sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


TEXTO PUBLICADO EM O GLOBO A MAIS

Por mais igualdade no mercado de trabalho

O mercado de trabalho brasileiro, complexo como ele só, é capaz de provocar as mais diferentes sensações naqueles que tentam desvendar os seus mistérios. É bom olhar para a taxa média de desemprego, que caiu para 5,5% em 2012, e saber que se trata da mais baixa da história. Mostra que mesmo com a economia fraca, o mercado de trabalho é forte. Guerreiro. Resiste às intempéries. Ponto para ele.
Quando cria mais empregos com carteira assinada, como aconteceu em 2012, também merece os cumprimentos. O aumento do rendimento do trabalhador é outra notícia positiva. E por estar numa boa fase, vem chamando a atenção dos que estão do outro lado do Atlântico: atrai mão de obra de Portugal, da Espanha, que estão em crise e fechando as portas para trabalhadores com muita ou pouca qualificação.
Mas chega uma hora em que os números começam a mostrar distorções antigas, um passado que a gente gostaria que ficasse para trás mesmo. Desigualdades que puxam a corda do mercado de trabalho para o outro lado. Do lado do atraso que se quer superar.
Sabe quanto ganha, em média, uma mulher branca com 11 anos de estudo ou mais? Quase R$ 2,2 mil, segundo o IBGE. Uma negra, com a mesmíssima escolaridade, ganha 59% do rendimento recebido pela primeira. Por quê?
As mulheres continuam ganhando menos do que os homens: R$ 1.489,01 contra R$ 2.048,34. Outra distorção: os trabalhadores de cor preta ou parda ganhavam, em média, no ano passado, pouco mais da metade do rendimento recebido pelos de cor branca. Por quê?
A taxa de desemprego entre os jovens é sempre mais alta mesmo, geralmente de dois dígitos. É assim no Brasil, nos EUA e na zona do euro - como mostram os tristes dados da Espanha e da Grécia, onde um em cada dois jovens está sem trabalho.
Mas enquanto a taxa de desocupação média entre os jovens de 18 a 24 anos está em 12,4%, entre as mulheres com essa mesma faixa etária, sobe para 14,7%. A situação, no entanto, pode ainda piorar: entre as jovens pretas ou pardas (é assim que o IBGE denomina) da mesma idade, a desocupação pula para 17,3%, quase 5 pontos percentuais acima da taxa média - é a mais alta entre os números de desemprego levantados pelo IBGE.
Por que o mercado de trabalho trata de maneira desigual os trabalhadores? Por que discrimina? Está na hora de pensar sobre isso.
Que não fique na memória só o lado negativo, porque esse mercado de trabalho também é feito de superações. Mas que os números nos ajudem a refletir.

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