sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Os mísseis do homem mais sexy do mundo


O irresistível ditador norte-coreano Kim Jong-un
O PC chinês é um partido cinzento. Não pegou ou ignorou o sarcasmo do jornal satírico americano The Onion, que anunciou ao mundo a escolha do jovem ditador norte-coreano Kim Jong-un, 29 anos, como o “homem mais sexy do mundo” em 2012.
O site do jornal do partidão, Diário do Povo, mandou bala (atenção, metáfora irônica) com uma galeria de 55 fotos do garotão sexy, viril e virtuoso da Coreia do Norte, reproduzindo os dizeres do Onion de que “com este rosto redondo devastadoramente bonito, seu charme pueril e seu físico forte e resistente, este galã de Pyongyang torna realidade o sonho de toda mulher”.
Diário do Povo omitiu que outros vencedores na lista do Onion de homem mais sexy do mundo já foram Bashar Assad, Bernard Madoff e o “Unabomber” Ted Kaczynski. O site precisou asssinar o atestado de ridículo e na quarta-feira removeu a história. Mas todos nós devemos pegar a seriedade das ameaças do nada sexy regime norte-coreano. De acordo com revelações do jornal não satírico The Wall Street Journal, Pyongyang continua com o fornecimento ilegal de tecnologia de mísseis e armas para a Síria de Bashar Assad, sob a administração do garotão Kim Jong-un.
As revelações dissipam as esperanças de que haveria moderação das atividades de proliferação da ditadura norte-coreana. A divulgação destas más notícias acontece em meio aos temores de que o regime comunista esteja preparando o lançamento do seu segundo míssil de longo alcance desde que Kim Jong-un ascendeu ao poder no final de 2011.
A Coréia do Norte, que já tem a bomba atômica, é um dos melhores (e poucos) parceiros da Síria e contribuiu para o desenvolvimento do seu programa de armas químicas e de mísseis, mesmo com a intensificação da guerra civil. Inspetores das Nações Unidas acreditam que Pyongyang ajudava o regime sírio a construir secretamente o reator nuclear no leste do país, cujas instalações foram destruídas por jatos israelenses em 2007.
Falando em ditaduras com programas nucleares secretos, o Onion também enganou o Irã este ano, quando a agência “noticiosa” Fars reproduziu a história da publicação satírica americana sobre uma pesquisa concluindo que mais americanos da zona rural votariam em Mahmoud Ahmadinejad para presidente do que para Barack Obama. Mais tarde, a agência pediu desculpas por ter caído na cascata, mas insistiu que Ahmadinejad era mais popular do que Obama.
Estas ditaduras comunistas e teocráticas matam e as vezes nos matam de rir.
***
Espero que os leitores entendam, mas só posso dar a colher de chá para os editores do Diário do Povo. Sem eles, esta coluna não existiria.

Por Caio Blinder

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ELEIÇÕES ROUBADAS


Agora, depois das eleições, vem o grupo derrotado em Caetés falar em eleições roubadas. Entraram com uma acusação na justiça, afirmando que Armando e Gordo compraram votos. Parece piada de quem vinha ganhando eleições com votos de cabresto, e logo depois que perderam queriam fazer um concurso, coisa que se recusaram a fazer, ao arrepio da lei, por mais de quinze anos.
Ainda mais, antes das eleições, distribuíram fartamente materiais de construção,  cestas básicas, feiras mil, e ficaram devendo uma verdadeira fortuna a muitos comerciantes locais, também aliados políticos. Até as pedras sabem disso. Em outras palavras, montaram uma verdadeira rede de corrupção na cidade , que acho que já estava fora de controle, a agora, sem provas documentadas, querem acusar os vencedores, de corrupção eleitoral. Parece piada.
Roubada mesmo foi a eleição de meu pai há vinte anos atrás. Tanto roubaram na apuração, na época manual, como chegaram a trocar duas urnas “batizadas”. Seguinte: Meu velho pai, estava ganhando com uma média de dez votos por urna. No final, já estava na frente com mais de duzentos. Quando as duas urnas “batizadas” foram abertas, já no final da apuração, o então candidato “da luz”, milagrosamente, e contra todas as possibilidades estatísticas , passaria à frente, ganhando com mais de cem votos. Quem trocou as urnas? Um velho conhecido pecuarista e sua esposa, membros de famílias tradicionais na cidade de Capoeiras, e que se interessavam diretamente pela derrota do velho Rafael Brasil em Caetés, abrindo as portas do eleitorado da cidade para novas alianças eleitorais. Naquele tempo, jogavam contra o velho Rafael, ninguém menos do que o velho  Miguel Arraes, que tinha sido derrotado para governador em Caetés por mais de quinhentos votos pelo velho Rafael. Aliás, Caetés foi uma das poucas cidades do estado a dar a vitória a José Múcio naquelas eleições. Não coloco os nomes dos autores da façanha, por não ter provas documentais. Mas tenho testemunhas, que são as pessoas que os atores falaram. É isso aí. Este foi o segredo da vitória do “da luz” sobre Rafael Brasil. O caso eu conto como o caso foi, como diria o velho cronista, o comunista pernambucano Paulo Cavalcanti. Mesmo depois de vinte anos, a verdade pode vir à tona. Afinal, a mentira sempre tem pernas curtas, reza o ditado popular.   

Vídeo sobre cotas prega o confronto racial e de classes. Ou: Como estatais, potentados do capitalismo e igrejas cristãs financiam o ódio racial



Está no Youtube um vídeo detestável intitulado “Cotas. Essa conversa não é sobre você”. Trata-se, lamento dizer, de puro lixo racista. A linguagem apela ao confronto, à guerra racial e ao confronto de classe. E é mentiroso também porque omite um dado essencial da lei de cotas recentemente aprovada. O “outro” com o qual se confronta a atriz negra são os “queridos estudantes brancos, de classe média, que fazem cursinho pré-vestibular particular”. É preciso ver para crer. Num dado momento, somos apresentados a este texto:“(…) Quando você diz que, na verdade, os seus pais pagam o curso somente porque trabalham tanto ou porque você ganha uma bolsa pelas boas notas que tira, eu não me comovo. Não me comovo mesmo! O que me comove é que muitos outros pais trabalham muito mais do que os seus e recebem muito menos por isso”. Assistam. Volto em seguida.
Nem vou me ater à caricatura que se faz dos “brancos de classe média com iates” porque há um limite da boçalidade que nem a crítica alcança. O que o vídeo omite de essencial é que a política de cotas estabelece uma hierarquia entre os pobres e transforma indivíduos e suas competências em categorias. Quando se decide que vagas destinadas a alunos da escola pública serão distribuídas segundo o perfil racial dos respectivos estados, cada indivíduo se torna ou vítima ou beneficiário de uma percentagem pela qual não pode responder. Acho, e todos sabem, a política de cotas um erro em si. Mas há, então, esse erro dentro do erro, que faz com que pobres sejam preteridos em favor de pobres em razão da cor da pele. O que esse texto espantoso não responde é por que um branco pobre seria mais culpado pelas desigualdades que há no Brasil do que um preto pobre. Tudo bem! O Supremo também não respondeu…
Eu me interessei pelo vídeo e decidi fazer algumas pesquisas. Fiquei encantado quando a garota listou, entre o desdém e a caricatura, os hábitos de seus “adversários”: um “mundinho de carros, festas, boates, viagens, iates, tablets, smartophones e muitas outras coisas”… Descobri, dedicando algum tempo à questão, que esse “mundinho” é quem, de fato, patrocina essa peça de propaganda movida pelo ódio. Eu explico.
O vídeo é assinado pela “Rede Nacional da Juventude Negra” (Renajune). Termina com um agradecimento ao Instituto Cultural Steve Biko, que participou de sua feitura. Esse tal instituto recebeu, em 1999, o “Prêmio Nacional de Direitos Humanos”. Bom! Tem, entre seus financiadores, a Chesf (uma estatal), a Worldfund, a Fundação Kellogg, a CESE e o Instituto Nextel. A Nextel, a Kellogg e a Chesf dispensam apresentações. A Worldfund é uma ONG americana que reúne, entre seus 69 financiadores, os seguintes inimigos do capitalismo e do “consumo da classe média” nojenta: Avon Products, Inc; Coca-Cola; Credit Suisse; Fundación Televisa; McDonald’s; Motorola Foundation; Santander e UBS. A CESE se define como “Coordenadoria Ecumênica de Serviços” e é sustentada por organizações católicas e protestantes ditas “progressistas”.
Esta é, aliás, a realidade de boa parte das ONGs que querem mudar, desinteressadamente, o Brasil: trata-se de entidades fartamente financiadas por alguns potentados do capitalismo — embora seus militantes costumem ser anticapitalistas fanáticos, não é mesmo? Tente saber, por exemplo, quem garante o pão e o circo das milhares de ONGs que defendem a natureza… A multinacional Nextel, a propósito, vai começar a concorrer com as grandes da telefonia. Logo estará disputando o mercado dos smartphones também — para os brancos desprezíveis de classe média…
É claro que é possível ser favorável a cotas com bons argumentos, ainda que eu discorde da tese. É claro que se pode ser contra cotas falando um monte de bobagem. A escolha de uma posição não condiciona a qualidade do argumento. Acima, o que temos é a mais clara e insofismável expressão do ódio. Parece uma guerra por território. Não por acaso, as últimas palavras da garota são estas: “Agora é tudo nosso! Tudo nosso!”. O objetivo é levar aqueles que eles consideram “o outro lado” a cometer um erro retórico qualquer para que possam, então, gritar: “racismo!”.
Um vídeo em que brancos se referissem a negros em termos parecidos seria denunciado, e o YouTube o retiraria do ar.  E os responsáveis ainda seriam denunciados pelo Ministério Público Federal por racismo. Alguma dúvida a respeito?
Aos leitores, um pedido: serenidade nos comentários. À turma do barulho, um recado: eu não me assusto com correntes na Internet. Ao ódio, respondo com a razão. E não vou desistir de criticar empulhações como essa.

Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A COLUNA DU MURILO - LULLA E SUA AMANTE




COLUNA DU MURILO


MANCHETES QUE OS JORNAIS NÃO PODEM PUBLICAR!


O GLOBO: Amante de Lula faz tráfico de influência

FOLHA DE SP: Rapariga de Lula tinha passaporte diplomático

O ESTADÃO: Mulher que Lula come tinha caso com José Dirceu

O DIA: Marisa indaga Lula e ele diz que não comeu, só botou nas coxas

VALOR ECONÔMICO: A prostituta de Lula negociou contratos do Porto de Santos

ESTADO DE MINAS: Lula e Rose, trepam há mais de 10 anos

ZERO HORA: O sapo e a vagabunda: No amor e na corrupção!

PAULO HENRIQUE AMORIM: É mentira, é mentira, é mentira - Patrocínio Caixa Econômica Federal

CORRUPÇÃO E OPOSIÇÃO

Mal estamos saindo de escândalo do mensalão, agora aparece outro, de grandes dimensões, porque envolve gente graúda, e muitas, bem próximas do ex presidente Lula, que disse ter sido "apunhalado pelas costas". Aliás, como no mensalão. Depois o ex presidente insistiria na "tese" de que o mensalão nunca existiria, e tudo não passaria de armação de uma certa imprensa "golpista" em conluio com o judiciário.
Para obscurecer o julgamento do mensalão, o ex presidente fez de tudo. Ou quase tudo. Desde pressionar o procurador geral, até patrocinar um CPI, pra supostamente obscurecer o julgamento. Nada deu certo. Seus grandes aliados do PT como José Dirceu e Genoíno, foram condenados. O primeiro, mentor ideológico do PT, foi castigado a mais de dez anos e terá uma temporada em prisão fechada. O segundo vai pegar prisão semi aberta, e todos pagarão multas para tentar reparar, pelo menos em parte, os prejuízos causados. Mas, como se diz, somos nós que pagamos. É sempre bom lembrar que, se não houvesse o escândalo, Dirceu muito provavelmente seria o nosso presidente. Aí é que estaríamos completamente lascados, ainda mais do que estamos.
Agora, a bomba explode no colo do ex presidente. E as oposições, com exceção do grande Roberto Freire, e outros gatos pingados, quase se desculpa por fazer oposição. Todos tem medo da popularidade de Lula, e de certa forma de sua ira. Não tem homem mais no país? Noves fora uma grande minoria, todos tem medo do governo, e não querem bater de frente. Nem na ditadura, nos piores tempos, a oposição foi tão fraca. Também, o adesismo impera. Os piores cacarecos da história republicana estão, claro, com o governo. Sempre com o governo. Porém, são estes ratos, que, quando vêem a barca furar indelevelmente, são os primeiros a sair, e logo procurarem um porto mais seguro, sobretudo num futuro próximo governo. Por enquanto, a popularidade do ex, faz a "união". Desfeita a popularidade, tudo desaba e todos sairão correndo atrás do novo manda chuva de plantão. Nunca vamos mudar de fato? É o Brasil, de mãe preta e pai João.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Para o PT a história sempre se repete - MARCO ANTONIO VILLA


O GLOBO - 27/11

As denúncias ajudam a entender a lógica do partido: o controle do Estado é um instrumento para se perpetuar no poder



Uma nova operação da Polícia Federal atingiu o Partido dos Trabalhadores. Não é a primeira vez. Mesmo com todo o estardalhaço causado pelo julgamento do mensalão, parece que nada detém a ânsia de saquear o Erário. Agora, uma das acusadas é a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, que teria negociado pareceres técnicos fraudulentos. Os agentes da PF foram ao escritório chefiado por Rosemary para a devida busca e apreensão de documentos. Indignada, a funcionária não fez o que seria considerado plausível: entrar em contato com seu advogado. Não. Buscou algo superior: o sentenciado José Dirceu. Isto mesmo, leitor. E veja como o Brasil continua de ponta-cabeça. A funcionária petista ligou para Dirceu, com quem tinha trabalhado durante 12 anos, em busca de proteção. O amigo, que, como é sabido, está condenado a dez anos e dez meses de prisão, nada pode fazer. Em seguida, ela tentou falar com o ex-presidente Lula, de quem é amiga. Mas o antigo mandatário está fora do país. Restou Gilberto Carvalho, o onipresente para assuntos deste jaez, mas que também não pode ajudá-la. A sequência dos contatos e a naturalidade são indicativas de como os petistas pouco estão se importando com o clamor popular em defesa da moralização. Continuam se considerando acima do bem e do mal. E, principalmente, acima da lei.

Para piorar — e reafirmar o desprezo pela ética na política e na administração pública — o segundo homem na hierarquia da Advocacia Geral da União, José Weber Holanda, está sendo acusado de fazer parte deste grupo (a expressão correta, claro, deveria ser outra). Fica a impressão de que na administração petista tudo pode, que o governo está à venda.

Frente às denúncias, a presidente Dilma Rousseff vai agir da forma já sabida: exonera o acusado da função, diz que não admite malfeitos e nada vai apurar. Foi este o figurino nestes quase dois anos de governo. Isto explica a sucessão de escândalos. Se o procedimento tivesse sido o de apurar uma denúncia de corrupção, os casos não se sucederiam. Mas o governo sabe que conta com o tempo e o esquecimento. O leitor lembra da primeira denúncia de corrupção? Sabe se foi apurada? E o acusado foi processado? Alguém foi preso?

As últimas denúncias só reforçam o entendimento da lógica de poder do PT. O controle do Estado é um instrumento para se perpetuar no poder. Transformaram o exercício de uma função pública em meio de vida. Vimos no processo do mensalão como o sentenciado José Dirceu resolveu o problema de uma das suas ex-mulheres. Ela queria porque queria um apartamento maior (e quem não quer?). O então todo-poderoso ministro da Casa Civil transferiu o clamor para Marcos Valério, que, prontamente, atendeu a ordem do chefe. O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, em um dos seus votos, destacou este ponto, de como uma “sofisticada organização criminosa” resolvia também problemas pessoais dos seus membros. A história se repetiu: a senhora Rosemary queria fazer uma cirurgia. Resolveu, de acordo com a denúncia, recebendo um suborno. Queria fazer uma viagem em um cruzeiro. E fez. Como? Da mesma forma como realizou a cirurgia.

Nada indica que os detentores do poder vão mudar sua forma de agir. Farão de tudo para manter este estilo — vamos dizer — despojado de tratar a coisa pública. É como se o Estado brasileiro fosse propriedade partidária. E pobre daquele que se colocar no meio deste caminho nada luminoso. Será atacado, vilipendiado, caluniado.

Porém, não podem controlar tudo, todos os poderes da República. Ainda bem. Hoje, o maior obstáculo para a transformação completa da coisa pública em coisa petista é o Poder Judiciário. É sabido — e eu já escrevi sobre isso — que o Judiciário tem muitos problemas e defeitos. É verdade. Mas na quadra histórica que vivemos é o único poder que não é controlado plenamente pelo petismo. Daí o ódio manifestado diuturnamente pelos seus porta-vozes (e não faltam línguas de aluguel), como ainda é possível observar no julgamento do mensalão. A sucessão de derrotas — com as condenações dos réus petistas — deixou transtornados os petistas. Basta ler declarações racistas contra o ministro Joaquim Barbosa, as pressões para a nomeação de um novo ministro “companheiro” — na vaga aberta pela aposentadoria de Ayres Brito — ou simplesmente ter observado o descaso da presidente Dilma Rousseff quando da posse do novo presidente do STF.

O novo passo para sufocar o Judiciário é o projeto, com apoio do PT, que está tramitando na Câmara dos Deputados que retira do Ministério Público o poder investigativo. É uma evidente retaliação. Há uma relação direta entre o julgamento do mensalão, a brilhante denúncia apresentada pelo procurador Roberto Gurgel e a consequente condenação dos petistas e seus asseclas, e esta nova investida. É como se o Ministério Público tivesse cometido uma traição ao produzir provas que levaram a liderança petista de 2005 à cadeia.

Nada indica que o PT vai aceitar a prisão dos seus líderes, apesar do devido processo legal, do amplo direito de defesa, da transmissão de todas as sessões do julgamento pela televisão. Vai fazer de tudo para “melar o jogo”. Criar situações de desconforto político e até, se necessário, uma crise institucional. Suas principais lideranças nunca admitiram a existência de qualquer obstáculo às suas pretensões de exercer o poder sem qualquer prurido. A máxima petista é a de que o bom poder é aquele que é exercido sem qualquer limitação legal.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

“O Brasil continua sendo um país extremamente fechado”


  
Marcilio Marques Moreira
O fraco desempenho da economia brasileira tem sido alvo de extensos debates em torno da política econômica do governo e do Banco Central. As previsões do mercado reduzem as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em meio a um desempenho negativo da produção industrial no mês de setembro. Para falar sobre o assunto, o Instituto Millenium entrevistou o embaixador Marcílio Marques Moreira, ex-ministro da fazenda e presidente do Conselho Consultivo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO). Moreira lamenta a falta de investimentos no Brasil e critica a ausência de visão de longo prazo da sociedade como um todo, que na opinião dele, está demasiadamente preocupada com o consumo. A falta de infraestrutura também é lembrada: “Nossa indústria é competitiva em muitos setores, mas só até os portões das fábricas. Na rua há estradas esburacadas, mal sinalizadas e portos ineficientes.”
Instituto Millenium – Há um claro sinal de perda de dinamismo da economia brasileira. Alguns setores culpam a crise mundial, ao mesmo tempo em que outros países, também exportadores de commodities, crescem três vezes mais rápido que o Brasil. Por que isso acontece?
Marcílio Marques Moreira - O PIB potencial brasileiro caiu bastante nos últimos dois anos, e com ele caiu também o investimento. Além disso, outras medidas necessárias para o crescimento foram relegadas. O marco regulatório, por exemplo, está se mostrando extremamente frágil, não confiável e volúvel. Assim os investidores decidem não investir no Brasil, já que a incerteza para o empresário é o pior dos cenários.
Imil – Investimento e produtividade são dois fatores essenciais para o crescimento econômico. Como podemos aumentar o investimento no Brasil?
Moreira – É um problema difícil já que o governo tem incentivado muito mais o consumo que o investimento. A sociedade também parece preferir a onda do consumo, que está relacionada ao curto prazo. Longo prazo é investimento. Acho necessário que haja uma liderança para mostrar à sociedade as graves consequências da falta de investimento. Sem isso e sem produtividade não há crescimento que se sustente.
Imil – O consumo cresce em taxas elevadas ao mesmo tempo em que a indústria nacional se mantém quase estagnada…
Moreira – São políticas públicas equivocadas de aceleração de curto prazo e extremamente vulnerável, que logo volta à mediocridade. Qualquer possibilidade de fracasso econômico total ou abismo estão excluídos porque nós aprendemos a administrar crises. Por outro lado, não aprendemos a aproveitar oportunidades. Vamos resvalando para uma mediocridade, com crescimento baixo, contrariando a ideia de uma economia sólida, organizada de forma racional e estruturalmente moderna.
Imil – A produtividade do país depende de diversos fatores: progresso técnico, mão de obra qualificada, educação, e diversas outras medidas de longo prazo. As empresas poderiam aumentar a eficiência, mas a carga tributária ainda é um grande obstáculo para esse processo. Como o senhor vê a situação?
Moreira – A carga tributaria é um obstáculo e um ponto importantíssimo a ser debatido, mas estudos recentes mostram que a prioridade deve ser o investimento em infraestrutura. Nossa indústria é competitiva em muitos setores, mas só até os portões das fábricas. Na rua, há estradas esburacadas, mal sinalizadas, portos ineficientes etc. A infraestrutura brasileira é decadente.
Imil – A infraestrutura poderia aquecer os investimentos, no entanto, o Brasil hoje mal investe 2% do PIB em transportes…
Moreira - Esse número não é suficiente nem para uma manutenção adequada das redes de energia elétrica, ferrovias, aeroportos, quanto mais uma melhora na qualidade dos serviços prestados.
Imil – Por falar em transportes, como o senhor avalia o modelo de “privatização” dos aeroportos do governo Dilma?Moreira -Eu acho que é uma espécie de meio passo na direção certa, mas muito enfraquecido por certas preferências ou tabus ideológicos. Está claro para todo mundo que a Infraero é uma das empresas mais ineficientes que nós temos. Ela ficar responsável por metade do investimento nos aeroportos é algo berrante. Além disso, as qualificações para as concessões, tão importantes, foram medíocres. Inventou-se uma ideia de modicidade tarifária que não passa de ilusão. Se o empresário não tiver um retorno de seu investimento ele prefere não investir e Estado já provou não ter capacidade para investir. É preciso mobilizar poupanças nacionais ou estrangeiras, mas isso tem que ser feito de modo eficaz.
Imil – O senhor, em um evento recente na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), disse que um dos nossos desafios é aumentar a capacidade de indignação da população brasileira. “Nós temos uma economia muito fechada e uma satisfação geral das pessoas com essa situação”. Por qual motivo acredita que há essa apatia da sociedade brasileira? Como podemos mudar esse quadro?
Moreira – Parte da elite empresarial se acomoda com as demais facilidades, benesses e meias benesses do governo. Essa elite está mais interessada em uma proteção, que prejudica a competitividade e produção, do que realmente em um esforço para inovar. Falo de uma parte das elites. Já o grande grupo que está ascendendo à classe média não estava acostumado com uma série de comodidades que essa inclusão permitiu, mas que não trouxe consigo um esforço por educação e liderança ética. As pessoas precisam perceber que investimento precisa vir acompanhado de visão de futuro. Hoje em dia culpa-se muito a crise internacional por nossos problemas. Nós continuamos sendo um país extremamente fechado, com importações baixíssimas em relação ao PIB.
Imil – Para finalizar, gostaríamos de falar sobre a Petrobras. Porque o governo insiste na manipulação forte do mercado de combustíveis e como isso prejudica a eficiência da empresa e a economia brasileira como um todo?
Moreira – O governo tem medo que os preços tenham um impacto sobre a inflação imediata e acha que a maneira é controlar o preço da gasolina. Voltar ao controle de preços como fator de controle da inflação é uma prática condenada ao esquecimento. Além da distorção na alocação de recursos públicos e privados, o estabelecimento um teto no preço da gasolina criou um enorme problema para os produtores de etanol. Tem muita gente quebrando, tendo que se fundir para sobreviver… Nós importamos etanol e isso é um absurdo total. Estamos renegando uma importante fonte de energia renovável.

domingo, 25 de novembro de 2012

O mensalão e a economia - JOSEF BARAT


O Estado de S.Paulo - 24/11



Ao contrário do que ocorre nos países vizinhos, há no Brasil uma grande calma tectônica. O País todo está situado na região central da grande Placa Sul-americana e não tem contato territorial com nenhuma de suas bordas. Os pequenos sismos que surpreendem certas regiões ou são reflexos de eventos sísmicos ocorridos nas bordas da placa ou têm origem na acomodação de pequenos desequilíbrios no interior da parte mais externa da litosfera. Como tudo é tolerável e sem grandes consequências, os reequilíbrios deixam incólumes os elementos geológicos participantes.

A analogia com a política é inevitável: os reequilíbrios políticos em nossa história são muito similares, pois, do mesmo modo, não temos grandes convulsões sociais e políticas. Tradicionalmente, o jogo político decorre de lentas acomodações, sem grandes cataclismos. É verdade que houve o golpe que depôs Pedro II, a Revolução de 1930 e o movimento de 1964. Mas, comparando com o que houve na América espanhola, o Brasil é um exemplo de estabilidade e capacidade de mudanças por meio de negociações nas camadas mais subterrâneas. As mudanças e acomodações no longo prazo, embora lentas, são mais negociadas, ao contrário das turbulências e cataclismos da vizinhança.

Estamos, agora, em pleno processo (pouco percebido) de acomodação de placas tectônicas. A camada mais interior está se atritando com a mais externa, indicando mudanças. Sabe-se que o empresariado e o mundo dos negócios estiveram muito bem alinhados com o governo FHC - quando resolveram experimentar uma mudança - e deram-se muito bem com Lula, pois se sentiram seguros. Foram períodos em que, apesar de turbulências externas, o ambiente foi de estabilidade e confiança nas políticas macroeconômicas e na atuação do Banco Central. Além disso, houve redistribuição de renda, muito consumo e consequente estabilidade social. Com Lula, foi bom enquanto durou e eventuais ameaças às instituições, insegurança jurídica e intimidações ao ambiente de negócios foram contornadas. Se compararmos com a inconstância e turbulência das Repúblicas vizinhas, o Brasil avançou de forma lenta e segura.

Porém dois movimentos indicam um ponto de virada. Primeiro, o julgamento do mensalão, com o petismo acuado e mostrando que não é da sua natureza promover a negociação política sem o domínio das instituições. A oposição, por sua vez, está muito enfraquecida e em estado de torpor por suas disputas internas. Neste contexto e de forma pragmática, a camada interior - a das tradições institucionais, da segurança jurídica e do ambiente de negócios - movimenta-se em busca de nova acomodação. Isso significa que surgirão novas negociações e alianças, visando à estabilidade política e ao efetivo equilíbrio dos Poderes. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) viram com clareza e objetividade os riscos decorrentes da propagação da insegurança jurídica, se se menosprezasse o alerta de Celso de Mello de "altos dirigentes do Poder Executivo e de agremiações partidárias" terem "transformado a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de governo". Em suma, a mensagem do STF foi a de que há segurança institucional e jurídica no País.

O segundo movimento é o do conflito de interesses dos setores econômicos modernos e altamente competitivos com aqueles tradicionais. Os primeiros querem e precisam de maior inserção do Brasil no mundo globalizado (maior liberdade de comércio, fluxos de investimentos e protagonismo econômico, além de modernização e concessões nas infraestruturas). Querem, pois, segurança e maturidade institucional. Já os setores tradicionais acham que competitividade se ganha com medidas protecionistas e câmbio, quando se sabe que a conta do custo Brasil é nutrida por graves deficiências nas infraestruturas, carga tributária escorchante e níveis educacionais indigentes. É um conflito subterrâneo de bom tamanho, que poderá (ou não) movimentar as alianças políticas para um patamar mais elevado de credibilidade do País.

TÉCNICO DA SELEÇÃO


Um dos assuntos que mais interessam aos brasileiros, é o futebol. Somos uma nação de milhões de técnicos. 
Com a demissão de Mano Menezes, está aberto o debate sobre os possíveis candidatos a tão cobiçado cargo. Que pode ser a glória de alguns, bem como o caminho do fracasso para outros. Com exceção de Telê Santana, que não ganhou a copa, mas formou uma grande seleção que jogava para frente e bonito, quase todos os que perderam seguiram ao ostracismo. Vide Lazaroni, Dunga, Falcão, Leão e outros menos votados.
Levando-se em consideração, que a copa é um torneio curto, deve-se convocar os jogadores que estão em plena forma, não importando a idade. Para este tipo de torneio, acho melhor Felipão, embora o mesmo imponha um estilo de jogo, digamos, meio truculento. Porém outras "sumidades" esperam também serem agraciados, como Tite do Corínthians, ou mesmo Luxemburgo, que hoje dirige o Grêmio. Também está muito cotado Muricy Ramalho, hoje técnico do Santos.
Eu, como sou nordestino, indicaria o velho Givanildo Oliveira, um dos campeões de acesso de futebol nacional. E foi um dos melhores jogadores que  vi jogar. Era um volante de classe, que desarmava e davas passes milimétricos. Infelizmente jogava no Santa Cruz, e infernizava a turma do Sport a quem pertenço.  O Santa de Givanildo, Erb, Luciano e Ramón, que fazia picadinho do meu rubro-negro de coração. Depois, já no final de carreira, jogou no Sport, com àquela classe que lhe era característica.


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O desastre carcerário brasileiro - ROBERTO FREIRE

BRASIL ECONÔMICO - 23/11



Sai governo, entra governo, e a situação do sistema carcerário no Brasil é uma calamidade. Somente agora, depois de dez anos no poder, o PT descobriu que a desumanidade é a regra nas prisões do país. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chegou a dizer que preferia morrer a ser preso. Curiosamente, essa "descoberta" aconteceu só depois da condenação dos companheiros petistas a penas que os obrigarão a enfrentar cadeia em regime fechado.

Nosso sistema penal apenas reproduz violência e fornece novos recrutas para organizações mafiosas como o PCC, em São Paulo, o Comando Vermelho, no Rio, e outras Brasil afora. Precisamos reformar o sistema, mas o ministro da Justiça age como se não tivesse a ver com o problema. Este é mais um dos trejeitos do PT no poder: eximir-se de suas responsabilidades e criticar o próprio governo como se oposição fosse. Cardozo deveria fazer uma autocrítica e apresentar um plano eficiente para reverter a situação, mas na área da segurança pública, como em tantas outras, a inoperância é a marca registrada da gestão petista.

O sistema prisional afeta diretamente a questão da segurança por ser parte da cadeia do crime organizado, mas o governo Dilma investiu menos de 5% do dinheiro originalmente previsto para o setor. É necessário que mais presídios sejam construídos para diminuir a superlotação das unidades, pois tratar os presos com dignidade é o mínimo que o Estado deveria fazer com aqueles que estão sob sua custódia. Na Câmara, está em tramitação um projeto de lei de minha autoria, já aprovado pelas comissões de Desenvolvimento Urbano e de Segurança Pública, que prevê a transferência de recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) para os municípios que sediam presídios.

A área de segurança como um todo vem sofrendo com a incompetência petista. A União reduziu em 21,26% o investimento no setor em 2011, na comparação com 2010. Os gastos com informação e inteligência caíram 58,38%, enquanto os investimentos em defesa civil registraram queda de 66,05%. O recrudescimento da violência em São Paulo verificado nos últimos meses é um problema gravíssimo e precisa ser combatido de forma urgente e eficiente, mas ao contrário do governo federal, o Estado aumentou os gastos com inteligência em 2011 (36,8% na comparação com 2010) e em defesa civil (1,54%). Somente nos investimentos em ação policial, o aumento foi de 74,34%.

Outra grave questão envolve a execução das penas. Quando presidente do Conselho Nacional de Justiça(CNJ), o ministro Gilmar Mendes criou um mutirão que revelou o descalabro do sistema carcerário no país, que conta com milhares de presos mofando nas cadeias mesmo depois do cumprimento de suas penas. A alusão à precariedade do sistema carcerário também pode ser uma oportunidade para debatermos quais penas devem receber os infratores, como devem ser aplicadas e como ressocializar os condenados. Ao invés de bravatas, a sociedade clama por ações concretas e pelo cumprimento de antigas promessas. Até aqui, o governo federal utilizou essa grave questão da segurança pública como arma eleitoral. Já passou da hora de descer do palanque e trabalhar.

Reflexões na porta de cadeia - FERNANDO GABEIRA


O ESTADÃO - 23/11


O escritor Henry David Thoreau disse que todo cidadão deveria visitar uma cadeia para ter uma ideia do nível de civilização da sociedade em que vive. É um desejo contra a corrente: todos querem esquecer a cadeia, um espaço de dramas e tristeza, uma espécie de purgatório onde as almas cumprem a sua pena.

A reforma do sistema penitenciário sempre foi um tema da esquerda brasileira. Assim que terminou a ditadura militar, formamos comissão para entrar nas prisões e estimulamos os mutirões destinados a liberar os que já haviam cumprido sua pena. Brizola foi mais longe, autorizando a implosão do presídio da Ilha Grande. Pessoalmente, preferia que o presídio fosse restaurado, com múltiplos usos, e permanecesse como referência histórica. Hoje são escombros e só os mais velhos se lembram daquilo, assim como do próprio lazareto, um espaço cavernoso na ilha que no período colonial servia para prender estrangeiros indesejáveis, alguns em regime de quarentena.

O PT faz parte dessa história. Formada no momento em que houve um massacre em Franco da Rocha, a Comissão Teotônio Vilela visitou dezenas de presídios. Dela participavam importantes intelectuais do PT: Antonio Candido, Marilena Chauí e Hélio Pellegrino, entre outros.

A primeira Comissão de Direitos Humanos da Câmara foi inspirada pelo deputado mineiro Nilmário Miranda (PT). Depois dele, Marcos Rolim (PT-RS) organizou uma caravana nacional para denunciar as condições carcerárias. Recentemente, o deputado Domingos Dutra (PT-MA) fez de novo a peregrinação pelos presídios. Estivemos juntos em São Luís, onde alguns presos foram decapitados num motim.

Com esse passado, fiquei perplexo com a afirmação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de que preferia morrer a viver anos numa "prisão nossa". Foram dez anos de governo petista, com vários ex-prisioneiros em sua cúpula, a começar pela presidenta Dilma Rousseff. Será que o tempo passou assim de forma tão imperceptível para os que assumiram o poder em 2002?

Nossas palavras não corresponderam aos fatos, nossa piscina está cheia de ratos. Nos presídios, o governo petista foi apenas uma continuidade medíocre das forças que combatia.

As cadeias brasileiras ganharam visibilidade com a passagem por elas de intelectuais da esquerda. A própria Ilha Grande foi celebrizada por Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere, transformado em filme. Com a prisão dos opositores ao regime militar de 64, nova luz se fez sobre os presídios. Daí, no período de democratização, os inúmeros esforços para chamar a atenção sobre eles e a necessidade de humanizá-los e modernizá-los.

Com pena superior a dez anos, o destino de José Dirceu despertou em Cardozo e no ministro do Supremo Tribunal Dias Toffoli, uma nova reflexão sobre o Código Penal e os presídios. Não é o mesmo tipo de prisão de Graciliano, de Nise da Silveira ou mesmo dos opositores da ditadura militar. Os argumentos não são mais políticos nem se fala em investimentos e reformas em presídios. Toffoli lamentou que um diretora do Banco Rural fosse presa porque era uma bailarina e não representava perigo. Açougueiros ou motoristas de caminhão representam algum perigo? Sua tese indicava que a cadeia deveria ser reservada aos crimes de sangue.

Não se deve ser como a China, que fuzila corruptos. Mas daí a ter uma nova tolerância com a corrupção vai enorme distância. Não era a esquerda que afirmava que a corrupção, desviando recursos vitais para os mais pobres, os condena à morte mais rápida? É uma ironia que uma parte do universo político se interesse pelas penitenciárias porque José Dirceu foi condenado.

No mundo real - em que os delicados, como dizia o poeta, preferiam morrer -, incêndios de ônibus, assassinatos, rastros de fumaça, tudo parece vir dos presídios. Maus tratos e execuções sumárias são usados como pretexto para incendiar as ruas. Uma política real de direitos humanos tende a reduzir esses pretextos. Mas, ainda assim, há novos elementos que a experiência no campo dos direitos humanos me obriga a refletir. O primeiro é o silêncio com que o movimento recebe a morte de policiais. Continuamos vendo os direitos humanos ameaçados apenas pelo Estado, ignorado novas frentes de ameaça, como traficantes e milícias.

Outra ilusão, que os ingleses superaram: a de que os presos cessam de cometer crimes quando vão para a prisão. Eles criaram um setor destinado a prevenir, investigar e até punir os crimes dentro dos presídios. A situação carcerária é muito complicada nas cadeias superlotadas, mas também nas chamadas penitenciárias de segurança máxima, onde estão os presos mais perigosos.

O mensalão é uma gota nesse oceano que envolve 300 mil pessoas e suas famílias. Não se resolve a questão como na vida cotidiana. Roberto DaMatta diz que muitos brasileiros odeiam fila porque é um tratamento democrático. E às vezes dão um jeito de obter um tratamento especial.

As falas de Cardozo e Toffoli não me entristecem apenas porque ressaltam a ineficácia do governo na reforma dos presídios. Entristecem porque a esquerda, além de desprezar o discurso humanista na prática do poder, opta, em defesa própria, pela visão aristocrática que tanto combateu no século passado.

O problema dos presídios continua a existir, apesar de todas as abordagens escapistas. Por que não aproveitar o momento e encarar uma reforma?

É preciso aceitar a premissa de que a cadeia é para todos os condenados a ela. Isso dá novo sentido àquela frase de Thoreau. É bom conhecer a cadeia não só para testar o nível de civilização do País. Um dia, você mesmo, ou alguém muito próximo, pode passar alguns anos por lá.

Ainda sonho com a cadeia. Não com as paredes de concreto, sua atmosfera, mas como uma sensação abstrata de imobilidade. É apenas a metáfora da inércia diante de atitudes que precisam ser tomadas no cotidiano.

Os presídios no Brasil são da Idade Média, diz o ministro. E as nossas cabeças foram detidas quando? Em que cela ou calabouço elas adormecem até hoje?

CAETÉS: ABSURDOS NA EDUCAÇÃO


Durante a campanha eleitoral, muitas aulas deixaram de ser dadas no município, por causa dos movimentos políticos do partido governista. Nós da oposição denunciamos este descalabro, desde as eleições passadas. 
Professores, em sua maioria contratados, foram obrigados a fazerem militância dias antes das eleições, ameaçados de perderem os cargos. Eles eram praticamente obrigados a visitarem eleitores recalcitrantes, ou seja, aqueles que possivelmente votariam na oposição. Absurdos, devidamente denunciados a justiça e ao ministério público, sem que tenham sido tomadas as devidas providências. 
Depois das eleições, com a derrota do partido governista, com mais de vinte anos de poder coronelístico, digamos assim, as escolas foram literalmente abandonadas. A maioria dos paus de arara que transportam os estudantes deixaram de prestar o serviço, atingindo inclusive a escola estadual, cujos alunos dependem também deste rudimentar e ilegal meio de transporte. As aulas simplesmente acabaram, e o ano letivo vai acabar, logo no dia 30 de novembro.
As escolas estão abandonadas, e ladrões estão surrupiando o patrimônio público. Materiais didáticos, e até computadores estão sendo roubados. A situação está caótica, e ninguém toma providências. Um absurdo. Cadê a polícia e a justiça? Ademais, seria bom que os filhos dos funcionários públicos inclusive os juízes, fossem obrigados a estudarem em escolas públicas. Será que deixavam chegar a este descalabro? Na sua santa ignorância e ingenuidade, o povão acha que a escola é, além de pública , gratuita. Não é. É para com o dinheiro dos nossos impostos, e qualquer cidadão tem o direito constitucional, não só de reclamar mas sobretudo tem canais para denunciar os desmandos. É uma vergonha o abandono da cidade. Que este prefeito ausente pague pelos males que está ainda fazendo ao povo na justiça. Alô, justiça! Acordem! Cadê vocês, por que não defendem o povo como deveriam? Por que tanta omissão?

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A segurança e a força - DEMÉTRIO MAGNOLI




"Em todos os tempos os reis, e as pessoas dotadas de autoridade soberana, por causa de sua independência, vivem em constante rivalidade, e na situação e atitude dos gladiadores, com as armas assestadas, cada um de olhos fixos no outro." O intercâmbio assimétrico de projéteis entre Israel e o Hamas evidencia que a definição clássica das relações internacionais, exposta por Thomas Hobbes em 1651, não perdeu sua validade. A insegurança é o motor das operações militares israelenses na Faixa de Gaza. O Estado judeu, contudo, esqueceu-se há mais de uma década daquilo que, antes, sabia: a maximização do uso da força não conduz, necessariamente, à maximização da segurança.

Israel é filho dos pogroms, dos campos de extermínio, de Auschwitz. Desde o início, o Estado judeu confiou na força: a "nação em armas" da guerra de 1948 construiu as Forças Armadas letais da guerra de 1967 e, em seguida, um poderoso dispositivo de dissuasão nuclear. Entretanto, os dirigentes israelenses não perderam de vista o objetivo principal de inserir seu Estado na ordem regional. A cooperação estratégica com a Turquia, os tratados de paz com o Egito e a Jordânia, concluídos à custa de uma concessão territorial, e os Acordos de Oslo, de 1993, representaram a busca da segurança por meio da política. Isso, porém, ficou no passado. Desde a falência do processo de paz, intoxicados pela eficácia aparente das ações militares, os israelenses debilitam as fundações de segurança de seu próprio Estado.

O "assassinato seletivo" de Ahmed Jabari, o chefe militar do Hamas, evento deflagrador da crise em curso, reflete a incapacidade israelense de diagnosticar o fracasso de sua estratégia de desengajamento unilateral, que tomou o lugar da busca pela paz, e de eliminação do Hamas do tabuleiro diplomático. O cenário atual no Oriente Médio não se parece com o de 2008, quando Israel promoveu uma massiva operação de invasão de Gaza, mas não alcançou o objetivo de destruir politicamente o Hamas. Sob intensa pressão da opinião pública doméstica, a Turquia considera. a hipótese extrema de ruptura de relações com o Estado judeu. Uma exibição exagerada de força no território palestino poderia desestabilizar a monarquia jordaniana, já abalada pelas ondas de choque da Primavera Árabe, e dissolver o tecido esgarçado do tratado de paz com o Egito.

"Israel testa o pulso de nossa nação, testa o Egito, testa os árabes e os muçulmanos" para saber "se é capaz de ditar ordens, como no passado, ou se os líderes de hoje têm uma visão diferente". Na frase de Khaled Mashaal, o líder do Hamas, a palavra crucial é Egito. O Hamas nasceu de uma costela da Irmandade Muçulmana egípcia, mas alinhou-se à Síria e ao Irã. No início do ano, sob o impacto da sublevação na Síria, Mashaal transferiu-se de Damasco para o Cairo. O gesto representou um brusco realinhamento do partido islâmico palestino na direção do novo Egito, governado pela Irmandade Muçulmana. No segundo dia de bombardeios israelenses, o primeiro-ministro egípcio visitou Gaza, enquanto o presidente Mohamed Morsi tentava articular um cessar-fogo. Afrontar o Egito e a Turquia, aliados regionais dos EUA, é algo bastante diferente de confrontar iranianos e sírios. À primeira vista, Israel agiu sem examinar o dia seguinte à operação militar. Contudo as coisas são menos simples do que parecem.

Na hora do "assassinato seletivo" de Jabari, o ministro do Exterior israelense, Avigdor Lieberman, acenou com a hipótese de "derrubar" o governo da Autoridade Palestina na Cisjordânia caso Mahmoud Abbas obtenha na ONU o estatuto de Estado observador. Lieberman é um extremista, mesmo para os padrões do atual Gabinete de Israel, mas sua ameaça sinaliza uma inflexão estrutural do Estado judeu. O "desengajamento unilateral" de Gaza, promovido por Ariel Sharon em 2005, veiculava a ideia de que a paz poderia ser imposta por Israel, prescindindo de interlocutores e negociações. De lá para cá os israelenses radicalizaram ainda mais o pressuposto de Sharon, tratando de desmoralizar a liderança moderada de Abbas. Mashaal venceu: como produto das opções do Estado judeu, o Hamas converte-se no eixo principal da política palestina.

O carro em que se deslocava Jabari foi transformado numa bola de fogo dias depois da conclusão de uma trégua informal entre o Hamas e Israel, mediada pelo Egito e negociada pelo próprio Jabari. Três semanas antes, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciara a fusão do grupo parlamentar de seu partido, o Likud, com o do Yisrael Beytenu, o partido ultranacionalista de Lieberman, que apresentarão uma lista única de candidatos às eleições de janeiro. "Não mais lascas de partidos, caprichos que se coligam para um único mandato e depois se dissipam. Oferecemos uma verdadeira alternativa e uma oportunidade para os cidadão estabilizarem a liderança e o governo", explicou Lieberman, no tom celebratório de quem obteve um triunfo histórico.

De seu ponto de vista, o ministro do Exterior tem razão. A fusão da direita tradicional com a direita ultranacionalista representa, na prática, a ruptura do Likud com a visão de uma paz negociada e baseada em dois Estados. O projeto da nova direita unificada é traçar, unilateralmente, as fronteiras definitivas em Israel/Palestina e promover intercâmbios compulsórios de populações destinados a conferir "homogeneidade étnica" ao Estado judeu. A eliminação de Jabari, no momento em que se realizou, constituiu o passo inicial na estratégia comum de Netanyahu e Lieberman.

A utopia regressiva da "paz pela força" tem como pressuposto a negação da existência de interlocutores políticos, tanto entre os palestinos como no entorno árabe mais amplo. O isolamento regional de Israel e a maximização da insegurança em Israel/Palestina são os meios coerentemente selecionados para esse

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

TCE ordena suspender todos os concursos públicos municipais




Diante do grande número de prefeitos que resolveram realizar concurso público nos dois últimos meses de sua gestão, a presidente do Tribunal de Contas, conselheira Teresa Duere, decidiu enviar ofício-circular a todas as prefeituras de Pernambuco determinando a suspensão de todo e qualquer ato que resulte em despesa com pessoal, até 31 de dezembro deste ano.

A recomendação já havia sido aprovada na sessão do Pleno da última quarta-feira mas o texto do ofício somente foi aprovado na sessão de hoje (21) pela unanimidade do Conselho. O ofício circular tem a seguinte redação:

Recife, 21 de novembro de 2012.

Sr (a) Prefeito (a)

Diante da Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe ato que resulte em despesa com pessoal nos últimos 180 dias da gestão, decidiu o Pleno desta Corte, à unanimidade, na sessão ordinária realizada em 14/11/2012 determinar a todos os gestores municipais:

I) A não execução de concurso público;
II) A não contratação ou nomeação de novos servidores;
III) A não realização de qualquer ato que resulte em despesa com pessoal, para os novos gestores, até 31 de dezembro de 2012.

Atenciosamente

Conselheira Maria Teresa Caminha Duere
Presidente do Tribunal de Contas
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fonte: Blog Paranatama em Foco
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AGORA COMIGO: O que chama a atenção é que os prefeitos tiveram todo o mandato, mas somente agora, faltando poucos dias para entregar as prefeituras, correram para realizar concursos públicos. Alguns até tiveram a determinação do TCE para realizar a seleção, mas só vieram querer cumprir agora.
Fica a impressão que a intenção é dificultar a vida do futuro gestor municipal e/ou  garantir o emprego de alguns auxiliares da atual gestão.

Postado no blog de Ronaldo Cesar.

EDUCAÇÃO E INTERNET

A internet pode ser muito importante para a educação do país. Através das redes sociais, observamos que os estudantes e as comunidades de uma forma geral podem exercer mais eficientemente a cidadania, fiscalizando as escolas. Não só na parte física, mas sobretudo na pedagógica. 
Um dos grandes problemas da nossa claudicante educação é o simples cumprimento do horário pedagógico. Normalmente o tempo é , digamos, insuficiente, (4 horas por dia). Porém , mesmo assim quase nunca é cumprido. As aulas quase sempre começam com atraso, e as longas chamadas já tomam um belo tempo. Aliás, o professor está impedido de ensinar e sobretudo estudar pela pesada burocracia imposta pelos tecnocratas da educação. Que pedem números, geralmente positivos, e praticamente obrigam os professores a passarem de ano seus insubordinados e ignorantes alunos. Que geralmente chegam ao segundo grau quase inteiramente analfabetos. São os filhotes do construtivismo, implantado irresponsavelmente no país, com consequências desastrosas, por "educadores" tanto irresponsáveis como pretensiosos. As principais vítimas do "sistema" são evidentemente professores e alunos. Os primeiros, vitimas de muitas falhas na formação, e literalmente impedidos de progredir estudando mais, se aperfeiçoando. Os últimos, os verdadeiros clientes, são as principais vítimas, pois saem da escola em sua maioria, semi-analfabetos. Aliás, pesquisas recentes indicaram que 32% dos alunos universitários  são analfabetos funcionais. Ou seja, podem até ler um bilhete, mas não um texto científico.
Até as pedras sabem que a alfabetização fonética é a mais simples e eficiente. E que educação nunca combinou com desordem. É preciso impor a ordem nas escolas. Que o professor seja devidamente respeitado em todos os sentidos. Que a ordem e a hierarquia seja realmente respeitada por todos. Que os alunos baderneiros sejam devidamente punidos. Ademais, as melhores escolas avaliadas pelos órgãos governamentais são as tradicionais, o resto é conversa para boi dormir. Nas escolas públicas são as melhores as que são devidamente fiscalizadas pelas comunidades. Daí a importância da internet, e das chamadas redes sociais.
Porém, é preciso evitar exageros, claro. Os professores, por exemplo, não devem ser expostos ao ridículo, e quando questionados, devem ser devidamente avaliados pela escola e o sistema público de educação. E que estas avaliações sejam éticas e criteriosas. Todavia, o professor também deve ser permanentemente avaliado. Mas isso é outro assunto que abordarei em outro artigo. 
Porém, para começar, o governo, através dos meios de comunicação, deveria estimular a população a fiscalizar rigorosamente o horário pedagógico. Já seria um bom começo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

REFORMA POLÍTICA



Para começar , a propaganda eleitoral tinha que ser inteiramente revista. Na televisão, os partidos mais representativos, teriam o mesmo tempo. E sem marquetagens, tudo no mesmo cenário padrão do TRE. Uma das questões que se mantenham partidos de aluguel ou similares, é justamente a negociação do tempo na televisão. Dentre outras coisas, foi por isso que Lula abraçou Maluf, que antes tinha tentado negociar com Serra, para o mesmo parar de tentar repatriar o dinheiro roubado da família Maluf, dos cofres de São Paulo. Por tempo de televisão, negocia-se tudo. Secretarias, ministérios, propina, e tudo o que se possa imaginar. Propaganda na televisão, só o sujeito falando, e sem a construção de edições. Afinal, a alma da política é a palavra, e quem não tem nada a dizer, que fique no ostracismo político.
FINANCIAMENTO DE CAMPANHA
Deve ter limites. Não ao financiamento público, e deveria ser permitido doações via internet. Maior fiscalização no uso da chamada máquina pública. Incentivo para que as comarcas e o ministério público sejam os verdadeiros órgãos da cidadania nas cidades de pequeno porte, onde o  moderno clientelismo e coronelismo político predominam. Proibição de camisas, bonés, e outros “brindes”, assim como carros de som, que são o terror das cidades do interior.
VOTO FACULTATIVO
Deveria ser implantado. A cada eleição crescem os votos nulos e brancos e as simples abstenções. Deve votar quem quer, aliás é um contra-senso à noção de democracia,  obrigar o sujeito a votar. Ademais, poderia favorecer os candidatos mais sérios, com propostas mais consistentes, fazendo os eleitores a votar mais pelas convicções do que ser simplesmente corrompido. Ou seja, iria dificultar a compra de votos.
Sem a reforma eleitoral e política, ficaremos nesta situação, onde as eleições estão cada vez mais milionárias, afastando definitivamente setores representativos das classes médias da política, favorecendo a oligarquização da mesma, como estamos assistindo agora. Cidadãos como Marcos Freire, Jarbas Vasconcelos, Marcos Cunha, Roberto Freire, Gustavo Krause, Marco Maciel, Roberto Magalhães,  talvez nem seriam eleitos pelo atual sistema, aonde o dinheiro e a corrupção eleitoral abundam. Uma vergonha nacional, aliás é por essas e outras que reina atualmente a mediocridade nas duas casas do congresso. É muita gente ruim, causando um enorme desgaste na já desgastada , chamada por muitos, classe política do país. Um sistema que cada vez mais afasta os homens mais sérios da política, fazendo da mesma , cada vez mais, uma atividade de crápulas. E bota crápula nisso!
 TE CUIDA EDUARDO
Nessa troca de afagos para inglês ver, Dilma prepara uma maldade com Eduardo Campos, como vingança pela derrota no Recife, e pelo crescimento do PSB nas últimas eleições, e a pretensão de Eduardo em ser um político de destaque nacional. Vai arranjar um ministério para Ciro Gomes, o cachorro de guarda de Lula no PSB de Eduardo. Mui amiga. Para os petistas, aliado, só subordinado. Nada de querer ser ator principal. Só coadjuvante. Ciro Gomes é o homem escolhido para, dentro do partido, minar as pretensões de Eduardo. Todo mundo sabe a boca que tem. E ele se presta ao serviço direitinho. Não passa de o neo-fascista, fora de moda. Um cacareco político.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O FUTURO DO PT



Depois do mensalão, o PT procura se expandir e renovar seus quadros. De uma coisa sabemos. O PT com Lula é uma coisa, sem Lula é outra. Em outras palavras, o partido está umbilicalmente ligado ao populismo messiânico de seu principal líder.  Sobreviverá sem ele?
Se o governo Dilma desandar, pode dar oposição. Depende da oposição não ficar à reboque do discurso nacionalistóide petista, digamos assim. Tem que pender para o lado do liberalismo, afinal é que o Brasil precisa, apesar dos preconceitos ideológicos de muitos membros do PSDB. Também, a oposição precisa defender arduamente as reformas, sobretudo a do estado. Seria um discurso parecido com o de Collor, ainda muito atual. O dos aspectos negativos da excessiva estatização e contra a excessiva burocratização do estado. Afinal, o povo é que mais sofre com a pesada e absurda burocracia que oprime a população, desde o Brasil Colônia. O Brasil tem que acabar com esta praga no século XXI. Um dos fatores do tão propalado custo Brasil, está aí.  E colocar a necessidade de mudar radicalmente a educação no país, e mostrar os retrocessos visíveis neste setor, antes tão propagandeado pelos petistas como uma das suas principais prioridades. Seria preciso ter coragem de privatizar as universidades federais, e não só manter, mas incentivar centros de pesquisa, como por exemplo, a EMBRAPA. E investir maciçamente nos ensinos fundamental e médio. 
Em poucas palavras, precisamos de reformas. Muitas. Quem pensa que não, está mentindo. Já faz muito tempo que operamos a democratização política do país. Precisamos agora de um amplo aprimoramento institucional, visando não só o aprofundamento da democracia, mas sobretudo no incentivo ao capitalismo, ao que chamamos de desenvolvimento das forças produtivas, ainda muito atrasadas no país. Senão seremos meros empregados de coreanos e japoneses, num futuro próximo. Com esta gente do PT no poder, as reformas são pouco prováveis, a não ser por extrema necessidade, como é o caso das parcerias públicas e privadas, nas estradas. Mas em tudo o governo é lento, e a burocracia atrapalha tudo.
AS CORPORAÇÕES
Para que as reformas aconteçam, seria preciso uma verdadeira guerra contra as corporações. De professores, do primário ao nível universitário. Das polícias e do judiciário. Dos médicos e advogados. Dos sindicatos e confederações sindicais que vivem do governo. Até, pasmem, dos clubes de futebol. Ou seja, não precisamos de um simples político, mas de um estadista. O último que tivemos foi Fernando Henrique, que por motivos óbvios não conseguiu fazer boa parte das reformas. Enquanto isso o Brasil espera deitado em berço esplêndido como no hino nacional. Até quando?
Em outras palavras, o povo tem que saber dos efeitos deletérios da excessiva estatização. Enquanto isso, ficamos reféns de gente atrasada e reacionária politicamente, querendo aniquilar a oposição, e controlar a imprensa. Até quando? 

Felizes, mas muito pobrinhos - CLOVIS ROSSI




FOLHA DE SP - 18/11


"América Latina resiste à crise, mas está ainda a anos-luz dos atolados países europeus

CÁDIZ - Por mais que os países latino-americanos tenham se apresentado para a 22ª Cúpula Ibero-americana como os melhores alunos da classe, na comparação com os dois parceiros ibéricos, Espanha e Portugal, enfiados numa crise que parece não ter fim, o fato é que estão felizes, mas são ainda muito pobrinhos.

Mesmo em recessão, "o nível de bem estar [na Europa em geral] é muito maior".

Não só é maior como é mais justamente distribuído, até porque a América Latina "é a região mais desigual do mundo", como fez questão de ressaltar Alícia Bárcena, a secretária-executiva da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina, braço da ONU).

O que mais dói, para quem acompanha cúpulas internacionais há uns 30 anos, é ouvir uma frase como essa ano após ano.

Dói mais ainda quando se somam duas informações: 1) O Brasil, apesar de ser o país mais rico do subcontinente, é um dos mais desiguais; 2) A queda da desigualdade, no Brasil, diminuiu nos últimos 10 anos apenas entre salários, não entre o rendimento do capital e do trabalho, que é a mais obscena.

Desigualdade não é o único capítulo em que a América Latina, conjunturalmente feliz, precisa progredir -e muito.

A tributação, por exemplo, "é baixa para proporcionar serviços públicos de qualidade, que atendam à demanda social", como diz Ángel Gurria, secretário-geral da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), o clubão dos países desenvolvidos, do qual o Brasil só não é parte porque não quer.

Os impostos, na região, pularam de 14% para 19% do Produto Interno Bruto, entre 1990 e 2010, em grande medida pelo que ocorreu no Brasil. Ainda assim, é uma porcentagem baixa, se comparada aos 34% da média da OCDE.

Mas, atenção, aqui o Brasil não entra na foto geral: tanto ele como a Argentina arrecadam basicamente os 34% dos países ricos.

Pulemos para educação: 50% dos estudantes latino-americanos não alcançam os níveis mínimos de compreensão de leitura, nos testes internacionais, quando, no mundo rico, a porcentagem de fracassados é de 20%.

Passemos ao investimento em inovação e tecnologia: não supera nunca de 0,7% do PIB, quando na Coreia, por exemplo, é de 3%.

"Se não corrigirmos o rumo, seremos todos empregados dos coreanos", fulmina Gurria. Poderia ter acrescentado "ou dos chineses", que investem nessa área vital tanto quanto os coreanos.

Mais um dado: a América Latina está investindo 2% de seu PIB em infraestrutura, quando precisaria de 5%, ano a ano, até 2020, pelas contas de Gurria.

Nem preciso acrescentar que infraestrutura não é exatamente o forte do Brasil, por mais que se lancem PACs, Copas e Olimpíadas.

Para fechar: Alícia Bárcena lembra que a conexão de banda larga custa US$ 25 na América Latina, apenas US$ 5 na Europa e, na Coreia, US$ 0,05.

Moral da história: estamos rindo do quê?"


 

domingo, 18 de novembro de 2012

O TOM DA OPOSIÇÃO



Óbvio ululante, como diria Nélson Rodrigues. A oposição, paralisada desde o início da era lulista, ,parece que finalmente vai mudar de tom. Ou seja, não se submeter a pauta petista, ou supostamente petista, e defender o legado do governo Fernando Henrique, sobretudo nos aspectos, mais, digamos, relativos à liberalização da economia. Se nossos liberais, quase não enchem uma kombi, este papel deve ser do dito social-democrata, PSDB. Afinal, quem não tem cão, caça com gato. E o Brasil precisa urgentemente de desregulamentar a economia, diminuindo ou eliminando a burocracia, modernizando o judiciário, e diminuir drasticamente o enorme papel do estado na economia, que já beira os 60%. Para isso é preciso privatizar tudo om que precisa ser privatizado. Como o PSDB se auto intitula de social democrata, claro, eles não seriam assim tão radicais. Mas o país precisa urgentemente de mais uma boa dose de privatização, que aliás, o PT , mesmo a contragosto por questões ideológicas, dentre outros fatores, como a corrupção e o aparelhamento do estado, deve fazer. Em outras palavras, o PSDB deve abraçar, finalmente, o  legado de Fernando Henrique, que por questões meramente marqueteiras, digamos assim, foi no passado recente, negligenciado. Este pobre blogueiro sempre apontou este como o principal erro da oposição, desde a candidatura Alkmin, a de Serra, esta ainda mais desastrosa.
Enfim, o povo deve saber que a roubalheira no Brasil deve-se primordialmente ao gigantismo estatal, e ainda pior: Sem controle nenhum da sociedade civil. Agora, quando uma pequena parte da imprensa aponta as safadezas, é acusada de golpista. São uns verdadeiros cacarecos políticos estes do PT. Por essas e outras as oposições devem ser bem mais consistentes. Não custa nada uma pequena dose do radicalismo petista num passado recente. Veremos.

PROER ESPANHOL

A Espanha, atolada na mais profunda crise, acompanhando e Europa, vai fazer o seu proer. Na época em que foi feito aqui no Brasil por Fernando Henrique, os stalinistas do PT, bradavam nas ruas, que o governo estava dando dinheiro para banqueiro. A conta dos bancos privados ficou em torno de 29 bilhões. Já o saneamento dos bancos públicos, principalmente dos estaduais, custaria mais de 100. Deste prejuízo, ou rombo, os petistas não deram nem um pio. Hoje os petistas dizem que um dos bons exemplos do país foi o proer. Até parece que foi eles que fizeram . Um lembrete: Antes da Espanha, o Japão também fez o seu. Parabéns Pedro Malan.. Os melhores quadros do país ainda estão com o PSDB. Queiram ou não os carcomidos stalinistas do PT.

LADRÕES TRAVESTIDOS DE HERÓIS

Zé Dirceu, Genoíno e outros menos votados, querem se apresentar ao povo como heróis da resistência democrática. Quá, quá quá! Eram uns stalinistas, que queriam implantar aqui a ditadura do proletariado.  Democratas mesmo, temos muitos como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Roberto Freire, Marcos Freire, Jarbas Vasconcelos, Brizola, Miguel Arraes, Pedro Simon, dentre tantos outros. Stalinista, que pregava o terrorismo, não passam de santos do pau ôco. Agora querem posar de democratas. São corruptos e devem ir para a cadeia, o que seria muito pedagógico, que pela primeira vez , grandes tubarões da política fossem passar uns tempos atrás das grades.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Fugindo da cadeia



É meio vergonhoso para o PT, há dez anos no poder, que a situação desumana de nosso sistema penitenciário vire tema de debate somente agora que líderes petistas estão sendo condenados a penas que implicam necessariamente regime fechado.

Chega a ser patético que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no final das contas responsável pelo monitoramento das condições em que as penas são cumpridas, diga em público que preferiria morrer caso fosse condenado a muitos anos de prisão.

Dois anos no cargo, e o ministro só se mobiliza para colocar a situação das prisões brasileiras em discussão no momento em que companheiros seus de partido são condenados a sentir na própria pele as situações degradantes a que os presos comuns estão expostos há muitos e muitos anos, os dez últimos sob o comando do PT.

Também o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, apressou-se a anunciar que muito provavelmente o ex-presidente do PT José Genoino vai cumprir sua pena em prisão domiciliar por que não há vagas nos estabelecimentos penais apropriados para as penas em regime semi-aberto.

Para culminar, vem o ministro Dias Toffoli defender no plenário do Supremo Tribunal Federal, onde está em julgamento o processo do mensalão, que as condenações restritivas da liberdade sejam trocadas por penas alternativas e multas em dinheiro.

Tudo parece compor um quadro conspiratório para tentar evitar que os condenados pelo mensalão acabem indo para a cadeia, última barreira a ser superada para que a impunidade que vigora para crimes cometidos por poderosos e ricos deixe de ser a regra.

O ministro Dias Toffolli, para justificar sua tentativa de tirar da cadeia os petistas condenados, defendeu a tese de que eram meros assaltantes dos cofres públicos, sem objetivos políticos: “Os réus cometeram desvios com intuito financeiro, não atentaram contra a democracia, que é mais sólida que tudo isso! Era o vil metal. Que se pague com o vil metal”.

O ministro não tentou esconder seu intuito, discutir “a filosofia da punição daquele que comete um delito” neste julgamento, mas não teve respaldo do plenário. O ministro Luiz Fux chegou a lembrar que apenas o Congresso pode mudar o Código Penal, que no momento estipula penas restritivas de liberdade para o tipo de crime que está sendo julgado.

O ministro Gilmar Mendes, que quando foi presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) comandou um mutirão nacional para regularizar a situação de condenados em situação irregular nas cadeias depois de cumpridas as penas, lamentou que o ministro da Justiça tivesse falado só agora, “já que este tema é conhecido desde sempre e é muito sério”.

Ele não esqueceu a culpa da própria Justiça, que “não consegue julgar no tempo adequado estas questões”, mas ressaltou que “há uma grande responsabilidade de todos os governos se aí não há recursos para fazer presídios”.

O decano do Supremo, ministro Celso de Mello, foi objetivo sobre “a grande a responsabilidade do ministério da Justiça”, lembrando que um dos órgãos mais expressivos na estrutura penitenciária é o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ao qual cabe acompanhar as normas de execução penal em todo o território nacional, fiscalizar periodicamente o sistema prisional.

“O que temos visto no sistema prisional brasileiro é um depósito de presos, pessoas abandonadas à própria sorte por irresponsabilidade do poder público. É importante que o ministro tenha feito essa observação de maneira muito cândida, mas é preciso que o poder público exerça a parte executiva, sob pena de se frustrar a finalidade para a qual a pena foi concebida”, ressaltou Celso de Mello. 

Para ele, a prática da lei de execução penal “tornou-se um exercício irresponsável de ficção jurídica, uma vez que o Estado mantém-se desinteressado desta fase delicadíssima de implantação das sanções penais proclamadas pelo poder Judiciário”.

E lembrou que um artigo da lei de execução penal determina que a pena deve ser cumprida em um local com dormitório, aparelho sanitário e lavatório, salubridade do ambiente, área mínima de 6 metros quadrados. E o que se tem em realidade é um “inferno carcerário”, expressão usada por vários ministros.

Querer evitar a prisão de políticos poderosos e banqueiros pretextando a péssima situação de nosso sistema carcerário é debochar da opinião pública, menosprezar os que já estão vivendo essa situação degradante e não encarar um problema gravíssimo que exige política de governo em vez de uma esdrúxula campanha partidária.