quinta-feira, 31 de maio de 2012

Olavo via internet! Novo episódio!

 
True Outspeak 05/30 by Olavo de Carvalho | Blog Talk Radio

Pessoal, como havia dito, trouxe o novo True Outspeak com o prof. Olavo de Carvalho. Para ouvir, basta clicar no link aqui em cima. 

Boa noite!

terça-feira, 29 de maio de 2012

CAETÉS: OPOSIÇÃO TEM CANDIDATO

Depois de uma animada reunião com a presença dos partidos coligados, foi escolhido ,o nome de Armando Duarte para ser o candidato das oposições em Caetés. Com as presenças de Carlos do Correio (DEM), Batonho (PT do B), Gisele (PSL), e PTC (Ademi) o nome de Armando foi escolhido depois de muitos debates entre os integrantes das oposições na cidade.
Armando é filho da terra, mora em Caetés e nunca pensou em sair. É competente, bem articulado, certamente o melhor nome para disputar com muitas chances de vitória as eleições para prefeito. Tem a grande maioria dos candidatos a vereador das oposições ,e conta com o apoio dos que almejam mudanças significativas para o município. 
Agora vamos ver quem é o candidato da família Sampaio, que domina com mão de ferro e muita corrupção a política local há mais de vinte anos. E haja corrupção. Dizem que Sampainho, não pode ser candidato. Vai mais uma vez ser o candidato de mentirinha dos governistas? Ademais ele assumiu a prefeitura por mais de sete dias, e já existe jurisprudência a respeito, de que não pode ser candidato. O cidadão mora em Recife, e seu pai o patriarca quer porque quer vê-lo na prefeitura. Se não for ele, deve ser outro da família, pois não dão espaço para outros, e Caetés vive na penumbra , como se sabe. Cada vez mais pobre e abandonada. É chegada a hora do povo dar o troco por tanta bandalheira e corrupção, nunca vista na cidade. Uma vergonha.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Em entrevista, Gilmar Mendes dá mais detalhes do encontro com Lula e corrige memória de Nelson Jobim


Por Adriana Irion, do Zero Hora:O ministro do Supremo Tribunal federal (STF) Gilmar Mendes passou o dia tentando evitar falar da polêmica causada com a matéria da revista Veja na qual ele contou a pressão que sofreu do ex-presidente Lula para adiar o julgamento do mensalão.Fervoroso defensor do julgamento, Mendes não queria polemizar com o ex-ministro Nelson Jobim, que depois da divulgação da matéria negou que a conversa tivesse sido no sentido de interferir no julgamento a ser feito pelo STF. O encontro entre Mendes e Lula ocorreu no escritório de Jobim, em 26 de abril, em Brasília.Ao conceder entrevista a Zero Hora no começo da tarde, Mendes demonstrou preocupação com o atraso para o início do julgamento e disse que o Supremo está sofrendo pressão em um momento delicado, em que está fragilizado pela proximidade de aposentadoria de dois dos seus 11 membros. Confira o que disse o ministro em entrevista por telefone:
Zero Hora — Quando o senhor foi ao encontro do ex-presidente Lula não imaginou que poderia sofrer pressão envolvendo o mensalão?
Ministro Gilmar Mendes —
 Não. Tratava-se de uma conversa normal e inicialmente foi, de repassar assuntos. E eu me sentia devedor porque há algum tempo tentara visitá-lo e não conseguia. Em relação a minha jurisprudência em matéria criminal, pode fazer levantamento. Ninguém precisa me pedir para ser cuidadoso. Eu sou um dos mais rigorosos com essa matéria no Supremo. Eu não admito populismo judicial.
ZH — Sua viagem a Berlim tem motivado uma série de boatos. O senhor encontrou o senador Demóstenes Torres lá?
Mendes —
 Nos encontramos em Praga, eu tinha compromisso acadêmico em Granada, está no site do Tribunal. No fundo, isto é uma rede de intrigas, de fofoca e as pessoas ficam se alimentando disso. É esse modelo de estado policial. Dá-se para a polícia um poder enorme, ficam vazando coisas que escutam e não fazem o dever elementar de casa.
ZH — O senhor acredita que os vazamentos são por parte da polícia, de quem investigou?
Mendes —
 Ou de quem tem domínio disso. E aí espíritos menos nobres ficam se aproveitando disso. Estamos vivendo no Supremo um momento delicado, nós estamos atrasados nesse julgamento do mensalão, podia já ter começado.
ZH — Esse atraso não passa para a população uma ideia de que as pressões sobre o Supremo estão funcionando?
Mendes —
 Pois é, tudo isso é delicado. Está acontecendo porque o processo ainda não foi colocado em pauta. E acontecendo num momento delicado pelo qual o tribunal está passando. Três dos componentes do tribunal são pessoas recém-nomeadas. O presidente está com mandato para terminar em novembro. Dois ministros deixam o tribunal até o novembro. É momento de fragilidade da instituição.
ZH — Quem pressiona o Supremo está se aproveitando dessa fragilidade?
Mendes —
 Claro. E imaginou que pudesse misturar questões. Por outro lado não julgar isso agora significa passar para o ano que vem e trazer uma pressão enorme sobre os colegas que serão indicados. A questão é toda institucional. Como eu venho defendendo expressamente o julgamento o mais rápido possível é capaz que alguma mente tenha pensado: “vamos amedrontá-lo”. E é capaz que o próprio presidente esteja sob pressão dessas pessoas.
ZH — O senhor não pensou em relatar o teor da conversa antes?
Mendes —
 Fui contando a  quem me procurava para contar alguma história. Eu só percebi que o fato era mais grave, porque além do episódio (do teor da conversa no encontro), depois, colegas de vocês (jornalistas), pessoas importantes em Brasília, vieram me falar que as notícias associavam meu nome a isso e que o próprio Lula estava fazendo isso.
ZH — Jornalistas disseram ao senhor que o Lula estava associando seu nome ao esquema Cachoeira?
Mendes —
 Isso. Alimentando isso.
ZH æ E o que o senhor fez?
Mendes —
 Quando me contaram isso eu contei a elas (jornalistas) a conversa que tinha tido com ele (Lula).
ZH — Como foi essa conversa?
Mendes —
 Foi uma conversa repassando assuntos variados. Ele manifestou preocupação com a história do mensalão e eu disse da dificuldade do Tribunal de não julgar o mensalão este ano, porque vão sair dois, vão ter vários problemas dessa índole. Mas ele (Lula) entrava várias vezes no assunto da CPI, falando do controle, como não me diz respeito, não estou preocupado com a CPI.
ZH — Como ele demonstrou preocupação com o mensalão, o que falou?
Mendes —
 Lula falou que não era adequado julgar este ano, que haveria politização. E eu disse a ele que não tinha como não julgar este ano.
ZH — Ele disse que o José Dirceu está desesperado?
Mendes —
 Acho que fez comentário desse tipo.
ZH — Lula lhe ofereceu proteção na CPI?
Mendes —
 Quando a gente estava para finalizar, ele voltou ao assunto da CPMI e disse “que qualquer coisa que acontecesse, qualquer coisa, você me avisa”, “qualquer coisa fala com a gente”. Eu percebi que havia um tipo de insinuação. Eu disse: “Vou lhe dizer uma coisa, se o senhor está pensando que tenho algo a temer, o senhor está enganado, eu não tenho nada, minha relação com o Demóstenes era meramente institucional, como era com você”. Aí ele levou um susto e disse: “e a viagem de Berlim.” Percebi que tinha outras intenções naquilo.
ZH — O ex-ministro Nelson Jobim presenciou toda a conversa?
Mendes —
 Tanto é que quando se falou da história de Berlim e eu disse que ele (Lula) estava desinformado porque era uma rotina eu ir a Berlim, pois tenho filha lá, que não tinha nada de irregular, e citei até que o embaixador nos tinha recebido e tudo, o Jobim tentou ajudar, disse assim: “Não, o que ele está querendo dizer é que o Protógenes está querendo envolvê-lo na CPI”. Eu disse: “O Protógenes está precisando é de proteção, ele está aparecendo como quem estivesse extorquindo o Cachoeira”. Então, o Jobim sabe de tudo.
ZH — Jobim disse em entrevista a Zero Hora que Lula foi embora antes e o senhor ficou no escritório dele tratando de outros assuntos.
Mendes —
 Não, saímos juntos.
ZH — O senhor vê alternativa para tentar agilizar o julgamento do mensalão?
Mendes —
 O tribunal tem que fazer todo o esforço. No núcleo dessa politização está essa questão, esse retardo. É esse o quadro que se desenha. E esse é um tipo de método de partido clandestino.
ZH — Na conversa, Lula ele disse que falaria com outros ministros?
Mendes —
 Citou outros contatos. O que me pareceu heterodoxo foi o tipo de ênfase que ele está dando na CPI e a pretensão de tentar me envolver nisso.
ZH — O senhor acredita que possa existir gravação em que o senador Demóstenes e o Cachoeira conversam sobre o senhor, alguma coisa que esteja alimentando essa rede que tenta pressioná-lo?
Mendes —
 Bom, eu não posso saber do que existe. Só posso dizer o que sei e o que faço.
Por Reinaldo Azevedo

Celso de Mello: ação de Lula foi indecorosa


Ministro do STF diz em entrevista a site que diálogo de ex-presidente com Gilmar Mendes resultaria em impeachment

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria passível de impeachment caso estivesse exercendo o cargo. A declaração foi dada em entrevista ao site Consultor Jurídico, reproduzida pelo Blog do Noblat no site do GLOBO. A afirmação de Celso de Mellon veio após a divulgação de uma encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes que, em entrevista à revista “Veja”, acusou o petista de tentar adiar o julgamento do mensalão. Em troca, o petista teria oferecido a blindagem Gilmar Mendes na CPI do Cachoeira.
Segundo reportagem da “Veja”, Lula conversou com o ministro no dia 26 de abril, no escritório do ex-ministro da Justiça e ex-presidente do STF Nelson Jobim.
— Essa conduta do ex-presidente da República, se confirmada, constituirá lamentável expressão do grave desconhecimento das instituições republicanas e de seu regular funcionamento no âmbito do Estado Democrático de Direito. O episódio revela um comportamento eticamente censurável, politicamente atrevido e juridicamente ilegítimo — disse Celso de Mello ao Consultor Jurídico
Celso de Mello enfatizou o risco de impeachment de Lula, caso estivesse no Planalto:
— Se ainda fosse presidente da República, esse comportamento seria passível de impeachment por configurar infração político-administrativa, em que seria um chefe de poder tentando interferir em outro — afirmou o ministro, que fez duras críticas a Lula caso as afirmações de Gilmar Mendes se confirmarem:
— Tentar interferir dessa maneira em um julgamento do STF é inaceitável e indecoroso. Rompe todos os limites da ética. Seria assim para qualquer cidadão, mas mais grave quando se trata da figura de um presidente da República. (...) Ele mostrou desconhecer a posição de absoluta independência dos ministros do STF no desempenho de suas funções.
Nos bastidores da CPI, circula a história de que Gilmar Mendes teria viajado a Berlim, na Alemanha, com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) num avião cedido pelo contraventor Carlinhos Cachoeira. O fato teria motivado Lula a propor a blindagem de Gilmar Mendes, caso o julgamento do mensalão fosse adiado para após as eleições.
O ministro ainda avaliou a posição do STF em relação ao julgamento do mensalão.
— A ação penal será julgada por todos de maneira independente e isenta, tendo por base exclusivamente as provas dos autos. A abordagem do ex-presidente é inaceitável — disse Celso de Mello, que elogiou a iniciativa de Gilmar Mendes em divulgar o encontro. — A resposta do ministro Gilmar Mendes foi corretíssima e mostra a firmeza com que os ministros do STF irão examinar a denúncia (...). É grave e inacreditável que um ex-presidente da República tenha incidido nesse comportamento. (...) Surpreendente essa tentativa espúria de interferir em assunto que não permite essa abordagem. Não se pode contemporizar com o desconhecimento do sistema constitucional do País nem com o desconhecimento dos limites éticos e jurídicos.

domingo, 27 de maio de 2012

ESCÂNDALO, ABSURDO E DEBOCHE: Lula sugere troca de favores a um ministro do STF e revela como tem pressionado outros membros da corte. Ex-presidente degrada as instituições


Caras e caros, o que vai abaixo é muito grave. Espalhem a informação na rede, debatam, organizem-se em defesa da democracia. O que se vai ler revela uma das mais graves agressões ao estado de direito desde a redemocratização do país.
Luiz Inácio Lula da Silva perdeu completamente a noção de limite, quesito em que nunca foi muito bom. VEJA publica hoje uma reportagem estarrecedora. O ex-presidente iniciou um trabalho direto de pressão contra os ministros do Supremo para livrar a cara dos mensaleiros. Ele nomeou seis dos atuais membros da corte — outros dois foram indicados por Dilma Rousseff. Sendo quem é, parece achar que os integrantes da corte suprema do país lhe devem obediência. Àqueles que estariam fora de sua alçada, tenta constranger com expedientes ainda menos republicanos. E foi o que fez com Gilmar Mendes. A reportagem de Rodrigo Rangel e Otavio Cabral na VEJA desta semana é espantosa!
Lula, acreditem, supondo que Mendes tivesse algo a temer na CPI do Cachoeira, fez algumas insinuações e ofereceu-lhe uma espécie de “proteção” desde que o ministro se comportasse direitinho. Expôs ainda a forma como está abordando os demais ministros. Leiam trecho. Volto em seguida.
(…)
Há um mês, o ministro Gilmar Mendes, do STF, foi convidado para uma conversa com Lula em Brasília. O encontro foi realizado no escritório de advocacia do ex-presidente do STF e ex-ministro da Justiça Nelson Jobim, amigo comum dos dois. Depois de algumas amenidades, Lula foi ao ponto que lhe interessava: “É inconveniente julgar esse processo agora”. O argumento do ex-presidente foi que seria mais correto esperar passar as eleições municipais de outubro deste ano e só depois julgar a ação que tanto preocupa o PT, partido que tem o objetivo declarado de conquistar 1.000 prefeituras nas urnas.
Para espíritos mais sensíveis, Lula já teria sido indecoroso simplesmente por sugerir a um ministro do STF o adiamento de julgamento do interesse de seu partido. Mas vá lá. Até aí, estaria tudo dentro do entendimento mais amplo do que seja uma ação republicana. Mas o ex-presidente cruzaria a fina linha que divide um encontro desse tipo entre uma conversa aceitável e um evidente constrangimento. Depois de afirmar que detém o controle político da CPI do Cachoeira, Lula magnanimamente, ofereceu proteção ao ministro Gilmar Mendes, dizendo que ele não teria motivo para preocupação com as investigações. O recado foi decodificado. Se Gilmar aceitasse ajudar os mensaleiros, ele seria blindado na CPI. (…) “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse Gilmar Mendes a VEJA. O ministro defende a realização do julgamento neste semestre para evi¬tar a prescrição dos crimes.
(…)
VolteiInterrompo para destacar uma informação importante. Na conversa, Lula insinuou que Mendes manteria relações não-repubicanas com o senador Demóstenes Torres. Quando ouviu do interlocutor um “vá em frente porque você não vai encontrar nada”, ficou surpreso. Segue a reportagem de VEJA. Retomo depois:
A certa altura da conversa com Mendes. Lula perguntou: “E a viagem a Berlim?”. Ele se referia a boatos de que o ministro e o senador Demóstenes Torres teriam viajado para a Alemanha à custa de Carlos Cachoeira e usado um avião cedido pelo contraventor. Em resposta, o ministro confirmou o encontro com o senador em Berlim, mas disse que pagou de seu bolso todas as suas despesas, tendo como comprovar a origem dos recursos. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá”, disse Gilmar, que, sentindo-se constrangido, desabafou com ex-presidente: “Vá fundo na CPI”. O ministro Gilmar relatou o encontro a dois senadores, ao procurador-geral da República e ao advogado-geral da União.
RetomandoSabem o que é impressionante? A “bomba” que Lula supostamente teria contra Mendes começou a circular nos blogs sujos logo depois. O JEG — a jornalismo financiado pelas estatais — pôs para circular a informação falsa de que Mendes teria viajado às expensas de Cachoeira. Muitos jornalistas sabem que o ex-presidente está na origem de boatos que procuravam associar o ministro ao esquema Cachoeira. Ou por outra: Lula afirma ter o “controle político” da CPI e parece controlar, também, todas as calúnias e difamações que publicadas na esgotosfera. Sigamos.
Lula deixou claro que está investindo em outros ministros da corte. Revelou já ter conversado com Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão — só depende dele o início do julgamento — sobre a conveniência de deixar o processo para o ano que vem. Sobre José Antônio Dias Toffoli, foi peremptório e senhorial: “Eu disse ao Toffoli que ele tem de participar do julgamento”. Qual a dúvida? O agora ministro já foi advogado do PT e assessor de José Dirceu; sua namorada advoga para um dos acusados. A prudência e o bom senso indicam que se declare impedido. Lula pensa de modo diferente — e o faz como quem tem certeza do voto. Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo e um dos porta-vozes informais do chefão do PT, já disse algo mais sério: “Ele não tem o direito de não participar”.
A ministra Carmen Lúcia, na imaginação de Lula, ficaria por conta de Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF e atual presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República: “Vou falar com o Pertence para cuidar dela”. Com Joaquim Barbosa, o relator, Lula está bravo. Rotula o ministro de “complexado”. Ayres Britto, que vai presidir o julgamento se ele for realizado até novembro, estaria na conta do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, amigo de ambos, que ficaria encarregado de marcar a conversa. Leia mais um trecho da reportagem
(…)
Ayres Britto contou que o relato de Gilmar ajudou-o a entender uma abordagem que Lula lhe fizera uma semana antes, durante um almoço no Palácio da Alvorada, onde estiveram a convite da presidente Dilma Rousseff. Diz o ministro Ayres Britto: “O ex-presidente Lula me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha e completou dizendo que, “qualquer dia desses, a gente toma um vinho”. Confesso que, depois que conversei com o Gilmar, acendeu a luz amarela, mas eu mesmo tratei de apagá-la”. Ouvido por VEJA, Jobim confirmou o encontro de Lula e Gilmar em seu escritório em Brasília, mas, como bom político, disse que as partes da conversa que presenciou “foram em tom amigável”. VEJA tentou entrevistar Lula a respeito do episódio. Sem sucesso, enviou a seguinte mensagem aos assessores: “Estamos fechando uma matéria sobre o julgamento do mensalão para a edição desta semana. Gostaríamos de saber a versão do ex-presidente Lula sobre o encontro ocorrido em 26 de abril, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, com a presença do anfitrião e do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no qual Lula fez gestões com Mendes sobre o julgamento do mensalão”. Obteve a seguinte frase como resposta: “Quem fala sobre mensalão agora são apenas os ministros do Supremo Tribunal Fe¬deral”. Certo. Mas eles têm ouvido muito também sobre o mensalão”.
EncerroÉ isso aí. Não há um só jornalista de política que ignore essas gestões de Lula, sempre contadas em off. Ele mesmo não tem pejo de passar adiante supostas informações sobre comprometimentos deste ou daquele. Desde o início, estava claro que pretendia usar a CPI como instrumento de vingança contra desafetos — inclusive a imprensa — e como arma para inocentar os mensaleiros.
As informações estarrecedoras da reportagem da VEJA dão conta da degradação institucional a que Lula tenta submeter a República. Como já afirmei aqui, ele exerce, como ex-presidente, um papel muito mais nefasto do que exerceu como presidente. O cargo lhe impunha, por força dos limites legais, certos impedimentos. Livre para agir, certo de que é o senhor de ao menos seis vassalos do Supremo (que estes lhe dêem a resposta com a altivez necessária, pouco impota seu voto), tenta fazer valer a sua vontade junto àqueles que, segundo pensa, lhe devem obrigações. Aos que estariam fora do que supõe ser sua área de mando, tenta aplicar o que pode ser caracterizado como uma variante da chantagem.
Tudo isso para reescrever a história e livrar a cara de larápios. Mas também essa operação foi desmascarada. Por VEJA! Por que não seria assim?
Nem a ditadura militar conseguiu do Supremo Tribunal Federal o que Lula anseia: transformar o tribunal num quintal de recreação de um partido político.
Por Reinaldo Azevedo

sábado, 26 de maio de 2012

Lula chantageia Gilmar Mendes: alguém aí está surpreso?


 

Ele voltou com tudo e esta semana promete ser quente!

Reportagem da revista 'Veja' desta semana revela que o ex-presidente Lula procurou o ministro Gilmar Mendes, do STF, para chantageá-lo e tentar adiar o julgamento do Mensalão em troca de blindagem do ministro na CPI do Cachoeira, por causa de uma história que circula naquela comissão de que Gilmar Mendes teria viajado até Berlim, na Alemanha, em companhia do senador Demóstenes Torres em um avião cedido por Carlinhos Cachoeira. A conversa de Lula com o ministro teria acontecido no dia 26 de abril, no escritório do ex-ministro da Justiça Nelson Jobim, em Brasília, e que também foi presidente do STF.

Segundo a revista, Lula teria dito a Gilmar Mendes que seria melhor julgar o Mensalão após as eleições municipais de outubro, e aindadisse  que iria conversar com outros ministros do Supremo, o que deve estar fazendo. Lula é Lula, não se esqueçam. Líder do governo mais corrupto da história brasileira e, mesmo assim, intocável, incólume, inimputável, quase santo
Segundo 'Veja', a reação de Gilmar Mendes foi bastante dura: ''Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula!"  
Gilmar confirma a conversa e a viagem, mas diz que pagou todas as despesas e tem como comprovar. A reportagem diz também que Gilmar Mendes ouviu de Lula detalhes da estratégia que usaria para fazer o mesmo pedido a outros ministros do STF. Ele se encarregaria de orientar o amigo Sepúlveda Pertence, atual presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, para conversar com a ministra Cármen Lúcia, que teve Sepúlveda como padrinho da indicação dela para o Supremo. É bom lembrar que quando era presidente, Lula foi responsável pela indicação de seis dos onze atuais ministros do STF. Deu pra entender agora quais eram os propósitos
Quando digo aqui que o STF é um escritório de advocacia do PT, agastam-se comigo. Para neutralizar o Mensalão, do qual ele escapou por falta de coragem dos oposicionistas e do puxa-saquismo de outros tantos corruptos, Lula chutou para escanteio aquilo de decência que ainda podia ter. Para ele, o ministro Dias Toffoli, um dos indicados por ele, mesmo tendo sido advogado do ex-presidente e do PT, não tem que se declarar impedido de julgar a turba: ''Eu já disse ao Toffoli que ele tem que participar do julgamento''. Vejam que isenção!

À revista, Nelson Jobim confirmou o encontro no seu escritório, mas se limitou a dizer que a conversa foi em tom amigável. Quanto a Lula, não respondeu à Veja. Nem vai. Mas de uma coisa não resta dúvida: Lula ainda é o mesmo de sempre e, desta vez,  aplicou uma tremenda chantagem pra cima de Gilmar Mendes.

(do blog de Hadriel Ferreira)

SACO DE GATOS

É no que o PT do Recife se transformou. No poder há doze anos, o partido recorreu a prévias e expôs suas divergências figadais ao distinto público. Não divergências politico-ideológicas, como no passado recente, mas uma briga de coronéis, evolvendo toma lá toma cá de cargos na prefeitura, tornando um partido irremediavelmente partido para futuros embates no estado. Isto é tudo que muitos querem, como Eduardo, Armando Monteiro e mesmo Jarbas e até o pessoal do democratas, com Mendoncinha e cia. No poder, o PT não abre para ninguém. Se pudesse governaria sozinho, num sistema de partido único tal qual as "democracias populares" do antigo socialismo real, de triste memória , é sempre bom lembrar. Muitos petistas conservam um indisfarçável marxismo-leninismo, dos tempos da carochinha. Por essas e outras sempre estão flertando contra a liberdade de imprensa. Ademais, é preciso renovar. Doze anos no poder já está demais. E tem muita gente boa na fila. Estão para botar Humberto Costa para ser o candidato. Matreiramente, Eduardo, abre mais uma brecha para um seu agora fiel aliado Joaquim Francisco, que assume o senado. Com a candidatura Humberto, o mesmo fica numa situação difícil. Se ganhar, ficará prisioneiro da prefeitura. Se perder, perde o prestígio, que nem é lá essas coisas. Raposas felpudas estão a olhar este processo. Esperando mo bote. A oposição inclusive, mesmo frágil e inoperante, assite a tudo quase bestializada.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Marco Antônio Villa Verdade ? que verdade?


Verdade? Que verdade? - MARCO ANTONIO VILLA
Não se avança na democracia. E a comissão será um rotundo fracasso

Foi saudada como um momento histórico a designação dos membros da Comissão da Verdade. Como tudo se movimenta lentamente na presidência de Dilma Rousseff, o fato ocorreu seis meses após a aprovação da lei 12.528. Não há qualquer justificativa para tanta demora. Durante o trâmite da lei o governo poderia ter desenhando, ao menos, o perfil dos membros, o que facilitaria a escolha.

Houve, na verdade, um desencontro com a história. O momento para a criação da comissão deveria ter sido outro: em 1985, quando do restabelecimento da democracia. Naquela oportunidade não somente seria mais fácil a obtenção das informações, como muitos dos personagens envolvidos estavam vivos. Mas — por uma armadilha do destino — quem assumiu o governo foi José Sarney, sem autoridade moral para julgar o passado, pois tinha sido participante ativo e beneficiário das ações do regime militar.

O tempo foi passando, arquivos foram destruídos e importantes personagens do período morreram. E para contentar um setor do Partido dos Trabalhadores — aquele originário do que ficou conhecido como luta armada — a presidente resolveu retirar o tema do esquecimento. Buscou o caminho mais fácil — o de criar uma comissão — do que realizar o que significaria um enorme avanço democrático: a abertura de todos os arquivos oficiais que tratam daqueles anos.

É inexplicável o período de 42 anos para que a comissão investigue as violações dos direitos humanos. Retroagir a 1946 é um enorme equívoco, assim como deveria interromper as investigações em 1985, quando, apesar da vigência formal da legislação autoritária, na prática o país já vivia na democracia — basta recordar a legalização dos partidos comunistas. Se a extensão temporal é incompreensível, menos ainda é o prazo de trabalho: dois anos. Como os membros não têm dedicação exclusiva e, até agora, a estrutura disponibilizada para os trabalhos é ínfima, tudo indica que os resultados serão pífios. E, ainda no terreno das estranhezas e sem nenhum corporativismo, é, no mínimo, extravagante que tenha até uma psiquiatra na comissão e não haja lugar para um historiador.

A comissão foi criada para "efetivar o direito à memória e a verdade histórica". O que é "verdade histórica"? Pior são os sete objetivos da comissão (conforme artigo 3º), ora indefinidos, ora extremamente amplos. Alguns exemplos: como a comissão agirá para que seja prestada assistência às vítimas das violações dos direitos humanos? E como fará para "recomendar a adoção de medidas e políticas públicas para prevenir violação de direitos humanos, assegurar sua não repetição e promover a efetiva reconciliação nacional"? De que forma é possível "assegurar sua não repetição"?

O encaminhamento dado ao tema pelo governo foi desastroso. Reabriu a discussão sobre a lei de anistia, questão que já foi resolvida pelo STF em 2010. A anistia foi fundamental para o processo de transição para a democracia. Com a sua aprovação, em 1979, milhares de brasileiros retornaram ao país, muitos dos quais estavam exilados há 15 anos. Luís Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Miguel Arraes, Leonel Brizola, entre os mais conhecidos, voltaram a ter ativa participação política. Foi muito difícil convencer os setores ultraconservadores do regime militar que não admitiam o retorno dos exilados, especialmente de Leonel Brizola, o adversário mais temido — o PT era considerado inofensivo e Lula tinha bom relacionamento com o general Golbery do Couto e Silva.

Não é tarefa fácil mexer nas feridas. Há o envolvimento pessoal, famílias que tiveram suas vidas destruídas, viúvas, como disse o deputado Alencar Furtado, em 1977, do "quem sabe ou do talvez", torturas, desaparecimentos e mortes de dezenas de brasileiros. Mas — e não pode ser deixado de lado — ocorreram ações por parte dos grupos de luta armada que vitimaram dezenas de brasileiros. Evidentemente que são atos distintos. A repressão governamental ocorreu sob a proteção e a responsabilidade do Estado. Contudo, é possível enquadrar diversos atos daqueles grupos como violação dos direitos humanos e, portanto, incurso na lei 12.528.

O melhor caminho seria romper com a dicotomia — recolocada pela criação da comissão — repressão versus guerrilheiros ou ação das forças de segurança versus terroristas, dependendo do ponto de vista. É óbvio que a ditadura — e por ser justamente uma ditadura — se opunha à democracia; mas também é evidente que todos os grupos de luta armada almejavam a ditadura do proletariado (sem que isto justifique a bárbara repressão estatal). Nesta guerra, onde a política foi colocada de lado, o grande derrotado foi o povo brasileiro, que teve de suportar durante anos o regime ditatorial.

A presidente poderia ter agido como uma estadista, seguindo o exemplo do sul-africano Nelson Mandela, que criou a Comissão da Verdade e Reconciliação. Lá, o objetivo foi apresentar publicamente — várias sessões foram transmitidas pela televisão — os dois campos, os guerrilheiros e as forças do apartheid. Tudo sob a presidência do bispo Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz. E o país pôde virar democraticamente esta triste página da história. Mas no Brasil não temos um Mandela ou um Tutu.

Pelas primeiras declarações dos membros da comissão, continuaremos prisioneiros do extremismo político, congelados no tempo, como se a roda da história tivesse parado em 1970. Não avançaremos nenhum centímetro no processo de construção da democracia brasileira. E a comissão será um rotundo fracasso.

 MARCO ANTONIO VILLA é historiador.

O Globo
22/05/2012 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

POLITICA E EDUCAÇÃO

Quando se mistura política com educação, a educação sempre sai perdendo. Aqui em Caetés, como ademais em muitas cidades do interior, o calendário escolar, é sempre vilipendiado das mais variadas formas. Seja a prefeitura não liberando os carros para as escolas, mas para comícios e reuniões políticas afins, como a liberação de alunos para festas, estas, inúmeras também com finalidades políticas. Nas eleições passadas, tiramos fotografias, trouxemos testemunhas, fizemos a denúncia, e nada. A justiça , não sei porque, nem deu um pio, e, convenhamos, num assunto muito sério e de sua alçada. Na época, cerca de uma semana ficou sem aulas porque os velhos caminhões que servem de transporte, ficaram a carregar eleitores. Um absurdo! Eu mesmo fui para a audiência, que não deu em nada.
Também tem os enterros. É comum na cidade, quando morre uma pessoa de alguma relevância política para o grupo dominante, também não tem aula. Dizem que uma tia avó do prefeito quando morreu em São Paulo de velhice, não teve aula! Semana passada, a morte trágica de um rapaz, de boa família  - claro, não é essa a questão -  causou a paralisação de dois dias de aula. Claro que essas aulas são registradas pelos professores, causando inclusive prejuízo a escola de referência do estado na cidade. Um absurdo. Nem na morte de um presidente as escolas param por dois dias. É preciso uma maior ação do ministério público de juntamente com os pais, os verdadeiros clientes vilipendiados, que lutem contra tais abusos contra o direito dos cidadãos. Feriado, só com a morte do prefeito e pronto, e só por um dia. Chega de malandragem, e descaso com os direitos dos cidadãos. Claro, não está em questão as famílias dos falecidos, mas no exercício da cidadania. Afinal, quantas aulas deixaram de ser dadas nestes dias de "feriado forçado"?  

terça-feira, 22 de maio de 2012

A nova ordem e a força social - GAUDÊNCIO TORQUATO




O Estado de S.Paulo - 20/05


Maquiavel dizia: "Nada é mais difícil de executar, mais duvidoso de ter êxito ou mais perigoso de manejar do que dar início a uma nova ordem de coisas". E o cardeal Richelieu lembrava em seu testamento político: "O que é apresentado de súbito em geral espanta de tal maneira que priva a pessoa dos meios de fazer oposição, ao passo que quando a execução de um plano é empreendida lentamente a revelação gradual do mesmo pode criar a impressão de que está sendo apenas projetado e não será necessariamente executado". Entre as trilhas abertas por esses dois grandes formuladores da ciência política caminha o Brasil.

Quem garante que o País não se tem esforçado para abrir uma nova ordem de coisas pode estar acometido de cegueira partidária, essa que confere aos adversários (momentâneos) dos governos a capacidade de enxergar apenas por um olho, o da oposição. E quem defende a tese de que o edifício das reformas já está construído - e que tudo anda às mil maravilhas - é um habitante passional do condomínio governamental. Por sua lupa de lentes grossas, os feitos batem nas alturas. Nem uma coisa nem outra. O País faz consertos, sim, nas estruturas, mas o trabalho é lento. Os avanços não seguem o modelo "arrombar a porta" da Blitzkrieg. Por aqui a estratégia lembra mais a do general Quintus Fabius (275 a.C.-203 a.C.), conhecido por fustigar o cartaginês Aníbal Barca nas guerras do sul da Itália, nunca recorrendo ao confronto direto, mas "comendo pelas bordas". Faz mais nosso estilo. Quem não se lembra da angústia causada pelo abrupto confisco da poupança na era Collor?

Nas últimas duas décadas avançamos no terreno da racionalidade. Implantaram-se sistemas, métodos e programas voltados para o aprimoramento da gestão pública, da moralização dos padrões da política, da defesa dos direitos humanos, da igualdade entre classes e gêneros. Nossa democracia foi bastante lapidada. Na última semana mesmo, o País instalou a Comissão da Verdade, com o objetivo de investigar crimes perpetrados por agentes públicos, e ganhou a Lei de Acesso à Informação, pela qual os cidadãos tomarão conhecimento do que se passa nos municípios, Estados e União, em todos os Poderes. No rol de mecanismos para moralizar a gestão pública vale destacar a Lei de Responsabilidade Fiscal, de maio de 2000, que condiciona gastos de Estados e municípios à capacidade de arrecadar tributos. É mecanismo central para barrar a gastança de administradores que tentam pendurar-se na gangorra eleitoral. Mesmo assim, não é pequeno o número de entes federativos que levantam dificuldades para aplicar na plenitude aquele dispositivo, sob o argumento de que os orçamentos se têm estreitado. Como se vê, por aqui a cultura moralizante baixa a conta-gotas. E sob muita lentidão.

Ainda na trilha dos direitos humanos e da cidadania se pode apontar um conjunto normativo de muita significação, como a Lei Maria da Penha, contra agressões à mulher no ambiente doméstico e familiar; a Lei da Ficha Limpa, que torna inelegíveis candidatos e governantes às voltas com a Justiça; o Estatuto da Criança e do Adolescente; a lei das cotas, que garante reservas em vestibulares para negras e negros; o dispositivo que pune empresas por estabelecerem menor remuneração para mulheres que exercem a mesma função que homens; e a lei para o refugiado, considerada uma das mais avançadas do mundo no gênero, que deverá ampliar os direitos dos imigrantes. O acervo de instrumentos legais, como se pode concluir, é vasto e contempla os mais variado núcleos, categorias e esferas. Ao longo das legislaturas vão ganhando reparos, passando por ajustes e se incorporando às culturas administrativa e política. Moldam-se, paulatinamente, às pautas cotidianas e mesmo as leis que recebem protestos de setores organizados - caso da Lei Seca - acabam sendo aplaudidas. Chama a atenção o fato de que a nova ordem que se esboça resulta de uma forte ação social. Essa é a boa nova. O País alarga o caminho do aperfeiçoamento das instituições sob o empuxo de uma efervescente democracia participativa, como se vê na mobilização de caravanas que comparecem às audiências públicas no Congresso e às sessões do STF, cuja sintonia com a sociedade nunca foi tão afinada.

O movimento centrípeto - das bases para o centro da política tradicional - sinaliza horizontes promissores, eis que abre a perspectiva de uma sólida democracia participativa. Ou seja, funcionando como aríete contra os vetustos bastiões dos exércitos que tomam assento no Congresso, os polos de poder que nascem nas vanguardas sociais forçam partidos a assumir posições inovadoras e a desconcentrar a velha política. O Estado oxigena suas estruturas e a Nação passa a ganhar altas taxas de civismo.

Exemplo dignificante dessa força centrípeta é a vassoura ética simbolizada pela Lei da Ficha Limpa. Construída nas oficinas sociais, foi levada ao Parlamento com o registro de mais de 1,3 milhão de assinaturas. A conclusão emerge: o Brasil não é mais um gigante dormindo em berço esplêndido. Está desperto. Uma bandeira reformista tremula por todos os espaços. Claro que a representação política faz a sua parte. Daí se aduzir que vivemos hoje sob o signo de uma feliz interação da macropolítica, sob as cúpulas do Parlamento, com a micropolítica, sob o império dos novos circuitos de representação (organizações, núcleos, grupos, etc.).

Outra hipótese floresce. A mudança, a inovação, a renovação são processos que começam a inspirar a sociedade em sua caminhada. Um Brasil racional, mais justo e ético, está sendo plasmado nos fornos sociais. Ao contrário do que alguns ainda verberam, as massas não desejam apenas pão e circo. Querem serviços de qualidade. Se a democracia representativa não atende ao seu clamor, levantarão com vigor a bandeira da democracia supletiva. Uma leitura dos eventos de nossa política mostra que o aviso é para valer.

QUADRO POLÍTICO EM GARANHUNS

A decisão de "peitar" o governador, colocando sua candidatura, é o fato novo da política da cidade. Assinala o rompimento do candidato Zé da Luz em caráter definitivo com Eduardo, pelo menos nestas eleições, se colocando nos braços de Sérgio Guerra, que é quem vai patrocinar sua candidatura, juntamente com Silvino e Luís Carlos, o prefeito. Izaías se isola, mas tem como patrocinador Armando Monteiro, e parte da classe média que votava em Silvino, poderá migrar para a sua candidatura. Afinal, quem tem um mínimo de instrução, não vota em Zé da Luz, o candidato do lumpesinato da cidade. Com muita marquetagem, poderá crescer, dependendo da carta na manga do governador. Em outras palavras, por trás das três candidaturas espreitam três raposas felpudas da política estadual, que travam forças nesta eleição. Eduardo Campos, Sérgio Guerra e Armando Monteiro. Vai ser uma árdua disputa, pois quase metade do eleitorado continua indeciso. Pode ocorrer um elemento surpresa, mas acho difícil. Enquanto isso, a pobre Caetés vai sangrar ainda mais. Vai ser uma das campanhas mais sujas da história da cidade. Quem viver, verá.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

SERGIO MURILO



A multinacional Suiça e maior fabricante de alimentos do mundo confirmou a construção da nova fabrica em 2012,com investimentos íniciais de 300 milhões de reais ,será a maior da região nordeste.O investimento total da empresa está em fase de aprovação na matriz na Suiça
e deverá sair com anucio oficial até Junho ou Julho.
Abriga está nos agrestes setentrional ou meridional ,regiões polos de Caruaru e Garanhuns,inclusive já sendo tema de campanha em Bezerros pelos candidatos do PR Bete ,liderado pelo deputado Inocencio ,e BRANQUINHO ,recem lançado pelo PSB .
O curioso é que o governador colocou entre prioridades a ordem de serviço,já licitado,da duplicação entre São Caetano até Garanhus,estendendo-se com aditivo até Bom Conselho,onde está a gigante de leite ÊLEGE,do grupo Perdigão.Será uma carta ou uma canastra real . Vamos ver ...

sábado, 19 de maio de 2012

PAULO FRANCIS



Ai que saudades de Paulo Francis. Nestes tempos medíocres, do esquerdismo cleptocrático Paulo Francis atiraria sua metralhadora giratória, não só contra o governo, mas também medíocre oposição. E o governo ainda reclama de uma coisa que praticamente não existe, justamente a oposição. O que petistas como o tal de Ruy Falcão - devia ser chamado de Ruy Galinha, com todo respeito aos galináceos - queriam mesmo seria a censura total. E Dilma presidente? Com àqueles vestidos horrorosos que ela usa, e pelo mais completo desconhecimento do mundo de uma figura como essa, atrasada política e ideologicamente. Mais perigosa do que Lula, pois acredita que pensa. Lula sabiamente deixava mais ou menos as coisas com os outros e saía andando pelo país politicando, faturando o pequeno boom econômico preparado por seu antecessor, Fernando Henrique. Passou os oito anos de governo tentando explicar à nação o contrário, ou seja, que recebeu um país quebrado e desestruturado. 
Foi lançado ultimamente um livro de crônicas "Diário da Côrte", que acompanhei todas as semanas na folha de são Paulo e aqui, no jornal do comércio. Depois o mesmo seria censurado pela imprensa local, quando da indicação de Gustavo Krause no ministério da fazenda, ele disse que nenhum nordestino tinha capacidade de assumir um cargo como esse. Logo depois se retrataria, depois da grita geral de intelectuais nordestinos, mas a censura foi mantida. Uma imbecilidade dos tribalistas de esquerda. Um conhecido meu do PT, hoje presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Túlio Velho  Barreto , nos tempos do mestrado da UFPe., ao ouvir falar que eu gostava muito dele, me disse, mais ou menos assim: "Rafael, não sabia que você gostava dele. Eu o odeio. Por falar nisso, vou queimar uns livros dele que tenho na prateleira lá de casa". Túlio ainda era comunista. Ainda é? Um leninista apaixonado e preparado. Mas achava que nossa dívida externa não deveria der paga, e o governo devia intervir nos bancos. Será que ainda hoje defenderia idéias como essas?
Paulo Francis foi comunista na juventude. Comunista da linha trotskista. Como jornalista conheceu muitos países, inclusive Moscou, capital da então União Soviética. Ao conhecer o meio oeste americano, mudou de opinião. Nunca viu tanta riqueza, comparada a pobreza dos países socialistas, e de países periféricos como o Brasil. Começou a descobrir que nosso problema, dentre muitos outros é a estatização da economia. É no estado que a cleptocracia nativa sempre mamou. Porém ele não tinha conhecido a corrupção de esquerda. Se estivesse vivo se esbaldaria, e mexia com muito cabra safado travestido de comunista ou socialista. Vou comprar um exemplar e dar a um amigo meu petista, pra ver se ele se salva dos larápios, pois ladrão ele não é. Ainda não.

Lição do Brasil? Em que área?


Quem disse que o Brasil pode dar lições ao mundo ou ser um exemplo a seguir? Muito se ouve e se lê a respeito do papel de guia do Brasil no mundo e isso, obviamente, é superestimado. Com exceção da área ambiental, onde o Brasil pode fazer história aliando desenvolvimento com preservação,  em muitas outras o Brasil ainda tem muito a aprender com países estrangeiros, é inegável. E não é porque a economia tem se comportado bem nos últimos anos que servimos de farol para outros. Europa e EUA não ficarão para sempre em crise e o Brasil já dá sinais de cansaço econômico quando cresce 2,7%, como aconteceu no último ano. A Alemanha, que dizem estar em crise, cresceu 3% no mesmo período.

Na Veja desta semana encontrei um ótimo texto do jornalista J.R. Guzzo sobre aquilo que se costuma achar no Brasil sobre alguns países do mundo, neste caso, a França. Reproduzo trechos:

A França de hoje tem muito mais do bom do que do ruim ─ e nesses casos o melhor que pode lhe acontecer é ir se segurando mais ou menos onde está.
O fato que realmente interessa, e do qual bem pouco se fala, é o seguinte: a França é um dos países mais bem-sucedidos do mundo. Tem problemas, claro, e alguns deles são até reais. Mas é um país de verdade, com 65 milhões de habitantes, e não um parque de diversões ─ e tem uma situação admirável para quem chegou a esse porte.
Não há um único buraco em seus 11 000 quilômetros de autoestradas de primeiríssima classe. O trem-bala existe; está sempre no horário, mantém velocidade média de 300 quilômetros por hora e sua rede já é cinco vezes maior que o trajeto entre Rio de Janeiro e São Paulo. A França tem um PIB per capita acima dos 42 mil dólares anuais.
Soube aproveitar com inteligência, rapidez e eficácia todo o avanço tecnológico das últimas décadas. Produz mais que o Brasil, num território equivalente a 6% do nosso e com um terço da nossa população. O salário mínimo é cinco vezes superior ao brasileiro, a saúde pública é impecável e a classe C já emergiu 100 anos atrás.
O cidadão francês não sabe o que é um assalto a mão armada, e não tem a menor ideia do que possa ser um arrastão em prédios de apartamento. Nunca ouviu falar em firma reconhecida, nem em desabamento de morros. Desconhece a existência de filas de ônibus. Rouba-se pouco, e jamais com prejuízo para os serviços públicos.
Os fiscais não extorquem: apenas fiscalizam. A soma de todas as suas dificuldades, considerando-se a vida como ela é, parece uma brincadeira quando comparada à de certos Brics, a começar pelo que é representado na letra B.
A França, certamente, tem complicações sérias, como o desemprego e a invasão de seu território pelos pobres do mundo que, por bem ou por mal, querem emigrar para lá. Também tem uma paixão mal resolvida, e provavelmente sem solução, pelo “Estado forte”, a quem se atribui poderes comparáveis aos de Nossa Senhora de Lourdes. Já conseguiu ter um Ministério da Educação e outro do Ensino Público, e mantém curiosidades como o Ministério da Coesão Social ou o da Ruralidade.
Sarkozy, com o seu estilo MMA de governar, não conseguiu diminuir nenhum desses problemas; também não os tornou piores do que eram ao assumir. Hollande, que carrega o malvado apelido de “Pudim” e tem como principal destaque de sua carreira o fato de nunca ter se destacado em nada, parece o homem certo para repetir o mesmo trajeto.
Melhor para a França. Ela tem a sorte de não precisar dos seus políticos para conservar tudo aquilo que já soube construir.
Era costume dizer que um dos primeiros sinais da velhice aparece quando o indivíduo começa a ser chamado de “senhor” pelo médico (ou, pior ainda, pelo padre), e já trata um e outro de “você”.
François Hollande acaba de dar uma nova contribuição para as práticas populares de contagem do tempo. Em sua juventude, foi um fã entusiasmado de Jimi Hendrix ─ e, quando alguém que pode tornar-se presidente da França tem no seu álbum de ídolos alguém como Jimi Hendrix, ficamos avisados, mais uma vez, de que a vida está passando depressa. 

(do blog de Hadriel Ferreira)

CARTA NA MANGA



Estive conversando com um primo, grande amigo e pessoa, Sérgio Murilo Fontes, um grande comentador da política estadual, arraesista de carteirinha e agora fiel defensor de Eduardo Campos, sobre a carta na manga a qual sempre me referi, do governador nestas eleições, em Garanhuns. Ou seja, apesar de bombardeado pelos políticos locais, o governador nem pestanejou em manter sua candidatura. Mostrou-se impassível diante de muitos políticos que dizem ser seus aliados, buscando seu apoio, mostrando que nem um trem derrubava a candidatura. Antonio João Dourado é o seu candidato e pronto. Algo o governador tem a mostrar, para demonstrar esta tranquilidade. Sempre tive a impressão que ele vai anunciar um grande empreendimento para a cidade que lhe deu mais de noventa por cento dos votos. Provavelmente ele vai trazer a NESTLÉ para a cidade, grande produtora mundial de alimentos, mais especialmente no ramo de laticínios, integrada a bacia leiteira da região. 
Um empreendimento destes, associado a duplicação da BR, ligando Garanhuns ao Recife, teria um grande impacto na cidade, com pelo menos a metade do eleitorado indeciso. Ao anunciar o empreendimento, claro, a política vai rolar. Quem duvida? Por essas e outras, quem dá as cartas na sucessão em Garanhuns é o governador. E todos estão na moita, esperando o desenrolar do jogo, que ainda nem começou direito. Espero que as análises do velho Sérgio se solidifiquem. Garanhuns precisa desse investimento, que agora é disputado por Bezerros e Gravatá, com Inocêncio Oliveira na moita. Será esta a carta na manga do governador? Aguardemos.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A solução para a educação!

Minha fotoAté as pedras sabem: quando se mistura política com educação, a última  sai sempre perdendo. A educação precisa de meritocracia e institucionalização das relações de trabalho e da continuidade das ações pedagógicas que estão dando certo. Não sou um entusiasta das políticas educacionais de gerência. Seria melhor o velho concurso, com mandato determinado, renovável de acordo com o desempenho. Mas eleições diretas são sempre melhor do que o apadrinhamento político, claro. Este é o retrocesso. Sempre fui radicalmente contra a influência da política na educação. Inclusive a ideologização esquerdista a quem são submetidos nossos alunos e professores. Querem ensinar aos alunos o sucesso do socialismo e o fracasso do capitalismo. Que os capitalistas e o capitalismo são obras do diabo, capitaneadas pelos EUA, o grande agente do mal mundial. O próprio Marx ficaria arrepiado com tais conceitos, muitas vezes ditos e repetidos em seu nome. Eduardo fala em governo meritocrático. Não é. É o velho coronelismo com tinturas modernosas, digamos. É como o PT, com marketing bonitinho, até modernoso, mas conservador da pior espécie. Da esquerda populista. É preciso desideologizar a educação. E já. 

PROFESSOR

Na educação, há muito não se tem mais segredos. O professor tem de  saber ensinar os conteúdos, os alunos aprendê-los. Desde o final do século XIX que a meritocracia é fundamental na escolha dos funcionários públicos, sobretudo os professores na velha Europa. Por isso, dentre outros fatores, a universalização do ensino se deu pelo final do século XIX. Os EUA aí incluídos. E educação inclui disciplina rigorosa. Não tem essa história de aluno bagunçar em sala de aula, e mesmo desrespeitar os professores. Democracia é respeito, sobretudo às instituições democráticas. E se aprende também na escola. As lei são brandas com alunos malfeitores ou marginais. Devem ser punidos exemplarmente e não com psicologia ou pedagogia de botequim. Se o aluno tiver problemas, que se encaminhe a um psicólogo. Se for doente mental, a um psiquiatra. Se for apenas delinquente, para o reformatório, ou para a cadeia. Querem que o pobre professor seja psicólogo, assistente social e até psiquiatra. Quase ninguém fala disso, mas as escolas melhor avaliadas são justamente aquelas que impõem a ordem e o respeito à hierarquia. Nas escolas públicas, destacam-se as militares. Claro, também essas escolas têm um rigoroso processo seletivo. O resto é farofa.

EDUCAÇÃO LÁ FORA

Na velha Europa, aluno não tem essa bola toda. Na França, ainda recebem cocorotes e tapas na boca, para se comportarem. No Oriente, a velha tradição confuciana de respeito à ordem e hierarquia vem de milênios, no bojo da velha cultura chinesa. Transgrediu, dançou. Aqui, aluno respeitado é o chamado rebelde, na verdade, em sua maioria, o delinquente. Que são encarados sobretudo como vítimas sociais, coitadinhos... O aluno ordeiro, estudioso e bom de notas é considerado muitas vezes um babaca. Um pária da turma. E o professor tem que aguentar tudo, inclusive os tradicionais baixos salários. Aqui confunde-se democracia com falso liberalismo. Democracia na educação é escola de qualidade para todos. Com professores ensinando bem e os alunos ordeiramente aprendendo, priorizando os melhores, os que se destacam, claro, óbvio ululante. Não os vadios. Sim! Na alfabetização tem que voltar o método tradicional. Abaixo os construtivistas que enterraram o ensino básicoViva a volta da boa e tradicional cartilha do ABC. E da tabuada, por que não? Isto para começar.

Texto do inoxidável Rafael Brasil, escrito em 2010, com pequenas adaptações.
O título é meu!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

E o Granma.cu, porta-voz de uma ditadura que responde por pelo menos 100 mil mortos, exalta a Comissão da Verdade no Brasil!

Ontem, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), presidente nacional do PT, compareceu ao horário político do partido e, acreditem!, defendeu a liberdade de expressão (comento posts abaixo). É o mesmo Falcão que anunciou não faz tempo que o governo precisa domar a “mídia” depois de dar um tranco nos bancos… Esses esquerdistas não surpreendem, convenham. Os petistas têm um modelo de imprensa na cabeça: o Granma.cu!, a versão online do jornal do Partido Comunista Cubano.
Como cinismo pouco é bobagem, o Granma, órgão oficial do Partido Comunista Cubano, publicou ontem um texto saudando a criação da Comissão da Verdade no Brasil. Aproveitou para lembrar o passado “guerrilheiro” da presidente Dilma Rousseff.
Boa parte dos cubanos, dada a carência de papel higiênico no país, usa a versão impressa do jornal para os chamados serviços de higiene. Eu não estou brincando, não! Isso não é uma tentativa de piada. É um fato mesmo. A versão eletrônica não serve nem pra isso.
No último parágrafo, lemos:
“A Comissão da Verdade criada no Brasil é fundamental para que as novas gerações conheçam seu passado recente, quando muitas pessoas foram presas, torturadas e assassinadas”.
Pois é… A ditadura no Brasil começou em 1964 e terminou, oficialmente, em 1985, embora  já estivesse combalida desde muito antes; afinal, a Lei da Anistia é de 1979. A ditadura comunista cubana teve início em 1959 e não acabou. O regime continua a encarcerar os dissidentes, e presos políticos ainda morrem na cadeia. Cuba tem uma população que é pouco superior à vigésima parte da do Brasil. A ditadura castrista responde pela morte de 100 mil pessoas — 17 mil foram fuziladas; as demais morreram afogadas tentando deixar a ilha. O mar que separa Cuba da Flórida é um cemitério. Só para que se comparem as brutalidades: os mortos oficiais da ditadura militar brasileira são 424. Não obstante, os petistas se negam a condenar aquela tirania — na verdade, nem mesmo reconhecem o regime como ditatorial.
Com essa performance, os comunistas de Cuba saúdam a Comissão da Verdade no Brasil. 
Por Reinaldo Azevedo

Augusto Nunes:..Volta ao palco o papagaio de pirata

O coadjuvante do espetáculo do cinismo volta ao palco como papagaio de pirata

Três convidados e três sem-ingresso dividem com Dilma Roussef a foto que mostra o começo do primeiro discurso como presidente eleita. Por solicitação da candidata vitoriosa, posam para a posteridade o vice Michel Temer, o companheiro José Eduardo Dutra e o acompanhante José Eduardo Cardozo. Os outros são penetras. Valeram-se de empurrões, cotoveladas e pontapés para alojar-se no espaço sempre diminuto reservado a essa maravilha da fauna política nativa: o papagaio de pirata.
Infiltrada entre Temer e Dilma, a prefeita Luizianne Lins capricha na expressão severa de quem veio de Fortaleza para testemunhar a leitura dos Dez Mandamentos pela voz de Moisés. Espremidas no fundo, há duas metades de rosto. A face esquerda pertence a Magno Malta, senador reeleito pelo PR capixaba. Pastor evangélico e pecador juramentado, ficou nacionalmente conhecido no escândalo dos sanguessugas. O dono da face direita é o enigma ainda por decifrar: se só é candidato a qualquer papel em qualquer novela de qualquer emissora, o que é que faz no retrato o ator José de Abreu?
Ele mesmo procurou esclarecer o mistério com um texto publicado no blog do Xexéo. O título é tão intrigante quanto a aparição em Brasília:Piratas, Papagaios, Torturas e Torturados. E tão amalucado quanto o texto, que começa por registrar o desconforto do articulista com a chuva de piadas que a foto inspirou. "A pior, exatamente de um humorista, o Gregório Duvivier, lançou meu nome (ainda bem que foi apenas o nome, não eu) para o Ministério da Figuração, logo eu que vivo fazendo novela das oito", resmunga.
Com uma alusão cifrada a Dilma Rousseff, Abreu insinua em seguida que ficou na ribalta a pedido da estrela: "A verdade é que, naquele momento, quando tiraram os outros papagaios do palco e eu ia descer, uma mão firme me segurou, um olhar carinhoso cruzou com o meu e me senti estimulado a ficar. E fiquei".  O resto do palavrório celebra o combatente triunfante:
Eu estava entre amigos, lutadores, como eu, da boa luta. E vitoriosos numa batalha onde golpes baixos eram lançados a toda hora, um aborto na canela, uma homofobia nas partes pudendas, um bispo protetor de pedófilo pisando no dedão… Terrorista, ladra, assassina, era o que se dizia dela, minha companheira de luta contra a ditadura, que de branda nada tinha. E tome machismo, preconceito, baixarias. Estava feliz e emocionado, a lembrar dos censurados, dos torturados, dos assassinados pelo terror de Estado.
E pensei:
— Melhor ser papagaio de pirata que pirata sem papagaio."
Foi a segunda atuação de José de Abreu como coadjuvante de comédias políticas de péssimo gosto.  Se desta vez só havia mocinhos em cena, eram vilões assumidos todos os participantes do espetáculo de estreia, encenado no Rio em agosto de 2006, na casa do ministro Gilberto Gil. Sentado na primeira fila de cadeiras da sala de visitas, o presidente Lula, convidado de honra, ouviu o resumo da ópera feito pelo produtor de cinema Luiz Carlos Barreto. "A política é um terreno pantanoso, a ética é de conveniência", disse Barretão. "Se o fim é nobre, os fins justificam os meios. O que eu acho inaceitável é roubar. Mentir é do jogo político. Não é roubo".
Em campanha pelo segundo mandato, Lula sentiu-se entre companheiros. Sentiu-se entre cúmplices com a fala inicial do ator Paulo Betti: "Não vamos ser hipócritas: política se faz com mãos sujas", recitou o ex-galã. "Não estou preocupado com a ética do PT", solfejou o músico Wagner Tiso. "Acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país". O epílogo do espetáculo do cinismo ficou por conta do coadjuvante que, agora como papagaio de pirata, acusa as vítimas de práticas celebradas em 2006 na casa de Gilberto Gil. Foi ele o escalado para proclamar a inocência de José Dirceu, José Mentor e José Genoino, e a estender o braço solidário dos presentes aos três companheiros.
Todos Josés, como o ator. O Dirceu foi denunciado pela Procuradoria Geral da República e será julgado pelo Supremo Tribunal Federal por chefiar a quadrilha do mensalão. O Mentor ampliou notavelmente o prontuário como relator da CPI do Banestado e comparsa de Marcos Valério. O Genoino, uma das estrelas do mais superlativo escândalo da história da República, evadiu-se da presidência do PT depois que o assessor do irmão foi capturado com dólares na cueca. Abreu, o quarto José, mereceria a condenação ao ostracismo pelos brasileiros decentes se já não tivesse sido desde sempre condenado à obscuridade.
Os integrantes da tribo de José de Abreu são dependentess de patrocínios extorquidos de empresas estatais e favores concedidos pelo governo. Artistas e intelectuais estatizados se preocupam demais com as incertezas do futuro. É por isso que tantos envelhecem mal. Ou nem envelhecem: frequentemente passam, sem escalas, de moços a velhacos.