sábado, 28 de março de 2015

Diário filosófico de Olavo: perdão de Deus, o Foro de São Paulo e o “pensamento positivo”

O Bem não é um universal abstrato. O Bem é uma Pessoa, é Deus. Só se assimila o Bem por contato pessoal e impregnação no amor divino. O resto é filosofice uspiana.
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Todo aquele que não se apresenta diariamente diante do Trono do Altíssimo, com o coracão trêmulo de vergonha não só pelos seus próprios pecados mas pelos de todos os seus irmãos, consciente de que, em face da perfeição e da onissapiência divinas, CADA UM dos seus atos foi errado, mesmo aqueles que sua vaidade considerou os melhores, e sentindo até o fundo da alma que o Perdão é o ÚNICO bem valioso a ser ambicionado, -- esse NUNCA saberá o que é sinceridade, nem muito menos honestidade.
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Eu não teria a cara-de-pau de pedir a destituição de um governante se não rezasse diariamente pela salvação da sua alma.
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Quem compreendeu o meu post que começa com "Todo aquele que não se apresenta diariamente..." compreenderá também que a "absoluta terrestrialização do pensamento" proposta por Antonio Gramsci, assim como toda política baseada nela, será sempre uma GARANTIA INFALÍVEL de destruição da consciência moral de um povo, portanto um convite irresistível à criminalidade. As ligações entre o Foro de São Paulo e a corrupção petista não só uma questão de alianças e conveniências, mas têm uma raiz muito mais profunda na corrupção espiritual gramsciana. O PT já era corrupto antes de começar a roubar, antes mesmo de nascer, no tempo em que a putada uspiana sonhava com um "partido operário".
É preciso ser muito, muito, muito burro para não perceber logo de cara que uma proposta de "maquiavelismo coletivo organizado", como a denomina o próprio Antonio Gramsci, é apenas uma engenharia da mentira e da trapaça.
Mentir e trapacear são talvez recursos legítimos, até certo ponto, quando se vive sob um regime de repressão ditatorial onde a palavra franca pode ser punida. Mas a esquerda nacional tomou gosto pela coisa e não parou mais.
Na grande mídia, uns minimizam a importância do Foro de São Paulo porque gostam dele e acham que, falhada a estratégia da negação, a desconversa é o melhor meio de protegê-lo. Outros fazem o mesmo pelo motivo oposto: odeiam o Foro e não querem dar o braço a torcer reconhecendo o poder avassalador dessa organização. Preferem fazer-se de superiores, alardear desprezo àquilo que temem.
Um jogador experiente usa o blefe com moderação. Quem o usa o tempo todo acaba é pagando mico.
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Não me convidem para lutar contra "a corrupção". Lutar contra universais abstratos é a melhor maneira de não fazer nada. Lutar contra o PT e o Foro de São Paulo, isto sim.
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Este país é maior e mais complexo do que QUALQUER membro da elite falante pode compreender hoje em dia. A elite inteira vive num cirquinho miserável criado à sua imagem e semelhança. Não entende o povo e insiste em tratá-lo como se fosse um figurante do seu espetáculo mambembe.
Se nem a literatura vem retratando o que se passa no fundo da alma nacional, como poderiam abrangê-lo os cérebros atrofiados de governantes incultos? A imaginação deles parou em 1968.
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Para mim, o momento culminante, o mais luminoso da história brasileira, foi aquele em que a multidão inumerável, reunida diante do palácio do governo, rezou o Pai-Nosso, pedindo perdão, por igual, pelos seus próprios pecados e pelos dos governantes.
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"Respeitar as instituições"? A ÚNICA "instituição" que funciona e mantém este país de pé é a firme disposição do povo de sair à rua todo dia para trabalhar e de pagar as contas no fim do mês. TUDO o mais já desabou e é pura pantomima: Governo Federal, parlamento, Justiça, mídia, universidade, etc. O trabalho do povo é a espinha dorsal em que se apóia um corpo feito de geléia. Uma geléia carnívora que se substituiu ao antigo corpo vivo.
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Durante cinqüenta anos, as Forças Armadas sempre foram apontadas, em todas as pesquisas, como a instituição MAIS CONFIÁVEL deste país. Veremos quanto tempo isso ainda vai durar, se os generais continuarem insistindo na mentira infame de que a Dilma "foi eleita democraticamente".
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Não confie em quem confia na Smartmatic ou, pior ainda, no Toffolidido.
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"Modelo econômico" não rouba ninguém. Quem rouba é GENTE.
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Já viram algum policial prender "o crime"? Ele prende criminosos, isto sim, bandidos de carne e osso, indivíduos concretos com nome, RG e CPF.
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De vereador para cima, na esfera política; de sargento para cima, na vida militar, e de professor primário para cima, na atividade intelectual, praticamente todos são culpados do estado de coisas.
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É preciso substituir TODA a elite mandante e falante deste país. Primeiro, os criminosos psicopatas mais notórios. Depois, os seus colaboradores. Por fim, os desconversadores, omissos e aproveitadores.
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Querer limpar a política antes de limpar a cultura, o pensamento, a linguagem e a cultura é como querer curar a calvície penteando obsessivamente os cabelos inexistentes.
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A coisa mais fácil, tentadora e quase irresistível, no Brasil de hoje, é corromper os melhores impulsos sob o pretexto de "lutar contra a corrupção". O slogan já é enganoso em si. O inimigo do Brasil não é um universal abstrato, "a" corrupção, mas as pessoas e grupos, muito individualizados e concretos, que destruíram a alta cultura, a moralidade, a ordem pública e até o senso do real. O que se entende por "corrupção", hoje, consiste em roubar dinheiro público. Mas essa forma mais grosseira e visível de desonestidade jamais prosperaria sem a corrupção prévia das almas, do pensamento, da linguagem, de todo o substrato espiritual da vida.
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A honestidade é impossível sem sinceridade, e não existe sinceridade sem o confronto interior com a onissapiência divina, sem a antevisão de um acerto final de contas entre a alma e a realidade última, acima do tempo e da história. Quando a religião começou a desaparecer do cenário público, resíduos desse fundamento da sinceridade permaneceram visíveis na arte e na literatura, ainda que de maneira vaga e deficiente, mas esses vestígios também estão desaparecendo, e na cultura brasileira das últimas cinco décadas se tornaram TOTALMENTE INACESSÍVEIS. Daí à transformação da vida pública numa pantomima grotesca e deprimente, foi um passo bem curto. Todo mundo, hoje, neste país, anseia por honestidade, mas o que entendem por isso é em geral uma imagem estereotipada, uma cópia de terceira ou quarta mão que já perdeu toda referência ao modelo originário. Todo mundo clama por "transparência", mas com a voz de uma alma opaca. Lutar contra a degenerescência por meios degenerados é a coisa mais sem esperança que se pode conceber.
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O simples fato de que, durante as passeatas, um sujeito aproveitou para fazer propaganda do PSDB, que mantivera uma atitude de temerosa distância em relação ao movimento, já basta para torná-lo suspeito ou, na melhor das hipóteses, indigno de atenção.
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O escritor mais influente no Brasil não sou eu, não é o Paulo Coelho, não é o Antonio Gramsci, o Karl Marx ou o Frei Betto. É Dale Carnegie, o homem do "pensamento positivo". Nesta porra de país todo mundo que tem os meios de falar em público acredita que, se disser que tudo é cor-de-rosa, tudo vai ficar cor-de-rosa. Daí a conversa de que temos uma ordem democrática estável, de que as últimas eleições foram legítimas, de que o Foro de São Paulo não é perigo para ninguém, de que só o que falta à Deu Uma Rousseff é um pouco de habilidade política etc. etc.
O Foro de São Paulo é tão fraquinho, tão inofensivo, que nem o maior protesto popular de toda a nossa história bastou para tirá-lo do poder.
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Com sete por cento de aprovação, qualquer governante com um mínimo de vergonha na cara renunciaria. Mas não percam as esperanças, porque a Deu Uma Rousseff já mandou seus assessores pesquisarem no dicionário o que é a tal da "vergonha na cara".
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Um mal que tem de ser exterminado o quanto antes, nos meios intelectuais conservadores e liberais, é essa mania de querer parecer bonito, essa chiqueza de exibir currículos, de fazer pose de "padrão internacional". Se o que você tem a dizer é sério, diga logo e não encha o saco. Pose e afetação MATAM a vida intelectual no berço. Cada um quer parecer um senhor doutor, mas escreve como um ginasiano relapso. Quero ver a elegância do seu estilo, a grandeza das suas idéías, não as suas belezuras sociais, seu Zé-Mané.
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Neste país cada debatedor chega ao paroxismo da excitação sexual quando ouve o mediador ler o seu currículo. Só falta tocar punheta em baixo do pódio.

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