sábado, 26 de fevereiro de 2011

Violência no Nordeste.

A região do Brasil que mais sofre com a pobreza, agora também submerge na violência. Em uma década (1998-2008), o Nordeste assistiu a uma escalada no número de homicídios, suicídios e acidentes de trânsito. Os assassinatos aumentaram 65%, os suicídios 80% e os acidentes de trânsito 37%. Na população jovem, os índices são ainda piores: um crescimento de 49% nos acidentes, 94% nos homicídios e 92% nos suicídios. Alagoas é o Estado símbolo dessa escalada de violência. A Bahia traz números assustadores e o Maranhão não fica atrás.
Essa radiografia está no “Mapa da Violência 2011 - Os Jovens do Brasil”. Em síntese, entre 1998 e 2008 nenhuma outra região teve um aumento tão grande de mortes por causas externas.
Alagoas é hoje o estado com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. Em 10 anos, a violência (que já era altíssima)cresceu 2,7 vezes. Entre os jovens, tem sintomas de catástrofe: o número de homicídios cresceu 343% e a taxa por 100 mil habitantes quadruplicou. Entre jovens e negros pode ser considerada quase um extermínio: alcançou 155,6 por 100 mil - para cada jovem branco assassinado, morrem outros 13 negros. Esse número só é pior na Paraíba, onde morrem quase 20 jovens negros para cada jovem branco.
A explicação para essa escalada pode estar exatamente nos males que vêm com as boas notícias. Nos últimos anos, novos polos econômicos surgiram por todo o Nordeste e alguns Estados no Norte, como o Pará. Mas, enquanto chegavam o dinheiro, os empregos e mais moradores, o Estado ficava para trás. Há polos que emergem com forte peso econômico e praticamente não têm a presença do Estado.
O Nordeste passa por uma fenômeno chamado “desconcentração” da violência, li aqui no jornal. Se no início da década as mortes violentas estavam principalmente nas capitais e nas suas regiões metropolitanas, ao longo dos anos houve um movimento de migração.
Hoje, as cidades do interior sofrem com os aumentos de assaltos, tráfico, roubos, acidentes de trânsito, etc. Em relação a homicídios, um estado da federação destaca-se: São Paulo, com taxa inferior à 10 mortes por cem mil habitantes. Notem que falamos do estado mais populoso do Brasil e também o mais rico deles. Outro aspecto interessante é o fracasso da política de desarmamento. Já foram entregues 500 mil armas e a violência aumenta em muitos estados, até campeia em alguns. Mostrei aqui dia desses, com dados da ONU, que a posse de armas em muitos países não causam o genocídio que se ver no Brasil. Só o petista José Eduardo Cardozo não percebe isso. Agora, já que o Estado é incompetentíssimo em dá segurança à população, eles criam um paliativo: tomar-lhes as armas. Bela estratégia, não é mesmo?

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