domingo, 30 de setembro de 2012

CAETÉS: A ALEGRIA DO POVÃO

A eleição municipal é a essência da democracia. A pólis grega era a cidade-estado, onde, nos períodos democráticos, os cidadãos iam para a praça discutir todas as questões públicas. Daí surgiu a filosofia, pois os cidadãos politicamente ativos se esmeravam nas artes do falar. A palavra é a essência da política , e sobretudo da democracia, e deve refletir os anseios do povo. Mesmo no mundo moderno, a base da política é o município. Por essas e outras , não basta apelar para políticos de outras instâncias, como presidente e governador, para alterar, ou mesmo influenciar as eleições. É preciso discurso político, com propostas concretas para a população, enfocando os problemas locais. Afinal, o presidente da república não está vendo a falta de médicos,  ou mesmo de assistência social  e segurança pública de todos os municípios. Em outras palavras, os problemas locais, mais próximos dos cidadãos, é o que realmente vale. O resto é lorota.
O povo de Caetés está correndo efusivamente atrás das oposições, cujo discurso é de mudança. O povo está cansado do abandono, gerador de falta de perspectivas, num município dos mais pobres do estado. Onde o clientelismo político chegou às raias do absurdo, e a corrupção é franca e escandalosamente aberta. Um verdadeiro absurdo, um município governado por estranhos ausentes. Ademais, cidadão é quem mora na cidade, não importa a origem. Em Caetés está se formando um canhestro governo patriarcal, autoritário, excludente e essencialmente corrupto, como nunca dantes visto, mesmo para os padrões regionais. Um governo, à disposição de uma família, pois a oligarquia instalada nunca confiou nos seus pares, além dos de sangue. É a extrema privatização do público. Tardiamente, o povo reage. Antes tarde do que nunca, como reza o ditado popular.
Nos encontros de Armando 14, o que se vê, é um povo sofrido tentando fugir da opressão. Politizaram até as questões pessoais e sentimentais, pois pressionam as pessoas a não andarem com oposicionistas, o que nos ex países comunistas, eram considerados dissidentes. Democracia , afinal, não é governo de maioria, ou coisa que o valha mas o respeito ao dissenso, como diria a velha combatente socialista Rosa de Luxemburgo, lá pelo início do sangrento século XX. É o respeito ao contraditório, afinal. 
Vi o povo alegre nas ruas da cidade, muitos fantasiados, moças e moços alegremente dançando e tirando fotografias através de celulares, expressando democraticamente suas revoltas. Vi até uma jovem, com um bebê nos braços acompanhar a passeata.
Que começou com um pequeno grupo, depois foi chegando gente, até a casa de alguns milhares. Enquanto isso, o filho do patriarca, cidadão do Recife, candidato da oligarquia, falava nas perspectivas dos jovens da cidade para reciclar lixo, e aumentar a produção de mandioca agregando valor ao produto, com a fabricação de bolos. Tudo bem, tudo isso deve ser feito, mas e as outas coisas? O povo quer serviços e respeito ,ou seja isonomia, que é a base de um governo realmente democrático. Para trabalhar, ninguém deve chaleirar ninguém, deve ser por mérito. Só assim se melhoram os serviços públicos, ou seja o atendimento aos cidadãos nas suas mais básicas necessidades. Armando 14 está refletindo e captando este desejo de mudanças. Oxalá, a situação vai mudar. É a dinâmica da política e da vida, o novo contra o velho. Mesmo o velho travestido de novo, como bem o conhecemos. 

sábado, 29 de setembro de 2012

PESQUISA EM GARANHUNS


A pesquisa em Garanhuns, constatou o óbvio. A classe média , por ser minimamente escolarizada, não vota em Zé da Luz. Isto é uma vitória da democracia, e um alerta às elites da cidade. É necessário uma política de inclusão social , sobretudo com a atração de investimentos. É preciso revitalizar urgentemente a cultura do café integrando a produção ao turismo local, que não deve ficar restrito ao festival de inverno. Garanhuns não tem São João, nem tampouco carnaval. É preciso inventar um festival universitário para o verão atraindo a juventude para as delícias dos espotes radicais, incrementando o turismo rural. Concomitante ao turismo rural, convém revitalizar a bacia leiteira da região. Atrair mais universidades, e sobretudo escolas técnicas. Trazer investimentos produtivos. Só ações deste tipo poderiam gerar um grande movimento de inclusão social. Enquanto estes investimentos não aparecem , porque são questões de médio e longo prazos, é preciso investir pesado em educação, buscando sobretudo a eficiência. E dar melhor assistência aos miseráveis da cidade, melhorando a saúde, e com programas de alimentação popular, como propôs Silvino em seu programa de governo. E trabalhar para que a cidade politicamente se concentre em eleger pelo menos dois deputados, um estadual e outro federal. Basta de briguinhas paroquiais, tão comuns. Ou seja, é preciso mudar e muito a forma de fazer política. Quando me refiro às elites, não falo de uma forma pejorativa, tão comum nos dias de hoje. Mas na forma da Grécia clássica, como a união dos melhores. Pelo menos o "fenômeno" Zé da Luz pode servir de alerta. Ele juntou, mesmo involuntariamente,os melhores políticos da cidade, fato impensável no passado recente. E esta união pode ser o fator real de mudanças para a cidade. Saravá que tudo dê certo. O povo de Garanhuns merece. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O PT na hora do lobo



Fernando Gabeira, O Estado de S. Paulo

A Hora do Lobo é um filme de Ingmar Bergman. Os antigos a chamavam assim porque é a hora em que a maioria das pessoas morre... e a maioria nasce. Nessa hora os pesadelos nos invadem, como o fizeram com o personagem Johan Borg, interpretado por Max von Sydow.
Como projeto destinado a mudar a cultura política do País, o PT fracassou no início de 2003. Para mim, que desejava uma trajetória renovadora, o PT sobrevive como um fósforo frio. Entretanto, na realidade, é uma força indiscutível. Detém o poder central, ocupou a máquina do Estado, criou um razoável aparato de propaganda e parece que o dinheiro chove em sua horta com a regularidade das chuvas vespertinas na Floresta Amazônica.
Mas o PT está diante de um novo momento que poderia levá-lo a uma crise existencial, como o personagem de Bergman, atormentado pelos pesadelos. Pode também empurrá-lo mais ainda para o pragmatismo que cavou o abismo entre as propostas do passado e a realidade do presente.
O PT sempre usou duas táticas combinadas para enfrentar as denúncias de corrupção. A primeira é enfatizar seu objetivo: uma política social que distribui renda e reduz as grandes desigualdades nacionais. Diante dessa equação que enfatiza os fins e relativiza os meios, alguns quadros chegam a desprezar as críticas, atribuindo-as às obsessões da classe média, etiquetando-as como um comportamento da velha UDN, partido marcado pela oposição a Getúlio Vargas e pela proximidade com o golpe que derrubou João Goulart.
A segunda é criar uma versão corrigida para os fatos negativos, certo de que a opinião pública ficará perdida na guerra de versões. Esta tática é a que enfatiza o desprezo da política moderna pelas evidências, como se o confronto fosse uma guerra em que a verdade é vitimada por ambos os lados.
Acontece que essa fuga das evidências encontra seu teste máximo no julgamento do mensalão. O ministro Joaquim Barbosa apresenta as acusações com grande riqueza de detalhes. As teses corrigidas foram sendo atropeladas pelos fatos. Não era dinheiro público?
Ficou claro que sim, era dinheiro público circulando no mensalão. Ninguém comprou ninguém, eram apenas empréstimos entre aliados. Teses que se tornam risíveis diante da origem e do volume do dinheiro. O PT salvando o PP de José Janene, Pedro Correa e Pedro Henry da fúria dos credores?
O relatório de Joaquim Barbosa apresenta o mensalão como uma evidência reconhecida pela maioria do Supremo, dos órgãos de comunicação e dos brasileiros. Como ficará a tática do PT diante dessa realidade? Negar a evidência? É um tipo de reação que, mesmo em tempo de prosperidade econômica, não funciona quando os fatos são inequívocos.
Ao longo de minhas viagens observei que o mensalão não havia afetado as eleições municipais. Mas o processo está em curso. Algumas cidades já estão afetadas, como São Paulo e Curitiba. Nesta ocorre algo bastante irônico: o candidato Gustavo Fruet (PDT) é acusado de ter o apoio do PT e por isso perde votos. Fruet foi um dos deputados que investigaram o mensalão na CPI dos Correios.
A reação do PT diante da possível condenação de seus líderes vai ser decisiva. Encontrará forças para reconhecer seu erro, aceitar o julgamento do STF e iniciar um processo de autocrítica? Tudo indica que não. A teoria conspiratória domina suas declarações. O mensalão foi uma invenção da mídia golpista, dizem alguns. Na nota dos partidos aliados, que deviam ser chamados de partidos submissos, acusa-se uma manobra da oposição, como se tudo isso tivesse sido construído por ela, que descansa em berço esplêndido.
Numa entrevista raivosa, um dos réus, Paulo Rocha (PT-PA), alega que as denúncias do mensalão ocorrem porque Lula abriu o mercado brasileiro aos países árabes. A tese conspiratória é tão clássica que os judeus não poderiam ser esquecidos.
O ex-presidente Lula parece viver realmente a hora do lobo. Percorre o Brasil atacando adversários e diz que, tal como venceu o câncer, vai derrotar os candidatos de oposição. Se o ressentimento e o rancor brotam com tanta facilidade dos lábios do líder máximo, o que esperar do exército virtual de combatentes pagos para atirar pedras?
Este é um momento crítico na história do PT. Deve contestar estas evidências com a mesma eloquência com que contestou outras. Mas as de agora são transmitidas ao vivo, foram submetidas ao exame de ministros do Supremo, estão coalhadas de fatos, depoimentos, provas.
Ao contestar as evidências o PT não inventa um caminho. Paulo Maluf foi acusado durante anos de desviar dinheiro para o exterior e sempre negou. A condenação e a eventual prisão de líderes não afastam o PT do poder, mas transformam o encontro nos jardins da casa de Maluf em algo mais que uma simples oportunidade fotográfica. O PT não só verteu milhões para os caixas do partido Maluf, como aceitará a tática malufista de negar as evidências, mesmo quando são esmagadoras.
Em defesa de Maluf pode-se dizer que ele nunca prometeu a renovação ética da política brasileira. Usa apenas um mesmo e fiel assessor de imprensa para rebater críticas nos espaços de cartas de leitores. Descendente de árabes, Maluf jamais, ao que me consta, culpou uma conspiração sionista por sua desgraça. Sempre foi o Maluf apenas, sem maiores mistificações.
Montado numa máquina publicitária, apoiado por uma miríade de intelectuais, orientado por competentes marqueteiros, o PT viverá em escala partidária a aventura individual de Maluf: negar as evidências. Até o momento nada indica que assumirá a realidade. Seu caminho deve ser negar, negar, como o marido infiel nas peças de Nelson Rodrigues - por sinal, o inventor da expressão "óbvio ululante".
O mensalão não é um cadáver no armário, invenção de opositores ou da imprensa. Nasceu, cresceu e implodiu nas entranhas do governo. É difícil sentar-se em cima dos fatos. Ele são como uma baioneta: espetam.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CORRUPÇÃO EM CAETÉS

A corrupção eleitoral em Caetés sempre foi uma marca registrada da oligarquia dominante da cidade. Funcionários e assessores políticos da prefeitura são devidamente escalados para a prática. Distribuição de dinheiro, promessas de emprego, materiais de construção, e até máquinas para cavar barreiros, como consta na denúncia das oposições enviada  à justiça esta semana. Ainda mais com a utilização dos transportes de estudantes para manifestações políticas, com a supressão do calendário escolar visando a liberalização dos alunos para manifestações políticas. Em outras palavras, em tempo de eleições, quase não tem aula, sobretudo no turno noturno. Isto já tem se tornado prática comum, e a justiça nada faz, como sempre. Nas eleições passadas, eu mesmo fiz uma denúncia, porque naquela época os alunos ficaram praticamente quinze dias sem aulas, enquanto os paus de arara que servem de transporte escolar iam e vinham transportando eleitores e alunos, sem a menor cerimônia. Muitos desses caminhões exibem adesivos de campanha enquanto prestam serviços. 

PRESSÃO AOS FUNCIONÁRIOS CONTRATADOS

Como os funcionários contratados não tem estabilidade, são pressionados para votar de todo o jeito no candidato governista. Recentemente, o ônibus que presta serviço à prefeitura para levar estudantes à Arcoverde, deixou os mesmos na mão para transportar funcionários contratados para assistirem uma "palestra" com o candidato da oligarquia. Quem, não fosse estaria sumariamente demitido. Tiveram que aplaudir o candidato, que , dizem , prometeu efetivar todos na prefeitura. Para isso teria que mudar a Constituição, extinguindo o concurso público. Aliás, é sob o arrepio da lei que esta oligarquia, há mais de quinze anos não faz concurso na prefeitura. Neste sentido, Caetés vive LITERALMENTE, como nos tempos do coronelismo mais rudimentar. Apesar das inúmeras denúncias que nós da oposição já fizemos, A JUSTIÇA NADA FAZ, mantendo a opressão política corriqueira que já dura duas décadas. Neste sentido, vivemos ainda no século XIX, com a predominância do poder dos coronéis e a subserviência dos demais poderes, sobretudo o judiciário. Uma vergonha.

 


Dilma e a ética pública - MERVAL PEREIRA



A manobra da presidente Dilma para esvaziar a Comissão de Ética Pública, que acabou gerando a demissão de seu presidente, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence, mostra bem sua maneira de agir quando desagradada.

Depois de quase três meses sem se reunir, pois só contava com dois dos sete conselheiros, sem o quorum mínimo, portanto, de quatro membros para a realização de sessões, a comissão entrou em uma crise quando a presidente decidiu, afinal, preencher suas vagas. O não preenchimento das vagas passou uma mensagem clara do Palácio do Planalto: a comissão passara a ser um estorvo para o governo, que não tinha interesse em pô-la em funcionamento. Só depois que a imprensa chamou a atenção para a extinção branca da comissão, a presidente viu-se na obrigação de preencher as vagas no número mínimo para recolocá-la em condições de funcionamento.

Cinco mandatos se encerraram nos meses de junho e julho, e poderia haver reconduções para novos mandatos em dois casos, os dos conselheiros Marília Muricy e Fábio Coutinho. Nos outros três, a presidente da República teria, necessariamente, que nomear brasileiros sem passagem anterior pela CEP, pois já estavam em seu segundo mandato, como sempre foi praxe na comissão. Pois ela nomeou três novos conselheiros e não reconduziu os dois únicos que poderiam permanecer, justamente aqueles que haviam sido indicados por Pertence.

Mas não foi isso que os fez cair em desgraça junto ao Palácio do Planalto, e sim suas atuações em dois episódios envolvendo ministros do governo Dilma. Ambos atuaram na análise de denúncias contra o então ministro do Trabalho, Carlos Lupi, recomendando sua demissão após denúncia de que seu partido, o PDT, cobrava comissões de ONGs que tinham convênios com o Ministério do Trabalho.

A presidente Dilma, que parecia estar em meio a uma operação de faxina em seu Ministério para livrá-lo de corruptos, não gostou da orientação da comissão, pois seu plano era fazer a substituição sem romper politicamente com o PDT. Na ocasião, ela se disse desagradada por ter sabido através dos jornalistas da recomendação da comissão.

Não custa lembrar que o mesmo Lupi já tivera um enfrentamento com a mesma comissão - o que não é de estranhar - no governo Lula, quando o ex-ministro Marcílio Marques Moreira a chefiava. A comissão exigiu que Lupi deixasse a presidência do PDT enquanto exercesse o cargo de ministro do Trabalho, e ele durante meses resistiu à recomendação. Ao final de uma crise política tensa, a comissão exigiu a demissão de Lupi, obrigando-o a abrir mão da presidência formal do partido.

Os dois conselheiros que não foram reconduzidos aos seus cargos haviam também tomado parte da decisão de cobrar mais explicações sobre as palestras do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, sendo que Fábio Coutinho fora o relator do caso. Muito ligado à presidente, Pimentel ficou em situação constrangedora no ministério, o que irritou a presidente, que não pretendia abrir mão de sua colaboração.

A "punição" sofrida pelos dois conselheiros demonstra que o Planalto, sob a gestão de Dilma, não admite ser confrontado por uma Comissão de Ética Pública que se considere independente.

Para não fugir ao hábito de difamar os adversários, ou os que passa a considerar como adversários, o Palácio do Planalto deixou "vazar" informações de que os motivos de desagrado de Sepúlveda Pertence seriam outros, bem menos nobres.

O ex-ministro do Supremo estaria desgostoso porque seu filho fora preterido, tanto por Lula quanto por Dilma, na escolha para ministro do Tribunal Superior Eleitoral. A posição republicana de Sepúlveda passaria a ter, nessa versão palaciana, motivação vulgar: reivindicação nepotista não atendida. O ex-ministro do STF portou-se de maneira elegante ao pedir demissão, sem explicitar as razões mais profundas que o levaram a sair, dizendo apenas que o fazia em solidariedade aos conselheiros não reconduzidos. Mas Sepúlveda admitiu que a tarefa de "impor limites éticos" ao governo é necessária, mas difícil.

A posição da presidente Dilma, ao contrário, acende uma luz amarela em relação à sua disposição de abrir o governo ao contraditório, na busca de um aprimoramento ético. Justamente o contrário daquela imagem de "faxineira ética" do início do governo.

Discurso insano sobre o Oriente Médio – Dilma diz uma monumental tolice sobre a suposta “islamofobia” e sobre Israel


No post anterior, está a íntegra do discurso de Dilma Rousseff na ONU. Infelizmente, há várias mistificações e imprecisões no que concerne à realidade interna do Brasil, à nossa história recente. Sem pejo, diria até “sem pudor”, Dilma alardeou para o mundo, na hipótese de que o mundo tenha dado alguma bola, algumas inverdades que servem apenas à guerrilha eleitoral em solo pátrio. Como diria Padre Vieira, “pelo costume, quase se não sente”. A identidade do PT está a permanente reinvenção da história. O partido roubou para si, como se sabe, até a estabilidade econômica. Havendo tempo, comento esses aspectos menores.

Mas é quando trata do cenário internacional que a presidente Dilma mergulha no erro, no equívoco, na tacanhice terceiro-mundista, na retórica a um só tempo grandiloquente e mesquinha, que define a política megalonanica do Brasil. Seja em relação ao Oriente Médio, seja em relação à América Latina, ouvimos parvoíces monumentais. Destaco o trecho em que a indigência intelectual da política externa brasileira se revela de maneira mais cabal. Segue em vermelho. Destrincho em seguida o seu sentido.
Ainda como presidenta de um país no qual vivem milhares e milhares de brasileiros de confissão islâmica, registro neste plenário nosso mais veemente repúdio à escalada de preconceito islamofóbico em países ocidentais. O Brasil é um dos protagonistas da iniciativa generosa “Aliança de Civilizações”, convocada originalmente pelo governo turco.
Com a mesma veemência, senhor Presidente, repudiamos também os atos de terrorismo que vitimaram diplomatas americanos na Líbia.
Senhor Presidente,
Ainda com os olhos postos no Oriente Médio, onde residem alguns dos mais importantes desafios à paz e à segurança internacional, quero deter-me mais uma vez na questão israelo– palestina.
Reitero minha fala de 2011, quando expressei o apoio do governo brasileiro ao reconhecimento do Estado Palestino como membro pleno das Nações Unidas. Acrescentei, e repito agora, que apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política regional.
VolteiA suposta “islamofobia” é só uma das teses — uma farsa estupenda! — que têm sido brandidas Oriente Médio afora pelo extremismo islâmico e, nos países ocidentais, pelas esquerdas. Caso se pedissem as provas e as evidências do preconceito de que seriam alvos as comunidades islâmicas nas democracias ocidentais, não se encontrariam uma só manifestação, um só evento, um só dado. Nem mesmo existe aquele fato que só serve para provar que a ocorrência fortuita não implica uma prática corriqueira.
Ao contrário: assiste-se, isto sim, é a uma escalada do fundamentalismo islâmico em vários países do Oriente Médio. Lideranças religiosas têm usado pretextos vários para inflamar as populações de seus respectivos países contra o Ocidente. O tal filme amador e as charges são motivos verossímeis e falsos a justificar a violência, que tem resultado em mortes.
Ao falar em “islamofobia” no Ocidente, dona Dilma Rousseff endossa, querendo ou não, entrevista concedida ontem por Mahamoud Arhmadinejad, presidente do Irã. Dá a impressão de que o tal filme integra ações organizadas e deliberadas para demonizar os muçulmanos. Errado! A única chance que os seguidores do Islã têm de conhecer o moderno estado de direito, na plena vigência dos direitos humanos, diga-se, é morar em Israel ou em qualquer uma das chamadas democracias ocidentais. “Nem a Turquia você inclui na lista, Reinaldo?” Nem a Turquia! Não há liberdade de crítica religiosa no país. Para mim, basta para descaracterizar uma democracia plena. E eu falei de democracia plena!
As democracias ocidentais, onde estaria em curso práticas islamofóbicas — o que é falso — garantem aos seguidores do Profeta direitos plenos — coisa que os seguidores do Profeta jamais sonharam em garantir aos seguidores de outras religiões em seus respectivos países; aliás, essas garantias não são dadas nem mesmo a seus próprios povos, reitero.
Trapaça intelectualEm seguida, Dilma opta pela escancarada trapaça intelectual. Ao tratar da questão israelo-palestina, mergulha definitivamente no absurdo. Em primeiro lugar, ao associar o transe que vivem as sociedades islâmicas com esse conflito em particular, sugere ser ele o fato gerador de todo o resto, como se, por hipótese, solucionado o embate e definido, então, o estado palestino, o resto se resolvesse.
Essa é uma das maiores e mais impressionantes farsas que se inventaram sobre os dramas do Oriente Médio. Mas notem que não é uma ilação inocente. O que se está a afirmar, por vias tortas, é que, sem a existência de Israel na região, tudo estaria no lugar certo. Não é outro o pensamento de… Mahmoud Ahmadinejad. Dilma e o Itamaraty fingem ignorar que uma das batalhas que se travam no Oriente Médio — apenas uma! — é pela hegemonia militar da região. Boa parte dos mortos do Oriente Médio não têm qualquer relação com o Ocidente ou com o conflito israelo-palestino. Trata-se de governos sunitas tentando conter o imperialismo… persa! É isto mesmo: trata-se de governos sunitas tentando conter o expansionismo iraniano.
“Não force a mão, Reinaldo! Não se trata de um discurso anti-Israel!” Não??? Quando Dilma defende que se reconheça “o Estado Palestino como membro pleno das Nações Unidas”, cumpre perguntar: que estado palestino??? Ele já foi proclamado à revelia de Israel??? Com quem este país deve negociar? Com o Hamas, que pede a sua destruição e brinda-o diariamente com foguetes e, volte e meia, com atentados terroristas, ou com o Fatah?
Nesse momento, infelizmente, a chefe de estado brasileira flerta com o terrorismo. Houvesse alguma dúvida a respeito, ela se desfaz em seguida. Releiam isto:“Acrescentei, e repito agora, que apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política regional.”Eis aí: o direito de Israel viver em paz e segurança, pois, está atrelado à existência do estado palestino; sem ele, o país perderia aquele direito. Como as palavras fazem sentido, o discurso da presidente brasileira justifica os atos terroristas.
Tal discurso é feito um dia depois de o Brasil ter afirmado que pretende retomar o seu aloprado “plano de paz” para o Irã e dois dias depois de Ahmadinejad ter pregado de novo o fim de Israel.
Não foi a única tolice dita sobre o Oriente Médio, não. Há outras. Mas paro este post por aqui. Escreverei outros,  é claro!
Por Reinaldo Azevedo

domingo, 23 de setembro de 2012

ARMANDO AVANÇA EM CAETÉS



São significativas as adesões que Armando vem recebendo, engrossando o número de aficionados à candidatura das oposições na cidade. O povo está compreendendo a mensagem de mudança do candidato, e sobretudo a juventude está entusiasmada com o crescimento da candidatura e a real possibilidade de mudanças no município que está há anos abandonado , e é dominado há cerca de vinte anos pela família Sampaio, que "governa" a cidade à distância, se considerando os verdadeiros "donos" do município. Que está paralisado há muito ,porque serve sobretudo para financiar as campanhas do patriarca, o senhor Zé da Luz, que com o dinheiro subtraído da cidade, faz uma política baseada na compra de votos na periferia da cidade de Garanhuns, pagando contas de luz e botijões de gás, dentre outras coisas. além de dinheiro vivo. Se perder em Caetés. este atrasado politico estará aposentado, pois perderá sua principal fonte de financiamento. Creio que em Garanhuns está perdido, pois a maioria da classe média não vota nele, simplesmente porque é mais escolarizada, e, digamos mais vacinada contra o veneno do populismo e clientelismo dos mais abjetos. Caetés não só se libertará. Libertará também Garanhuns de ser molestada por este tipo de política, que se constitui no maior retrocesso político da cidade nos últimos cinquenta anos, para dizer o mínimo. 

Lula medroso – Apedeuta está em silêncio e inventa teorias da conspiração porque está com medinho de Marcos Valério


23/09/2012
 às 6:07


Lula está com medo. E seu pavor tem nome: Marcos Valério. Na semana passada, reportagem da VEJA revelou o que o publicitário anda a dizer a seus interlocutores: o verdadeiro chefe do mensalão era o Apedeuta. O petismo entrou em parafuso e saiu a gritar: “Golpe!”. Mas “golpe” contra quem, cara-pálida?
O PT convocou seus reacionários para guerra, mas não revelou exatamente contra o quê. Lula não desmentiu Valério,  resolveu não confrontá-lo, evitou desqualificar quem o acusava. E sabe muito bem por quê.  Leia trecho de reportagem de Daniel Pereira e Rodrigo Rangel na VEJA desta semana.
(…)
A revelação dessas conversas por VEJA desnorteou o PT. Lula, um notório entusiasta do debate em público preferiu o silêncio ao ser confrontado com as novas informações. Não rechaçou o que Valério contou nem tentou desqualificá-lo. Dirceu e Delúbio seguiram o chefe. Não foi à toa. Segundo aliados, Lula não quer desafiar Valério, que não teria mais nada a perder. Além disso, teme que o empresário revele mais detalhes se provocado. Rebatê-lo agora, sem saber do arsenal à disposição de Valério, seria uma estratégia de altíssimo risco. A palavra de ordem é não comprar briga com o pivô financeiro do mensalão. Contra-ataques, só em cima dos alvos de sempre, aqueles aos quais os petistas recorrem, como uma conveniente muleta, toda vez que são pilhados em irregularidades.
Essa estratégia foi seguida à risca. Na segunda-feira, o PT divulgou uma nota conclamando a militância para “uma batalha do tamanho do Brasil” — no caso, a defesa do partido e do ex-presidente. O texto não faz menção às confissões de Valério. Ou seja: não explica do que Lula deve ser defendido. Na quinta-feira, outra nota foi publicada. Ela retoma a tese de que o mensalão e seus desdobramentos não passam de uma conspiração urdida pela oposição e por setores da imprensa para tirar o PT do comando do país por meio de um golpe. Esse golpe seria alimentado com a divulgação de denúncias sem provas. Quais denúncias? A redação petista não teve coragem, de novo, de citar as confissões de Valério, providencialmente esquecido. Fala de uma “fantasiosa matéria veiculada pela Revista Veja”. Fantasiosa, por ora, só a nota do PT. Ela foi elaborada pelo presidente da sigla, Rui Falcão. Em seguida, ele ligou para os presidentes de cinco partidos e pediu-lhes que subscrevessem o texto. Não se tratou de uma solidariedade espontânea. Muito pelo contrário.
(…)
Leia íntegra da reportagem na edição impressa.
Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

ACORDO EM GARANHUNS



O acordo de Garanhuns, entre Silvino e Izaías, seguiu a lógica. Melhor perder os anéis do que os dedos. Ambos tem poucas diferenças, digamos ideológicas. Como aliás ,  Jarbas, Armando Monteiro e Eduardo Campos, que  devem ter fechado o acordo. Ambos disputam o eleitorado das chamadas classes médias da cidade, ansiosas por mudanças, sobretudo projetos que resultem em investimentos geradores de empregos. Esta união pode realmente reorientar a política da cidade e da região, pois Garanhuns precisa de um deputado federal, além de um estadual, e o processo de renovação política da cidade é urgente. Com esmolas, Zé da Luz conquistou o lumpesinato, os mais pobres e menos politizados, e com menores índices de educação. Porém, a grande maioria da cidade  são as chamadas classes médias. Se não conseguir penetrar nelas, Zé da Luz estará perdido. Izaías, assim como Jarbas e Silvino, estarão juntos na esfera de poder de Eduardo Campos, que, salvo acidentes de percurso, deverá apoiar Armando Monteiro para governador. Será que vai ser diferente?  A ascensão de Zé da Luz, significaria um grande retrocesso para a cidade onde todos perderiam. E não seriam, perdoados pelo povo.

 PALESTRAS DE CANDIDATO EM CAETÉS

O nem tão provável candidato a prefeito da oligarquia dominante, anda fazendo palestras para os funcionários contratados de Caetés,em Garanhuns, no Tavares Correia. São os supostos eleitores de cabresto, porque, claro, nem todo mundo vota. Caladinho vota contra, mas por temor, são obrigados a assistir a estas palestras meio terroristas, digamos assim, na sua essência. Estão prometendo efetivar tais funcionários, o que só pode ser feito através de concurso público, que há mais de uma década e meia, não se faz no município. O pior de tudo isso, é que estão utilizando o ônibus do município para transportar tais professores. O mesmo deixou de transportar os alunos para a faculdade de Arcoverde para esta importante reunião. Aliás , quem faltar, fica ameaçado logo de demissão. Com medo todo mundo vai. Dizem que o nem tão provável candidato foi muito aplaudido. Também pudera...Muito bom, meu coroné! – Diziam alguns.  Coronelzinho, digamos, assim fica mais carinhoso, assim diriam alguns mais chegados, os populares cheleléus. Que é uma palavra meio fora do uso, não?  Mas no Brasil não tem isso não. Nem em Caetés.

CAETÉS: QUAL O CANDIDATO?

O recurso da oposição foi aceito pelo Tribunal Eleitoral Federal. O caso já teve precedente, portanto a candidatura da oligarquia não vai vingar. Como na eleição passada, se concorrer, sua candidatura valerá o equivalente a uma nota de três. Mais uma vez estão enganando o povo. Porém, tudo indica que desta vez, o povo vai dar um belo pontapé na oligarquia, é mesmo no voto. Mas sua candidatura é irregular, e o povo deve saber.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

LULA E CAETÉS

O candidato a prefeito em Caetés, representante da oligarquia dominante, anda dizendo, juntamente com seu pai, que não só sempre foram aliados de Lula, mas sobretudo, são velhos amigos do presidente, estando em condições de trazer mais e mais recursos, não só para Caetés, mas também para Garanhuns, caso os dois sejam eleitos. Bem mais recursos do que os demais pretendentes. Muito bonito. Só que, quando Lula presidente, não trouxeram nada para a cidade de Caetés. Sarney, quando presidente, revitalizou São Luís,  principalmente sua parte histórica, além de outras coisas mais. Para Lula , bastava dar um espirro, para Caetés ser agraciado com muitas obras estruturadoras. Pelo menos umas dez barragens médias e duas de grande porte, uma escola técnica agrícola, saneamento básico em todo o município, casas populares, mas nada. Caetés está há muito inadimplente com o governo federal, não podendo trazer recursos. Dizem que Lula ficou uma fera ao saber que não podia ajudar efetivamente o povo pobre de sua terra natal, por culpa de administradores incompetentes e desonestos. Caetés, talvez nunca mais venha a ter uma oportunidade como esta. Agora vem dizer que pelo fato de estarem com Lula e Dilma, vão fazer diferente? Nunca um município esteve tão abandonado como Caetés. Não tem saúde, a educação está sucateada, a previdência quebrada, falta água e o dinheiro do município só serve  mesmo para financiar campanhas, para deputado e prefeito de Garanhuns, uma verdadeira fortuna. Ainda mais que a campanha do patriarca em Garanhuns se notabilizar pela doação de dinheiro, pagamento de butijões de gás , contas de energia, e cachaça para quem quiser.
O cidadão, candidato em Garanhuns, não passa de um embromador. Pode enganar muitos cidadãos pobres e desinformados de Garanhuns, passando por bonzinho com o dinheiro público. Em Caetés, não embroma mais, pois nem todos são seus eleitores de cabresto, como boa parte dos funcionários contratados do município, sobretudo os que não trabalham, que estão percebendo o estado de abandono que a cidade se encontra. Será que agora vão mudar? Com a palavra o eleitor.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

MÍDIA ESCROTA?

Meu amigo Roberto Almeida parece que está delirando. Para ele, o envolvimento de Lula com o mensalão não passa de maquinações do que ele chama de "mídia escrota". mais especialmente a revista VEJA. Ora, quem acredita que Lula de nada sabia, talvez acredite em Papai Noel e Comadre Fulôzinha. Foi pública e notória as movimentações do ex presidente para "melar" o julgamento. Checou a afirmar que o mensalão não existiu, numa canhestra tentativa de simplesmente apagar o caso da história. Sabe-se que Dirceu, não fazia nada sem o consentimento do ex- presidente. Muita coisa pode vazar, piorando a vida dele. Que por ter origem pobre e ser popular não o livra nem das investigações da imprensa nem tampouco da justiça. Ademais, Hitler, até o final da guerra, não era tão popular na Alemanha? Seria interessante Roberto deixar o fanatismo de lado e procurar analisar o caso objetivamente, como um verdadeiro jornalista, que sei que realmente ele é. E não ficar falando impropérios contra a imprensa. Afinal se são falsas as acusações da revista. o que não faltam são meios de processar a mesma. Bons advogados não faltam ao PT. E o povo, deve mesmo ficar sabendo das safadezas de quem quer que seja, inclusive o ex presidente. Só quem não gosta de democracia, não tolera o contraditório. Como Lula, que quer passar para a história, exatamente do tamanho do mito que  ao longo dos últimos trinta anos, construiu. Uma das tarefas do bom jornalismo´é destruir mitos. Que só servem aos imbecis e analfabetos, de que o país está cheio. Imbecis, analfabetos, e políticos safados. Não é. Roberto?

A quarta cópia, por Ricardo Noblat

Dá-se a prudência como característica marcante dos mineiros.

Teria a ver, segundo os estudiosos, com a paisagem das cidadezinhas de horizonte limitado, os depósitos de ouro e de pedras preciosas explorados no passado até se esgotarem, e a cultura do segredo e da desconfiança daí decorrente.
Não foi a imprudência que afundou a vida de Marcos Valério. Foi Roberto Jefferson mesmo ao detonar o mensalão.
Uma vez convencido de que o futuro escapara definivamente ao seu controle, Valério cuidou de evitar que ele se tornasse trágico.
Pensou no risco de ser morto. Não foi morto outro arrecadador de recursos para o PT, o ex-prefeito Celso Daniel, de Santo André?
Pensou na situação de desamparo em que ficariam a mulher e dois filhos caso fosse obrigado a passar uma larga temporada na cadeia. E aí teve uma ideia.

 

Ainda no segundo semestre de 2005, quando Lula até então insistia com a lorota de que mensalão era Caixa 2, Valério contratou um experiente profissional de televisão para gravar um vídeo.
Poderia, ele mesmo, ter produzido um vídeo caseiro. De princípio, o que importava era o conteúdo. Mas não quis nada amador.
Os publicitários de primeira linha detestam improvisar. Valério pagou caro pelo vídeo do qual fez quatro cópias, e apenas quatro.
Guardou três em cofres de bancos. A quarta mandou para uma das estrelas do esquema do mensalão, réu do processo agora julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
Renilda, a mulher dele, sabe o que fazer com as três cópias. Se Valério for encontrado morto em circunstâncias suspeitas ou se ele desaparecer sem dar notícias durante 24 horas, Renilda sacará dos bancos as três cópias do vídeo e as remeterá aos jornais O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo. (Sorry, VEJA!)
O que Valério conta no vídeo seria capaz de derrubar o governo Lula se ele ainda existisse, atesta um amigo íntimo do dono da quarta cópia.
Na ausência de governo a ser deposto, o vídeo destruiria reputações aclamadas e jogaria uma tonelada de lama na imagem da Era Lula. Lama que petrifica rapidinho.
A fina astúcia de Valério está no fato de ele ter encaminhado uma cópia do vídeo para quem mais se interessaria por seu conteúdo. Assim ficou provado que não blefava.
Daí para frente, sempre que precisou de ajuda ou consolo, foi socorrido por um emissário do PT. Na edição mais recente da VEJA, Valério identifica o emissário: Paulo Okamotto.
Uma espécie de tesoureiro informal da família Lula da Silva, Okamotto é ligado ao ex-presidente há mais de 30 anos.
No fim de 2005, um senador do PT foi recebido por Lula em seu gabinete no Palácio do Planalto. Estivera com Valério antes. E Valério, endividado, queria dinheiro. Ameaçava espalhar o que sabia.
Lula observou em silêncio a paisagem recortada por uma das paredes envidraçadas do seu gabinete. Depois perguntou: "Você falou sobre isso com Okamotto?"
O senador respondeu que não. E Lula mais não disse e nem lhe foi perguntado. Acionado, Okamotto cumpriu com o seu dever. Pulou-se outra fogueira. Foram muitas as fogueiras.
Uma delas foi particularmente dramática.
Preso duas vezes, Valério sofreu certo tipo de violência física que o fez confidenciar a amigos que nunca, nunca mais voltará à prisão. Prefere a morte.
Valério acreditou que o prestígio de Lula seria suficiente para postergar ao máximo o julgamento do processo do mensalão, garantindo com isso a prescrição de alguns crimes denunciados pela Procuradoria Geral da República.
Uma eventual condenação dele seria mais do que plausível. Mas cadeia? E por muito tempo?
Impensável!
Pois bem: o impensável está se materializando. E Valério está no limiar do desespero.

domingo, 16 de setembro de 2012

Os segredos do mensalão - REVISTA VEJA


O empresário Marcos Valério, apontado como o operador do esquema, diz que, em troca do seu silêncio, recebeu garantias do PT de uma punição branda. Condenado pelo STF por vários crimes, cujas penas podem chegar a 100 anos de prisão, ele revela que o ex-presidente Lula sabia de tudo e que o caixa para subornar políticos foi muito maior: 350 milhões de reais


Rodrigo Rangel


Faltavam catorze minutos para as 7 da manhã da últi ma quarta-feira quando o empresário Marcos Valé rio, o pivô financeiro do mensalâo, parou seu carro em frente a uma escola, em Belo Hori zonte. Alvo das mais pesadas condena ções no julgamento que está em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), ele tem cumprido religiosamente a tarefa de levar o filho todos os dias ao colégio. Desce do carro, acompanha o. menino até o portão e se despede com um beijo no rosto. Chega mais cedo para evitar ser visto pelos outros pais e alunos e vai embora depressa, cabisbaixo. “O PT me transformou em bandido”, desabafa. Va­lério sabe que essa rotina em-breve será interrompida. Ele é o único dos 37 réus do mensalão que não tem um átimo de dúvida sobre seu futuro. Na semana pas sada, o publicitário foi condenado por lavagem de dinheiro, crime que acarreta pena mínima de três anos de prisão. Computadas as punições pelos crimes de corrupção ativa e peculato, já decidi das, mais evasão de divisas e formação de quadrilha, ainda por julgar, a senten ça de Marcos Valério pode passar de 100 anos de reclusão. Mesmo com todas as atenuantes da lei penal brasileira, não é improvável que ele termine seus dias na cadeia. Valério tem culpa no cartório, mas fica evidente que ele está carre gando sobre os ombros uma carga penal que, por justiça, deveria estar mais bem distribuída entre patentes bem mais al tas na hierarquia do mensalão. É isso que mais martiriza a alma de Valério neste momento, uma dor que ele tènta amenizar lembrando, sempre que pode, que seu silêncio sobre os responsáveis maiores acima dele está lhe custando muito caro.

Apontado como o responsável pela engenharia financeira que possibilitou ao PT montar o maior esquema de cor rupção da história, Valério enfrenta um dilema. Nos últimos dias, ele confiden ciou a pessoas próximas detalhes do pacto que havia firmado com o partido. Para proteger os figurões, conta que as sumiu a responsabilidade por crimes que não praticou sozinho e manteve em segredo histórias comprometedoras que testemunhou quando era o “predi leto” do poder. Em troca do silêncio, recebeu garantias. Primeiro, de impunidade. Depois, quando o esquema te ve suas entranhas expostas pela Procuradoria-Geral da República, de penas mais brandas. Valério guarda segredos tão estarrecedores sobre o mensalão que não consegue mais reter só para si — mesmo que agora, desiludido com a falsa promessa de ajuda dos poderosos ) que ele ajudou, tenha um crescente te mor de que eles possam se vingar dele de forma ainda mais cruel. Os segre dos de Valério, se revelados, põem o ex-presidente Lula no epicentro do escândalo do mensalão. Sim, no comando das operações. Sim, Lula, que, fiel a seu estilo, fez de tudo para não se contagiar com a podridão à sua volta, mesmo que isso significasse a morte moral e política de companheiros dile tos. Valério teme, e fala a pessoas próximas, que se contar tudo o que sabe estará assinando a pior de todas as sen tenças — a de sua morte: “Vão me matar. Tenho de agradecer por estar vivo até hoje”.

Sua mulher, Renilda Santiago, já tentou o suicídio três vezes. Há duas ' semanas, ela telefonou a uma amiga para dizer que iria a um reduto do trá fico encravado na região central de Be lo Horizonte comprar uma arma. Avi sou que havia decidido dar um tiro na cabeça. Renilda está mergulhada em crise aguda de depressão. Os dois fi lhos do casal vivem dramas à parte. Meses atrás, o menino, de 11 anos, tentou fazer um teste de admissão em uma escola mais perto de casa, mas a diretora nem deixou o garoto começar a prova. A direção da escola não queria entre seus alunos o filho de Marcos Va lério. A filha mais velha, de 21 anos, passou por constrangimentos cruéis. Em um debate na faculdade de psico logia, o assunto escolhido pelos cole gas foi justamente o comportamento do pai dela. Humilhada, ela saiu da sa la. Chega a ser assustador, mesmo que previsível, que as pessoas esqueçam a mais consagrada prática cristã, civili zada e jurídica — a de que os filhos não devem pagar pelos erros dos pais. Marcos Valério sofre de síndrome do pânico e praticamente não prega os olhos à noite. Sobre o PT e seus anti gos parceiros ele vem dizendo: “Eu detesto esse pessoal. Esse povo acabou com a minha vida, me fez de um tama nho que eu não sou. O PT me fez de escudo, me usou como um boy de lu xo. Mas eles se ferraram porque agora vai todo mundo para o ralo”. O medo ainda constrange Marcos Valério a li mitar suas revelações a pessoas próxi mas. Até quando?

MENSALAO

“O caixa do PT foi de 350 milhões de reais”

A acusação do Ministério Públi co Federal sustenta que o men salão foi abastecido com 55 milhões de reais tomados por empréstimo por Marcos Valério junto aos bancos Rural e BMG, que se soma ram a 74 milhões desviados da Visanet, fundo abastecido com dinheiro público e controlado pelo Banco do Brasil. Se gundo Marcos Valério, esse valor é su bestimado. Ele conta que o caixa real do mensalão era o triplo do descoberto pela polícia e denunciado pelo MP. Valério diz que pelas arcas do esquema passaram pelo menos 350 milhões de reais. “Da SMP&B vão achar só os 55 milhões, mas o caixa era muito maior. O caixa do PT foi de 350 milhões de reais, com dinheiro de outras empresas que nada tinham a ver com a SMP&B nem com a DNA”, afirma o empresário. Esse caixa paralelo, conta ele, era abastecido com dinheiro oriundo de operações tão heterodoxas quanto os empréstimos fic tícios tomados por suas empresas para pagar políticos aliados do PT. Havia doações diretas diante da perspectiva de obter facilidades no governo. “Muitas empresas davam via empréstimos, ou tras não.” O fiador dessas operações, ga rante Valério, era o próprio presidente da República.

Lula teria se empenhado pessoal mente na coleta de dinheiro para a en grenagem clandestina, cujos contri­buintes tinham algum interesse no go verno federal. Tudo corria por fora, sem registros formais, sem deixar ne nhum rastro. Muitos empresários, rela ta Marcos Valério, se reuniam com o presidente, combinavam a contribuição e em seguida despejavam dinheiro no cofre secreto petista. O controle dessa contabilidade cabia ao então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, que é réu no processo do mensalão e começa a ser julgado nos próximos dias pelos crimes de formação de quadrilha e cor rupção ativa. O papel de Delúbio era, além de ajudar na administração da captação, definir o nome dos políticos que deveriam receber os pagamentos determinados pela cúpula do PT, com o aval do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, acusado no processo como o chefe da quadrilha do mensalão: “Dir ceu era o braço direito do Lula, um bra ço que comandava”. Valério diz que, graças a sua proximidade com a cúpula petista no auge do esquema, em 2003 e 2004, teve acesso à contabilidade real. Ele conta que a entrada e a saída de re cursos foram registradas minuciosa mente em um livro guardado a sete chaves por Delúbio. Pelo seu relato, o restante do dinheiro desse fundão teve destino semelhante ao dos 55 milhões de reais obtidos por meio dos emprésti­mos fraudulentos tomados pela DNA e pela SMP&B. Foram usados para re munerar correligionários e aliados. Os valores calculados por Valério deli neiam um caixa clandestino sem para lelo na política. Ele fala em valores dez vezes maiores que a arrecadação decla rada da campanha de Lula nas eleições presidenciais de 2002.

O PRESIDENTE

“Lula era o chefe”

A ira de Marcos Valério desafia a defesa clássica do ex-presidente Lula de que não sabia do mensalao e nada teve a ver com o esquema arquitetado em seu pri meiro mandato. Com a segurança de quem transitava com desenvoltura pelos .gabinetes oficiais, inclusive os palacia nos, e era considerado um parceiro pre ferencial pela cúpula petista, Valério afirma que Lula “comandava tudo”. Em sua própria defesa, diz que como ope rador dos pagamentos não passava de um “boy de luxo” de uma estrutura que tinha o então presidente no topo da ca deia de comando. “Lula era o chefe”, repete Valério às pessoas mais próxi mas. A afirmação se choca com todas as versões apresentadas por Lula desde que o esquema foi descoberto, em 2005. Primeiro, escudou-se no argumento de que tudo não passou do uso de dinheiro “não contabilizado” que havia sobrado das campanhas políticas, prática supra partidária e recorrente na política brasi leira — não por acaso tem: sido essa a estratégia de defesa dos mensaleiros no STF. Num segundo momento, Lula se disse traído e pediu desculpas à nação em rede de televisão.

A rota de fuga de Lula evoluiu mais tarde para a negação completa, com a tese nefelibata de que o mensalâo nunca existiu, tendo sido apenas uma armação das elites para abreviar seu mandato. A narrativa de Valério coloca Lula não apenas como sabedor do que se passava, mas no comando da operação. Valério não esconde que se encontrou com Lula diversas vezes no Palácio do Planalto. Ele faz outra revelação: “Do Zé ao Lula era só descer a escada. Isso se faz sem marcar. Ele dizia vamos lá embaixo, vamos”. O Zé é o ex-ministro José Dirceu, cujo gabinete ficava no 4o andar do Pa lácio do Planalto, um andar acima do gabinete presidencial. A frase famosa e enigmática de José Dirceu no auge do escândalo — “Tudo que eu faço é do conhecimento de Lula” — ganha con tornos materiais depois das revelações de Valério sobre os encontros em palá cio. Marcos Valério reafirma que Dirceu não pode nem deve ser absolvido pelo Supremo Tribunal, mas faz uma som bria ressalva. “Não podem condenar apenas os mequetrefes. Só não sobrou para o Lula porque eu, o Delúbio e o Zé não falamos”, disse na semana passada, em Belo Horizonte. Indagado, o ex- presidente não respondeu.

PACTO

“Meu contato era o Okamotto"

Há menos de dois meses, VEJA revelou a existência de encon tros secretos entre Marcos Va lério e Paulo Okamotto, petista estrelado que desempenha a tarefa de assessor financeiro, ou tesoureiro, de Lula. Procurado para explicar por que se reunia com o principal operador do mensalão, Okamotto disse que os en contros serviam apenas para discutir política. Não, não era bem assim. Mar cos Valério tinha um pacto com o PT, e Paulo Okamotto era o fiador desse pac to. “Eu não falo com todo mundo no PT. O meu contato com o PT era o Paulo Okamotto”, disse Valério em uma conversa re servada dias atrás. É o próprio Valério quem explica a mis são de Okamotto: “O papel dele era tentar me acalmar”.

O empresário conta que co nheceu o Japonês, como o petista é chamado, no ápice do escândalo. Valério diz que, na véspera de seu primeiro de poimento à CPI que investi gava o mensalão, Okamotto o procurou. “A conversa foi na casa de uma funcionária minha. Era para dizer o que eu não devia falar na CPI”, re lembra. O pedido era óbvio.

Okamotto queria evitar que Valério implicasse Lula no escândalo. Deu certo durante muito tempo. Em troca do silêncio de Valério, o PT, por intermédio de Okamotto, prometia di nheiro e proteção. A relação se tomaria duradoura, mas nunca foi pacífica. Em momentos de dificuldade, Okamotto era sempre procurado. Quando Valério foi preso pela primeira vez, sua mulher viajou a São Paulo com a filha para fa lar com Okamotto. Renilda Santiago queria que o assessor de Lula desse um jeito de tirar seu marido da cadeia. Disse que ele estava preso injustamente e que o PT precisava resolver a situação. A reação de Okamotto causa revolta em Valério até hoje. “Ele deu um safanão na minha esposa. Ela foi correndo para o banheiro, chorando.” O empresário jura que nunca recebeu nada do PT. Já a promessa de proteção, segundo Valério, girava em tomo de um esforço que o partido faria para retardar o julgamento do mensalão no Supremo e, em último caso, tentar amenizar a sua pena. “Pro meteram não exatamente absolver, mas diziam: ‘Vamos segurar, vamos isso, vamos aquilo’... Amenizar”, conta. Por muito tempo, Marcos Valério acreditou que daria certo. Procurado, Okamotto não se pronunciou.

PODER

“O Delúbio dormia no Alvorada”

Dos tempos em que gozava da intimidade do poder em Brasí lia, Marcos Valério diz guardar muitas lembranças. Algumas revelam a desenvoltura com que perso nagens centrais do mensalão transita vam no coração do govemo Lula antes da eclosão do maior escândalo de cor rupção da história política do país. Va­lério lembra das vezes em que Delúbio Soares, seu interlocutor frequente até a descoberta do esquema, participava de animados encontros à noite no Palácio da Alvorada, que não raro servia de pernoite para o ex-tesoureiro petista. “O Delúbio dormia no Alvorada. Ele e a mulher dele iam jogar baralho com Lula à noite. Alguma vez isso ficou re gistrado lá dentro? Quando você quer encontrar (alguém), você encontra, e sem registro.” O operador do mensalão deixa transparecer que ele próprio foi a uma dessas reuniões noturnas no Alvo rada. Sobre sua aproximação com o PT, Valério conta que, diferentemente do que os petistas dizem há sete anos, ele conheceu Delúbio durante a campanha de 2002. Quem apresentou a ele o petista foi Cristiano Paz, seu ex-sócio, que intermediava uma doação à campanha de Lula. A primeira conversa foi em Belo Horizonte, dentro de um car ro, a caminho do Aeroporto da Pampu- lha. Nessa ocasião, conta, Delúbio lhe pediu ajuda. “Ele precisava de uma em presa para servir de espelho para pegar um dinheiro.” A parceria deu certo e desaguou no mensalão. Hoje, os dois estão no banco dos réus. Valério se sen te injustiçado. Especialmente na parte da acusação que diz respeito ao desvio de recursos públicos do Banco do Bra sil. Ele jura que esse dinheiro não caiu no caixa da corrupção. “No processo tem todas as notas fiscais que compro vam que esse dinheiro foi gasto com publicidade. Não estou falando que não mereço um tapa na orelha. Não é isso. Concordo em ser condenado por aquilo que eu fiz.”

EMPRÉSTIMO

“O banco ia emprestar dinheiro para uma agência quebrada?”

Os ministros do STF já conside raram fraudulentos os empréstimos concedidos pelo Banco Rural às agências de publici dade que abasteceram o mensalão. Para Valério, a decisão do Rural de liberar o dinheiro — com garantias fajutas e José Genoino e Delúbio Soares como fiado res — não foi um favor a ele, mas ao governo Lula, “Você acha que chegou lá o Marcos Valério com duas agências quebradas e pediu: ‘Me empresta aí 30 milhões de reais pra eu dar pro PT’? O que um dono de banco ia responder?” Valério se lembra sempre de José Augusto Dumont, então presidente do Ru ral. “O Zé Augusto, que não era bobo, falou assim: ‘Pra você eu não empres to’ . Eu respondi: ‘Vai lá e conversa com o Delúbio’. ” A partir daí a solução foi encaminhada. Os empréstimos, diz Va lério, não existiriam sem o aval de Lula e Dirceu. “Se você é um banqueiro, vo cê nega um pedido do presidente da República?” Foram essas mesmas creden ciais palacianas, segundo ele, que lhe abriram as portas no Banco Central pa ra interceder pela suspensão da liquida ção extrajudicial do Banco Mercantil de Pernambuco, que interessava ao Rural. Valério foi destacado para cuidar do as sunto em Brasília. Uma tarefa executa da com todas as facilidades e privilé gios. “Valério chegou lá no Banco Central e foi atendido. Você acha que o Banco Central receberia um imbecil qualquer, dono de uma agência de publicidade quebrada?”

“NOJENTO E VEXATÓRIO"

Ex-superintendente do Banco Rural em Brasília, Lucas da Silva Roque foi um dos principais colaboradores nas investigações da Polícia Federal destinadas a desbaratar a quadrilha do mensalão. Foi ele quem revelou onde estavam os recibos que mostraram quais políticos receberam dinheiro para votar com o governo Lula no Congresso. Nesta entrevista, Roque conta que pagou um preço al to por agir de forma correta e relata um plano ambicioso urdido pela cúpula da instituição financeira em parceria com José Dirceu. Eles queriam montar um banco popular, do qual Rural e BMG seriam sócios, para conceder empréstimos consignados aos aposentados. Um negócio companheiro e bilionário.

Por que o senhor decidiu ajudar a polícia? Não tinha nada a temer. Não entrei no jogo deles, não sou bandido. Fui mandado para a agência do Rural em Brasília para moralizá-la, porque ali estava uma bagunça. O que estava acontecendo no banco era acintoso, no jento e vexatório. O delegado disse que queria todos os documentos. Apontei onde estavam as caixas. Àquela altura, já estava tudo encaminhado para fazer sumir as provas, mandando-as de Brasí lia para Minas Gerais. Mostrei onde es tavam os documentos e falei para o de legado que procurasse papéis também numa construtora, que servia de almo- xarifado do banco.

Como a diretoria reagiu à sua cola boração com a PF? Fui atacado de tudo quanto é jeito. Me colocaram em um porão que não era uma agência bancária, depois em uma loja de shop ping que foi fechada por ser irregular. Pior, mandaram me avisar que eu esta va proibido de aparecer na diretoria do banco. Isso foi em outubro de 2005. Virei a Geni. Fui demitido em agosto de 2010. Eu, minha esposa e meus filhos fomos achincalhados na rua como mensaleiros.Tive sérios problemas de saúde, perdi meu casamento.

O senhor tinha relação de proximi dade com Marcos Valério. Ele disse a algumas pessoas que teve um en­contro com Lula na Granja do Torto. Vários encontros. É verdade? Sim, ele deixava para viajar para Belo Hori zonte no sábado à noite para passar lá.
Levado por quem? Delúbio Soares, Silvinho Pereira e José Dirceu.

Quais eram os planos da cúpula do Banco Rural e dos petistas? Eles ti nham um projeto de montar um banco popular com a CUT. Juntariam o Banco Rural, o BMG, a CUT. Era um projeto com capital de 1 bilhão de reais.
Quem capitaneava esse projeto?

Eram os bandidos do mensalão. Como o PT não tinha cultura bancária, o Rural e o BMG seriam sócios. Um banco pri vado com a participação da CUT, que direcionaria todos os beneficiários do INSS para tomar dinheiro em emprésti mos consignados nessa instituição po pular. Quando o mensalão estourou, o projeto foi abortado.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Otto Lara Resende x Nelson Rodrigues


Prosseguindo a celebração do centenário de Nelson Rodrigues, a coluna reproduz a brilhante entrevista concedida ao escritor Otto Lara Resende, em 1977, pelo inventor do teatro brasileiro.



PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3

CORONELISMO EM CAETÉS

Para se ter uma ideia do coronelismo reinante na cidade, uma prima minha. pessoa bastante humilde, solicitou o clube municipal para a realização do casamento da filha. Como vota na oposição, a solicitação foi prontamente negada. Estão partidarizando também as emoções, como diria meu amigo e estimado professor Michel Zaidan. O secretário da cultura é o responsável pelos eventos da cidade, e também um notório militante político. Agora mesmo se esmera em fazer quantas festas possíveis na vã tentativa de eleger seu candidato. Dizem que está construindo uma mansão. Quanto é mesmo o salário do secretário? O povo quer saber. Ou será que ele ganhou na loteria? Ou mesmo achou uma botija? Daí o empenho do secretário militante. É uma vergonha, não? É esse o "estilo" encarnado de governar?

VISITAS DE ARMANDO

A visita de Armando na rua Bela Vista, foi um show de alegria da multidão. A rua Manoel Izidoro ficou lotada, com pessoas entusiasmadas com a possibilidade, cada vez mais real , de mudança. Diante desses acontecimentos, como já frisei em artigos anteriores, a candidatura está crescendo, e tende mais a crescer. Tem discurso, tem programa, tem gente capacitada e disposta a mudar. E tem o povo ao seu lado que está cansado de tanta corrupção e abandono. A surpresa vai ser grande, para quem se acha dono do município, e tem uma postura imperial.

foto: Everaldo Eliziário.

   

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

TARIFAS



O governo vai baixar as tarifas de energia elétrica. Descobriram que “nossa” energia elétrica é uma das mais caras do mundo. Da industrial a residencial. O problema não é o real custo da energia, mas os impostos. Bastou alguns cortes e a energia baixará, pelo menos para o povão, cerca de dezesseis por cento, uma boa economia. Na indústria, a meta é baratear os custos, aumentando a produção e equilibrando os preços (inflação). Como vimos, o grande problema da nação é o tamanho do estado.  Que é caro para a população, e ineficiente como prestador de serviços. Só é bom para as corporações, que ganham fortunas. E para os políticos ladrões de que o país está cheio.

IMPOSTOS

Seria bom a popularização da campanha contra os altos impostos. Nos Estados Unidos, um carro Jeep Cherokee custa cerca de 56 mil reais. No Brasil 150. Muitos brasileiros se encantam com os produtos baratos nos EUA. De cuecas a automóveis. Aqui tudo é relativamente caro, para, dentre outras coisas, sustentar ladrões, através do assalto ao estado, ou mesmo comprar parlamentares. Taí o mensalão, que muitos petistas quiseram apagar da história. E que Lula disse que nunca soube de nada. Em outras palavras, paga-se impostos em tudo no Brasil. Do pirulito ao computador. Ou  seja, para realmente crescermos temos que diminuir , e muito o tamanho do estado. Acabar com a brutal burocracia que tanto inferniza o povo, e abrir a economia. Por razões ideológicas, nem o PT nem Dilma vão fazer as reformas estruturadoras rumo ao capitalismo contemporâneo. Só maquilagem num ano eleitoral. Menos mal, é que vamos pagar menos pela eletricidade. Como sempre, na falta de bons cachorros, continuamos caçando com gatos. Mal e complicado. Faremos tudo, se muito, pela metade. Por  puro preconceito ideológico, Dilma não fará as reformas do estado. Mas, premida pelas circunstâncias da falência do modelo estatista em voga desde a ditadura militar, ela poderá começar o desmanche. O que já é alguma coisa. Vamos ver se as coisas acontecem. Se ela começar , já justificaria seu mandato.

ÉTICA POLÍTICA EM CAETÉS

As oposições estão dando um show de ética política. Seus movimentos são alegres, mostrando o entusiasmo da população,e, geralmente quase não se ataca ninguém. Afinal, todos sabem as maracutaias da oligarquia dominante no poder. Juntamente com centenas de militantes contratados pela prefeitura, estão tentando radicalizar a campanha que tudo indica está perdida. Seu candidato não tem o que dizer, a não ser “vote 40”. Ou vamos continuar o “estilo Zé da Luz de governar”. A campanha de Armando vem crescendo cada vez mais, mesmo com parcos recursos. O entusiasmo dos militantes e a vontade de mudança, cada vez mais contamina à população. Basta de corrupção e abandono. Viva Caetés. O povo está de parabéns.

PT EM PANDARECOS NO RECIFE

Pelo andar da carruagem, Humberto pode perder o segundo lugar, cedendo a vaga a Daniel Coelho, que poderá disputar um hipotético segundo turno na cidade. Digo hipotético, porque o poste de Eduardo, o ACM de Pernambuco, pode ganhar no primeiro turno. Lula não vem, pois detesta derrotado. Se os petistas estivessem na frente, ele viria pisar no pé dos outros, sobretudo do governador. Mas Humberto é mesmo ruim de urna, aliás um chato de galochas. Aliás, o PT está perdendo nas principais capitais. Como sempre, o ,lulismo se sebrepõe ao petismo. Menos mal. Melhor um demagogo no poder do que um  stalinista, comandando um partidão autoritário e ortodoxo. Tipo o bigodão Olivio Dutra, que quase acaba com o Rio Grande, e se notabilizou por deixar ACM levar a Ford para a Bahia.

ZEBRA

É difícil, mas seria bom que em Recife desse zebra com a vitória de Daniel Coelho. Não brinquem, pois o Recife é uma cidade rebelde, assim reza a história. Mas noves fora o sonho, o tal Geraldo deve ser mesmo eleito. Aí é que nosso coroné vai ficar de crista alta. Deixa ele se meter em eleições presidenciais, que logo logo, o escândalo dos precatórios virá novamente à tona. Alguém duvida? Sobretudo em relação ao relatório do banco central destinando à operação. Este relatório ninguém consegue apagar. É ainda o calcanhar de Aquiles de Eduardo, o coronézinho que quer ser presidente.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

E a eficiência do serviço público? - JOSÉ PASTORE


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No livro organizado por Edmar Bacha e Simon Schwartzman (Brasil: a nova agenda social, Rio de Janeiro, LTC, 2011), os autores indicam que os serviços públicos brasileiros, com poucas exceções, são extremamente precários para aquilo que custam: 12% do PIB! Uma avaliação realizada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou igualmente que os conceitos de eficiência e produtividade são praticamente inexistentes no serviço público brasileiro (OCDE, Avaliação dos recursos humanos do Brasil, Rio de Janeiro, 2010).

Apesar de tantas constatações desse tipo, pouco se discutiu o assunto durante a greve dos 300 mil servidores públicos federais. Não seria esta a hora de saber a quantas anda a qualidade dos serviços públicos nas escolas, nos hospitais, órgãos de segurança, tribunais de justiça e tantos outros?

Os aumentos concedidos pelo governo não tiveram nenhuma vinculação com a melhoria do atendimento à população. A administração dos recursos humanos do governo se resume à negociação de salários e benefícios, e nada sobre qualidade dos serviços.

Reconheço que a maioria dos servidores é recrutada por meio de provas difíceis em que demonstram conhecer a profissão. Os concursos públicos vêm despertando grande interesse pois, além da estabilidade de emprego, oferecem salários iniciais bem acima dos do setor privado. Mas, passada a fase de recrutamento, os servidores públicos são pouco estimulados a trabalhar com eficiência. As promoções se baseiam muito mais no tempo do que na qualidade dos serviços. Para a conquista de melhores salários e benefícios, a força das corporações sindicais passa por cima da avaliação da produtividade. Nos poucos casos em que há bônus atrelado ao desempenho, o sistema é rudimentar e, com frequência, é atropelado pelos sindicalistas que forçam a administração a abandonar o expediente ou a generalizar o bônus. Não sei o que é pior.

Estamos longe de quadros efetivamente comprometidos com a prestação de serviços de alta qualidade. Há poucos incentivos para estudar e crescer nas carreiras públicas. Inexiste, no Brasil, um sistema de prestação de contas do serviço oferecido, nem para servidores nem para os órgãos públicos. Os valores de eficiência, atenção, apreço, cordialidade, etc., são desconhecidos da maioria e não fazem parte de um sistema de cobrança efetivo. Nem temos mecanismos de pressão que possam ser utilizados pelo público para demandar melhoria de atendimento. No setor privado, onde os empregados podem perder o emprego e a empresa pode perder market share, ganhar muito ou pouco é função da qualidade do trabalho. No setor público, com honrosas exceções, a combinação do monopólio na prestação de serviços com a estabilidade de emprego faz perpetuar a baixa qualidade dos serviços prestados.

Convenhamos, administrar recursos humanos não se resume a negociar salários. É preciso avaliar o que as pessoas entregam à empresa e, no caso do governo, aos cidadãos. Falta ao setor público uma gestão de pessoal que tenha como norte a busca permanente da competência e da qualidade. Nela, a remuneração é uma das ferramentas para chegar à eficiência. Os gestores precisam ter alçada para diferenciar as recompensas de acordo com o desempenho dos funcionários. Isso vai muito além de uma política de salários.

Em suma, precisamos eliminar o abismo que existe entre a racionalidade dos concursos de ingresso e a precariedade do sistema de avaliação dos servidores ao longo dos 30 anos que sucedem ao ingresso. A situação exige uma reforma que valorize e cobre competência profissional e condutas adequadas dos servidores. Se isso é de extrema importância nos dias de hoje, será muito mais crítico nos próximos anos, quando, em decorrência do envelhecimento da população, os serviços públicos serão ainda mais demandados.