de um feto de primeiro trimestre na bandeja, enquanto aponta os rins, a glândula suprarrenal, o estômago, o coração e os globos oculares do dito-cujo.
BoySavita Ginde define o “aglomerado”: “É um bebê.” Um assistente completa: “Outro menino!”
Como escreveu Ed Morrissey na The Week, a hipocrisia foi agora totalmente revelada:
“As duas posturas, o ‘aglomerado de células’ e a negociação de órgãos humanos obtidos com abortos, são mutualmente excludentes. Órgãos humanos vêm de seres humanos e a única maneira de coletá-los de seres humanos não nascidos é matá-los primeiro. Os vídeos destroem todas as generalidades antissépticas usadas na defesa do aborto, para expor sua verdadeira natureza — e foi por isso que deixaram a Planned Parenthood em pânico.”
Em carta, a multinacional pressionou os meios de comunicação a não publicar os vídeos e a Justiça de Los Angeles proibiu o Centro para o Progresso Médico de divulgar qualquer um em que apareçam funcionários da StemExpress, companhia de tecido fetal e biotecnologia que atua como intermediária e adquire as partes do corpo de bebês abortados da Planned Parenthood para vender a locais de “pesquisa”.
O doutor Ben Carson também comentou: “Se não é um ser humano, então por que estão colhendoórgãos dele?” Carson encorajou os cidadãos a assinar a petição pelo fim do financiamento à PP, que recebeu 4,3 bilhões de dólares dos pagadores de impostos americanos na última década.
Os jornais brasileiros ignoraram completamente a divulgação do quarto vídeo, assim como quase que inteiramente a dos outros, no enésimo exemplo do bloqueio contra os fatos que atrapalham a narrativa esquerdista.
Tudo seria diferente se o tráfico fosse de leões.
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(Montagem: EIB Network)
(* Claudia Costa Chaves colaborou nas traduções.)
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quinta-feira, 30 de julho de 2015

"A força devastadora das delações", por Murillo de Aragão Com Blog do Noblat - O Globo




Delação (Foto: Arquivo Google)
Mais cinco investigados no âmbito da Operação Lava-Jato resolveram se juntar aos 17 já compromissados com as delações premiadas. Seus nomes ainda não foram revelados e alguns estão sendo considerados, entre eles, Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Zelada, todos ex-diretores da Petrobras. Outra delação esperada é a de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.

O conjunto das delações representa a mais poderosa revelação sobre o capitalismo de laços no Brasil e sobre como ele domesticou os recursos públicos para fins privados. Sobre quantas empresas deixaram de poder concorrer e mostrar seus serviços. Sobre quantos empregos deixaram de ser criados se houvesse maior competição entre os fornecedores das empresas públicas.

Caso se confirmem as suspeitas de que Duque e Pinheiro, por exemplo, estarão entre os novos delatores, o clima pode piorar muito, já que ambos têm um estoque explosivo de revelações sobre o modus operandi do esquema desvendado pelas sucessivas etapas  da investigação policial.

Sem saber a real extensão do escândalo, o tempo brasileiro está completamente dominado pelo Petrolão. Nenhum ator entre os essenciais da cena institucional brasileira está livre de suas consequências. Mesmo que não sejam atingidos diretamente, os efeitos colaterais afetam projetos e planos. Penduram a existência do governo em uma espécie de frigorífico que, a qualquer momento, pode ficar sem energia.

O início do segundo semestre político traz manchetes bombásticas. Avalia-se, por exemplo, que Eduardo Cunha pode sair da presidência da Câmara. Outros apontam pautas-bomba e a criação de CPIs. Tudo é relativamente pequeno frente ao que pode acontecer a partir das novas delações, que, além de terem o poder de revelar novos fatos, se encaixam em outros já revelados e apontam culpas fatídicas.

As opções que se apresentam são absolutamente incertas. Uns pensam que as manifestações de rua podem deflagrar o processo de impeachment. Creio que não. O Congresso, como um todo, está estupefato com os acontecimentos. E ainda não sabe o que fazer com o problema. A reação dura de Cunha contra o Planalto pode ser mantida? Sim e não. Mas terá ele o condão de mover a maioria para a aventura do impeachment sem um fato concreto e absolutamente inquestionável? Sim e não.

A certeza que temos é a de que a força das delações aumenta, sobremaneira, o poder do que não se sabe sobre os destinos do país. O que ainda está encoberto é que determinará o rumo dos acontecimentos. 

VEJAM AS MENTIRAS DE JORNALISTAS COMPRADOS PELO PT CONTRA O MOVIMENTO BRASIL LIVRE


J. R. Guzzo no Aqui entre Nós: ‘A Operação Lava Jato vai ficar’

J. R. Guzzo no Aqui entre Nós: ‘A Operação Lava Jato vai ficar’

Carlos Alberto Sardenberg - Dois métodos: a Lava-Jato e o chinês


- O Globo

O governo chinês informou ontem: de 2012 até aqui, recuperou US$ 6,2 bilhões que haviam sido roubados por "centenas de milhares" de funcionários e membros do Partido Comunista. Isso dá pouco mais de R$ 19 bilhões, valor desviado apenas da Petrobras, segundo estimativas dos procuradores da Lava-Jato.

A campanha anticorrupção na China é uma iniciativa do presidente Xi Jinping, aplicada pela temida Comissão Central para Inspeção Disciplinar. Trata-se de uma ditadura, de modo que eles frequentemente passam por cima do que chamam lá de formalidades judiciais - isso de não poder prender sem uma consistente acusação formal ou de precisar de processo para recuperar o dinheiro roubado.

Claro que isso permite ao governo escolher seus alvos, transformando o combate à corrupção em ação política para apanhar adversários. Por aqui, a Lava-Jato segue nos termos da lei e da democracia. Não foi politizada nem instrumentalizada por grupos ou partidos. Ainda bem.

O método chinês vai mais rápido. Sabe aquela situação na qual todo mundo sabe que fulano está roubando, mas ainda não deu para dar o flagrante? Pois é, lá na China a Comissão Disciplinar pode prender e, então, sabe-se lá com quais pressões, procura as provas.

Aqui, muita gente ainda diz que a Lava-Jato frequentemente avança o sinal. É que não sabem como se faz nas ditaduras. A Lava-Jato vai muito depressa em comparação com os velhos padrões brasileiros - quando as "formalidades judiciais" garantiam a impunidade.

Era assim: o sujeito trabalha numa estatal ou no governo ou no partido do governo e está associado a uma consultoria privada; a empresa tal ganha um contrato com a estatal e faz um pagamento à consultoria privada. Diziam os envolvidos e pegava: são contratos separados, coisas diferentes, com coincidência fortuita de pagamentos. Qual é?

Vai um advogado dizer isso hoje para o juiz Moro.

Por outro lado, há uma novidade histórica que devemos ao governo americano. Na busca do dinheiro do terrorismo e do tráfico, as autoridades dos Estados Unidos simplesmente acabaram com o sigilo fiscal e bancário lá e no mundo.

Quer dizer, não acabaram propriamente. Mas se criou uma legislação, hoje universalizada, que torna mais simples e rápido quebrar sigilos quando há fundadas suspeitas, descobertas nos termos da lei.

Era praticamente impossível achar uma conta de um banco suíço. Hoje é até fácil. Os banqueiros têm pavor de serem acusados de acobertar fortunas roubadas ou do tráfico.

A mudança brasileira foi a introdução da delação premiada. O sujeito confessa, indica a conta em que recebeu e o banco dá a sequência do dinheiro.

Tudo considerado, duas observações: primeira, o método chinês vai mais rápido, mas o método Lava-Jato é mais seguro para as pessoas e as instituições; segunda, e terrível para nós, a roubalheira aqui foi maior que na China, cuja economia é quatro vezes maior.

Reparem de novo: depois de três anos de dura campanha, os chineses recuperaram o equivalente a R$ 19 bilhões. Dado o sistema deles, é provável que já tenham apanhado a maior parte da corrupção. Ora, só na Petrobras, os procuradores acreditam ter havido roubo de R$ 19 bilhões, dos quais R$ 6 bi já admitidos formalmente pela estatal, em balanço. E está começando só agora a fase do setor elétrico, o segundo da lista.

Conclusão: estamos apanhando aqui os maiores escândalos corporativos do mundo. No sistema formal, demora mais para recuperar a propina distribuída, mas a coisa está andando nessa direção.

Finalmente, há outro ponto em comum. Aqui e na China, a corrupção começa no governo e suas estatais, nas tenebrosas relações com empresas privadas.

A presidente Dilma andou dizendo que a Lava-Jato subtraiu um ponto percentual do PIB. Nada disso. A corrupção estatal/privado subtraiu muitos pontos ao gerar desperdício, perdas e ineficiências. Ou seja, o combate à corrupção precisa de um complemento: uma ampla privatização e um bom ambiente de negócios para quem quer ganhar dinheiro honestamente - um sistema impessoal que privilegie a eficiência, a competitividade, a produtividade.

Enquanto conseguir uma vantagem qualquer em Brasília for mais barato e mais fácil do que investir no negócio para ganhar produtividade, o país não vai crescer. Nem será justo.

Míriam Leitão - Os outros cálculos


- O Globo

A Operação Lava-Jato afetou o PIB? Talvez. Mas, antes de fazer uma afirmação numérica tão exata, a presidente Dilma Rousseff poderia calcular com a mesma métrica os eventos que precederam a Lava-Jato. Qual foi o custo para o PIB dos desvios da Petrobras? Qual foi o tamanho do peso para o contribuinte do sobrepreço nas obras e das propinas das empresas aos políticos e aos partidos da base?

Há muitas contas a fazer. Quanto custou a política de campeões nacionais do BNDES? Quanto foi retirado dos cofres públicos com os programas de subsídios a setores empresariais? Quanto custou a "Nova Matriz Macroeconômica" implantada em seu primeiro governo? Qual foi o custo exato da política energética imposta pela MP 579? Quanto a Petrobras teve de prejuízo com a intervenção no sistema de preços para subsidiar o combustível fóssil?

A presidente Dilma deveria parar e fazer estas contas porque isso a ajudaria a não repetir alguns dos muitos erros que cometeu no primeiro mandato e que estão na raiz do encolhimento do PIB este ano. Por causa da tal "Nova Matriz", o país está em recessão, com taxa de inflação chegando perto de dois dígitos, e com dez pontos percentuais do PIB a mais de dívida interna.

Quem olha a trajetória dos indicadores fiscais, de dívida, crescimento e inflação conclui necessariamente que foi por má condução da política econômica que se chegou ao ponto em que estamos. Nem o mundo é o culpado, como a presidente repetiu durante a campanha. Nem a Operação Lava-Jato está agora tirando o crescimento em exato um ponto percentual do PIB, como afirmou a presidente em reunião com seus ministros.

Primeiro, como todo brasileiro já entendeu, a Lava-Jato é tratamento contra a doença. Não é culpada pela doença que trata. Segundo, não dá para dizer que foi a investigação das irregularidades na Petrobras que reduziu os investimentos. O que exauriu os cofres da estatal e aumentou seu endividamento foram os altos custos da corrupção e da má administração de projetos e negócios como a Refinaria Abreu e Lima, o complexo petroquímico Comperj, as refinarias abandonadas, Premium I e II, Pasadena, associados à política de preços. A Lava-Jato nos fez o enorme favor de estancar essa sangria e forçar a empresa para políticas mais transparentes.

Há um custo em paralisia de alguns projetos de infraestrutura, por causa da prisão de empreiteiros. Talvez haja, sim. Mas qual seria o preço, como perguntou o juiz Sérgio Moro, recentemente, de se tocar as obras superfaturadas, com acordo entre empreiteiras, com o pagamento de propinas aos políticos e aos partidos? Isso sem falar em custos intangíveis.

Há também a incapacidade administrativa de projetos. Na última terça-feira, 28, o "Valor Econômico" publicou dados conseguidos pela Lei de Acesso à Informação mostrando que quase nada foi executado dos bilhões de investimentos em mobilidade urbana que estavam no plano logístico lançado em 2012 ou nas promessas aos governadores feitas após as manifestações de junho de 2013. Mesmo antes da Lava-Jato, esses investimentos não estavam acontecendo.

Quanto a crise energética tirou do PIB? Essa é outra conta que deveria ser feita pela presidente. Foi ela que planejou, anunciou, comemorou e usou como propaganda eleitoral a intervenção no setor. As distribuidoras quebraram e tiveram que ser socorridas inicialmente pelo Tesouro e depois por empréstimos de emergência que foram pagos pelos consumidores. As geradoras estão encalacradas. As famílias enfrentaram um gigantesco tarifaço que reduziu a renda disponível e elevou a inflação.

Quanto custou aos bancos públicos transferir para eles o preço do pagamento de programas sociais que são obrigações orçamentárias? A Caixa acaba de informar que os atrasos chegaram a 21 meses e ao valor de R$ 34 bilhões.

O país está em recessão este ano e com inflação alta. Os juros, que subiram ontem novamente, são dos maiores do mundo. Nada disso é por causa da Lava-Jato. Na raiz dos problemas está a má gestão da política econômica. As ações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal no Paraná abrem a preciosa chance de um crescimento do PIB com mais qualidade no futuro. É isso que conta.